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segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

História de uma Coleção Zoológica

No decurso do meu trabalho de doutoramento, deparei-me com uma coleção zoológica que foi reencontrada numa antiga escola que ia entrar em obras. Tive o prazer de a estudar e os resultados foram agora publicados na revista Endeavour. Para além da identificação e do estudo dessa coleção, debrucei-me sobre a história da instituição, a Escola-Oficina nº1, que pertence à Sociedade Promotora de Escolas, e foi criada por Republicanos e Maçons no início do século XX, para providenciar o ensino gratuito às crianças pobres, filhas dos operárias, do Bairro da Graça em Lisboa.

Podem saber mais aqui: 
João Lourenço Monteiro, Between republicans and freemasons: a lost zoological collection found in a very particular school, Endeavour,42 (4), 2018: 196-199 https://doi.org/10.1016/j.endeavour.2018.07.011

terça-feira, 20 de junho de 2017

Livro "Não se deixe enganar"

Foi recentemente publicado o livro de divulgação científica "Não se deixe enganar", em cuja autoria se encontram alguns dos colaboradores deste blogue. O livro, editado pela Contraponto, uma chancela do grupo Bertrand, foi escrito por quatro membros da associação COMCEPT - Diana Barbosa, João Lourenço Monteiro, Leonor Abrantes e Marco Filipe - e conta com um prefácio da autoria do professor de física Carlos Fiolhais e do bioquímico David Marçal. 



Para conhecer o nosso primeiro livro, partilhamos algumas ligações:
[irão ser atualizadas à medida que surjam novidades]

Pré-publicação em que se fala da bandolete quântica -  jornal Público (imprensa escrita)

Pulseiras, homeopatia e dietas milagrosas? - jornal Diário de Notícias (imprensa escrita)

O livro do dia - TSF (rádio)


Entrevistados pelo Fernando Alvim - Prova Oral (rádio)

Entrevistados pelo Edgar Canelas - Os dias do Futuro (rádio)

Entrevistados pela Joana Marques - As Donas da Casa (rádio)

Homeopatia e Detox? Não se deixe enganar - Observador (imprensa escrita)

Entrevistados por João Gobern e Pedro Rolo Duarte - Hotel Babilónia (rádio)

Entrevistados por Ana Daniela Soares - À volta dos livros (rádio)


Os 10 melhores conselhos do livro - revista GQ Portugal (imprensa escrita)

Desconfiados, este livro é para vocês - revista Notícias Magazine (imprensa escrita)

Sugestões de livros, por Marco Neves - Sapo24 (imprensa digital)

Comentando teorias da conspiração - Notícias ao Minuto (imprensa digital)

O livro é mencionado a nível internacional - The Europeans Skeptics Podcast (rádio)

Entrevistados para a rádio galega, em Espanha - Efervesciência (rádio)

Outras entrevistas: revistas Activa e Saber Viver (imprensa escrita)

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Fronteiras do Pensamento


Entrevista ao sociólogo Zygmunt Bauman, em que ele fala sobre a condição do indivíduo. Para escutar e reflectir.

Entrevista retirada daqui

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Dia Mundial da Terra, no Museu




COMEMORAÇÃO DO DIA MUNDIAL DA TERRA NO TERRAÇO DO MUSEU
Oficina única de instrumentos criados pelos navegadores portugueses

Viagens oceânicas e encontros com outros continentes
Segunda-feira, 22 de abril das 15h00 às 18h00

Integrado nas comemorações do Ano Internacional do Planeta terra, o Museu Nacio­nal de História Natural e da Ciência promove, em colaboração com a Marinha Portu­guesa e a Sociedade Portuguesa de Matemática, a realização de uma oficina única sobre Instrumentos de Navegação. No terraço do museu estarão disponíveis para os visitantes cinco "estações" com réplicas de instrumentos históricos de navegação cri­ados na época das Descobertas portuguesas. A coordenação da atividade é do Co­mandante Malhão Pereira, que foi muitos anos comandante do navio escola Sagres. Em cada estação, os participantes contam ainda com o acompanhamento de investi­gadores especialistas no tema. 

Programa:

Anfiteatro Manuel Valadares: breve apresentação pelo Comandante Malhão Pereira
Terraço do museu: Estações de instrumentos de navegação
Estação I: Astrolábio + Astrolábio suspenso (Vasco Teixeira)
Estação II: Quadrante + Quadrante de Pedro Nunes (João Duarte)
Estação III – Anel náutico (João Retrê)
Estação IV – Balestilha + Kamal (Ricardo Barbosa)
Estação V – Agulha de marcar + Instrumentos de sombras (Luis Couto Soares)

Entrada gratuita
Inscrições limitadas a 30 pax
Marcação prévia obrigatória: geral@museus.ul.pt


Rua da Escola Politécnica, 58 | 1250-102 Lisboa
T. 213921800 | E. geral@museus.ul.pt
Www.mnhnc.ul.pt

sábado, 6 de outubro de 2012

Viva a República!


Celebra-se hoje, dia 5 de Outubro, o aniversário da implantação da República em Portugal, com as comemorações a realizaram-se por todo o país. 

Este ano, por motivos pessoais e profissionais, celebrei esta data na cidade de Coimbra. Posso dizer que foi um dia em cheio. Logo de manhã, prestou-se homenagem ao Major-General Augusto Monteiro Valente, recentemente falecido, com um discurso proferido por Carlos Esperança. Este discurso, em nome do Movimento Republicano 5 de Outubro (MR5O) e da Associação 25 de Abril, pode ser lido no nosso blogue, clicando neste link.

