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terça-feira, 1 de maio de 2012

Elefantes do passado


Texto publicado no jornal O Baluarte de Santa Maria no âmbito do projecto


Existem três espécies de elefantes no mundo: o elefante-da-savana (Loxodonta africana), o elefante-da-floresta (Loxodonta cyclotis) e o elefante-asiático (Elephas maximus). E como eram aquelas espécies que já desapareceram? Existem muitos fósseis que permitem conhecermos melhor o seu aspecto. Mas, seria o seu comportamento comparável ao dos elefantes actuais? Sabe-se que hoje os elefantes têm uma estrutura social complexa, com segregação sexual e centrada em grupos matriarcais. Há quanto tempo é que este comportamento existe?

O comportamento dos animais extintos é difícil de estudar porque, ao contrário dos seus ossos, carapaças ou concha, não fossiliza. No entanto, algumas pistas muito raras dão-nos, por vezes, a conhecer vislumbres dos hábitos dos animais extintos.


Reconstrução da manada de Mleisa 1, tendo como base a espécie Stegotretrabelodon como origem das pegadas (© Mauricio Antón)


Este é o caso de uma recente descoberta feita num local chamado Mleisa, nos Emirados Árabes Unidos, por uma equipa internacional liderada por Faysal Bibi, hoje a trabalhar na Universidade Humboldt em Berlim. Este paleontólogo e a sua equipa descobriram uma pista com muitas pegadas fossilizadas de Proboscídeos, a família a que pertencem os elefantes.

Porque é que esta descoberta é tão interessante? Porque o número e disposição das pegadas permite-nos inferir muito acerca do comportamento social dos animais que por aquele local passaram há entre 6 a 8 milhões de anos.
O primeiro facto que esta descoberta nos transmite é que as pegadas seriam dos antepassados dos actuais elefantes, que se estima terem divergido há cerca de 6 milhões de anos. Depois, com base no tamanho e espaçamento das pegadas dos pelo menos 13 indivíduos, foi possível estimar o tamanho dos animais, que resulta ser comparável ao dos elefantes africanos.

No que diz respeito ao comportamento, o facto das pistas serem paralelas, indica que os animais estavam a viajar lado a lado, em grupo e, portanto, já teriam alguma estruturação social. Há ainda uma outra pista, de um animal solitário, que se cruza com as demais. Este animal era maior, pelo que os autores especulam que poderia ser um macho. A confirmarem-se as suspeitas de que a manada era constituída por fêmeas (a distribuição de tamanhos sendo similar à das manadas actuais) e que o animal solitário era um macho, isto implica que os elefantes ancestrais já viviam de forma similar à das espécies atuais e, portanto, que o seu sistema social tem uma história bem longa.

Procuram-se, pois, novas pistas de elefantes para continuar a reconstrução da evolução do comportamento social!





Referências:

quarta-feira, 21 de março de 2012

À conversa em Coimbra


Depois de divulgar estes eventos organizados pelo António Piedade, é com todo o prazer que participo num deles.
É já este Sábado, dia 24 de Março, às 17h30 na Bertrand do Dolce Vita Coimbra. Apareça para uma conversa informal.


domingo, 26 de fevereiro de 2012

OS CAVALOS QUE ENCOLHEM OU OS EQUÍVOCOS SOBRE A EVOLUÇÃO BIOLÓGICA




Texto também publicado no blog AstroPT.



Acham que “A Selecção Natural  faz com que os indivíduos se modifiquem para se adaptarem ao seu meio”?

Numa primeira leitura, esta frase até pode parecer fazer sentido...Não é certo que nós vamos tentando adaptar-nos às circunstâncias cambiantes conforme necessário? Sim. Mas, por mais que esta visão algo antropocêntrica nos agrade, ela não é a evolução por selecção natural.
Esta é uma visão que vem ainda da teoria de evolução proposta pelo naturalista francês Jean-Baptiste Lamarck, que implicava a hereditariedade de características adquiridas. O que quer isto dizer? Bem, quer dizer que os seres vivos, ao tentarem adaptar-se ao seu meio ambiente, sofriam alterações anatómicas, por exemplo, e que essas alterações (ou novas características) eram passadas às sua descendência. Esta explicação há muito foi abandonada pelos biólogos evolutivos e só ocorre em casos muito raros (por exemplo, quando a radiação afecta as células das linhas germinais, os gâmetas, causando mutações).

