No decurso do meu trabalho de doutoramento, deparei-me com uma coleção zoológica que foi reencontrada numa antiga escola que ia entrar em obras. Tive o prazer de a estudar e os resultados foram agora publicados na revista Endeavour. Para além da identificação e do estudo dessa coleção, debrucei-me sobre a história da instituição, a Escola-Oficina nº1, que pertence à Sociedade Promotora de Escolas, e foi criada por Republicanos e Maçons no início do século XX, para providenciar o ensino gratuito às crianças pobres, filhas dos operárias, do Bairro da Graça em Lisboa.
Podem saber mais aqui:
João Lourenço Monteiro, Between republicans and freemasons: a lost zoological collection found in a very particular school, Endeavour,42 (4), 2018: 196-199 https://doi.org/10.1016/j.endeavour.2018.07.011
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2018
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Casa Centenária do Porto invadida por animais
Está patente uma nova exposição no
Jardim Botânico do Porto, intitulada “Invasão da Casa Andresen – Animais de Museu”. Aí poderão ser vistos animais exóticos em poses naturais e em
equilíbrios impossíveis: felídeos a caçar impalas, cervídeos a combater pela
posse de território, ou cabras a saltarem pelo átrio central.
Se as imagens em si são espetaculares e
extremamente vívidas, ainda há que dizer que todo o piso térreo, onde se
encontram os animais, está às escuras. O objetivo é suscitar diferentes emoções
e sensações junto de que quem vai à exposição. Para isso, os visitantes são
convidados a explorar o local com o auxílio de lanternas.
No piso superior, pode conhecer melhor a técnica de taxidermia que permitiu reconstituir estes
animais. As criaturas aqui expostas pertencem à coleção do taxidermista António
Perez, responsável por este trabalho. De salientar que os animais não foram
capturados para este efeito, mas adquiridos junto de instituições credenciadas,
após a morte natural, ou por acidente, das mesmas.
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| Imagem retirada do site da exposição |
Sobre
a Taxidermia
A taxidermia é o processo de preservação
da forma da pele e reconstituição de um animal após a sua morte. Os animais
assim conservados podem vir a fazer parte de uma coleção científica ou
permanecer em exposições. As mais recentes técnicas de taxidermia recorrem a
conhecimentos de diferentes áreas como a biologia, etologia, anatomia
comparada, química, mas também artes plásticas.
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terça-feira, 14 de maio de 2013
Novo Museu no Porto
No passado dia 10 de Maio foi inaugurado o mais recente museu da Universidade do Porto.
Trata-se do Museu da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto que vai, segundo a notícia avançada pela Universidade, "reunir e mostrar ao público um espólio alargado e de grande valor científico de objetos emblemáticos da história da farmácia e da ciência em geral".
![]() |
| Crédito: © Diana Barbosa |
O museu fica localizado no novo complexo que a Faculdade de Farmácia partilha com o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, o antigo edifício da Reitoria, junto ao Palácio de Cristal. Para além de espólio relacionado com as ciências farmacêuticas, estarão também expostas peças relacionadas com outras áreas científicas, como as primeiras edições dos computadores Macintosh, por exemplo. O museu está aberto ao público, mas é necessária marcação prévia da visita, usando o email secretariado@ff.up.pt.
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sexta-feira, 19 de abril de 2013
Dia Mundial da Terra, no Museu
COMEMORAÇÃO DO DIA MUNDIAL DA TERRA NO TERRAÇO DO MUSEU
Oficina única de instrumentos criados pelos navegadores portugueses
“Viagens oceânicas e encontros com outros continentes”
Segunda-feira, 22 de abril das 15h00 às 18h00
Integrado nas comemorações do Ano Internacional do Planeta terra, o Museu Nacional de História Natural e da Ciência promove, em colaboração com a Marinha Portuguesa e a Sociedade Portuguesa de Matemática, a realização de uma oficina única sobre Instrumentos de Navegação. No terraço do museu estarão disponíveis para os visitantes cinco "estações" com réplicas de instrumentos históricos de navegação criados na época das Descobertas portuguesas. A coordenação da atividade é do Comandante Malhão Pereira, que foi muitos anos comandante do navio escola Sagres. Em cada estação, os participantes contam ainda com o acompanhamento de investigadores especialistas no tema.
Programa:
Anfiteatro Manuel Valadares: breve apresentação pelo Comandante Malhão Pereira
Terraço do museu: Estações de instrumentos de navegação
Estação I: Astrolábio + Astrolábio suspenso (Vasco Teixeira)
Estação II: Quadrante + Quadrante de Pedro Nunes (João Duarte)
Estação III – Anel náutico (João Retrê)
Estação IV – Balestilha + Kamal (Ricardo Barbosa)
Estação V – Agulha de marcar + Instrumentos de sombras (Luis Couto Soares)
Entrada gratuita
Inscrições limitadas a 30 pax
Marcação prévia obrigatória: geral@museus.ul.pt
Rua da Escola Politécnica, 58 | 1250-102 Lisboa
T. 213921800 | E. geral@museus.ul.pt
Www.mnhnc.ul.pt
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domingo, 11 de dezembro de 2011
Arte e Ciência no Porto
Para quem ainda não teve oportunidade, até ao próximo dia 8 de Janeiro ainda pode ir visitar a exposição "Harold Edgerton - Fragmentos de Tempo", patente na Casa Andresen (Jardim Botânico do Porto). A exposição pode ser visitada de quarta a domingo, das 14h30 às 18h30, com entrada livre.
Harold "Doc" Edgerton, foi um americano pioneiro da área da fotografia e cinematografia. Foi inventor, empreendedor, explorador e carismático professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Tinha como filosofia de vida: "Work hard. Tell everyone everything you know. Close a deal with a handshake. Have fun!".
Quem não conhece esta famosa fotografia?