Após a homenagem, seguimos para um almoço de confraternização organizado pelo MR5O. A refeição alongou-se e,  como já a tarde ia longa, dirigimo-nos à livraria Lápis de Memória para assistir a mais uma homenagem ao Monteiro Valente, onde foi dado o seu nome à sala de eventos da livraria e onde passou a constar uma placa evocativa a este ilustre cidadão. Ainda nesta livraria, assistimos à apresentação do livro intitulado "À Boca do Inferno", da autoria de António Torrado.

Já era tarde, mas o dia ainda não terminara. Saímos daqui e deslocámo-nos para a Rua Infantaria 23, onde iria ser apresentado um novo livro: o "Memorial Republicano", da autoria historiador Amadeu Carvalho Homem, com imagens obtidas através da pesquisa de Alexandre Ramires, e que contou com a apresentação realizada por António Arnaut (outro grande vulto da sociedade portuguesa).

Foi já de noite que regressei a casa.



Sendo este um artigo dedicado à celebração da República, partilho um texto da autoria de Carlos Esperança, em que o autor relembra os valores deste regime que é o de todos nós, cidadãos:
(Nota: os sublinhados a negrito são da minha autoria)

"Viva a República

A Revolução de 1820, em 24 de agosto, o 5 de outubro de 1910 e o 25 de abril são, em Portugal, os marcos históricos da liberdade. Foram os momentos que nos redimiram da monarquia absoluta e da dinastia de Bragança; são as datas que honram e dão alento para encarar o futuro e fazer acreditar na determinação e patriotismo dos portugueses.

Comemorar a República é prestar homenagem aos cidadãos que não quiseram continuar vassalos. O 5 de Outubro de 1910 não se limitou a mudar de regime, foi portador de um ideário libertador que as forças conservadoras tudo fizeram para boicotar.

Com a monarquia caíram os privilégios da nobreza, o imenso poderio da Igreja católica e os títulos nobiliárquicos. Ao poder hereditário e vitalício sucedeu o escrutínio do voto; aos registos paroquiais do batismo, o Registo Civil obrigatório; ao direito divino, a vontade popular; à indissolubilidade do matrimónio, o direito ao divórcio; à conivência entre o trono e o altar, a separação da Igreja e do Estado.

Há 102 anos, ao meio-dia, na Câmara Municipal de Lisboa, José Relvas proclamou a República, aclamada pelo povo e vivida com júbilo por milhares de cidadãos. É essa data gloriosa que amanhã se evoca, prestando homenagem aos seus heróis.

Cândido dos Reis, Machado dos Santos, Magalhães Lima, António José de Almeida, Teófilo Braga, Basílio Teles, Eusébio Leão, Cupertino Ribeiro, José Relvas, Afonso Costa, João Chagas e António José de Almeida, além de Miguel Bombarda, foram alguns desses heróis que prepararam e fizeram a Revolução.

Afonso Costa, uma figura maior da nossa história, honrado e ilustríssimo republicano, suscitou o ódio de estimação das forças mais reacionárias e o vilipêndio do salazarismo. Também por isso lhe é devida a homenagem de quem ama e preza os que serviram honestamente a República.

Há quem hoje vire as costas à República que lhe permitiu o poder, quem despreze os heróis a quem deve as honrarias e esqueça a homenagem que deve. Há quem se remeta ao silêncio para calar um viva à República e se esconda com vergonha da ingratidão, ou saia do país com medo do desprezo.

Não esperaram honras nem benefícios os heróis do 5 de outubro. Não se governaram os republicanos. Foram exemplo da ética por que lutaram. Morreram pobres e dignos.

Glória aos heróis do 5 de Outubro. Viva a República.
"


sexta-feira, 5 de outubro de 2012

In Memoriam: Augusto Monteiro Valente


Partilho um texto de sentida homenagem a Augusto Monteiro valente, da autoria de Carlos Esperança, e que foi proferido hoje, dia 5 de Outubro, junto ao monumento ao 25 de Abril, na Cidade de Coimbra, onde estive presente. 
Fica aqui este texto para lembrarmos que o nosso país ainda tem bons homens de carácter e de valores. Que esta memória ilumine o caminho de cada um de nós.


"Comemorações do 5 de Outubro - Coimbra

Homenagem ao major-general Augusto José Monteiro Valente


Cidadão e Cidadãs

Em nome do Movimento Republicano 5 de Outubro (MR5O) de Coimbra 
e
Em nome da Associação 25 de Abril, por solicitação expressa do seu presidente, Vasco Lourenço, e aqui representada pelos cidadãos Luís Curado e Amadeu Carvalho Homem, respetivamente vice-presidente da Direção e presidente da Assembleia-Geral da Delegação Centro, integrada nas Comemorações do 5 de Outubro, vai prestar-se homenagem

Ao major-general Augusto José Monteiro Valente


Aos 68 anos, ao fim da tarde do dia 3 de setembro, enquanto o país ardia, o general Monteiro Valente deixou-nos. Partiu mais um capitão de Abril, um militar que amou a Pátria e honrou a farda, um cidadão que arriscou a vida para que Portugal tivesse uma democracia.


Fez na Guiné uma comissão onde o PAIGC já dominava o terreno e tinha superioridade militar. Partiu sem três dos quatro alferes, que desertaram antes do embarque. O último desertou depois. Aguentou, com os furriéis e os soldados, o isolamento quebrado pelos reabastecimentos lançados a grande altura de aviões que evitavam o derrube pela artilharia inimiga. Os mantimentos e munições nem sempre acertavam no alvo, que era o aquartelamento. Portou-se com bravura e percebeu aí que aquela guerra injusta já não tinha saída militar. Adquiriu a sua consciência política, com mortos para chorar, feridos para evacuar e vivos para confortar.