Como funciona então a Selecção Natural, o mecanismo proposto pelo grande naturalista inglês Charles Darwin e que é hoje aceite como um dos processos responsáveis pela evolução biológica?
Sejamos um pouco antropocêntricos, só por um momento, e pensemos na nossa espécie, Homo sapiens. São todos os indivíduos da nossa espécie iguais? Não: há pessoas de diferente altura, com diferente cor de cabelo, de olhos, de pele, etc. Estas diferenças que nos parecem tão evidentes na nossa espécie existem em todos os seres vivos! Desde a mais diminuta bactéria até ao gigante elefante africano. E, pequenas diferenças na anatomia ou no comportamento levam a que diferentes indivíduos tenham diferente capacidade para sobreviver e se reproduzir. Num determinado momento e num determinado local, certos indivíduos têm uma pequena vantagem de sobrevivência, reproduzem-se mais facilmente e deixam mais descendentes. Os seus descendentes vão naturalmente herdar as características dos progenitores e, deste modo, aumentar a frequência dessas características na população. Ao longo do tempo, temos a “ilusão” de que a espécie se foi modificando. Na verdade, assim nascem novas espécies! Mas não é pela transformação individual, mas sim pela sobrevivência diferencial de indivíduos com certas características que lhes trazem vantagens.


Equus vs. Sifrhippus, de Danielle Byerley (Florida Museum of Natural History). A foto pode ser algo enganadora porque dá a ideia de que os cavalos actuais se transformaram nessa espécie anã.



E que tem isto a ver com os cavalos que "encolheram"?

Pois esse é um exemplo recente de como uma interessante notícia acerca da mudança observada numa espécie devida a alterações climáticas (semelhantes às que tudo indica estarem a ocorrer actualmente) foi algo erroneamente transmitida pela comunicação social e blogosfera em geral.
Há excepções, claro. E aqui podem ler, em inglês, uma boa descrição do que é que os cientistas descobriram.

Leu-se então nos últimos dias, no jornal Público, por exemplo, a notícia de que os cavalos teriam diminuído de tamanho devido às alterações nas condições ambientais de há 56 milhões de anos atrás, nomeadamente o aumento da temperatura que se verificou no período do Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno.

Primeiro, há que perceber que esses cavalos nem sequer eram do mesmo género que existe atualmente, o género Equus, mas sim de um outro género primitivo chamado Sifrhippus (sim, a notícia do Público não tem o género bem escrito!). Os primeiros fósseis destes pequenos cavalos indicam que pesavam cerca de 6Kg. No entanto, verificou-se que, com o passar do tempo e o aumento da temperatura do planeta, os fósseis encontrados são de animais cada vez mais pequenos, até atingirem cerca de 4Kg (uma redução de 30%). Com a diminuição da temperatura, voltam depois a aumentar de tamanho para cerca de 7Kg (em média). Isto ocorreu ao longo de quase 200  mil anos.

Neste vídeo, podem ver um resumo dos resultados e como foram obtidos.




E como se explica isto correctamente, à luz da Teoria da Evolução?

Na população inicial de cavalos Sifrhippus, havia indivíduos de diferentes tamanhos, mas com uma média de 6Kg. Com o aumento gradual da temperatura, os cavalos que eram ligeiramente mais pequenos tinham algumas vantagens de sobrevivência (se calhar, por exemplo, porque comiam menos vegetação ou eram menos propensos a doenças – especulação minha!). Sobreviviam portanto durante mais tempo, reproduziam-se melhor e tinham mais descendentes. Esses descendentes herdavam as características dos progenitores e eram, portanto, também pequenos. Ao longo de milhares de anos, o resultado que hoje observamos é que o tamanho médio da espécie diminuiu. Não porque os indivíduos diminuíram de tamanho, mas porque a proporção de indivíduos de tamanho mais pequeno na população foi aumentando significativamente, mudando o tamanho médio observado. Com as mudanças ambientais posteriores em sentido contrário, o tamanho voltou a aumentar.

Mas não foram os indivíduos acalorados que encolheram!


NOTA: Para melhor perceber a evoluçao biológica, podem recorrer a este site de referência: Understanding evolution

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Singela Beleza Lusitânica


Partilho aqui a adaptação de um texto que foi publicado no jornal A Voz da Figueira, no âmbito do projeto "Ciência na Imprensa Regional".


SINGELA BELEZA

A imagem que aqui vêm foi por mim captada numa mal tratada duna da praia de Vila Chã (Vila do Conde, Norte de Portugal). Passa despercebida à maioria dos visitantes, mas é possível encontrar esta pequena planta com estas belíssimas flores nas dunas do NW da nossa Península Ibérica.



O seu nome oficial é Linaria polygalifolia Hoffmanns. & Link subsp. polygalifolia (Linaria caesia var. decumbens Lange). Estranho, não? Este é o nome científico desta espécie, que ajuda a que saibamos exatamente de que espécie estamos a falar já que, veja só, em "linguagem comum" ela é chamada de: linária-das-dunas, linária-da-praia, asarina-da-praia, passarinho-amarelo ou passarinho-da-praia. Devido à grande diversidade de nomes atribuídos ao mesmo ser vivo em diferentes locais e idiomas ou na mesma localidade (e à repetição de nomes para seres vivos diferentes), para que nos entendamos todos, no século XVIII, o naturalista Lineu propôs o sistema de nomenclatura binominal (dois nomes e em latim) que, desde essa época, foi adotado pela comunidade científica (diante dos dois nomes deve ir o nome dos autores que descreveram a espécie, tal como podem ver neste exemplo). Este sistema permite que um cientista português possa comunicar com um cientista chinês e que, pelo menos, saibam de que espécie estão a falar.