Embora o seu reconhecimento venha, em grande parte, de feitos artísticos, pela captura de imagens de grande beleza, Egderton foi acima de tudo um cientista. Esteve ligado ao MIT desde que lá estudou e foi lá também que desenvolveu as suas primeiras experiências com luz estroboscópica com fotografia, e que o tornou tão célebre. Mas, as aplicações das suas descobertas vão muito mais além de uma "simples fotografia". Ao permitir parar movimentos no tempo e gravá-los em imagens fotográficas, as técnicas de Edgerton tornaram percetíveis fenómenos que, de outra forma, o olho humano não conseguiria observar. E, para chegar a essas imagens teve que criar e desenvolver equipamentos eletrónicos e fotográficos completamente novos. A observação detalhada destes fenómenos permitiu também o seu estudo científico, como foi o caso do voo do beija-flôr.
No filme Quicker'n a Wink, galardoado com um Oscar em 1940, pode-se perceber melhor o trabalho pioneiro deste cientista/artista nessa década:
O trabalho de Harold Edgerton é um exemplo de um equilíbrio perfeito entre arte e ciência.
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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
"Testando o M@arbis"
O Instituto Português de Malacologia (IPM) continua a realizar palestras abertas ao público em geral, com o intuito de abordar o tema do estudo dos moluscos de um modo acessível a todas as pessoas interessadas. Se gosta de ciência e do mar, apareça. A próxima palestra contará com a investigadora Mónica Albuquerque como oradora, e irá ter como tema o programa M@rBis e a sua relação com o estudo da fauna malacológica das Ilhas Selvagens.
Local: Museu Nacional de História Natural e da Ciência, R. da Escola Politécnica, Lisboa
Nota: a entrada é gratuita.
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terça-feira, 25 de outubro de 2011
Palestra sobre Bivalves no Museu Nacional de História Natural
O Instituto Português de Malacologia (IPM) irá desenvolver um conjunto de palestras no Museu Nacional de História Natural. A primeira sessão é dedicada aos bivalves, e terá como orador o Doutor Joaquim Reis, Presidente do IPM.
Título: "O Mexilhão é que se lixa? - A conservação de mexilhões-de-rio e o plano nacional de barragens"
Orador: Doutor Joaquim Reis
Local: Museu Nacional de História Natural, Rua da Escola Politécnica, Lisboa (no Auditório)
Data: 28 Outubro 2011, 19h
ENTRADA GRATUITA
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domingo, 25 de setembro de 2011
Pilotos de Ciência
Teve lugar na
passada semana de 12-16 de Setembro, em Trieste (Itália) e Ljubljana (Eslovénia),
o primeiro Pilots Training Course forMuseum Explainers, Educators and Young Scientists involved in outreachprogrammes. Esta foi uma interessante formação dirigida a todos aqueles que
trabalham em comunicação de ciência, mas particularmente àqueles que estão
associados a centros ou museus de ciência. O curso foi organizado pelo grupo
THE GROUP (Thematic Human interface and Explainers), que faz parte da organização ECSITE (The European Network of Science Centresand Museums) e que se dedica particularmente aos
monitores de ciência, desde a sua formação até à sua valorização nos locais de
trabalho, que podem ser tão variados como: centros interativos de ciência,
museus de história natural, zoos, aquários, empresas de atividades educativas,
etc. Tive a oportunidade de, graças a uma bolsa Grundtvig
da Agência Nacional PROALV, assistir a este curso e foi uma experiência
marcante.
Embora pareça ser
uma comunidade variada, variável e heterogénea, os monitores de ciência, ou “pilotos”
(a designação que usámos durante o curso,) partilham muitas características, independentemente
do seu país de origem, background,
local de trabalho ou designação que lhe atribuem (monitor, explicador, guia,
demonstrador, facilitador, etc.). Isto mesmo se pôde verificar no primeiro
workshop do curso, onde debatemos e expressamos artisticamente o que era um
monitor de ciência. Estes foram alguns dos resultados:
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| Scinamator -o resultado artístico do meu grupo de trabalho. |
![]() |
| Mapa conceptual sobre as competências dos monitores. |
No segundo dia do
curso, debatemos e trabalhamos acerca da aprendizagem, tema sempre presente na
comunicação de ciência. Será que os visitantes de um centro de ciência aprendem
alguma coisa? O quê? E o que é que queremos que eles aprendam, na verdade? Eu
gostei particularmente da abordagem da Maria Xanthoudaki, directora dos
Serviços Educativos e Relações Internacionais do Museo Nazionale della Scienza e della Tecnologia Leonardo da Vinci(Museu Nacional da Ciência e Tecnologia) em Milão:
quero que o visitante saia do museu levando algo de novo dentro de si. Esse “algo
novo” pode não ser necessariamente um conhecimento científico, pode ser só uma
sensação, pode ser o desejo de ir em busca de alguma informação nova sobre
algum tema que desconhecia, … Esta aproximação à problemática parece-me muito
interessante porque é também aquilo que me leva a ser comunicadora de ciência.
Não é necessariamente a transmissão de novos conhecimentos aos meus receptores (embora
também o seja), mas é sobretudo querer marcá-los de alguma forma,
transformá-los nalgum aspeto e, assim, mudar a sua percepção em relação à
ciência e o fascínio da descoberta.
Ao terceiro dia,
o curso mudou-se de malas e bagagens para Ljubljana, na Eslovénia. Aí, tivemos
a oportunidade de conhecer o Hišaeksperimentov (A Casa das Experiências)
e o excelente trabalho que aí fazem no âmbito, entre outros, dos shows de
ciência: animadas demonstrações de ciência (ou aventuras de ciência, como lhes chamam no Hiša)
que podem ser dirigidas a distintos públicos, dos 8 aos 80. Assistimos ao
famoso Soundology, uma aventura com o
som.