Foi dos mais brilhantes militares portugueses e dos mais empenhados no 25 de Abril. Transferido de Lamego, na sequência do 16 de março, com o regime receoso do seu prestígio e determinação, conseguiu sublevar o Regimento da Guarda (RI 12), onde acabara de chegar, prender o comandante, e marchar para Vilar Formoso a desarmar a Pide e controlar a fronteira ao serviço do Movimento das Forças Armadas enquanto, do outro lado, a polícia, nervosa, temia uma última loucura do genocida Francisco Franco a quem tanto agradaria fazer abortar a Revolução Portuguesa que, em breve, exportaria a democracia para lá da fronteira. Fez parte do punhado de heróis que restituíram a Portugal a dignidade e aos portugueses a liberdade.


Nunca mais deixou de estar na trincheira dos que acima da vida puseram a defesa da democracia. Licenciou-se em História, graduou-se em Estudos Europeus, foi o primeiro oficial-general a comandar a Brigada Territorial 5, em Coimbra, e terminou a carreira militar como 2.º Comandante-Geral da GNR em 2003, porque o ministro da Defesa, Paulo Portas, sempre viu nos heróis de Abril os implicados numa sublevação.


Aliou a intervenção cívica permanente ao contínuo aperfeiçoamento do saber, com um extremo respeito pela Constituição e pelo sufrágio popular. Era investigador associado do Centro 25 de Abril e do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra. Foi um excelso militar e um ilustre académico.


Foi membro da Comissão Cívica de Coimbra para as comemorações do Centenário da República e da atual comissão para defesa do feriado da data fundadora do regime. Era o presidente da Delegação Centro da Associação 25 de Abril onde, durante quatro anos tive a honra de ser seu vice-presidente e de conhecer a dimensão ética, a capacidade de trabalho e a qualidade intelectual do amigo de quase quarenta anos.


Desdobrou-se em conferências, artigos, tertúlias e palestras nas escolas onde levou aos alunos os princípios republicanos do amor à Pátria, à liberdade e à democracia. Recusou sempre o título de herói com o mesmo desprendimento com que recusou uma promoção por mérito que o Conselho da Arma lhe atribuiu pela reconhecida competência militar.

Honrou a divisa da Revolução Francesa: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Deu o exemplo e foi militante da trilogia que continua a ser a matriz do regime republicano e o lema democrático. Defendeu a laicidade como imperativo de um Estado moderno e a Igualdade como base da justiça social. Fez tudo o que pôde e o que devia. Foi para nós, membros do MR5O, um exemplo e o motor de um projeto de pedagogia cívica que temos a obrigação de prosseguir.

Monteiro Valente era um homem de uma integridade à prova de bala, com um elevado sentido da honra e do cumprimento do dever, um cidadão exemplar e um democrata.


O seu discurso da tomada de posse como comandante da Brigada de Coimbra foi uma lufada de ar fresco que percorreu a GNR. Alguns oficiais contorciam-se na tribuna e olhavam de soslaio à espera de ver a reprovação das palavras do seu comandante que preferiu advertir os militares em parada de que mais importante do que a ordem, que lhes cabia manter, era o respeito pela Constituição e a defesa dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos que ela consagrava. As autoridades locais primaram pela ausência mas, talvez pela primeira vez, em Coimbra, no comando da GNR, sob as estrelas de um oficial general brilhou um cidadão civilista que substituiu a cultura de caserna pela da cidadania.


Teve, como poucos, a noção de que a democracia só é plena em regime republicano, onde há cidadãos e não vassalos, onde se exoneram os poderes hereditários e vitalícios, onde ao alegado direito divino se sobrepõe a legitimidade do sufrágio popular. Por isso, se insurgiu contra a traição de quem rasgou do calendário o feriado comemorativo da data que mudou Portugal e foi a pedra basilar da democracia, ofendendo a cidadania, os heróis da Rotunda e a história, vilania que nem a ditadura ousou.


Partiu destroçado com o rumo dos acontecimentos políticos, de mal com o estado a que o País chegou, revoltado com a deriva ultraliberal, que o amargurava, receoso do futuro da liberdade que ajudou a conquistar.


Portugal e a democracia estão mais pobres. A família e os amigos ficaram destroçados.


Mas o seu exemplo, os seus valores e a sua generosidade ficarão como símbolos. Ele foi o melhor de nós e aquele que a História há de recordar. Quis apenas um ramo de acácia e três cravos vermelhos sobre o caixão, antes de ser cinza, mas nos nossos corações hão de florir sempre os cravos que ele plantou e a República que sonhou.


Viva o 5 de Outubro! Viva o 25 de Abril! Viva Portugal!