Mas, voltando à planta de bela flor, ela é então típica de areais costeiros. É uma planta pequenina, a flor tem cerca de dois centímetros e um característico esporão que está possivelmente relacionado com os insetos polinizadores (ao terem que penetrar na flor para recolher o néctar são assim "obrigados" a recolher o seu pólen e vão inadvertidamente fertilizar outras plantas).

Sendo uma planta de dunas, onde há escassez de água, tem algumas características que lhe permitem habitar nesse ambiente inóspito, como uma cutícula grossa e raízes profundas.


A foto acima apresentada faz parte do Banco de Imagens da Casa das Ciências. Acerca deste projeto, podem ler mais neste outro post.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Divulgar a Evolução


Por vários dos autores serem biólogos, já aqui escrevemos sobre sobre a temática da evolução das espécies e sobre o naturalista Charles Darwin. Já apresentámos textos explicativos e já sugerimos a leitura de excelentes livros de divulgação sobre o tema. Trago agora um vídeo musical para complementar os trabalhos anteriores, que merece ser visionado.
No video em baixo reecontramos o grande divulgador de ciência David Attenborough, a quem já nos habituámos a ver e a ouvir nos documentários da BBC sobre a vida selvagem; e o biólogo britânico Richard Dawkins. O título da música, "The Greatest Show on Earth", é uma homenagem ao trabalho de divulgação de Dawkins, que escreveu um livro com o mesmo nome, em 2009. O livro está traduzido para português, com o título "O espectáculo da vida".



sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

"Testando o M@arbis"

O Instituto Português de Malacologia (IPM) continua a realizar palestras abertas ao público em geral, com o intuito de abordar o tema do estudo dos moluscos de um modo acessível a todas as pessoas interessadas. Se gosta de ciência e do mar, apareça. A próxima palestra contará com a investigadora Mónica Albuquerque como oradora, e irá ter como tema o programa M@rBis e a sua relação com o estudo da fauna malacológica das Ilhas Selvagens.
Local: Museu Nacional de História Natural e da Ciência, R. da Escola Politécnica, Lisboa
Nota: a entrada é gratuita.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Naturalista britânico aos tiros em Portugal


Reproduz-se aqui um texto da minha autoria, publicado hoje no Diário de Coimbra, no âmbito do projecto "Ciência na Imprensa Regional - Ciência Viva". Trata-se de uma apreciação do livro "Darwin aos tiros... e outras histórias de ciência". Actualmente encontra-se no Top10 da FNAC (8º lugar), comprovando que o público interessa-se cada vez mais por ciência.


“Darwin aos Tiros”

Por João Lourenço Monteiro (Biólogo)

"Foi muito recentemente publicado o livro de divulgação científica “Darwin aos Tiros e outras Histórias de Ciência”, da autoria do professor de Física da Universidade de Coimbra Carlos Fiolhais e do Bioquímico David Marçal.

Se o leitor é um ávido curioso pela Ciência e pela História, então vai encontrar aqui o melhor dos dois mundos, desvendando os segredos da História de várias disciplinas como a Matemática, a Astronomia, a Física, a Química, a Geologia, a Biologia, a Medicina e ainda um alerta para as pseudociências. As pseudociências são crenças que se pretendem valorizar alegando basear-se em factos científicos, mas que na realidade não têm qualquer apoio por parte da ciência, sendo os exemplos mais conhecidos a astrologia ou a homeopatia.

Na apresentação do livro, que teve lugar em Lisboa, o editor Guilherme Valente relatava um telefonema que havia recebido do professor Fiolhais, em que o lente afirmara que estava a preparar um novo livro que seria um tiro; qual não foi o espanto do editor quando recebeu um esboço do livro intitulado “Darwin aos Tiros”. Afinal o professor de Física, a brincar, falava a sério.

Importa esclarecer a origem do título: Charles Darwin foi um importante cientista britânico do século XIX, que realizou uma circum-navegação ao globo na qual aproveitou para estudar várias espécies da fauna e flora mundiais. Como a viagem demorou cinco anos e a tripulação não levava mantimentos suficientes, era necessário capturar algumas das espécies que iam encontrando, para servirem de alimento. Nessas situações, Darwin demonstrou que não era apenas um cientista curioso e atento, mas também um exímio caçador. E mais não revelo, para não estragar o prazer da descoberta.