Este grande pequeno
centro de ciência “mãos-na-mass”, único na Eslovénia, nasce em 1995 fruto da
vontade e persistência do seu director, Miha
Kos, doutorado em Física. O seu lema é este provérbio chinês: "Eu ouvi e
esqueci, eu vi e recordei, eu fiz e então soube” e tem uma bela equipa a
trabalhar não só no centro mas também por todo o país. Podem ver o Miha em acção
aqui, durante o Festival de Ciência em Ljubljana:
Se forem a
Ljubljana, esta é uma visita obrigatória.
Outro tema muito
trabalhado no curso foram as actividades de diálogo/debate. Como levar o
público a um debate sobre ciência? Como levar os visitantes de um centro/museu
a dialogar acerca daquilo que estão a observar ou a experimentar. Como em
muitas outras situações deste género, o melhor é usar um “isco” com que as
pessoas de relacionem de forma muito próxima: algo do seu dia-a-dia ou das suas
memórias de infância. Um exemplo: uma figura da banda-desenhada. É relativamente
fácil pegar na imagem de um super-herói ou outra figura da cultura popular
como ponto de partida para um debate/conversa sobre ciência. Na Universcience – Cité des Science & de l’Industrie(Cidade das Ciências e Indústria) em Paris, fizeram isto mesmo à volta da exposição Science [et] Fiction(Ciência e Ficção), utilizando como ponto de partida imagens de banda-desenhada
de ficção científica, incluindo a Guerra das Estrelas. Thiérry Dasse, mostrou-nos
parte da divertida actividade prática que desenvolveu para essa exposição:
E, esta, foi
também uma forma muito importante de aprender: a partilha de experiências por parte dos participantes.
Nas duas sessões Pilots Piloting,
tivemos a oportunidade de partilhar demonstrações, shows, ou “simplesmente”
falar um pouco acerca do trabalho que se faz na instituição de origem, de uma
ideia para uma actividade ou para a formação e motivação dos monitores. Nesta
vertente, o treino teatral saiu vencedor como um excelente ponto de partida
para facilitar a abordagem dos monitores ao público, o à-vontade dos monitores
e até a introdução de algum humor na nossa comunicação.
Como não podia
deixar de ser, abordámos também a sempre difícil avaliação. Como saber que
estamos a atingir os nossos objectivos? Este tema foi tratado tanto a nível da
avaliação institucional como dos monitores, de uma forma mais específica. Como trabalho
de grupo (um de muitos), deveríamos planificar um formulário de avaliação para
diferentes actividades, tarefa que se revelou bem mais difícil do que à partida
aparentava.
Resumindo, esta é
uma formação que me parece de interesse fundamental para todos aqueles que
trabalham com público em diferentes instituições onde se faz divulgação
científica. Para quem estiver interessado, estejam atentos ao site da ECSITE e
às conferências anuais, onde há sempre
dois dias de formação prática para monitores (e outras formações direccionadas
a outros aspectos das instituições, como a obtenção de financiamento, por exemplo). A próxima
conferência será no final do mês de Maio de 2012, em Toulouse (França). Se são monitores e querem partilhar experiências com colegas de todo o mundo, podem também unir-se à comunidade Pilots, através do Pilots Hub!
Cá fica, para a posteridade, a foto do grupo internacional e multi-cultural que participou nesta formação:
Cá fica, para a posteridade, a foto do grupo internacional e multi-cultural que participou nesta formação:
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sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Noite Europeia dos Investigadores 2011
Hoje celebra-se, em 320 cidades de 32 países europeus, a "Noite Europeia dos Investigadores - 2011", mais uma acção de divulgação científica que pretende aproximar a ciência e o público. Haverá espectáculos e actividades experimentais para as pessoas realizarem. Aproveitem. É gratuito.
Alguns dos colaboradores deste blog estarão como monitores no Porto. Também eu, este ano, estarei na Invicta, na secção do Museu de História Natural e no Espaço Europeu. Nos últimos dois anos estive em Lisboa e valeu a pena, mas este ano o programa vai ser ainda melhor na capital. No entanto, quem não puder visitar Lisboa ou Porto, poderão procurar por estas iniciativas numa cidade mais perto de si.
Mais informações:
- Programa em Lisboa, no Pavilhão do Conhecimento (Expo): http://www.pavconhecimento.pt/visite-nos/programacao/detalhe.asp?id_obj=914
- Programa no Porto: http://nei2011.eu/2011/09/2178/
- Informação no site europeu: http://ec.europa.eu/research/researchersnight/index.html
- Informação no site Português (pode encontrar o programa nas várias cidades portuguesas, em locais): http://nei2011.eu/oque/
Ver apresentação:
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quinta-feira, 14 de julho de 2011
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Dia da Biodiversidade
Colabore na Divulgação:
Evento: Dia da Biodiversidade na exposição “A Evolução de Darwin” – Porto
Dia: 22 de Maio 2011
Horário: 10h até 19h
Local: Casa Andresen, Jardim Botânico do Porto, Rua do Campo Alegre, 1191
4150-181 Porto, Portugal
Coordenadas GPS:
Latitude: 41.15364955646922 Longitude: -8.642528057098389
Pode encontrar mais informações no Site: http://expodarwin.up.pt/
O que irá acontecer neste dia?
Poderá visitar a exposição “A Evolução de Darwin”, com a opção de visita guiada, como é normal aos fins-de-semana. Para além disso, irão decorrer conversas com oradores convidados, dos quais se destaca a professora Teresa Andresen, Directora do Jardim Botânico do Porto (e familiar da escritora Sofia de Mello Breyner Andresen). Também irá haver actividades práticas paralelas para conhecer melhor a nossa biodiversidade, sendo estas actividades dirigidas tanto a um público adulto como aos mais novos. Visite-nos!
Nota aos nossos leitores: Esta actividade conta com a presença de alguns elementos do ArmariumLibri.
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segunda-feira, 18 de maio de 2009
Exposição Darwin - O Grande Final
A exposição “A Evolução de Darwin” está a chegar ao fim. De facto, esta é a última semana da exposição.Olhando para trás, só se pode concluir uma coisa: esta exposição tem sido um enorme sucesso, pois todos os objectivos foram atingidos e ultrapassados. Penso que, entre outros factores, estes resultados devem-se, essencialmente, ao facto da exposição ter sido realizada e dirigida para um público de todas as idades, sendo os conceitos de fácil compreensão para todos.
