terça-feira, 17 de junho de 2008

Escola de Verão da Universidade Nova de Lisboa

A Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (Av. de Berna) está a organizar pela 3ª vez um conjunto de breves cursos intensivos em Julho e em Setembro, que abrangem uma grande diversidade de temas - desde o conhecimento de Lisboa com visitas à cidade, até à História da vida quotidiana até ao século XVI, passando pelas tendências musicais portuguesas dos Anos 1960-2000. As inscrições são abertas a todas as pessoas interessadas, quer sejam ou não estudantes da Nova, e acabam - para os cursos em Julho - no dia 20 deste mês, permanecendo abertas as inscrições para Setembro até 21 de Agosto. Mesmo aqueles que terminam este ano o Ensino Secundário poderão participar, mediante menção desta situação especial. Para quem está desocupado no Verão, há muitos cursos interessantes para escolher. Para informações completas, ver: http://www.fcsh.unl.pt/escoladeverao/index.htm.

Conhecendo Portugal - Sítio das Fontes II

Eis mais algumas fotografias do local. Agora é possível observar a bela paisagem junto ao rio.
Quando lá voltar (porque quero mesmo lá voltar), tenho de levar o meu guia de identificação de aves. Este é realmente um hotspot para amantes de aves realizarem birdwatching. Aliás, na primeira fotografia observa-se um bando de aves repousando nas calmas águas do rio.
Esta é uma sugestão de visita para estas férias, quem sabe. Vão acompanhados com amigos, com os namorados, com a família ou mesmo sozinhos. Levem o farnel e deliciem-se nas sombras do Parque das Merendas. Levem o fato de banho e ainda podem refrescar-se nas tranquilas águas envolventes da paisagem. Vão ver que vale a pena.









Conhecendo Portugal - Sítio das Fontes I

É verdade que em termos de área, o nosso país é pequeno. No entanto, não é menos verdade, que apesar do seu tamanho existem locais pouco conhecidos, locais esses merecedores da nossa atenção e da nossa visita, nem que seja apenas uma vez na nossa vida. Alguns desses locais podem acabar por revelar-se autênticos paraísos.

Pretendo deste modo dar a conhecer alguns desses locais, que não nos enriqueçam somente na perspectiva do lazer, mas também com o intuito de dar a conhecer a geografia, a fauna, a flora e a história desses recantos.
O leitor mais atento pode constatar que nas etiquetas deste post encontra-se a etiqueta "História Regional".
Isto tem uma razão de ser. Para além de ocasionalmente fazer menção à história do local, também colocarei fotografias. E, citando um documentário exibido hoje no canal História: "Fotografia é História" (1). Neste caso é a História da região visitada, portanto, História Regional.

Após esta breve nota introdutória, passo a revelar o local escolhido: O sítio das Fontes.

"O Sitio das Fontes localiza-se ao longo das margens de um esteiro da margem esquerda do rio Arade, perto da Vila de Estômbar, do concelho de Lagoa.
Podemos aqui encontrar uma grande diversidade de ambientes representativos da paisagem mediterrânica - o sapal, o paúl, o matagal, uma pequena lagoa temporária, zonas agrícolas abandonadas e os planos e linhas de água.
É importante do ponto de vista histórico-cultural porque ali se encontram vestígios de actividades humanas que datam de tempos remotos. Os dois moinhos de água são testemunhos mais eloquentes dessa actividade humana. A antiguidade de pelo menos um deles está documentada no "Livro do Almoxarifado de Silves" do século XV." (2)








Nestas fotografias podemos ver o Parque das Merendas, uma imagem do riacho, o moinho de água (em tempos idos, moinhos deste tipo foram muito importantes para a economia local) e o anfiteatro ao ar livre.

(1) Esta afirmação surgiu no contexto de que se não tivessem sido tiradas fotografias em determinadas alturas de acontecimentos como testes nucleares, bombas dissimuladas durante as guerras em objectos do quotidiano, ou o processo de demolição das torres gémeas após o atentado do 9/11, poderia não haver qualquer outro tipo de registo destes acontecimentos, logo, nada que comprovasse que estes acontecimentos realmente ocorreram. Assim, as fotos funcionam como fontes para futuros jornalistas, historiadores, ou outros profissionais interessados. Daí a afirmação "Fotografia é História".