De salientar que a ciência relatada no livro também teve origem em Portugal, com cientistas do calibre de Pedro Nunes, Amato Lusitano, Diogo de Carvalho Sampayo, Garcia de Orta, sem esquecer, como recordam os autores, o importante papel que tem tido a Universidade de Coimbra, formando ou acolhendo muitos dos notáveis aqui mencionados.

Neste livro, a História das Ciências é contada aos leitores em jeito de breves estórias, e com uma certa dose de sentido de humor, o que tornará a leitura desta obra, creio, bastante agradável. Nestes dias frios e chuvosos, em que nos vemos forçados a permanecer grande parte do tempo na clausura do nosso lar, este livro promete ser uma companhia prazenteira. Boas leituras."

O Incansável Investigador de Coimbra


Já tive a oportunidade de escrever neste blog sobre o António Piedade, investigador em Coimbra. Para além da investigação desenvolvida no ramo da Bioquímica, o António é também comunicador de ciência, estando a coordenar um projecto da Ciência Viva - "Ciência na Imprensa Regional", como também já mencionámos aqui por várias ocasiões.
Para se ser um bom cientista não basta calçar as botas e ir para o campo, ou vestir a bata e permanecer no laboratório; esta é apenas uma parte visível da profissão. Para se ser um bom cientista, é preciso ter paixão pelo que se faz, e, quando isso acontece, a Ciência acompanha-nos 24h por dia. São muitas horas de entrega à Ciência, e o António é um bom exemplo disto. Como quem pretende comprovar o ditado popular "Quem corre por gosto não cansa", António desdobra-se para levar a Ciência a todos, principalmente àqueles a quem não chegaria de outro modo. Vou dar três exemplos (e poderiam até ser mais):

1) Escreveu um conto que enviou para o concurso "Conte Connosco (2ª edição)" e que está agora sujeito a votação dos leitores (pode ser consultado em http://www.conteconnosco.com/trabalho-detalhe2.php?id=706#_= ). Sugiro a leitura porque o autor consegue, de um modo simples, explicar certos conceitos da biologia molecular, com recurso a um diálogo passado em família. A opinião fica à consideração de cada leitor. (nota: pode votar 1 vez por dia).

2) Ainda no domínio da escrita, é co-autor no livro "Palavras Nossas" que irá ser recentemente apresentado na FNAC do Centro Comercial Colombo, em Lisboa, no dia 3 de Dezembro 2011 (Sábado).
3) Já neste sábado, dia 19 de Novembro, vai coordenar as apresentações de divulgação de ciência que irão decorrer no auditório da Bertrand do Centro Comercial Dolce Vita, em Coimbra. Este ciclo de eventos que tem vindo a ser desenvolvido pelo investigador, é designado de "Sábados com Ciência", e é dirigido a um público geral. Esta semana será dedicada à Física (ver imagem seguinte).

Para além de tudo isto ser um bom exemplo da dedicação dos cientistas nacionais, fica também como sugestão para um programa de fim-de-semana cultural.


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Dia do Carl Sagan



Hoje, dia 9 de Novembro, celebra-se o Dia de Carl Sagan (1934-1996), em honra do cientista, astrónomo e divulgador de ciência norte-americano. Das suas obras, relembramos "Cosmos", "Os Dragões do Éden", "Pálido Ponto Azul" e "O Mundo Assombrado pelos Demónios: A Ciência vista como uma vela no escuro".
Na imagem de cima podemos ler a frase: "A nossa espécie precisa, e merece, uma cidadania com mentes despertas e com um conhecimento básico de como o mundo funciona".
A imagem foi encontrada no site de Astronomia Português, o AstroPt (aqui). Devido ao execelente e importante trabalho de divulgação científica desenvolvido pelos autores do site, este merece destaque na nossa coluna lateral.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Sobre a Homeopatia


"Ciência na Imprensa Regional - Ciência Viva" é um projecto da Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, coordenado pelo Dr. António Piedade. Esta iniciativa pretende levar o conhecimento científico e a compreensão do mesmo a um maior número de pessoas, e promover a secção de Ciência nos Media, através das publicações regionais.
Sendo que dois dos colaboradores deste blog colaboram no projecto, disponibilizo aqui um texto da minha autoria, que saiu no Diário de Coimbra (25-10-2011):

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Mais um interessante livro sobre Darwin... e não só.


O livro "DARWIN AOS TIROS E OUTRAS HISTÓRIAS DE CIÊNCIA", da autoria de dois autores do blogue De Rerum Natura (Carlos Fiolhais e David Marçal) e editado pela Gradiva, irá contar no seu lançamento com a actuação dos Cientistas de Pé, grupo de stand-up comedy com cientistas.

Data: 2 de Novembro de 2011

Local: FNAC Colombo (Lisboa)

Horas:
18h - Espectáculo dos Cientistas de Pé
19h - Apresentação do livro com a presença dos autores

Para ouvir a entrevista em podcast aos autores do livro, pode consultar este link.