Agora que nos aproximamos do final, a festa vai continuar. No fim-de-semana de encerramento, dias 23 e 24 de Maio, a Fundação Calouste Gulbenkian continua a promover diversas iniciativas. Paralelamente à exposição, vão ser realizadas conferências, concertos musicais, peças de teatro, Workshops práticos e no jardim, que terão início logo às 9h30. Deixo aqui algumas sugestões:
Conferências:
Carlos Marques da Silva: “Darwin geólogo e o paradoxo da biodiversidade”.
José A. Feijó: “Tudo o que sempre quis saber acerca de sexo (em plantas)”.
António Frias Martins: “E se Darwin voltasse agora... aos Açores?”
Octávio Mateus: “O que Darwin não sabia sobre os dinossauros”.
Mark Stoneking: “Human evolution: the molecular perspective”.
Peter e Rosemary Grant: “The evolution of Darwin’s finches”.
Teatro:
“O professor de Darwin”.
“A conferência de um macaco”.
Workshops:
“Ilustração científica”
“Como se faz uma montanha?”
“Diagnosticando Darwin: Dr. House visita Down House”
“A evolução do vírus da gripe”
Observação de aves
Construção de ninhos
Publicado simultaneamente em: www.biocel-lusofona.blogspot.com
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domingo, 5 de abril de 2009
Visita ao Museu Nacional de Etnologia (2006)
1.Visita ao Museu Nacional de Etnologia
O texto que agora se apresenta é o de uns breves apontamentos que tirámos durante uma visita ao Museu Nacional de Etnologia, em Maio de 2006. Na altura, o tempo de que dispúnhamos e a observação demorada das peças apenas permitiu a impressão cuidada de duas colecções: a da panaria guineense e cabo-verdiana e a das máscaras do Mali. Acrescentamos hoje, porém, alguns dados indispensáveis para a contextualização das notas, nomeadamente sobre a criação do M.N.E. Apesar do tempo que já passou, achámos que valia a pena partilhar este escrito, quanto mais não fosse para tentar despertar a curiosidade de visitar o Museu.
2.O Museu
“O Museu Nacional de Etnologia é indissociável da história da antropologia portuguesa. Nele se vem a projectar uma dimensão fundamental do trabalho dos pioneiros desta disciplina no país. A partir do Centro de Estudos de Etnologia, que dirige desde 1947, Jorge Dias e aqueles que o irão acompanhar nos anos subsequentes, Margot Dias, Ernesto Veiga de Oliveira, Fernando Galhano e Benjamim Pereira, entre outros, iniciam uma pesquisa extensiva e continuada sobre os elementos da cultura material que, anos mais tarde, viriam a ser igualmente recolhidos para constituir as colecções do museu. O trajecto daquele antropólogo vai conduzi-lo e a Margot Dias ao norte de Moçambique onde, em sucessivos períodos de trabalho de campo, com início em 1957, vão construir uma sólida etnografia sobre o povo Maconde. O resultado parcial daquela investigação será objecto de uma exposição realizada em Lisboa em 1959 e é neste contexto que surge a intenção explícita da criação de um Museu de Etnologia. Em 1965 o Museu é criado com o ambicioso programa de representar as culturas dos povos do globo não se restringindo, pois, nem a Portugal nem aos domínios ultramarinos sob a sua administração.”[1] O acervo do M.N.E. é hoje formado por cerca de 30.000 peças, que procuram responder ao objectivo de universalidade. Assim, entre elas estão alfaias agrícolas portuguesas – algumas a cair em desuso, por causa da modernização na agricultura –, uma colecção de olaria que cobre todo o País, uma colecção de máscaras e marionetas do Mali, vários objectos de povos da Amazónia, conjuntos também de Angola, Moçambique, Timor e outras. Há uma preocupação notória de alternar peças propriamente ditas com extractos de filmes ou fotografias, que expliquem e completem o significado e a utilidade daquelas.
O Museu tem uma biblioteca especializada na área da Antropologia, com títulos de estudos, teses e revistas, para acesso dos interessados em aprofundar os seus conhecimentos nestas matérias.
Há um Serviço Educativo ligado ao M.N.E. que visa dar a conhecer as suas colecções ao público, através de visitas guiadas, preparação de visitas com docentes, publicação de obras sobre o acervo e espaços lúdicos e culturais para os mais jovens.
3.Etnologia
Entende-se por Etnologia o estudo cultural do Homem. Neste ramo do saber se abordam a técnica e as realizações materiais, a organização social, a religião, a magia, a arte “e, sob certos aspectos, também, a ciência”, entendidas como “unidade funcional”, ou seja, partes inseparáveis do conjunto de conhecimentos e valores que fazem uma cultura humana[2]. Alguns cientistas distinguem-na de Etnografia. Esta é a recolha e descrição de elementos vários e aquela a comparação das culturas, através da sua evolução histórica. A Etnografia fornece a descrição de costumes e tradições dos povos à Etnologia. Esta constrói teorias e leis com base nelas. Em princípio, os povos que interessam à Etnologia são aqueles que vivem com meios técnicos elementares, ou, também se diz, em “estado natural”. Os esquimós, algumas tribos africanas ou americanas, por exemplo, inserem-se nessa classificação. As mesmas matérias referentes aos chamados povos “mais avançados” tecnologicamente são estudadas por ciências à parte, como “a Orientalística, a Indologia, a Sinologia”[3] e também a História. Porém, é de crer que estes povos também podem ter as suas etnologia e etnografia, dadas as suas produções mais primitivas – o que não quer dizer desaparecidas – presentes ainda nas zonas rurais, desde alfaias, até à poesia popular, matérias quase intocadas e em contacto quase directo com tempos muito antigos[4].