(Discurso proferido em Coimbra, às 12H30, junto ao monumento ao 25 de Abril)"

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

A opinião de Carrier


Uma opinião a reflectir sobre o estudo da história. Diz Richard Carrier que temos de ser cautelosos com as publicações de história escritos antes da década de 1950. As razões por ele apresentadas encontram-se no seu blog: http://richardcarrier.blogspot.pt/2007_04_01_archive.html

Quererão os nossos leitores da área da história comentar?


sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Ciência no Verão 2012


 
Caro leitor, quer realizar actividades de Ciência gratuitas, neste Verão?
Está decorrer, desde 15 de Julho até 15 de Setembro, a iniciativa Ciência Viva no Verão, promovida pela Ciência Viva. Estas actividades que estão a ser desenvolvidas em todo o país, são gratuitas e dirigidas a um público de todas as idades, dos avós aos netos.
Pode encontrar actividades laboratoriais, observação de estrelas, saídas de campo, visitas aos faróis, ateliers científicos para crianças e muito mais. Estas iniciativas são desenvolvidas por associações, jardins botânicos, universidades, e outras instituições.
Para inscrições e para ver que actividades ainda estão disponíveis, consultar o site: http://www.cienciaviva.pt/veraocv/2012/
 
Dois dos autores deste blog já foram monitores neste evento no ano passado, desenvolvendo actividades laboratoriais e saídas de campo.
Este ano participámos como visitantes. Deixo algumas fotografias da saída de campo de botânica e arqueologia, ao Cossourado e ao Corno de Bico.

Figura 1 - Povoado fortificado do Cossourado. Lia-se numa placa informativa do local: "Construído durante a Idade do Ferro, este povoado é estruturalmente dominado pelo seu forte sistema defensivo que circunda e protege a sua área habitacional."
Figura 2 - As ruínas no Cossourado. Os trabalhos arqueológicos têm-se vindo a desenvolver desde 1993. 
 
 Figura 3 - Passeio de Botânica, mas ainda com uma componente de arqueologia. No fundo à direita observa-se uma mamoa.

Nota: agradece-se divulgação. Estas actividades contribuem para o aumento da literacia científica da população.
A Equipa do Armarium Libri apoia a iniciativa Ciência Viva no Verão.
 

quarta-feira, 21 de março de 2012

Os erros do bispo


No dia 13 de Março, D. António Vitalino Dantas, bispo de Beja, foi notícia em vários jornais devido aos seus comentários sobre o período de seca que estamos a viver (sigo a notícia do site da Rádio Renascença aqui). As afirmações do bispo deixaram-me boquiaberto, tamanha a ignorância revelada pelo mesmo. Bom, façamos uma análise cuidada das suas sentenças, ponto a ponto.

1) Primeiro dá a entender que as orações trazem chuva, o que reflecte uma superstição bacoca. Tentemos explicar ao senhor bispo o que qualquer criança de 10 anos sabe: o ciclo da água.
Devido ao calor fornecido pelo sol, a água dos rios, lagos e oceanos evapora formando nuvens; assim, a água fica armazenada no estado gasoso na atmosfera. Quando estiverem reunidas as condições atmosféricas de temperatura e pressão verifica-se a precipitação sob a forma de água, neve ou granizo, voltando a água aos rios, lagos e oceanos, completando o ciclo. A água que ficar retida nos solos também é importante para o desenvolvimento das plantas, libertando vapor de água durante a fotossíntese, ou para os animais que também libertam vapor de água na respiração e transpiração. Assim se completa o ciclo (ver imagem abaixo). Como se pode ver, neste processo natural não entram orações, e mesmo se entrassem o resultado seria ineficaz.

Ficheiro:Ciclo da água.jpg
Imagem retirada daqui

2)  Como referido pela RR, segundo o bispo, os agricultores têm mais esperança nos subsídios da União Europeia do que em deus: "(...) a maioria da população não acredita na providência divina, mas somente na previdência de Bruxelas". - Eis o meu comentário: e fazem os agricultores muito bem. Nem quero pensar na desgraça que seria se os agricultores estivessem à espera que deus (qualquer um deles) viesse resolver os problemas; da UE pode não vir chuva, mas podem vir subsídios para alimentar famílias. Ou seja, o comentário do bispo, é de uma enorme irresponsabilidade, caso houvesse alguém que fizesse caso do que diz. No entanto, isto deixa-me cheio de esperança, pois mostra a todos que os portugueses têm espírito crítico, sabem pensar por si, e já não seguem cegamente o clero.

3) Não fosse tudo isto suficiente, o bispo continua a insultar a inteligência dos portugueses e a mostrar a sua crendice e obscurantismo, agora referindo-se a Fátima! Segundo o mesmo, os católicos dão menos atenção à Bíblia e à virgem Maria, pelo que afirma, e cito: “Afinal, as recomendações de Jesus no evangelho e de Nossa Senhora aos pastorinhos de Fátima, pedindo oração e sacrifícios pela conversão dos pecadores e pela paz no mundo não encontram eco nos nossos ouvidos”. A isto eu digo: pois não, felizmente não encontram eco nos nossos ouvidos.
Será que o bispo pretende ressuscitar a mentira de Fátima? Será que o bispo espera que os portugueses acreditem que o sol bailou na Cova da Iria (fenómeno impossível de acontecer)? E que acreditem que apareceu por lá a virgem Maria, apesar dos inúmeros relatos que afirmam que não aconteceu nada? Pretende que os pobres dos portugueses continuem a gastar as suas parcas poupanças em peregrinações e no negócio de Fátima, em vez de investirem esse dinheiro nas suas vidas pessoais?
Passemos a voz a quem sabe. Termino com um comentário de um padre português:
 


Fontes:
- Site da RR: "Bispo de Beja lamenta falta de orações por chuva"
Outras leituras:
- Luis Filipe Torgal, "As aparições de Fátima", Temas e Debates
- Tomás da Fonseca, "Na cova dos leões", Antígona  

domingo, 25 de dezembro de 2011

Votos de Boas Festas!