Palestra sobre Bivalves no Museu Nacional de História Natural


O Instituto Português de Malacologia (IPM) irá desenvolver um conjunto de palestras no Museu Nacional de História Natural. A primeira sessão é dedicada aos bivalves, e terá como orador o Doutor Joaquim Reis, Presidente do IPM.


Título: "O Mexilhão é que se lixa? - A conservação de mexilhões-de-rio e o plano nacional de barragens"
Orador: Doutor Joaquim Reis
Local: Museu Nacional de História Natural, Rua da Escola Politécnica, Lisboa (no Auditório)
Data: 28 Outubro 2011, 19h
ENTRADA GRATUITA

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Saúde Pública – Parte 1


Vacinação – Uma grande conquista

A Europa do século XVIII assistiu a uma crescente preocupação com a Saúde Pública, sendo uma das razões o decréscimo populacional que se verificava. Para inverter esta situação, vários médicos e filósofos contribuíram com tratados tendo em vista uma melhoria ao nível da saúde, educação e da vida em sociedade. Uma das maiores conquistas ao nível da Medicina foi conseguida no século XVIII. Refiro-me à vacinação, método preventivo descoberto pelo médico escocês Edward Jenner (1749-1823), que contribuiu para o aumento do vigor físico da população, assim como da esperança média de vida.

Breve história da vacinação: Após aturados estudos que terão durado cerca de três décadas, E. Jenner apercebeu-se que as leiteiras infectadas por uma varíola que só era prejudicial às vacas, sem gravidade para humanos (cow-pox) ficavam imunes à varíola humana (small-pox). Assim, Jenner inoculou uma criança com a cow-pox, que, como demonstrado por experiências, ficou imune à varíola transmitida por humanos. Após alguns anos deu-se finalmente início à prevenção anti-variólica. (1)

Os resultados no presente: A vacinação conseguiu uma enorme vitória a nível mundial: a erradicação da Varíola. Esta doença que foi, durante séculos, responsável pela morte de milhões de pessoas, foi considerada erradicada pela Organização Mundial de Saúde, em 1980.

Em Portugal, criou-se o Plano Nacional de Vacinação (PNV), em 1965, e desde aí têm-se verificado consideráveis melhorias no combate a determinadas doenças infecciosas. Vejamos os números: No final de 1965 tinham sido identificados 292 casos de Poliomielite, e no ano seguinte, após vacinação, o número baixou para apenas 13 casos (diminuição de 96%!). Em 1966 registaram-se 1010 casos de difteria e 973 casos de tosse convulsa, no ano seguinte, após vacinação massiva de crianças, verificou-se uma redução para 479 casos e 493 casos, respectivamente (decréscimo de 50%). (2)

Saúde Pública – Parte 2



Uma nova Idade das Trevas?

Apesar dos inquestionáveis avanços das ciências e da medicina, e dos excelentes resultados obtidos ao longo dos anos através da vacinação, parece surgir um grupo de pessoas que recusa vacinar os seus filhos, segundo noticia o jornal Público (3), resultado de crenças infundadas e de desinformação, na minha opinião. Esta situação está a levar a uma realidade alarmante em que se verifica um ressurgimento do Sarampo na Europa, doença que deveria ter sido erradicada até 2010, mas, devido a estes acontecimentos, a meta foi adiada até 2015. Esta situação é especialmente preocupante em França, em que houve um aumento considerável o número de casos: 1544 em 2009 para 7316 Janeiro a Maio de 2011.

Em Portugal também há seguidores destas ideias bacocas, e leva-me a questionar caso os habitantes de outros países se atirassem ao mar se estas pessoas os iriam seguir sem reflectir. Digo isto, porque só quem não se dedica a pensar minimamente é que pode possuir este tipo de comportamento. Sei que as minhas palavras são duras, mas o caso é sério, e portanto vou justificar com base nas afirmações dos defensores destas ideias peregrinas. Vejamos caso a caso (4):
a) M.F. afirma que é através da alimentação que irá fortalecer o sistema imunitário da sua filha e não através das vacinas; e refuta o que outros pais dizem quando apelidam a sua atitude de irresponsável, afirmando que ela é que é “responsável”, e cito, “porque tomou nas suas mãos o papel de fazer tudo para que a sua filha seja saudável, sem vacinas que julga serem desnecessárias”. A alimentação é relevante para o correcto desenvolvimento de qualquer pessoa, mas as vacinas também são extremamente importantes para a prevenção de certas doenças, como os números acima comprovam. Além disso, a alimentação por si só não tem propriedades mágicas de cura – só alguém com baixo nível de literacia acredita nisso. Na segunda parte da afirmação ao dizer que ela é que é a “responsável” porque não vacina a filha, indirectamente acaba por acusar os outros pais, que têm uma atitude correcta, de irresponsáveis. Uma vez que a vacinação quebra a corrente de transmissão de doenças, gostaria de saber se a senhora M.F. pensa que pode ser a responsável pela continuação de certas doenças.