As peças que adiante descrevemos são, portanto, manifestações materiais da cultura e da mentalidade, longamente construídas pelos povos inseridos nos seus territórios, como forma espontânea de entender o ambiente e de lhe responder. Obviamente, ambientes diferentes originam respostas diferentes: daí a diversidade de culturas.
Não tivemos oportunidade de acompanhar a visita guiada que se fez à Sala das Alfaias de Portugal, mas visitámos a Sala dos Panos e a Sala das Marionetes.
4.Através dos Panos
Esta sala expõe uma colecção de panaria guineense e cabo-verdiana do Museu Nacional de Etnologia, recolhida, na maioria, por António Carreira entre 1960 e 1970.
Os panos, no contexto tribal africano, são bens que definem o prestígio de quem os usa. Os panos assinalam os ciclos de vida, definem as formas das relações sociais e formalizam os seus momentos cerimoniais e rituais.
As meadas ou os panos são tradicionalmente tingidos com pigmentos vegetais, como a urzela[5], o índigo[6] ou o anil[7], que permitem obter vários tons de azul.
No século XVI, Portugal, já na senda dos Descobrimentos, e apercebendo-se do valor das matérias-primas e da panaria, impôs restrições comerciais visando o controlo exclusivo da exploração e comercialização do algodão e dos panos. Isto deu origem ao contrabando, praticado entre os autóctones e os tripulantes dos navios. A partir dos séculos XVIII e XIX, vários factores como as secas, a ascendente influência económica estrangeira, a abolição da escravatura, a inovação tecnológica e a circulação do pano industrial a um custo inferior, fizeram com que decrescesse o cultivo de algodão e, consequentemente, se produzisse menos panaria tradicional. Actualmente, verifica-se o uso crescente de meadas de algodão industriais ou de fio sintético, às vezes importadas de outros países, mais acessíveis em custo e fáceis de trabalhar. Apesar deste claro benefício, ainda para mais para carteiras pobres, sente-se que é perdida uma parte da tradição na confecção actual dos panos. Se já não são produzidos desde a plantação até à conclusão do tecido, apaga-se uma parte essencial do ciclo de vida de uma arte inimitável, o que é uma desvantagem da vida moderna. Tem-se vindo a substituir o que é tradicional, justificando isso pelo baixo custo ou pela rapidez de confecção. Apesar de algumas medidas proteccionistas dos governos, a tradição não é ainda mantida e protegida essencialmente senão pelos interessados. E só tem verdadeiro valor tradicional a peça, qualquer que seja, que respeite todos os passos da criação primitivos.
Os panos expostos são, no geral, coloridos e têm motivos variados que vão desde a expressão mais tradicional, a temas modernos. Alguns têm como tema um animal representativo, como a jibóia, outros têm barcos – como aqueles que no século XV foram vistos pela primeira vez em África –, e há até a expressão de aspirações políticas recentes – de facto, um dos panos tem tecida a imagem de Amílcar Cabral, datado de 1996 e recolhido na Guiné-Bissau.
5.Nota sobre as Designações dos Panos
As definições dos panos derivam da sua origem, tipo de confecção, motivos decorativos ou modo de uso.
Ao pano de Cabo Verde chama-se pano di terra, alusão à origem. Este pode ainda ser pano d’obra, se tiver um padrão complexo e minucioso; ou pano bicho se tiver por motivo um animal.
Os panos guineenses também têm designações. Valem aqui as referidas para os panos cabo-verdianos. Mas há designações específicas guineenses: pano lanceado, de padrão simples, por exemplo, xadrez, que requer poucos liços[8] e dispensa a presença de um ajudante; pano frisado, de fabrico complexo, com muitos liços, sendo o fabrico assistido por ajudantes.
É curioso notar que as sucessivas medidas dos governos para recuperar a tecelagem tradicional e o interesse que ela suscita entre a população criaram um novo olhar sobre os panos, cuja forma se generalizou em cortinados, toalhas de mesa, malas, saias, camisas e outras peças quotidianas. Também a internet vulgarizou motivos de panaria tradicional em muitos acessórios. Tudo isto constitui mais do mesmo desvio que tem sido imposto às peças tradicionais, as quais têm como característica principal o facto de serem únicas. Embora, deste modo, a tradição passe a estar mais presente, em múltiplos suportes, e não seja esquecida.
6.Máscaras e Marionetes do Mali
Dadas as circunstâncias particulares da nossa História, em Portugal conhecemos melhor países como a Guiné e Moçambique, pelo que se justifica uma breve introdução sobre o Mali. A República do Mali fica no oeste do continente africano e faz fronteira com a Argélia (norte), o Niger (este), o Burkina Faso (sul), a Costa do Marfim (sul), a Guiné (sudoeste), o Senegal e a Mauritânia (ambos a oeste). A capital é Bamako, tem uma superfície de 1 240 000 km2, 11 130 000 habitantes (os malianos) e a língua oficial é o francês. As religiões predominantes são o islamismo e o animismo. O regime político é parlamentar, o Presidente da República é o Chefe do Estado e do Governo, eleito por sufrágio directo, por cinco anos. Existe um órgão legislativo que é a Assembleia Nacional com 129 deputados, eleitos por cinco anos.
O país situa-se numa zona seca e a agricultura cobre menos de 2% da sua superfície total. Cultiva-se o arroz, o milho, o amendoim, o algodão, a cana-de-açúcar e verduras. Pratica-se a criação de gado e a pesca, cujos bens se exportam para a Costa do Marfim e para a Guiné, especialmente. A indústria é pouco desenvolvida e está concentrada na capital, abrangendo áreas como os textéis, o sector alimentar, os químicos, o tabaco, a mecânica e o calçado. Há ainda recursos como o ouro e sal-gema, retirados das minas. As comunicações pouco desenvolvidas dificultam o crescimento económico. O país é um dos mais pobres do Mundo, tendo uma balança comercial constantemente deficitária e um largo endividamento externo. Depende, portanto, de ajudas internacionais[9].
O Mali, obviamente, tem a sua história e as suas tradições. Têm elas expressão no Museu Nacional de Etnologia em marionetes que tanto representam figuras humanas como animais. Entre aquelas que representam animais temos, por exemplo, antílopes, macacos, serpentes, búfalos e outras feras indefiníveis, por vezes acompanhadas por um caçador. As marionetes humanas são caçadores, anciãos – cuja importância social é expressa, ou cujos defeitos são acentuados, como a má-língua –, ou simplesmente pessoas que usam vestuário típico. As cenas de caça esculpidas em madeira ou as cabeças de animais são o reflexo de uma paisagem intocada, que vive ao ritmo natural e primário da Natureza e, quando não reconstituem histórias ouvidas ou presenciadas, são a expressão de um imaginário cultural.
As figuras humanas revestem-se essencialmente de importância ritual e são usadas em cerimónias, simbolicamente. Cèkòròba, por exemplo, é o grande ancião que representa o tempo antigo, a tradição como saber orientador da vida. Porém, estas marionetes podem também ter um objectivo crítico, ainda que não percam a carga simbólica: o velho maldizente da região de Ségou é não só alguém em quem o artista pense quando concebe a peça, mas talvez também aquele que ficou azedo em vez de sábio. Ou então, dizemos nós, é alguém que lamenta o desprezo com que têm sido tratados os valores antigos, desde que a vida moderna e os seus costumes têm destruído ou deixado esquecer o património tradicional e cultural, esse acervo único dos povos.
7.Final do dia
O pensamento invariável no final do dia é que vale a pena ver, conhecer e aprender com uma cultura tão diferente da nossa, ocidental, europeia e portuguesa. É, sem dúvida, importante aquilo que cada um absorve para si de uma tradição diferente, mas é ainda mais importante saber que não vivemos sós no Mundo, que há mais para além do que vemos. A grande lição a retirar é a da tolerância: nenhuma mentalidade, tradição, cultura no Mundo se pode arrogar superior a outras; mas o contacto pode favorecer a conservação das mesmas e reforçar a admiração e a amizade entre os povos que convivem nesta grande casa que é o Planeta Terra. Diz na Enciclopédia Meridiano-Fischer de Etnologia: “As antigas designações, inteiramente inadequadas, de «bárbaros» ou «selvagens» desapareceram, felizmente, não só da terminologia científica, mas também da linguagem corrente. Não existem selvagens. Mais ainda: do ponto de vista etnológico não existem povos «sem cultura», nem tão pouco povos «culturalmente pobres».”[10] Só existem diferenças que, mais do que separar-nos, deviam unir-nos, através do respeito devido ao espaço a que cada um de nós tem direito.
Notas:
[1] Do site do Museu Nacional de Etnologia: http://www.mnetnologia-ipmuseus.pt/Museu.html.
[2] Etnologia (Enciclopédia Meridiano Fischer), Editora Meridiano, 1972, p.7.
[3] Ibidem.
[4] Neste sentido, recordem--se as recolhas que fizeram J.L. de Vasconcellos, Arruda Furtado, Rocha Peixoto,etc., em Portugal.
[5] Urzela: espécie de líquen tintorial que fornece uma cor azul-violácea.
[6] Índigo: matéria corante de cor azul escura, ligeiramente violácea, extraída de diversas plantas tropicais.
[7] Anil: cor azul extraída do índigo.
[8] Liço: Cada um dos fios de metal entre dois liçaróis (travessas que seguem os liços do tear), através dos quais passa a urdidura de tear.
[9] Nova Enciclopédia Larousse, vol.15, Círculo de Leitores, 1998, pp.4442-4443; Lexicoteca – Moderna Enciclopédia Universal, vol.12, Círculo de Leitores, pp.172-173.
[10] P.7.
O texto que agora se apresenta é o de uns breves apontamentos que tirámos durante uma visita ao Museu Nacional de Etnologia, em Maio de 2006. Na altura, o tempo de que dispúnhamos e a observação demorada das peças apenas permitiu a impressão cuidada de duas colecções: a da panaria guineense e cabo-verdiana e a das máscaras do Mali. Acrescentamos hoje, porém, alguns dados indispensáveis para a contextualização das notas, nomeadamente sobre a criação do M.N.E. Apesar do tempo que já passou, achámos que valia a pena partilhar este escrito, quanto mais não fosse para tentar despertar a curiosidade de visitar o Museu.
2.O Museu
“O Museu Nacional de Etnologia é indissociável da história da antropologia portuguesa. Nele se vem a projectar uma dimensão fundamental do trabalho dos pioneiros desta disciplina no país. A partir do Centro de Estudos de Etnologia, que dirige desde 1947, Jorge Dias e aqueles que o irão acompanhar nos anos subsequentes, Margot Dias, Ernesto Veiga de Oliveira, Fernando Galhano e Benjamim Pereira, entre outros, iniciam uma pesquisa extensiva e continuada sobre os elementos da cultura material que, anos mais tarde, viriam a ser igualmente recolhidos para constituir as colecções do museu. O trajecto daquele antropólogo vai conduzi-lo e a Margot Dias ao norte de Moçambique onde, em sucessivos períodos de trabalho de campo, com início em 1957, vão construir uma sólida etnografia sobre o povo Maconde. O resultado parcial daquela investigação será objecto de uma exposição realizada em Lisboa em 1959 e é neste contexto que surge a intenção explícita da criação de um Museu de Etnologia. Em 1965 o Museu é criado com o ambicioso programa de representar as culturas dos povos do globo não se restringindo, pois, nem a Portugal nem aos domínios ultramarinos sob a sua administração.”[1] O acervo do M.N.E. é hoje formado por cerca de 30.000 peças, que procuram responder ao objectivo de universalidade. Assim, entre elas estão alfaias agrícolas portuguesas – algumas a cair em desuso, por causa da modernização na agricultura –, uma colecção de olaria que cobre todo o País, uma colecção de máscaras e marionetas do Mali, vários objectos de povos da Amazónia, conjuntos também de Angola, Moçambique, Timor e outras. Há uma preocupação notória de alternar peças propriamente ditas com extractos de filmes ou fotografias, que expliquem e completem o significado e a utilidade daquelas.