"Sob a chaminé estala e dança a grande fogueira do Natal: a sua luz rica faz parecer de ouro os cabelos louros, e de prata as barbas brancas.
Tudo está enfeitado como numa páscoa sagrada: dos retratos dos avós pendem ramos de flores de Inverno, as flores da neve, e todas as pratas da casa cintilam sobre os aparadores, numa solenidade patriarcal.
(...)
E por corredores e salas, as crianças, os bebés, com os cabelos ao vento, vestidos de branco e cor-de-rosa, correm, cantam, riem, vão a cada momento espreitar os ponteiros relógio monumental, porque à meia-noite chega Santo Claus, o venerável Santo Claus que tem três mil anos de idade e um coração de pomba, e que já a essa hora vem caminhando pela neve da estrada, rindo com os seus velhos botões, apoiado ao seu cajado, e com os alforges cheios de bonecos.
(...)
Também, como eles o adoram, o bom Claus! E apenas ele chegar, como correrão todos, em triunfo, a puxá-lo para o pé do lume, a esfregar-lhe as decrépitas mãos regeladas, a oferecer-lhe uma taça de prata cheia de hidromel quente - que ele bebe de um trago, o glutão! Depois abrem-se-lhe os alforges. Quantas maravilhas!..."


(Eça de Queiroz, Cartas de Inglaterra e Crónicas de Londres, Lisboa, Livros do Brasil, 2001, pp. 44-45. A imagem vem de Luís Espinha da Silveira e Paulo Jorge Fernandes, D. Luís, Lisboa, Círculo de Leitores, 2006, figura nº1 em extra texto entre pp. 192-193. Neste desenho da autoria do Rei D. Fernando II (1816-1885), datado de 1848, estão representados os seus filhos, à data, com a Rainha D. Maria II (1819-1853): D. Pedro (1837-1861), D. Luís (1839-1889), D. João (1842-1861), D. Maria Ana (1843-1884), D. Antónia (1845-1913), D. Fernando (1846-1861) e D. Augusto (1847-1889)


O Armarium Libri deseja Boas Festas a todos os seus leitores e seguidores!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Resgatando uma vítima do terramoto de 1755


Esta imagem pintada a óleo que se encontra na exposição permanente do Museu da Cidade de Lisboa, é um ex-voto da segunda metade do século XVIII. Um ex-voto consiste numa oferenda a uma divindade, em agradecimento por uma graça concedida em tempos difíceis. Para os Católicos, tem expressão num objecto primeiramente prometido e depois oferecido a Deus, a Nossa Senhora ou aos Santos, agradecendo uma prece formulada e por algum d' Eles atendida. No caso em apreço, Leonardo Rodrigues, provavelmente residente em Lisboa, dedica esta pintura a Nossa Senhora da Estrela, por ter conseguido encontrar a filha de três anos com vida, entre as ruínas da sua habitação, na sequência do terramoto de 1 de Novembro de 1755. O texto que acompanha a imagem (abaixo reproduzido) é uma expressão notável da fé católica e, pode pensar-se, a súplica deste homem terá tido a atenção dos Céus. Todavia, Leonardo Rodrigues não ficou inactivo: fez a sua promessa e depois pôs-se a procurar a filha, o que lhe demorou sete horas. Isto prova que, para aqueles que têm fé, é mais saudável pensar que a divindade tem um papel, mas que o crente também, pois os desejos não se devem esgotar nas preces. O quadro representa essa mesma ideia: um grupo de homens (entre os quais figurará o pai da criança) removendo os obstáculos das ruínas, com o patrocínio de Nossa Senhora que aparece no canto superior esquerdo.

"A nossa Senhoª da Estrella/voto que no terremoto de 1755 fez/Leonardo Rodrigues; porque fal/tando-lhe huma filha de 3 anos/invocando ajudª Santissima a achou depo/es de 7 horas nas ruinas das su/as cazas com huma tão perigosa/ferida na cabeça, que atribue a sua/vida à intercessão da Soberana/Senhora."

A imagem e a frase vêm reproduzidas no site do Museu da Cidade de Lisboa: http://www.museudacidade.pt/Coleccoes/Pintura/Paginas/Ex-voto-a-Nossa-Senhora-da-Estrela.aspx.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Os Teatros de Lisboa


Julio Cezar Machado (1835-1890) foi um dos mais interessantes autores portugueses do seu século. Apesar de ter publicado ficção, as suas obras mais cativantes são as que falam da sua época. Sobre Lisboa deixou numerosas crónicas que fazem a cidade como que reviver, com as suas ruas e as suas figuras típicas, passados cerca de 150 anos. Podem nomear-se, por exemplo, a Lisboa na Rua (1874) ou a Lisboa de Ontem (1877). Hoje, no entanto, falaremos d' Os Teatros de Lisboa, de 1875, reeditado pela Frenesi em 2002, conservando as ilustrações de Raphael Bordallo Pinheiro. Ao longo de cerca de 130 páginas, aliás muito bem escritas dentro de um estilo familiar e pitoresco sem deixar de ser cuidado, o folhetinista fala dos artistas (actores, dramaturgos, músicos) que trabalhavam nos teatros S. Carlos, D. Maria II e Trindade. Se António de Sousa Bastos (1844-1911) no seu Diccionario do Theatro Portuguez (1908) nos deixou um trabalho de erudição, muito investigado e em tom sério, Julio Cezar Machado oferece-nos o complemento vivo, palpável, susceptível de empatia imediata, do mesmo assunto. Descrevendo as figuras do teatro português um pouco como Bordallo Pinheiro as traçava à pena nos jornais, o escritor deixa um retrato jovial e crítico de numerosas celebridades de então: Emília das Neves, Coppolla, Santos, Manuela Rey, Beneventano, Garrett, para citar uns poucos. É um testemunho precioso, pois, como se disse, lê-se como se fosse a vida a decorrer.