b) a senhora E.V. afirma que os filhos nunca tiveram nenhuma doença que apareça no PNV, e portanto acha que a vacinação não é necessária. Eu respondo: É precisamente graças ao PNV que se verifica um reduzido número de casos de doenças perigosas, e daí a reduzida probabilidade dos filhos de E.V. de serem infectados. Se não houvesse vacinação, haveria mais casos, e provavelmente hoje a senhora E.V. já não teria os quatro filhos. Dá que pensar. Além disso, demonstra as fontes em que se apoia: “… com a net é mais fácil” (5).

c) H.T., pai de dois rapazes, também recusa vacinar os seus filhos, apoiando-se em informação que também encontra na internet (6). Como todos deveriam saber, a internet nem sempre é fonte de informação fidedigna pois essa informação pode ser escrita por qualquer pessoa que não domine a área em questão; portanto devemos ser cautelosos na informação que se procura na Web, e existem algumas dicas para seleccionar sites fidedignos, como por exemplo páginas sem publicidade, sites institucionais, textos escritos por especialistas, entre outros. Para casos destes, a minha sugestão seria que estas pessoas consultassem especialistas em saúde em vez de curandeiros, e foi isso que o Público fez. Os médicos de várias especialidades, como seria de esperar, vieram criticar esta atitude de anti-vacinação, e explicar os benefícios das vacinas para a população.

Deixo ao critério de cada cidadão optar por ideias sem fundamento científico ou seguir a voz dos especialistas. (Embora, pessoalmente, julgo ser esta última a atitude mais correcta).

Referências:
(1) – Pita, J. R., “História da Farmácia”, 2ª edição, Minerva, Coimbra, 2000, pp. 172-174
(3) – Esta notícia aparece logo na capa do Jornal Público, Domingo, 3 de Julho de 2011, Ano XXII, nº7757, Edição Porto, texto de Catarina Gomes, pp. 18-19
(4) – Não mencionarei os nomes, apenas as iniciais, pois o que se pretende com este texto é informar e esclarecer, e não denegrir o bom nome das pessoas. Para informações adicionais, consultar a notícia em questão.
(5) – Idem, p.18.
(6) – Idem, p.19.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Noite Europeia dos Investigadores 2011


Hoje celebra-se, em 320 cidades de 32 países europeus, a  "Noite Europeia dos Investigadores - 2011", mais uma acção de divulgação científica que pretende aproximar a ciência e o público. Haverá espectáculos e actividades experimentais para as pessoas realizarem. Aproveitem. É gratuito.
Alguns dos colaboradores deste blog estarão como monitores no Porto. Também eu, este ano, estarei na Invicta, na secção do Museu de História Natural e no Espaço Europeu. Nos últimos dois anos estive em Lisboa e valeu a pena, mas este ano o programa vai ser ainda melhor na capital. No entanto, quem não puder visitar Lisboa ou Porto, poderão procurar por estas iniciativas numa cidade mais perto de si.

Mais informações:
- Programa em Lisboa, no Pavilhão do Conhecimento (Expo): http://www.pavconhecimento.pt/visite-nos/programacao/detalhe.asp?id_obj=914
- Programa no Porto: http://nei2011.eu/2011/09/2178/
- Informação no site Português (pode encontrar o programa nas várias cidades portuguesas, em locais): http://nei2011.eu/oque/

Ver apresentação:


sábado, 20 de agosto de 2011

Teresa Avelar e a Evolução das Espécies


Como os leitores do blog puderam acompanhar nos últimos meses, lendo os nossos textos, decorreu no Porto a exposição científica “A Evolução de Darwin”, que terminou no dia 17 de Julho. Posso dizer que foi um sucesso, repetindo o que acontecera em Lisboa (2009), na Fundação Calouste Gulbenkian.

Serve isto para dizer que do contacto que estabeleci com as pessoas, concluo que estas encontram-se extremamente receptivas a exposições de cariz científico, e que possuem um entendimento razoável desta temática particular da evolução das espécies. De facto, o conhecimento geral está presente na visão que as pessoas têm desta importante teoria, o que falha são alguns pormenores, alguns detalhes – que obviamente não se espera que o público em geral domine, mas para isso é que existem exposições como esta e bibliografia de divulgação disponível, para informar e esclarecer.

No que concerne a bibliografia, existem inúmeros livros estrangeiros sobre o tema publicados em Portugal, e muitos deles já traduzidos, mas não são esses que vou abordar hoje. Tenciono divulgar duas obras de uma cientista portuguesa, a professora universitária Teresa Avelar, que tem dedicado boa parte do seu tempo a esclarecer esta temática importante não só para a Biologia, como para todos nós, pois elucida-nos sobre a natureza que nos rodeia.