O Museu tem uma biblioteca especializada na área da Antropologia, com títulos de estudos, teses e revistas, para acesso dos interessados em aprofundar os seus conhecimentos nestas matérias.
Há um Serviço Educativo ligado ao M.N.E. que visa dar a conhecer as suas colecções ao público, através de visitas guiadas, preparação de visitas com docentes, publicação de obras sobre o acervo e espaços lúdicos e culturais para os mais jovens.
3.Etnologia
Entende-se por Etnologia o estudo cultural do Homem. Neste ramo do saber se abordam a técnica e as realizações materiais, a organização social, a religião, a magia, a arte “e, sob certos aspectos, também, a ciência”, entendidas como “unidade funcional”, ou seja, partes inseparáveis do conjunto de conhecimentos e valores que fazem uma cultura humana[2]. Alguns cientistas distinguem-na de Etnografia. Esta é a recolha e descrição de elementos vários e aquela a comparação das culturas, através da sua evolução histórica. A Etnografia fornece a descrição de costumes e tradições dos povos à Etnologia. Esta constrói teorias e leis com base nelas. Em princípio, os povos que interessam à Etnologia são aqueles que vivem com meios técnicos elementares, ou, também se diz, em “estado natural”. Os esquimós, algumas tribos africanas ou americanas, por exemplo, inserem-se nessa classificação. As mesmas matérias referentes aos chamados povos “mais avançados” tecnologicamente são estudadas por ciências à parte, como “a Orientalística, a Indologia, a Sinologia”[3] e também a História. Porém, é de crer que estes povos também podem ter as suas etnologia e etnografia, dadas as suas produções mais primitivas – o que não quer dizer desaparecidas – presentes ainda nas zonas rurais, desde alfaias, até à poesia popular, matérias quase intocadas e em contacto quase directo com tempos muito antigos[4].
As peças que adiante descrevemos são, portanto, manifestações materiais da cultura e da mentalidade, longamente construídas pelos povos inseridos nos seus territórios, como forma espontânea de entender o ambiente e de lhe responder. Obviamente, ambientes diferentes originam respostas diferentes: daí a diversidade de culturas.
Não tivemos oportunidade de acompanhar a visita guiada que se fez à Sala das Alfaias de Portugal, mas visitámos a Sala dos Panos e a Sala das Marionetes.
4.Através dos Panos
Esta sala expõe uma colecção de panaria guineense e cabo-verdiana do Museu Nacional de Etnologia, recolhida, na maioria, por António Carreira entre 1960 e 1970.
Os panos, no contexto tribal africano, são bens que definem o prestígio de quem os usa. Os panos assinalam os ciclos de vida, definem as formas das relações sociais e formalizam os seus momentos cerimoniais e rituais.
As meadas ou os panos são tradicionalmente tingidos com pigmentos vegetais, como a urzela[5], o índigo[6] ou o anil[7], que permitem obter vários tons de azul.
No século XVI, Portugal, já na senda dos Descobrimentos, e apercebendo-se do valor das matérias-primas e da panaria, impôs restrições comerciais visando o controlo exclusivo da exploração e comercialização do algodão e dos panos. Isto deu origem ao contrabando, praticado entre os autóctones e os tripulantes dos navios. A partir dos séculos XVIII e XIX, vários factores como as secas, a ascendente influência económica estrangeira, a abolição da escravatura, a inovação tecnológica e a circulação do pano industrial a um custo inferior, fizeram com que decrescesse o cultivo de algodão e, consequentemente, se produzisse menos panaria tradicional. Actualmente, verifica-se o uso crescente de meadas de algodão industriais ou de fio sintético, às vezes importadas de outros países, mais acessíveis em custo e fáceis de trabalhar. Apesar deste claro benefício, ainda para mais para carteiras pobres, sente-se que é perdida uma parte da tradição na confecção actual dos panos. Se já não são produzidos desde a plantação até à conclusão do tecido, apaga-se uma parte essencial do ciclo de vida de uma arte inimitável, o que é uma desvantagem da vida moderna. Tem-se vindo a substituir o que é tradicional, justificando isso pelo baixo custo ou pela rapidez de confecção. Apesar de algumas medidas proteccionistas dos governos, a tradição não é ainda mantida e protegida essencialmente senão pelos interessados. E só tem verdadeiro valor tradicional a peça, qualquer que seja, que respeite todos os passos da criação primitivos.
Os panos expostos são, no geral, coloridos e têm motivos variados que vão desde a expressão mais tradicional, a temas modernos. Alguns têm como tema um animal representativo, como a jibóia, outros têm barcos – como aqueles que no século XV foram vistos pela primeira vez em África –, e há até a expressão de aspirações políticas recentes – de facto, um dos panos tem tecida a imagem de Amílcar Cabral, datado de 1996 e recolhido na Guiné-Bissau.
5.Nota sobre as Designações dos Panos
As definições dos panos derivam da sua origem, tipo de confecção, motivos decorativos ou modo de uso.
Ao pano de Cabo Verde chama-se pano di terra, alusão à origem. Este pode ainda ser pano d’obra, se tiver um padrão complexo e minucioso; ou pano bicho se tiver por motivo um animal.
Os panos guineenses também têm designações. Valem aqui as referidas para os panos cabo-verdianos. Mas há designações específicas guineenses: pano lanceado, de padrão simples, por exemplo, xadrez, que requer poucos liços[8] e dispensa a presença de um ajudante; pano frisado, de fabrico complexo, com muitos liços, sendo o fabrico assistido por ajudantes.
É curioso notar que as sucessivas medidas dos governos para recuperar a tecelagem tradicional e o interesse que ela suscita entre a população criaram um novo olhar sobre os panos, cuja forma se generalizou em cortinados, toalhas de mesa, malas, saias, camisas e outras peças quotidianas. Também a internet vulgarizou motivos de panaria tradicional em muitos acessórios. Tudo isto constitui mais do mesmo desvio que tem sido imposto às peças tradicionais, as quais têm como característica principal o facto de serem únicas. Embora, deste modo, a tradição passe a estar mais presente, em múltiplos suportes, e não seja esquecida.
6.Máscaras e Marionetes do Mali
Dadas as circunstâncias particulares da nossa História, em Portugal conhecemos melhor países como a Guiné e Moçambique, pelo que se justifica uma breve introdução sobre o Mali. A República do Mali fica no oeste do continente africano e faz fronteira com a Argélia (norte), o Niger (este), o Burkina Faso (sul), a Costa do Marfim (sul), a Guiné (sudoeste), o Senegal e a Mauritânia (ambos a oeste). A capital é Bamako, tem uma superfície de 1 240 000 km2, 11 130 000 habitantes (os malianos) e a língua oficial é o francês. As religiões predominantes são o islamismo e o animismo. O regime político é parlamentar, o Presidente da República é o Chefe do Estado e do Governo, eleito por sufrágio directo, por cinco anos. Existe um órgão legislativo que é a Assembleia Nacional com 129 deputados, eleitos por cinco anos.
O país situa-se numa zona seca e a agricultura cobre menos de 2% da sua superfície total. Cultiva-se o arroz, o milho, o amendoim, o algodão, a cana-de-açúcar e verduras. Pratica-se a criação de gado e a pesca, cujos bens se exportam para a Costa do Marfim e para a Guiné, especialmente. A indústria é pouco desenvolvida e está concentrada na capital, abrangendo áreas como os textéis, o sector alimentar, os químicos, o tabaco, a mecânica e o calçado. Há ainda recursos como o ouro e sal-gema, retirados das minas. As comunicações pouco desenvolvidas dificultam o crescimento económico. O país é um dos mais pobres do Mundo, tendo uma balança comercial constantemente deficitária e um largo endividamento externo. Depende, portanto, de ajudas internacionais[9].
O Mali, obviamente, tem a sua história e as suas tradições. Têm elas expressão no Museu Nacional de Etnologia em marionetes que tanto representam figuras humanas como animais. Entre aquelas que representam animais temos, por exemplo, antílopes, macacos, serpentes, búfalos e outras feras indefiníveis, por vezes acompanhadas por um caçador. As marionetes humanas são caçadores, anciãos – cuja importância social é expressa, ou cujos defeitos são acentuados, como a má-língua –, ou simplesmente pessoas que usam vestuário típico. As cenas de caça esculpidas em madeira ou as cabeças de animais são o reflexo de uma paisagem intocada, que vive ao ritmo natural e primário da Natureza e, quando não reconstituem histórias ouvidas ou presenciadas, são a expressão de um imaginário cultural.
As figuras humanas revestem-se essencialmente de importância ritual e são usadas em cerimónias, simbolicamente. Cèkòròba, por exemplo, é o grande ancião que representa o tempo antigo, a tradição como saber orientador da vida. Porém, estas marionetes podem também ter um objectivo crítico, ainda que não percam a carga simbólica: o velho maldizente da região de Ségou é não só alguém em quem o artista pense quando concebe a peça, mas talvez também aquele que ficou azedo em vez de sábio. Ou então, dizemos nós, é alguém que lamenta o desprezo com que têm sido tratados os valores antigos, desde que a vida moderna e os seus costumes têm destruído ou deixado esquecer o património tradicional e cultural, esse acervo único dos povos.
7.Final do dia
O pensamento invariável no final do dia é que vale a pena ver, conhecer e aprender com uma cultura tão diferente da nossa, ocidental, europeia e portuguesa. É, sem dúvida, importante aquilo que cada um absorve para si de uma tradição diferente, mas é ainda mais importante saber que não vivemos sós no Mundo, que há mais para além do que vemos. A grande lição a retirar é a da tolerância: nenhuma mentalidade, tradição, cultura no Mundo se pode arrogar superior a outras; mas o contacto pode favorecer a conservação das mesmas e reforçar a admiração e a amizade entre os povos que convivem nesta grande casa que é o Planeta Terra. Diz na Enciclopédia Meridiano-Fischer de Etnologia: “As antigas designações, inteiramente inadequadas, de «bárbaros» ou «selvagens» desapareceram, felizmente, não só da terminologia científica, mas também da linguagem corrente. Não existem selvagens. Mais ainda: do ponto de vista etnológico não existem povos «sem cultura», nem tão pouco povos «culturalmente pobres».”[10] Só existem diferenças que, mais do que separar-nos, deviam unir-nos, através do respeito devido ao espaço a que cada um de nós tem direito.
Notas:
[1] Do site do Museu Nacional de Etnologia: http://www.mnetnologia-ipmuseus.pt/Museu.html.
[2] Etnologia (Enciclopédia Meridiano Fischer), Editora Meridiano, 1972, p.7.
[3] Ibidem.
[4] Neste sentido, recordem--se as recolhas que fizeram J.L. de Vasconcellos, Arruda Furtado, Rocha Peixoto,etc., em Portugal.
[5] Urzela: espécie de líquen tintorial que fornece uma cor azul-violácea.
[6] Índigo: matéria corante de cor azul escura, ligeiramente violácea, extraída de diversas plantas tropicais.
[7] Anil: cor azul extraída do índigo.
[8] Liço: Cada um dos fios de metal entre dois liçaróis (travessas que seguem os liços do tear), através dos quais passa a urdidura de tear.
[9] Nova Enciclopédia Larousse, vol.15, Círculo de Leitores, 1998, pp.4442-4443; Lexicoteca – Moderna Enciclopédia Universal, vol.12, Círculo de Leitores, pp.172-173.
[10] P.7.
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