Excerto do livro:
"O outro director da orquestra, Guilherme Cossoul, dava em aplicação, em assiduidade, em atenção e em paciência quanto bastasse por dois. Eram-lhe incumbidas as óperas difíceis, que requressem grande número de ensaios e aquela perseverança que não quer ser paga noutra moeda senão a glória de agradar e de vencer. O público teve sempre confiança nas óperas dirigidas por Cossoul; e os cantores iam para a cena com esperança e fé, em ele estando de poleiro no meio dos músicos, ou antes, por cima deles, no seu estrado de honra. Quando se interessava por algum artista, fazia tais prodígios com a batuta, que a maior parte da gente incapaz de compreender a paixão da arte julgava-o namorado. Foi assim que se espalhou que ele ia casar ora com uma prima-donna, ora com outra, e cada ano lhe atribuíam noiva, até que a última cortou a legenda no melhor do boato, a cantora Harris. (...) Guilherme Cossoul nem dava por estas coisas. Qual! Ia regendo a orquestra. Ia ensaiando os cantores. Ia trabalhando. Gravemente. Austeramente. (...) Depois, fora do teatro, ia sendo bombeiro, e, ainda mais que bombeiro, bombista!..., isto é, brincalhão, farsista, trocista, calçoísta! (...) Há casos em que se tem medo dele como do Diabo, por seus artifícios e malefícios. (...) Os menos prudentes, tão depressa o vêem aparecer, tomam desde logo precauções injuriosas. Se é no campo e ele vai estar de hóspede na mesma casa em que estejamos, tem uma pessoa todas as noites de visitar o quarto, abaixar-se, ver bem por baixo da cama, remexer os móveis, sondar as paredes, tapar o buraco da fechadura, dar três voltas à chave e guardá-la segura. E apesar deste luxo de precauções ainda se fica inquieto... (...) Principiam sempre as hostilidades quando os convivas, munidos cada um com a competente palmatória e vela de estearina, vão tranquilamente para os seus quartos. cai de repente em cima deles uma chuva de travesseiros e de almofadinhas, que apaga de repente as luzes. Pragas de um lado, risota do outro, lá se acende a luz outra vez; e cada um, instruído já pela experiência, vai de degrau em degrau abrigando a chama com mão protectora..." (Júlio César Machado e Rafael Bordalo Pinheiro, Os Teatros de Lisboa, Lisboa, Frenesi, 2002, pp.35-40; a imagem reproduzida vem na p.2.)

domingo, 19 de dezembro de 2010

História da Vida Privada em Portugal

Saiu recentemente o primeiro volume da História da Vida Privada em Portugal, dirigida pelo Prof. José Mattoso, editada pelo Círculo de Leitores e pela Temas e Debates e que pretende ser para Portugal o que foi para parte da Europa a obra célebre dirigida por Philippe Ariès e Georges Duby. Está dividida em 4 volumes, cada qual dirigido por um especialista. O primeiro, referente à Idade Média, é dirigido pelo Prof. Bernardo Vasconcelos e Sousa; o segundo, sobre a Idade Moderna, é de Nuno Gonçalo Monteiro; o terceiro (A Época Contemporânea) é de Irene Vaquinhas e o último (Os Nossos Dias), que nos apanha a nós - contemporâneos - em flagrante, foi dirigido por Ana Nunes de Almeida e contou não com uma equipa de historiadores, mas de sociólogos. Os temas abordados estão no domínio do privado, muitas vezes cruzado com a vida quotidiana: a casa, a família, a infância, a sexualidade, o sentimento religioso, etc. São situações de grande importância para nós portugueses estas incursões em temas novos da História, revelando que a historiografia está avançando todos os dias, com discussão, crítica, releitura das fontes e até de estudos já clássicos da área.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Venerável Bede (67?-735)