O primeiro livro que vou abordar é “Evolução a duas vozes” (2009), escrito em colaboração com o padre e teólogo Joaquim Carreira das Neves. Quando menciono este livro junto do público, sou frequentemente interpelado com a afirmação de que se tratará de uma visão evolucionista (T. Avelar) e outra criacionista (J. C. das Neves). Ora, nada mais errado, porque, como logo explico às pessoas, o padre não defende uma visão criacionista, assim como a igreja católica também não o faz. Já agora, esta visão não é apenas característica do catolicismo, mas também de outras variantes cristãs, algumas protestantes (1). Ou seja, para as religiões tolerantes, e que estão abertas a um diálogo com a esfera científica, existe uma aceitação e compreensão desta temática, aceitando a evolução como um facto, que é – actualmente não se faz uma interpretação literal do Génesis, o primeiro livro da Bíblia (2). Na minha opinião, este é um dos livros mais importantes publicados em Portugal sobre esta temática, pois, de um lado, a professora Teresa Avelar explica de um modo claro as ideias da Teoria da Evolução das Espécies, e, noutro lado, o padre J. Carreira das Neves transmite a visão da religião sobre o mesmo tema, assim como sobre a interpretação do Génesis. As duas opiniões em conjunto contribuem para um necessário esclarecimento da sociedade, através de uma leitura acessível a qualquer público.

Outro livro da autoria da professora universitária é intitulado “A Evolução culminou no Homem?” (2010), que pretende desmistificar alguns preconceitos e elucidar sobre os pormenores, os tais detalhes que mencionei acima, sobre a evolução. O título, bastante sugestivo, reflecte a crença generalizada de que o homem é a espécie “mais evoluída” (??) e que a evolução culminou no homem, o que é um erro. Se por mais evoluído entendermos mais complexo, então é necessário dizer que estruturas é que se estão a comparar e com que seres vivos. Por exemplo, a nível genético as plantas possuem mais cromossomas que os seres humanos, nessa perspectiva são mais complexas. Além disso, a evolução não se dá de forma linear começando nas bactérias e acabando nos humanos, a evolução é ramificada (este tema já foi aqui abordado, em textos anteriores). Este é um excelente livro para quem pretende complementar o seu conhecimento desta temática.(3)

Estes livros encontram-se facilmente à venda na FNAC ou na Bertrand, assim como no WOOK:

Notas:
(1) – ler Richard Dawkins, “O Espectáculo da Vida – a prova da evolução”, Casa das Letras, 2009 – no capítulo 1.

(2) – A excepção vai para alguns círculos cristãos menos informados, e para uma corrente Evangélica com bastante peso nos Estados Unidos da América.

(3) – Teresa Avelar é ainda co-autora de “Quem tem medo de Charles Darwin” (2004), da Relógio d’Água, e de “Evolução e Criacionismo – Uma relação impossível” (2007), da Quasi Edições. Neste último livro, a maioria dos capítulos são da sua autoria. Também traduziu a "Autobiografia" de Charles Darwin.

António Piedade a divulgar ciência

António Piedade é cientista e divulgador de Ciência. No seu percurso académico, conta com uma licenciatura em Bioquímica, mestrado em Biologia Celular e encontra-se prestes a terminar o doutoramento em Tecnologia Bioquímica; a nível de divulgação, colabora num dos blogs de ciência mais lidos em Portugal, o “De Rerum Natura”, escreve crónicas semanais para o jornal Diário de Coimbra, e escreveu dois livros de divulgação de ciência que vou de seguida mencionar.

Apesar da sua formação base em Bioquímica, Piedade escreve de um modo claro e sucinto sobre diferentes temas da ciência. Pela maneira como explana as suas ideias ao longo das páginas dos seus livros, apercebemo-nos que o autor está à vontade nas várias temáticas que aborda, desde a biologia celular, passando pela química e viajando até à física aeroespacial. O autor consegue, assim, levar o conhecimento científico, aparentemente complexo, ao grande público de um modo acessível. Como António Piedade defende, “a Ciência deve voltar a ocupar o seu lugar no senso comum”, junto a todas as pessoas e não apenas dirigida a uns quantos (1).

Desta sua missão resultou o livro “Íris Científica” (2005), abordando as áreas da química, física e biologia. A estas temáticas junta-se o interesse pela história das ciências, o que originou o seu novo livro intitulado “Caminhos de Ciência” (2011), que inclui ainda pinturas da autoria da artista e ilustradora científica Diana Marques. De mencionar que o primeiro livro encontra-se incluído no Plano Nacional de Leitura (Ler +), com interesse para o 2º ciclo e para o desenvolvimento de trabalhos escolares no âmbito das disciplinas científicas.

Planeio abordar aqui temas mais concretos destes livros, num futuro próximo, assim como continuar a acompanhar o percurso deste autor. Antecipo que Piedade tem um projecto em andamento sobre “Comunicação de Ciência na Imprensa Regional”, e que conta a colaboração da equipa deste blog.

Sobre os livros e como podem ser adquiridos:
- "Íris Científica": Associação Viver a Ciência
- "Caminhos de Ciência": Wook
Notas:
(1) – António Piedade passou esta ideia no “I Atelier de Escrita Científica”, realizado em Coimbra (Junho de 2011)

sábado, 9 de julho de 2011

"A Evolução de Darwin"

Informa-se que está quase a terminar a exposição "A Evolução de Darwin", no Porto (termina no dia 17 de Julho). Esta exposição, embora semelhante à que decorreu em Lisboa, em 2009, apresenta algumas diferenças, pelo que será interessante revisitá-la, ou dar uma saltada ao Porto se não teve oportunidade de a ver na Fundação Calouste Gulbenkian.

A exposição encontra-se dividida em quatro partes: a primeira parte permite fazer uma contextualização das ideias relacionadas com a visão da vida antes do século XVIII até ao século XIX; a segunda parte dá-nos a conhecer o jovem Charles Darwin, o que estudou, por onde viajou, como chegou à sua teoria da Evolução por Selecção Natural, e que outros trabalhos publicou; a terceira parte relaciona-se com os contributos da genética para esta temática; e na quarta parte, localizada nas estufas do jardim botânico, é possível encontrar animais vivos, como as suricatas, peixes-saltadores-do-lodo (que respiram dentro e fora de água) e tatus, entre muitos outros animais.

Como já foi mencionado neste blog, existem diferenças consideráveis entre esta exposição e a que esteve patente em Lisboa. Esta fica situada na Casa Andresen (que pertenceu aos familiares da escritora Sofia de Mello Breyner Andresen), em pleno Jardim Botânico do Porto, portanto, um espaço por si só admirável tanto do ponto de vista cultural como científico. Os animais embalsamados em exposição são provenientes do Museu de História Natural do Porto. Na secção dedicada à evolução humana há mais informações sobre este tema. Para além de tudo isto, existe ainda uma sala dedicada à aceitação das ideias darwinistas em Portugal na transição do século XIX para o século XX. Existem, portanto, razões de sobra para visitar esta exposição. Venha sozinho, traga os seus amigos, ou a sua família. Verá que vale a pena.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

O olho humano e a complexidade irredutível


A propósito deste artigo publicado na revista Scientific American(1), esta parece-me uma boa ocasião para,
uma vez mais, desmistificar esta falsa questão: como foi possível a evolução do olho humano?

Segundo os proponentes do ‘Design Inteligente’ e do conceito de ‘Complexidade Irredutível’, o olho humano seria o exemplo perfeito de uma estrutura que não funcionaria sem todas as suas partes e, portanto, com uma complexidade irredutível, que não pode ser reduzida em nenhum dos seus componentes sem o risco de deixar de cumprir a sua função por completo.

Já em 1987, Richard Dawkins, no seu documentário The Blind Watchmaker(2), deitava por terra este argumento, demonstrando com uma simples experiência de óptica como era possível, em pequenos passos, chegar desde uma estrutura foto-receptora simples até ao complexo olho dos vertebrados (e do polvo).


(ver min 7:55)


Em 2010, Dawkins volta a abordar esta questão neste programa da BBC:



Na verdade, como o Prof. Dawkins bem explica, no reino animal encontramos espécies com diferentes graus de desenvolvimento das suas estruturas foto-receptoras (os olhos). Por si só, uma evidencia da evolução do olho.

Ainda assim, este argumento de William Paley continua a ser usado pelos criacionistas (disfarçados de 'cientistas da criação') como evidência da existência de um designer para a vida e, desta forma, negarem a teoria da evolução.

O artigo supracitado apresenta uma série de resultados científicos obtidos ao longo dos últimos anos na área da embriologia e da genética que inclusivamente sugerem que “o nosso olho ‘tipo-câmara’ tem uma origem muito mais antiga que o até agora suposto e que, antes de operar como um órgão visual, servia como um detector de luz que modulava os ritmos circadianos dos nossos distantes ancestrais”.

Será que desta vez, definitivamente, se abandona o uso desta “prova” pseudo-científica a favor do Criacionismo (perdão, Design Inteligente)?


Referências:

(1) Lamb, T. D. 2011. Evolution of the Eye. Scientific American July

(2) The Blind Watchmaker, 1987. BBC. [Também em livro: Dawkins, D. 1986. The Blind Watchmaker: Why the Evidence of Evolution Reveals a Universe without Design. W. W. Norton & Company, 496pp]