(2) Retirado de "http://municipiodelagoa.net/website/?Concelho:Ambiente:S%EDtio_das_Fontes"

domingo, 15 de junho de 2008

Conferência Culturgest

A Culturgest tem para nos oferecer no mês de Junho conferências sobre o tema “Para que a gente nunca se esqueça do que aprendeu na escola”. As conferências irão decorrer nos dias 20, 21 e 22 de Junho (Sexta-feira, Sábado e Domingo), no pequeno auditório e com entrada gratuita. Basta apenas levantar a senha 30minutos antes do início. Segue de seguida a informação que se encontra no site da Culturgest e o respectivo programa:

“É já oficial, ao ponto de estar a ser estudado por especialistas de oito países europeus, em que se inclui Portugal: tal como está, o ensino secundário não consegue dar preparação científica aos alunos. Em grande medida, isto acontece porque os acontecimentos oferecidos não são postos em contexto, cobrem demasiados temas sem esforço de ligação entre eles, aparecem perante os alunos numa grande desorganização reforçada por desenhos, bandas desenhadas, fotos, diagramas, todos obviamente bem intencionados mas com tendência para criar ainda maior dispersão. Em consequência, os alunos acabam por decorar blocos de matéria para os testes, e tratam de esquecer-se dela logo a seguir. Sem a devida contextualização, o conhecimento não se fixa no cérebro. Ainda por cima, cria-se desde cedo o mau hábito de deixá-lo passar transitoriamente.No fim-de-semana de 20 a 22 de Junho, o CEHFC (Centro de Estudos de História e Filosofia da Ciência) propõe a reunião na Culturgest de cientistas portugueses de várias áreas ligadas à educação para discutir a situação presente. Pretende-se, entre outros aspectos, analisar seriamente os benefícios da introdução da História da Ciência nos currículos, não como um bonequinho exterior ao texto mas como um fio de Ariana no labirinto, que servirá de superstrutura para tornar o ensino da ciência mais proveitoso e maximizar os seus resultados. E para que o que se aprende não se desvaneça no dia seguinte ao teste.”

Programa

SEXTA 20das 18h30 às 20h00
apresentação e moderação Clara Pinto Correia (ULHT/CEHFC)
A lição da chave: procurar onde há mais luz
José Victor Malheiros (director científico do jornal Público)
Paralelismo entre as dificuldades no ensino e a apresentação de ciência ao público: questões da compreensão pública da ciência nas suas várias vertentes

SÁBADO 21das 14h30 às 17h15
Os novos contributos das ciências da educação
apresentação e moderação Paulo Mendes Pinto (ULHT/UL)
Experiência pessoal: razões e raízes do desconhecimento da ciência das religiões
João Correia de Freitas (UNL)
A educação no tempo da Web 2.0
Victor Teodoro Duarte (UNL)
Aprender ciência e matemática com computadores, hands on, hearts on & minds on
Mariana Valente (UE/ CEHFC)
Física e educação

das 17h45 às 20h00
A palavra do obreiro: fala quem faz
apresentação e moderação Rui Trindade (Profissional de Comunicação de CiênciaA Comunicação de Ciência na era do infoentertenimento
Luís Filipe Barreto (CCCM)
(título a anunciar)
Fernando Barriga (MNHN e FC da UL)
História da Mineralogia e da Geologia na Escola e no Museu
Rosália Vargas (Programa Ciência Viva/Pavilhão do Conhecimento)
Os semáforos da Ciência: sinais na rua

DOMINGO 22
das 15h00 às 16h45
A importância da história das ciências na compreensão científica
apresentação e moderação Joana Capucho (Professora de Biologia no Ensino Secundário)
Teresa Avelar (ULHT/CEHFC)
História da Biologia: como apresentar a evolução
Madalena Esperança Pina (UNL/CEHFC)
História da Medicina: O papel da evolução da Medicina no contexto da História da Ciência

das 17h15 às 19h30
Continuação da temática anterior
apresentação e moderação Joana Capucho (Professora de Biologia no Ensino Secundário)
Conceição Burguete (UC)
História da Química: Paradigma sistémico: a matrix do conhecimento.
Belarmino Barata (UL)
História da Bioquímica: (título a anunciar)
Augusto Fitas (UE/CEHFC)
História da Física: A história da física contemporânea, alguns cruzamentos com a história da ciência em Portugal


Mais informações em: http://www.culturgest.pt/actual/para_a_gente.html

LusoExpedição OLYMPUS 2008

Encontrou-se a decorrer, pelo terceiro ano consecutivo, uma importante expedição no Oceano Atlântico a bordo do Navio de Treino de Mar (NTM) Creoula da Marinha Portuguesa, realizada por investigadores Portugueses. Refiro-me à “LusoExpedição OLYMPUS 2008”, que terminou hoje, organizada pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (ULHT) , que contou com a participação de investigadores de outras instituições, tais como Universidade Fernando Pessoa, Universidades de Lisboa, do Algarve, de Aveiro e dos Açores, Instituto Superior de Psicologia Aplicada, Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves e Universidade de Amesterdão.
Esta expedição oceanográfica levou equipas de mergulhadores às profundezas do Banco de Gorringe, que se encontra localizado entre Portugal Continental e o arquipélago da Madeira. Nesta missão embarcaram biólogos marinhos, oceanógrafos, químicos e cerca de 30 estudantes universitários.
O Dr. Pinto de Abreu, coordenador desta missão e Vice-Reitor da ULHT, referiu que “depois das duas edições anteriores que se pautaram por um enorme sucesso, continuamos este ano com uma missão de caracterização de zonas remotas do mar Português, numa altura em que se está a aproximar a data de entrega do projecto que vai permitir expandir o território marinho sob jurisdição portuguesa nas Nações Unidas em 2009”.
No Blog do Núcleo de Biologia da ULHT (BioCEL), que também está a divulgar esta actividade podemos ler o seguinte:
“Durante a última grande glaciação, a Glaciação de Wurm (há cerca de 18ooo anos) o nível médio das águas do Oceano Atlântico estava aproximadamente 150 m mais abaixo do que se encontra hoje em dia. Este processo durou vários milhares de anos, fazendo com que muitas montanhas que estão actualmente submersas, formassem outrora ilhas ou até mesmo arquipélagos. Assim, um conjunto destes montes submarinos como é o caso do Banco de Gorrige, podem ser utilizados como uma ponte de passagem para as espécies marinhas de proveniência europeia em direcção ao Arquipélago da Madeira e dos Açores, aproveitando correntes marinhas favoráveis. Este Banco encontra-se numa montanha submarina com cerca de 5000 m que faz parte de uma cordilheira que se estende desde o sul de Portugal até ao Arquipélago da Madeira (cerca de 9500Km2 de extensão). Nesta Cordilheira encontram-se também outros bancos conhecidos, como é o caso do Banco de Ampère e o de Josephine. O Banco de Gorringe encontra-se localizado a sudoeste do Cabo de São Vicente, a uma deistância de cerca de 200 Milhas náuticas (Latitude N 36º 32’ Longitude W 011º 33’).”
Ainda através da mesma fonte, são dados a conhecer os objectivos e metodologias desta missão:
“Este projecto pretende testar duas hipóteses científicas realizadas com a evolução e colonização da fauna marinha do Atlântico Nordeste, prosseguindo o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido nas expedições anteriores:
Como actuarm este spicos submarinos no passado e como actuam agora: como pedras de passagem, ou refúgios intermédios na dispersão da fauna a longa distância?
Estarão as populações marinhas ali existentes geneticamente isoladas das de Portugal Continental, Madeira e Açores?
Para testar as hipóteses referidas, levaremos a a cabo uma série de metodologias normalmente utilizadas neste tipo de estudos ecológicos:
Transectos (linhas de recolha de larvas no plâncton ao longo de todo o percurso);
Mergulho com escafandro autónomo que possibilite:
a) seleccionar e recolher algumas espécies modelo;
b) construir uma colecção de referência e descrever novas espécies;
c) estabelecer as actuais relações biogeográficas dos organismos recolhidos utilizando marcadores genéticos apropriados;
d) amostrar cuidadosamente áreas definidas com diferentes povoamentos de organismos
e) bentónicos para estudos ecológicos quantitativos;
f) descrever as comunidades associadas a estes picos.”

Num comunicado à imprensa, a organização refere a possibilidade de usar venenos produzidos por organismos marinhos na biomedicina. A título de exemplo refiro os estudos realizados pelo Professor Gonçalo Calado com Opistobrânquios (gastrópodes marinhos, exemplo: lesma-do-mar).
As anteriores expedições já revelaram os seus frutos. O trabalho dos investigadores teve expressão em publicações científicas internacionais e os organizadores afirmam que esta missão ainda não atingiu todo o seu potencial. Podemos pois especular que para o ano possa haver uma nova expedição com novos objectivos e com resultados que contribuam para o maior conhecimento da nossa geografia, fauna e flora marítimas e que se consiga chegar a avanços na área da biomedicina.


Patrocinadores: Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, Olympus, N. T. M. Creoula, Nautilus-Sub, Generali Companhia de Seguros, Tranemo workwear, BioAlvo, Reagente 5, V. Reis, PVL, LabCel.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Bocage e os novos temas poéticos

Liberdade, onde estás? Quem te demora?
Quem faz que o teu influxo em nós não caia?
Porque (triste de mim!), porque não raia
Já na esfera de Lísia a tua aurora?

Da santa redenção é vinda a hora
A esta parte do mundo, que desmaia.
Oh!, venha... Oh!, venha, e trémulo descaia
Despotismo feroz, que nos devora!

Eia! Acode ao mortal que, frio e mudo,
Oculta o pátrio amor, torce a vontade,
E em fingir, por temor, empenha estudo.

Movam nossos grilhões tua piedade;
Nosso númen tu és, e glória, e tudo,
Mãe do génio e prazer, ó Liberdade!


Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805), natural de Setúbal, era um poeta chamado "de transição" pelos académicos, pois evidencia cacterísticas neoclássicas, nomeadamente em referências mitológicas, e características românticas, principalmente nos temas. No tempo do Elmano Sadino em Portugal, circulavam entre os intelectuais as ideias novas do século - em especial inspiradas por escritores franceses. Porém, os livros dos filósofos que haviam escrito sobre liberdades individuais ou representatividade do povo junto do poder não circulavam livremente. A Revolução Francesa (1789), veiculando ideais baseados nas novas sugestões dos pensadores, acabou por derrubar o Antigo Regime em França, o que se fez sentir também em Portugal a partir de 1820. Começaram aqui as novas ordens jurídica e económica que mudaram profundamente as sociedades ocidentais - na prática com alguma lentidão, por causa das naturais resistências à mudança e da dificuldade e imperfeição das primeiras implementações. O modelo jurídico do Estado saído desses tempos é, com actualizações, aquele que ainda hoje adoptamos. Não é demais, portanto, relembrar os nossos antepassados porque, ainda que estejam ausentes há séculos, continuam a orientar as nossas ideias do que deve ser uma sociedade civilizada.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

78ª Feira do Livro de Lisboa II

O Armarium Libri já esteve na Feira do Livro. Em duas palavras: achámos a feira, em geral, menos animada do que no ano passado; menos interessante nas bancas dos alfarrabistas, quanto às obras a preços acessíveis; com variedade assinalável, todavia, noutros pavilhões. O leitor orientar-se-á pelo seu critério, mas o Armarium Libri aconselha em especial as seguintes leituras:


  1. A Bomba Explosiva, José Maria Nunes, Livros Horizonte - um conjunto de testemunhos de conspiradores republicanos sobre o papel que tiveram entre 1908 e 1910, recolhidos por José Maria Nunes, ele mesmo conspirador;
  2. Cabelos à Joãozinho, Livros Horizonte - a caracterização da mulher portuguesa dos Anos 20, os ritmos da modernidade, a incidência e, afinal, a conclusão esperada de que a mulher dos Anos 20, apenas parcialmente liberta, não foi todas as mulheres portuguesas, mas um número limitado e sempre urbano;
  3. O Trajo Regional em Portugal, Tomaz Ribas, Inatel - a tradição portuguesa profundamente expressa no vestir, em festa e nos dias de trabalho, um importante apontamento sobre uma parte da personalidade portuguesa, em desaparecimento por causa da globalização;
  4. A Minha Vida e Aventuras Escritas em Outubro de 1876, José de Freitas Amorim Barbosa, Alfa - a vida de um jurista e político do século XIX, que, com algum humor, assistiu à instabilidade política portuguesa do seu tempo;
  5. Vidas de Figuras Americanas, Henry Thomas e Dana Lee Thomas, Livros do Brasil - breves e vivas biografias de pessoas célebres que contribuíram para a construção dos EUA, desde Daniel Boone aos Irmãos Wright.
  6. Obras Completas de António José da Silva (O Judeu), Livraria Sá da Costa - disponíveis ainda os volumes II e IV, divertidas peças de teatro (para serem representadas por bonifrates e não por pessoas) da autoria de um homem a quem a Inquisição não pode tolerar o bom humor.
  7. O Movimento Futurista em Portugal, João Alves das Neves, Livraria Divulgação (disponível no pavilhão da Livros do Brasil) - um contributo documental sobre o modernismo português, incluindo duas cartas de Santa Rita Pintor e o Manifesto Anti-Dantas, de Almada.
  8. Etnografia Portuguesa, José Leite de Vasconcellos, INCM, assinalável obra em dez volumes, única no género, aconselhada a quem quiser perceber em profundidade o povo português, nos seus comportamentos e tradições.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

78ª Feira do Livro de Lisboa

Está já aberta a 78ª Feira do Livro no Parque Eduardo VII até 15 de Junho. De 2ª a 6ª feira às 16h (às 15h aos sábados, domingos e feriados) até às 23h de domingo a 5ªfeira (às 24h às 6ª feiras, sábados, vésperas de feriado e último dia). O Armarium Libri visitará também a Feira e em breve publicará um comentário.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Compostagem III - Vermicompostagem

A vermicompostagem é um processo de formação de fertilizante (vermicomposto) com recurso a vermes e outros invertebrados.
As minhocas vermelhas (Eisenia foetida) são as mais usadas pois preferem meios ricos em matéria orgânica, toleram uma larga gama de factores ambientais, processam rapidamente grandes quantidades de resíduos biodegradáveis e dão-se bem em populações numerosas. São usadas para decompor resíduos alimentares, de jardim, agrícolas e lamas.
Há certos cuidados a ter com estes tipos de minhocas, tais como fornecer-lhes grandes quantidades de humidade, pouca luz devido à sua sensibilidade, níveis de pH entre 5 e 9, temperatura entre os 15 e 25ºC e arejamento pois elas são aeróbias.

Para quem mora em apartamentos e não tem acesso a solo, pode realizar vermicompostagem doméstica, de modo a processar restos de comida e também de plantas.
O contentor deste tipo de compostagem é denominado de vermicompostor, e sendo de reduzidas dimensões ocupa pouco espaço. Juntando a isto o facto de não libertar odores, possibilita a localização dentro de casa. Pode ser uma caixa de plástico ou madeira, com pequenos orifícios.
Referências:

Compostagem II - O que está ao nosso alcance?

Quem habita em zonas rurais ou moradias com espaço, tem a possibilidade de realizar compostagem doméstica com o intuito de transformar restos orgânicos em composto.
Para quem está interessado há que começar por escolher um local. Convém que o compostor esteja próximo de casa e com fácil acesso à água para facilitar a rega. Se habitar num clima seco coloque a pilha de compostagem debaixo de uma árvore, o que proporciona sombra e evita que seque. Se habitar num local extremamente húmido, então convém resguardar o compostor, pois água em excesso atrasa o processo de decomposição.
O compostor deve ser, de preferência, colocado sobre terra em vez de um solo impermeabilizado, pois deste modo, permite a drenagem de água e facilita a entrada de microorganismos do solo benéficos para a pilha de composto.

Qual o melhor compostor?
Se tiver um quintal não precisa de compostor. Coloque os restos orgânicos empilhados em pirâmide, ou alternativamente, após cavar um buraco na terra (25 a 40 cm de profundidade e 60 cm de diâmetro), deposite aí o seu material.
Se for pretendido recorrer a um compostor, pode fazer o seu próprio ou adquiri-lo comercialmente. São diversos os tipos de compostores a ter em casa: compostor duplo, de madeira, de rede, ninho ou pilha.

O que se pode compostar?
Os materiais orgânicos a compostar dividem-se em verdes e castanhos. Os verdes possuem elevados níveis de azoto, e os castanhos elevados níveis de carbono. Para que a compostagem decorra da melhor forma, sugere-se igual mistura dos dois componentes (ver tabela 1).
Não se deve juntar nem peixe, nem carnes, nem derivados, de modo a não atrair animais indesejáveis.




Sobre como construir o seu próprio compostor:
http://www.zeroresiduos.info/images/stories/compostagem/tca_de_cons_compostor.pdf
Sobre como manter a sua pilha de compostagem:
http://www.zeroresiduos.info/images/stories/compostagem/manut__pilha.pdf


Referências:

Tabela 1 retirada de:
http://www.zeroresiduos.info/images/stories/compostagem/mat_podem_n_podem_comp.pdf

Texto adaptado de: www.zeroresiduos.info

Compostagem I - Resíduos Sólidos Urbanos



O crescimento dos níveis de consumo têm levado a um enorme aumento da quantidade de resíduos. Face a isto, a União Europeia estabeleceu uma hierarquia preferencial das opções de gestão de modo a por um lado maximizar a eficiência na utilização dos recursos naturais e por outro lado minimizar os negativos impactos ambientais associados aos resíduos. Para isso, os Estados-Membro da UE em vez de enviarem os Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) para o aterro, devem focar-se no topo da hierarquia da gestão sustentável . Dentre estas medidas encontramos a reciclagem da fracção orgânica dos RSU onde se incluem técnicas como a compostagem e a digestão anaeróbia.

Os RSU dividem-se em restos orgânicos (sobras de comida e aparas de jardins) e em resíduos perigosos (pilhas ou tintas). A proveniência destes resíduos vai desde a doméstica, passando por estações de tratamentos de águas (lamas), até indústrias e instalações agro-pecuárias.
Os restos orgânicos são de fácil degradação, e a sua reciclagem pode ser feita através de compostagem(com presença de oxigénio) ou digestão anaeróbia (em ausência de oxigénio).
Para que a reciclagem orgânica tenha sucesso é necessária uma correcta separação desses resíduos, de preferência que a separação tenha origem na fonte, isto é, na casa de cada um de nós. Se assim for, verificar-se-á a implantação da compostagem doméstica e em pequenas comunidades, redução considerável de RSU a recolher pelos sistemas de gestão, essa separação conduzirá à sensibilização dos cidadãos, contribuirá para o envolvimento social das comunidades, após a recolha o composto pode ser vendido como adubo na agricultura, trazendo claros benefícios ambientais e económicos.
São várias as alternativas para a recolha selectiva de resíduos: porta-a-porta, contentores de rua ou ecocentros.


Base de dados bibliográfica com centenas de publicações sobre compostagem, digestão anaeróbia e recolha selectiva de resíduos orgânicos:

Referências:

http://www.zeroresiduos.info/

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Recordando Soeiro Pereira Gomes - autor de "Esteiros" II

Soeiro Pereira Gomes e Manuela Reis iam muito a Lisboa nos anos '30. Manuela Reis colaborava na Orquestra Ligeira da Emissora Nacional, como compositora de música popular. Pereira Gomes participava em tertúlias da capital, onde, entre outros, conviviam Manuel da Fonseca, Mário Dionísio, Alexandre Cabral e Alves Redol. Por essa altura despontava nas mentes de certos intelectuais portugueses a ideia de um novo realismo artístico que, lembrando vagamente (e talvez só pelo objectivo de descrever realidades vivas e actuais) as obras de uma geração de escritores falecidos há muito - Eça de Queiroz (1845-1900), Abel Botelho (1856-1917), Teixeira de Queiroz (1848-1919), Cesário Verde (1855-1886) - descrevesse a realidade das relações humanas no âmbito da economia industrial, ou seja, a exploração dos operários pelos patrões e dos camponeses pelos latifundiários. Mas sobretudo a exploração dos cidadãos pela Ditadura. Era uma Arte pela cidadania, um protesto político e social em romance, conto ou poesia. Em 1935, Pereira Gomes - que desde a juventude cultivava a poesia - envia o conto O Capataz ao semanário O Diabo. Em Maio de 1936, o director - o filólogo Rodrigues Lapa (1897-1989) - responde-lhe: "Comunico-lhe que a sua novela "O Capataz" foi cortada pela censura." (1) O conto, que descrevia as relações laborais numa fábrica, não podia vir a público. Era o primeiro contacto pessoal de Pereira Gomes com o Regime. De facto, numerosos cidadãos achavam-se há muito descontentes com os efeitos da Ditadura. Em Abril de 1931 sublevara-se a Madeira em peso; em Agosto do mesmo ano fora Lisboa; em 1934, a questão da Marinha Grande; os navios Afonso de Albuquerque e Dão rebelaram-se em 1936; 1943 e 1944 foram anos de greves. É neste contexto que surge o Neo-Realismo. Durante vários anos de oposição política ao regime, os seus adversários produziram algumas das mais dolorosas páginas da literatura portuguesa.
(1) Soeiro Pereira Gomes - Uma Biografia Literária, Giovanni Ricciardi, 1999, p.54.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Canção da Donzela Finlandesa

Oh!, se o meu Bem me volver,
Se quem dantes via, eu vejo,
Traga ele a boca a escorrer
De lobo em sangue lha beijo;
E a mão vou-lha apertar,
Cobras lha andem a enroscar.
Ah!, se o vento alma tivera,
Língua o ar da Primavera,
Fora a sua voz bastante:
Novas levara e trouxera
Entre um e outro amante.
Desprezo finos guisados,
Deixo ao cura os seus assados;
Só quero amar, ser constante
A quem o Verão me deu
E o Inverno afez a ser meu.

Almeida Garrett, Folhas Caídas

Nota: O poema original (Eyton Runo Suomalaisen) está escrito numa velha língua nórdica e é muito antigo. Faz parte de enraizadas tradições dos povos do Norte e é equivalente à nossas mais velhas obras literárias. A tradução é de Almeida Garrett (1799-1854), que se serviu de versões correntes no seu tempo, em várias línguas. O poema e a autoria da versão que se apresenta, fazem lembrar a preocupação em conservar a mais genuína tradição popular que resultou no Romanceiro português.

domingo, 11 de maio de 2008

Uma História Oral do Nosso Tempo II

No Verão de 1917, folheando um livro de contos de W. Carleton num alfarrabista, Gould fixou uma frase de Yeats, que introduzia a obra com uma apresentação. Dizia Yeats que a História não era escrita nos locais a que normalmente se atribui a sua fonte principal, por serem aqueles onde se decide do destino de muitas pessoas - um parlamento, por exemplo. A História estava junto do povo, nas suas preocupações e nos seus diálogos. Foi nessa altura que Gould decidiu abandonar os seus hábitos para escrever a História Oral do Nosso Tempo. "Iria passar o resto da minha vida a andar pela cidade a ouvir as pessoas - às escondidas, se necessário - e passando a papel tudo o que dissessem e me parecesse revelador, por mais chato, idiota, ordinário ou obsceno que pudesse soar a outros. Estava já a ver como seria - longas conversas intermináveis e conversas curtas e vivas, conversas brilhantes e conversas parvas, insultos, frases batidas, pedaços de discussões, o balbuciar de bêbados e de loucos, os rogos dos mendigos e vagabundos, as propostas das prostitutas, o palavreado dos feirantes e dos vendedores ambulantes, os sermões dos pregadores de rua, gritos na noite, boatos incríveis, gritos do coração." (1) Para trabalhar numa tal obra, Gould decidiu deixar o emprego e reduzir as suas necessidades ao mínimo. Passaria agora a escutar a rua, os cafés, o metro, os albergues, todos os locais que pudessem produzir matéria digna de apontamento. "Aquilo que considerávamos ser história - reis e rainhas, tratados, invenções, grandes batalhas, decapitações, César, Napoleão, Pôncio Pilatos, Colombo, William Jennings Bryan - não passa de história formal e em grande parte falsa", diz Gould. "O que eu faço é registar a história informal da gente em mangas de camisa - o que têm para dizer sobre os empregos, amores, comidas, pândegas, apertos e penas". (2) "Num dos capítulos, «Os Homens Bons Estão a Morrer Como Moscas», Gould começa a escrever a biografia do dono de um restaurante e apostador em corridas de cavalos, chamado Side Bet Benny Altschuler, que morreu de tétano depois de se ter espetado na mão com um picador de gelo enferrujado; e ao fim de uns quantos parágrafos salta para a história que um marinheiro lhe contou sobre um grupo de leprosos que viu a beber, a dançar e a cantar numa Praia de Porto de Espanha, na Trindade; dali passa para uma história sobre uma manifestação em frente de um cinema de Boston em 1915 a protestar contra a exibição de «Nascimento de Uma Nação», durante a qual deu um pontapé a um polícia; dali passa para a descrição de uma visita que em tempos fez ao asilo de doentes mentais de Central Islip, em que uma mulher apontou para ele aos gritos de «Ali vai ele! Ladrão! Ladrão! Ali vai o homem que arrancou os meus gerânios e roubou a mula e a caleche da minha mãe»; dali passa para o relato que um vagabundo titubeante lhe fez de uma noite em que, sentado na soleira de uma porta de Great Jones Street, viu num vislumbre e sentiu as chamas ardentes do inferno e mais tarde nessa mesma noite viu duas sereias a brincar no East River mesmo a norte da lota de Fulton; dali passa para a explicação que lhe deu o Padre da Old St. Patrick's Cathedral, que fica na Mott Sreet, na parte mais antiga da Little Italy, sobre a razão por que tantas mulheres italianas vestem de preto («Estão de luto por Nosso Senhor»); para finalmente voltar a Side-Bet Benny, o dono do restaurante com tétano." (3) E talvez as conversas pudessem trazer consigo algo mais do que o que era dito. "Tudo dependia, dizia ele, da interpretação que se desse a tais conversas, o que não estava ao alcance de qualquer pessoa. «É verdade, tem toda a razão», disse uma vez a um detractor da História Oral. «São só coisas que ouvi dizer, mas talvez eu tenha alguma faculdade especial - talvez eu consiga compreender o significado daquilo que dizem as pessoas, talvez eu consiga ler o seu significado profundo. Pode ser que você, ao ouvir uma conversa entre dois velhotes num bar ou duas velhotas num banco de jardim, ache que são tretas sem nenhum interesse e que eu, ouvindo a mesma conversa, descubra nela um profundo sentido histórico.» «Um dia mais tarde», disse ele noutra ocasião, «pode ser que as pessoas leiam a História Oral de Joe Gould para ver onde é que falhámos, tal como hoje lemos "O Declínio e Queda" de Gibbon para ver porque caiu o Império Romano.» (4) Dizia às pessoas com quem falava que a História Oral já tinha onze vezes o tamanho da Bíblia, contando "nove milhões de palavras, escritas com todas as letras" (5) e que "era sem dúvida nehuma a mais longa obra literária inédita existente" (6). Joseph Gould foi boémio cerca de 40 anos, vivendo com o auxílio de amigos ou pessoas que se interessaram por ele e pelo seu curioso trabalho - como Mitchell -, acabando por falecer no Pilgrim State Hospital em 1957. Da História Oral do Nosso Tempo, o Armarium Libri quer reter a ideia de democratização - tanto quanto possível - do âmbito de trabalho dos historiadores. As Histórias gerais, nomeadamente as que servem de manuais escolares, são necessárias e têm a vantagem de introduzir o leitor num tema desconhecido. Todavia, para cumprir o seu objectivo, ficam-se pelo elementar dos factos, escolhendo os mais importantes e omitindo os que porventura o parecem menos; o mesmo acontece na omissão muitas figuras históricas que vão desaparecendo da memória colectiva. A Vida Quotidiana é um capítulo quase sempre sacrificado. Se na prática os costumes são naturalmente e obviamente inseparáveis das pessoas, a História - pretendendo descrever passado com rigor - não pode desconsiderar os temas da vida quotidiana, como se fossem menores. Se no estudo é possível proceder a tais omissões, a verdade é que estas são contra a natureza das vidas que intelectualmente se reconstroem - em qualquer classe, tempo e espaço.
(1) O Segredo de Joe Gould, Joseph Mitchell, Publicações D. Quixote, 2002, p.65.
(2) Idem, p.25.
(3) Idem, pp.27-28.
(4) Idem, p.45.
(5) Idem, p.24.
(6) Idem, p.45.

Uma História Oral do Nosso Tempo I

"Joe Gould é um homenzinho jovial e emaciado que se tornou numa personagem conhecida nas cafetarias, snacks, bares e tascas de Greenwich Village ao longo de um quarto de século. Por vezes gaba-se um pouco a contragosto de ser o último dos boémios. «Todos os outros foram ficando pelo caminho», diz ele. «Uns debaixo da terra, outros no manicómio, e outros na publicidade.» A vida de Gould está longe de ser fácil; vive constantemente atormentado pela mesma trindade de males: fome, ressacas e sem-abrigo. Dorme em bancos do metro, no chão em ateliers de amigos, e em albergues nocturnos na Bowery. (...) Tem um metro e sessenta e raramente pesará mais do que quarenta e cinco quilos. Ainda há pouco tempo contou a um amigo que não comia uma refeição decente desde 1936, quando foi à boleia até Cambridge e participou no banquete da associação dos finalistas de Harvard de 1911, de que faz parte. «Sou a maior autoridade dos Estados Unidos», diz ele, «em matéria de viver sem nada.» (...) Os donos de café e baristas da Village falam dele como o Professor, o Gaivota, Professor Gaivota, Mangusto, Professor Mangusto, ou o Rapaz de Bellevue." (1) Começa deste modo um dos mais conhecidos perfis que o jornalista Joseph Mitchell escreveu para The New Yorker, em 1942. Joseph Ferdinand Gould tinha nascido em 1889 em Norwood, Massachusetts, numa família antiga e bem colocada na sociedade. O pai e o avô eram médicos e dele se esperava o mesmo, apesar de reconhecer-se inábil: "A verdade é que não tinha jeito para grande coisa - nem em casa, nem na escola, nem nas brincadeiras. (...) Ainda por cima era o que o meu pai chamava uma criança catarrosa - tinha o nariz sempre a pingar. Normalmente, quando devia estar a prestar atenção a alguma coisa, estava ocupado a assoar o nariz." (2) Quando acabou a escola em Norwood, formou-se em Harvard e, sem pistas sobre um futuro a obter, interessou-se por Eugenia - que estudou em Long Island - e partiu para North Dakota onde mediu os crânios de mais de um milhar de índios, até ter de regressar a casa, impossibilitado de prosseguir este trabalho, por causa de problemas finaceiros da família. O pai quis arranjar-lhe um emprego, mas Gould, que em Norwood não se sentia em casa, decidiu ir para Nova Iorque seguir uma carreira literária. "Vim para Nova Iorque com a ideia na cabeça de me tornar crítico teatral, por pensar que isso me deixaria tempo para escrever romances, peças, poemas, canções, artigos e um ou outro ensaio sobre eugenismo, e acabei por conseguir um lugar no Evening Mail, uma espécie de meio moço-de-recados e meio aprendiz de jornalista na esquadra central da polícia." (3)
(1) O Segredo de Joe Gould, Joseph Mitchell, Publicações D. Quixote, 2002, pp. 19-20
(2)Idem, p.59.
(3)Idem, p.65.