Quando se fala da História mais antiga, clássica e alto-medieval por exemplo, os artefactos arqueológicos têm uma grande preponderância, já que as fontes escritas existem em modesto número. No entanto, quando existem são muito valiosas, desde logo porque são coevas de um tempo muito recuado, que se reconstitui com dificuldade. Estamos a pensar precisamente no Venerável Bede, cronista britânico dos séculos VII e VIII da nossa era. Terá nascido na primeira metade da década de ’70 daquele século[1], algures a norte do rio Humber, na região chamada Northumbria. Pelos 7 anos de idade entrou no mosteiro de Monkwearmouth e ou aí mesmo ou no mosteiro de Jarrow passou o resto da sua vida.[2] Possivelmente professou no primeiro e passou mais tarde ao segundo, pois temos notícia de que morreu lá.[3] Foi beneditino e terá passado a sua vida monacal a ler e a escrever, para o que aproveitou a vasta biblioteca do mosteiro de Jarrow, que contava algumas centenas de volumes. O próprio Bede deixou obras em inglês antigo e em latim, mas aquelas perderam-se.[4] Entre comentários à Bíblia (Homiliarium) e uma cronologia desde o nascimento de Cristo (De Tempore Ratione, 725), para dar dois exemplos, escreveu uma obra histórica fundamental para seguir a conjuntura da Ilha nos tempos mais antigos – Historia Ecclesiastica Gentis Anglorum, acabada em 731.[5] Trata-se da narração crítica, com recurso a provas documentais, do que aí ocorreu desde o tempo dos Romanos até ao século VIII, embora haja poucos dados anteriores ao século V. As suas qualidades de historiador, fazem com que continue a ser de leitura fundamental. Os missionários da sua região acabaram por divulgar os seus escritos, especialmente entre os Francos.[6] O Papa Leão XIII (1810-1903; papa desde 1878) declarou-o Doutor da Igreja por decreto de 13 de Novembro de 1899).
Notas:
[1] A New Caxton Encyclopedia, vol.2, London, The Caxton Publishing Company, 1973, p.617, s.v. “Bede, the Venerable”, diz 672; já a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol.4, Lisboa – Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia Limitada, s.d., p.414, s.v. “Beda (O Venerável)” e a Lexicoteca – Moderna Enciclopédia Universal, dir. e coord. de Leonel Moreira de Oliveira, vol.III, Círculo de Leitores, 1986, p.150, s.v. “Beda “O Venerável”, apontam para 672 ou 673.
[2] The New Caxton Encyclopedia, vol.2, p.617, s.v. “Bede, the Venerable”.
[3] Lexicoteca – Moderna Enciclopédia Universal, vol.III, p.150, s.v. “Beda “O Venerável”.
[4] Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol.4, p.414, s.v. “Beda (O Venerável)”.
[5] The New Caxton Encyclopedia, vol.2, p.617, s.v. “Bede, the Venerable”
[6] The New Caxton Encyclopedia, vol.2, p.617, s.v. “Bede, the Venerable”.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Exposição "Profissões com História" no Centro Cultural D. Dinis, em Porches

Segue um texto da minha autoria, editado na Gazeta de Lagoa, sobre a exposição "Profissões com História":

"Está patente no Centro Cultural D. Dinis, em Porches, a exposição “Profissões com História”, que teve início a 8 de Novembro e continuará aberta ao público até Fevereiro de 2011. Esta iniciativa de cariz privado, mas com o apoio da Junta de Freguesia que cedeu o espaço, tem como objectivo dar a conhecer o património histórico-cultural da região, assim como sensibilizar para a criação de um Museu Etnográfico no Concelho de Lagoa, como salienta Virgílio Monteiro, organizador do projecto.
Tudo começou com um desafio do presidente da Junta para montar a réplica do interior de uma Escola Primária Centenária no Festival do Caracol, em Porches”, recorda Virgílio. A adesão das pessoas foi imediata ao verem a carteira, o quadro negro de ardósia e os antigos manuais escolares, lembrando os tempos de estudante. O sucesso repetiu-se, pouco depois, na FATACIL, e na FNAC do Centro Comercial da Guia, onde esteve exposta durante trinta e três dias, na abertura do ano escolar.
Agora em exibição encontra-se um espólio mais completo relativo a várias actividades profissionais, dividido em diversas secções – há o lugar dos professores, do sapateiro, do barbeiro, dos vinhos, do barro e da alfaiataria. “Foi essencialmente o entusiasmo das pessoas nas iniciativas anteriores que me motivou a continuar”, explica o organizador.
Também o presidente da Junta de Freguesia está satisfeito com o trabalho demonstrado e felicita a iniciativa. Quanto a um possível Museu localizado em Porches, essa é uma luta da Junta há cerca de vinte anos e que deve continuar a ser incentivada. No entanto, o presidente alerta para a necessidade de se encontrar um local apropriado e haver disponibilidade financeira. Só depois se poderá avançar.
Na primeira semana, o Centro Cultural já recebeu várias dezenas de visitantes, e a expectativa é que venham ainda muitos mais. A exposição está aberta todos os dias das 10h até 12h30, e à tarde com marcação prévia. A entrada é gratuita.

Nota: O Organizador agradece profundamente o apoio do Presidente e dos membros da Junta de Freguesia de Porches, assim como dos populares que têm manifestado o apoio constante a esta iniciativa, contribuindo com sugestões e ainda com objectos que complementam a exposição. A todos um grande bem-haja."

Fonte: Gazeta de Lagoa, Director e Editor: Arthur Ligne, Sexta-feira, 19-11-2010, 22º ano, Nº 1045

sábado, 16 de outubro de 2010

Júlio Carrapato - Sobre a importância da Reflexão

E sempre que falte aos investigadores a probidade do crítico e a seriedade do pensador, todas as démarches feitas no sentido da verdade resultarão infrutíferas”(1).

Esta afirmação do advogado, publicista e ensaísta algarvio Júlio Carrapato (1919-1985), leva-nos a meditar sobre a importância da constante reflexão por parte de um investigador. Lembra-nos que um trabalho de pesquisa, qualquer que seja a temática de estudo, não passa apenas pela recolha de informação, mas de igual modo pela assimilação dos conteúdos, análise e sentido crítico.
Este foi um dos primeiros ensaios escritos pelo autor, ainda com dezoito anos.

(1) – Júlio Carrapato, “O Mistério Camoniano e a «Alma PoéticaLusitana»” (1937), in “Obras (Quase) Completas” (1996).

Bibliografia:
Júlio Filipe de Almeida Carrapato, “Obras (Quase) Completas”, 1º Volume, Algarve em Foco Editora, Faro, 1996

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Viva a República!

Hoje, dia 5 de Outubro de 2010, celebra-se o centenário da República Portuguesa.
Viva a República!
Imagem retirada do site da Embaixada de Portugal no Brasil

domingo, 3 de outubro de 2010

Ciclo de Conferências - 100 anos da República

Realizar-se-á, em Outubro, um ciclo de conferências sobre a primeira tentativa de implementação da República em Portugal com o golpe de 31 de Janeiro de 1891.
Esta iniciativa é organizada pelo Instituto de História Contemporânea (IHC) e pela União das Associações de Comércio e Serviços (UACS), e coordenada por Paulo Jorge Fernandes e Daniel Alves, tendo lugar na Sala do Conselho, sede da UACS, Rua Castilho, 14, Lisboa.

Programa:
- Maria Antonieta Cruz, Univ. do Porto, “O Golpe de 31 de Janeito de 1981: uma ousadia breve?” Data: 11 Outubro de 2010, 18h.
- Isabel Corrêa da Silva, ICS, Univ. de Lisboa, “O espelho fraterno: o Brasil no imaginário do 31 de Janeiro” Data: 18 Outubro 2010, 18h.
- Daniel Alves, IHC, FCSH, Univ. Nova de Lisboa, “O «31 de Janeiro» dos lojistas: republicanismo e participação eleitoral do pequeno comércio lisboeta”. Data 25 de Outubro de 2010, 18h.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A Sociedade Medieval Portuguesa

Foi reeditada este mês pela Esfera dos Livros A Sociedade Medieval Portuguesa - aspectos de vida quotidiana, do falecido Professor A. H. de Oliveira Marques. Publicado pela primeira vez em 1964, este livro, que aborda vários temas da vida dos nossos antepassados da Idade Média, teve várias reedições, mas encontrava-se actualmente esgotado. O Prof. Oliveira Marques, competente pioneiro nos assuntos de História Medieval e da I República, analisa aqui a alimentação, o vestuário, as relações de trabalho, os passatempos, a saúde e outros temas, servindo-se quer de fontes primárias (sem descurar o que a literatura e a gravura podem revelar), quer de outros excelentes autores que, antes dele, trabalharam sobre os mesmos assuntos, como Henrique da Gama Barros (História da Administração Pública em Portugal nos Séculos XII a XV, 1885-1922) e António de Sousa Silva Costa Lobo (História da Sociedade em Portugal no Século XV, 1903), por exemplo. A reedição desta obra é tanto mais importante quanto é um facto que faltam outras acessíveis e manipuláveis sobre aspectos da vida quotidiana portuguesa. Entre o que há, podem citar-se um pouco ao acaso e sem esgotar os títulos, as de Nuno Luís Madureira (Lisboa. Luxo e Distinção. 1750-1830, 1990, p. ex.), de José Leite de Vasconcellos, do ponto de vista etnográfico (Etnografia Portuguesa, p. ex.) e os capítulos que sobre isso falam nas Nova História de Portugal e Nova História da Expansão Portuguesa (esta para o nosso antigo Ultramar). Já sem considerar o que nos diz a mera observação da vida, estas incursões científicas vêm provar que não há anedotas da História, nem histórias da História. Qualquer facto pode ser inserido num capítulo da História. Por muito pitoresco que pareça, pode e deve ter um tratamento científico, pois traz uma marca do passado. O que faz falta ir dizendo é que é necessária a submissão de todos os acontecimentos ao estudo científico: a sua crítica e a sua inclusão no sistema organizativo dos temas em História.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Canções com História

A Música também tem História.

Já temos falado neste blog da história enquanto disciplina própria, mas também de outras suas vertentes, como a história regional ou a história das ciências. No entanto, pouco ou nada abordámos da história da música. Vou então dar um primeiro passo e desbravar caminho. Acompanhem-me.

Não sendo um especialista no tema, não vou discorrer sobre a história desta arte, mas antes divulgar alguns trabalhos recentes na área. Começo por referir a “Antologia da Música Europeia – dos trovadores a Beethoven” (década de 1970), da Sassetti, representando apenas a música ocidental europeia, e tendo início na Idade Média e Renascimento (Volume I) até ao século XIX (último volume). Esta antologia, para além dos livros, possui também uma colecção de discos em vinil.

Nas duas décadas que se seguiram, com maior ênfase na década de 1990, habituámo-nos a ver na televisão os programas do Vitorino de Almeida (n. 1940), compositor, maestro e escritor português. Esta programação de índole cultural pretendia dar a conhecer à população boa música, principalmente a designada música erudita (tem este nome em contraste com a música popular). No seguimento desta vontade de contribuir para a educação musical dos portugueses, informa, numa entrevista ao jornal “Público” (2009), que pretende leccionar um curso de História da Música para a população em geral (1).

Actualmente, na Antena3, rádio estatal, é possível ouvir a rubrica “Canções com história”, em que os apresentadores explicam o contexto em que certas músicas foram criadas, ou o evoluir da musicalidade de um determinado grupo, os percursos de algumas bandas, etc. Como é habitual em quem investiga história, de quando em quando depara-se com alguns acontecimentos que, de tão caricatos, tornam-se hilariantes. Hoje (dia 8 de Setembro), a rubrica falou de uma música da banda “Marcy Playground”. Segundo o relato do apresentador do programa, um dos músicos da banda encontrava-se a namorar com a sua companheira no quarto do campus universitário, quando foram apanhados pela colega de quarto da namorada, que ao entrar terá proferido: “smells like sex and candy”, qualquer coisa como “cheira a sexo e rebuçado”. Esta expressão ficou gravada na mente do músico e foi sendo trabalhada ao longo dos anos, até que, em 1998, editou a música intitulada “Sex and candy”, que voltou a ser tocada nas rádios (2).

Fontes: