sexta-feira, 25 de julho de 2008

Recordando Afonso de Albuquerque

Terminei a minha leitura da obra intitulada Afonso de Albuquerque – O Leão dos Mares da Ásia, da historiadora Geneviève Bouchoun. Apesar da existência de várias biografias de Afonso de Albuquerque (1460-1515) em língua portuguesa, estas já se encontravam desactualizadas “devido aos notáveis progressos que a investigação no domínio específico da história indo-portuguesa tem conhecido nos últimos vinte anos”[1]. Além disso, como a autora referiu no prólogo, não existia nenhuma biografia em língua francesa consagrada a Afonso de Albuquerque.
Até à leitura desta obra, o que eu conhecia deste português resumia-se ao que aprendera na escola e em alguns programas de divulgação históricos. Esta obra contribuiu para o preenchimento dessa lacuna no meu conhecimento. Assim, fiquei a conhecer quem foi este Afonso de Albuquerque que havia prestado serviços à coroa e como recompensa recebera o posto de capitão-mor de uma frota da Índia. Para aí foi enviado com uma missão, de tornar-se Governador, trabalhar no sentido do projecto imperial manuelino, implantando o cristianismo por onde passasse.
Neste livro encontrei inúmeras descrições das batalhas realizadas por este bravo lusitano, dos sucessos e insucessos que daí resultaram, e de como fundou feitorias e cidades. A sua personalidade deveu-se à sua educação por pertencer a uma das mais nobres famílias do reino, ter adquirido treino de cavalaria e seguido carreira de armas e ter ouvido os feitos épicos de Alexandre e César. Também não faltam referências às intrigas vividas entre os líderes vizinhos dos vários territórios colonizados, assim como as existentes entre os próprios homens de Afonso. Entre guerras, intrigas e outros tantos dissabores, não foi fácil levar avante o projecto estipulado. Mas Afonso não era homem de desistir e até à sua morte continuou a zelar pela sua missão:

“Quando, por sua vez, foi atingido em Agosto, tratou o seu mal com desprezo, e quando obrigado a recolher à câmara durante onze dias seguidos, os trabalhos afrouxaram. Então, mandou levar a cama para junto de uma janela baixa, que dava para as obras, e daí continuou a dar ânimo aos homens.”[2]

Actualmente tem-se falado que é necessário que os Portugueses se tornem mais empreendedores, recordando a época em que o nosso povo se questionou sobre o que haveria para lá do Oceano e se lançou ao mar em grandes navios. É verdade que fomos pioneiros dos descobrimentos, mas na minha opinião, tão mais prioritário que ousar ou arriscar, é estar pronto em qualquer altura para arregaçar as mangas e trabalhar:

“O rei de Cochim vinha frequentemente observar os progressos da fortaleza. Maravilhava-se com a diligência dos Portugueses, mas não deixavam de o escandalizar esses «homens-faz-tudo» (como dizia), que participavam, todos, activamente nas obras, sem preocupação de hierarquia ou especialização.”[3]

Que nós, Portugueses contemporâneos, caminhemos em frente, tendo como modelo este valente lusitano renascentista, e que consigamos também nós fazer singrar os nossos projectos, ousando e lutando perante as adversidades que possamos encontrar.


[1] Bouchon, G., Afonso de Albuquerque – O Leão dos Mares da Ásia, 2ª edição, Quetzal Editores, Lisboa, 2000, p. 14 – Tradução de Isabel de Faria e Albuquerque
[2] Idem – p. 300
[3] Ibidem – p.65

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Jules Verne - Obras pouco divulgadas I


Jules Verne (1828-1905), ou Júlio Verne em português, foi um escritor francês considerado por críticos como o precursor do género de ficção científica. De facto, conseguiu prever nos seus livros avanços científicos como o submarino ou viagens à lua.
Quando se fala nas obras de Jules Verne, há sempre umas quantas que nos vêm à memória: Viagem ao Centro da Terra, Volta ao Mundo em 80 dias, Vinte Mil Léguas Submarinas, Da Terra à Lua ou A Ilha Misteriosa. No entanto, muitas outras são as obras escritas por Jules Verne e que apesar de tão boas ou melhores que as anteriores, nem por isso são tão divulgadas. Tenciono, pois, falar de algumas destas obras, e hoje debruçar-me-ei sobre o livro intitulado Clovis Dardentor.
Neste livro ficamos a conhecer as personagens Marçal e João que embarcam numa viagem de barco (o Argèlès) para Oran, Argélia, com o intuito de se alistarem no 5º Regimento. É durante a viagem que travam conhecimento com as outras personagens como a desagradável família Desirandelle, o imensamente misterioso Eustáquio Oriental e Clovis Dardentor, personagem em torno da qual se desenvolve o enredo.
Sendo Dardentor um abastado industrial sem herdeiros, Marçal e João tentam colocar em acção um elaborado plano para conquistarem algum do dinheiro ao recente amigo. O plano engendrado consiste em salvar Dardentor de um perigo de vida real, e se tal acontecer, diz a lei que Dardentor terá de adoptar os seus salvadores. Mas tal como acontece no mundo real a vida é irónica, dá muitas voltas e nem tudo se desenvolve como planeado. O mesmo acontece neste magnífico enredo que tenta equilibrar as derrotas e as quase-vitórias de Marçal e João.
Qualquer tentativa de desvendar o final à medida que se vai lendo o livro é inglória, pois o final é surpreendente e ficamos a conhecer a verdade sobre quem é na verdade o Eustáquio Oriental.
Esta magna obra é constituída de aventura, acção, romance e humor. Sem dúvida, um dos melhores livros que li até hoje.

“Marçal Lornans e João Taconnat eram primos co-irmãos por parte de suas mães, que eram irmãs. Parisienses de nascimento, órfãos de pai desde muito pequenos, tinham sido educados com grandes dificuldades de dinheiro. [...] Muito unidos, como se fossem dois irmãos, tinham um pelo outro a mais profunda afeição, uma amizade que coisa nenhuma seria capaz de quebrar, embora entre os dois existisse uma extraordinária divergência de caracteres.” (1)

(1) Verne, Jules; Clovis Dardentor, Colecção Júlio Verne, Livraria Bertrand, Lisboa, 1979 (p. 26).

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Cruzeiro Observação de Aves

Hoje ao caminhar no Parque das Nações reparei numa nova actividade da qual podemos usufruir, sendo esta não apenas de lazer, mas também de relevância cultural. Refiro-me a um Cruzeiro de Observação de Aves do estuário do Tejo.

Diz o folheto o seguinte:

"Embarque no Varino "Castro Júnior" até à Aldeia Palafita dos avieiros da Póvoa de Stª Iria e observe os flamingos, colhereiros e muitas outras aves do estuário do Tejo."

Horário:

Terça a Sexta - 15H
Sábado / Domingo - 11H e 15H

Duração:

Cerca de 3 horas

Preçário:

Adulto - 21€
Crianças - Grátis
Estudantes, séniores, Grupos (+ de 4) e cliente fidelizado - 14€

Como lá chegar? É fácil. Saiam do Centro Comercial Vasco da Gama em direcção ao rio Tejo e é sempre em frente até ao rio.

NaturaObserva

A Cascais Natura - Agência Municipal de Ambiente, promove um programa de voluntariado jovem (entre os 16 e 30 anos) na área do ambiente e da preservação da natureza, designado de NaturaObserva.
Existem seis projectos do NaturaObserva 2008 a funcionar num regime quinzenal de 16 de Julho a 30 de Setembro de 2008:
Projecto Germina (banco genético vegetal autóctone): montagem de um viveiro florestal para propagação de plantas de espécies arbóreas e arbustivas distintas autóctones no PNSC (1); identificação e referenciação de núcleos de vegetação autóctone com interesse de conservação; recolha de sementes e bolotas desses exemplares.
Projecto Guarda-Rios (vigilância de ribeiras): monotorização e caracterização da vegetação ao longo dos cursos de água e suas margens; análise de qualidade de água e solo.
Projecto Javali (trabalhos florestais): controlo de espécies invasoras; desramação em árvores resinosas; podas de formação em árvores folhosas; rega de árvores.
Projecto Gaio (Vigilância da floresta): apoio na vigilância aos incêndios florestais com percursos de BTT em áreas sensíveis do PNSC; observação e registo de avifauna; informação e sensibilização ambiental aos visitantes do PNSC.
Projecto Raposa (pequenas e grandes rotas): instalação de sinalética em locais de interesse biológico, geológico e/ou arquitectónico; manutenção dos percursos pedestres e cicláveis do PNSC; detecção de inconformidades.
Projecto Coruja (recuperação do património arquitectónico): trabalhos de limpeza e desmatação; desenho etnográfico; levantamento fotográfico das estruturas; pesquisa arqueológica.
Mais informações em: http://www.cascaisnatura.org/
Fonte: Caderno de divulgação ObservaNatura - Voluntariado jovem, monitirização ambiental, preservação da natureza.
(1) PNSC - Parque Natural Sintra-Cascais

quarta-feira, 9 de julho de 2008

terça-feira, 8 de julho de 2008

Evolução e Charles Darwin I

Celebra-se em 2009 os 200 anos do nascimento de Charles Darwin, e os 150 anos da publicação da sua obra mais emblemática, “A Origem das Espécies”.
O armariumlibri irá escrever mais sobre este tema e deixará algumas sugestões de leitura sobre o tema Evolução.




Livros técnicos:

D. J. Futuyma, Evolutionary Biology, Sunderland, Massachusetts, Sinauer

Divulgação:

Augusta Gaspar (Coordenação), Clara Pinto Correia (Prefácio) Teresa Avelar, Frederico Almada, Augusta Gaspar, Octávio Mateus (Colaboração), Evolução e Criacionismo – Uma relação impossível, Edições Quasi, 2007

Teresa Avelar, Margarida Matos, Carla Rego, Quem tem medo de Charles Darwin? Relógio D’Água, 2004

Fontes:

On the origins of species
The Descent of Man

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Lisboa antes do Terramoto

O Terramoto de 1755 é um acontecimento que faz parte da História de Portugal, tendo tido grandes repercursões ao longo do nosso País. Há inúmeros relatos do século XVIII sobre como foi sentido e vivido este desastre natural, não só em Portugal como noutros Países da Europa (tal a força da natureza); também posteriormente muito tem sido escrito sobre esta época, desde ensaios, estudos históricos até romances.


O Gabinete de Estudos Olisiponenses está a realizar um levantamento da população até ao ano do terramoto, recorrendo a registos de casamentos, baptizados e óbitos, e encontra-se a estudar "indicadores demográficos como a infertilidade, ou a idade média de casamento".(1) Revela a mesma fonte que "das 34 freguesias pré-pombalinas, já estão identificados os habitantes de três".(1)
Se pretenderem pesquisar estes dados, podem dirigir-se ao seguinte site:
http://geo.cm-lisboa.pt/



(1) Jornal Gratuito, Meia Hora, Lisboa, Ano II, Número 231, 1 de Julho de 2008

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Culinária duvidosa...

Gostava de partilhar com os dedicados leitores deste blog uma história.
Tenho um professor que é uma personagem engraçada (à falta de melhor adjectivo). Imaginem um Belga alto, magro, com um aspecto sério, ajeitando ocasionalmente os óculos no seu nariz, enquanto nos observa com olhar inquisidor. No entanto, no interior daquela postura recta, tem escondido um agradável sentido de humor. Este professor lecciona Bioinformática.
Uma possível definição de Bioinformática pode ser: "Disciplina que consiste na aplicação das ferramenta informáticas, na aquisição, armazenamento, e tratamento estatístico e informático de grandes quantidades de dados de natureza biológica".
O que pretendo partilhar é um exercício, que reflecte o seu sentido de humor:
"Resolve almoçar durante o fim de semana em casa do seu cunhado, uma pessoa conhecida pelo seu gosto culinário duvidoso. Confrontado com um AFNI (alimento funesto não identificado), decide guardar uma amostra. A sequenciação parcial de um gene codificando para RNA ribossomal deu a seguinte sequência: "aagattaagc catgcatgtc tcagtgcaag ccgcattaag gtgaaaccgc gaatggctca ttaaatcagt tatggttcct tagatggtgg acagttactt ggataactgt ggtaattcta". Afinal que comeram?
a) Periplaneta americana (barata)
b) Lumbricus terrestris (lombriga)
c) Homo sapiens (já sabem)
d) Physeter macrocephalus (cachalote)"
Imaginem que se deparam com questões deste tipo a meio do exame. É impossível não esboçar um sorriso.
Nota: Se algum curioso quiser saber a resposta, proceda do seguite modo (o exame é com recurso à internet):
- Dirija-se ao European Bioinformatics Institute (EBI) - http://www.ebi.ac.uk/;
- Clique em Tools, Similarity & Homology, Blast, NCBI-Blast2 nucleotide;
- Escreva: ">seq1", seguido de enter e em baixo coloque a sequência de RNA dada no enunciado;
- Feito isso clique em Run Blast e aguarde o resultado.
Obtém-se a resposta que a alimentação fora à base de Periplaneta americana.

BioLogosNatura

Já saiu mais uma edição do boletim BioLogosNatura! É já o segundo número deste boletim informativo da área da biologia. A equipa de Edição/Redacção está de parabéns pelo trabalho, até porque, na minha opinião, a qualidade tem vindo a aumentar.
Para terem acesso a este boletim, dirijam-se ao blog: http://biologosnatura.blogspot.com/, e no lado direito encontrarão uma secção dirigida ao boletim, com um motor de busca do pluridoc que é onde se encontra esta publicação. O download é gratuito, sendo somente necessária a inscrição no pluridoc.
Neste boletim podem encontrar informação sobre as várias áreas da Biologia, desde o micro ao macro, desde divulgação de actividades até projectos nacionais, desde passeios a fotografias e até uma agenda com sugestões para os próximos meses.
Esta é uma publicação dirigida a biólogos e a não-biólogos. A amantes da Natureza e da Cultura.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Escola de Verão da Universidade Nova de Lisboa

A Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (Av. de Berna) está a organizar pela 3ª vez um conjunto de breves cursos intensivos em Julho e em Setembro, que abrangem uma grande diversidade de temas - desde o conhecimento de Lisboa com visitas à cidade, até à História da vida quotidiana até ao século XVI, passando pelas tendências musicais portuguesas dos Anos 1960-2000. As inscrições são abertas a todas as pessoas interessadas, quer sejam ou não estudantes da Nova, e acabam - para os cursos em Julho - no dia 20 deste mês, permanecendo abertas as inscrições para Setembro até 21 de Agosto. Mesmo aqueles que terminam este ano o Ensino Secundário poderão participar, mediante menção desta situação especial. Para quem está desocupado no Verão, há muitos cursos interessantes para escolher. Para informações completas, ver: http://www.fcsh.unl.pt/escoladeverao/index.htm.

Conhecendo Portugal - Sítio das Fontes II

Eis mais algumas fotografias do local. Agora é possível observar a bela paisagem junto ao rio.
Quando lá voltar (porque quero mesmo lá voltar), tenho de levar o meu guia de identificação de aves. Este é realmente um hotspot para amantes de aves realizarem birdwatching. Aliás, na primeira fotografia observa-se um bando de aves repousando nas calmas águas do rio.
Esta é uma sugestão de visita para estas férias, quem sabe. Vão acompanhados com amigos, com os namorados, com a família ou mesmo sozinhos. Levem o farnel e deliciem-se nas sombras do Parque das Merendas. Levem o fato de banho e ainda podem refrescar-se nas tranquilas águas envolventes da paisagem. Vão ver que vale a pena.









Conhecendo Portugal - Sítio das Fontes I

É verdade que em termos de área, o nosso país é pequeno. No entanto, não é menos verdade, que apesar do seu tamanho existem locais pouco conhecidos, locais esses merecedores da nossa atenção e da nossa visita, nem que seja apenas uma vez na nossa vida. Alguns desses locais podem acabar por revelar-se autênticos paraísos.

Pretendo deste modo dar a conhecer alguns desses locais, que não nos enriqueçam somente na perspectiva do lazer, mas também com o intuito de dar a conhecer a geografia, a fauna, a flora e a história desses recantos.
O leitor mais atento pode constatar que nas etiquetas deste post encontra-se a etiqueta "História Regional".
Isto tem uma razão de ser. Para além de ocasionalmente fazer menção à história do local, também colocarei fotografias. E, citando um documentário exibido hoje no canal História: "Fotografia é História" (1). Neste caso é a História da região visitada, portanto, História Regional.

Após esta breve nota introdutória, passo a revelar o local escolhido: O sítio das Fontes.

"O Sitio das Fontes localiza-se ao longo das margens de um esteiro da margem esquerda do rio Arade, perto da Vila de Estômbar, do concelho de Lagoa.
Podemos aqui encontrar uma grande diversidade de ambientes representativos da paisagem mediterrânica - o sapal, o paúl, o matagal, uma pequena lagoa temporária, zonas agrícolas abandonadas e os planos e linhas de água.
É importante do ponto de vista histórico-cultural porque ali se encontram vestígios de actividades humanas que datam de tempos remotos. Os dois moinhos de água são testemunhos mais eloquentes dessa actividade humana. A antiguidade de pelo menos um deles está documentada no "Livro do Almoxarifado de Silves" do século XV." (2)








Nestas fotografias podemos ver o Parque das Merendas, uma imagem do riacho, o moinho de água (em tempos idos, moinhos deste tipo foram muito importantes para a economia local) e o anfiteatro ao ar livre.

(1) Esta afirmação surgiu no contexto de que se não tivessem sido tiradas fotografias em determinadas alturas de acontecimentos como testes nucleares, bombas dissimuladas durante as guerras em objectos do quotidiano, ou o processo de demolição das torres gémeas após o atentado do 9/11, poderia não haver qualquer outro tipo de registo destes acontecimentos, logo, nada que comprovasse que estes acontecimentos realmente ocorreram. Assim, as fotos funcionam como fontes para futuros jornalistas, historiadores, ou outros profissionais interessados. Daí a afirmação "Fotografia é História".

(2) Retirado de "http://municipiodelagoa.net/website/?Concelho:Ambiente:S%EDtio_das_Fontes"

domingo, 15 de junho de 2008

Conferência Culturgest

A Culturgest tem para nos oferecer no mês de Junho conferências sobre o tema “Para que a gente nunca se esqueça do que aprendeu na escola”. As conferências irão decorrer nos dias 20, 21 e 22 de Junho (Sexta-feira, Sábado e Domingo), no pequeno auditório e com entrada gratuita. Basta apenas levantar a senha 30minutos antes do início. Segue de seguida a informação que se encontra no site da Culturgest e o respectivo programa:

“É já oficial, ao ponto de estar a ser estudado por especialistas de oito países europeus, em que se inclui Portugal: tal como está, o ensino secundário não consegue dar preparação científica aos alunos. Em grande medida, isto acontece porque os acontecimentos oferecidos não são postos em contexto, cobrem demasiados temas sem esforço de ligação entre eles, aparecem perante os alunos numa grande desorganização reforçada por desenhos, bandas desenhadas, fotos, diagramas, todos obviamente bem intencionados mas com tendência para criar ainda maior dispersão. Em consequência, os alunos acabam por decorar blocos de matéria para os testes, e tratam de esquecer-se dela logo a seguir. Sem a devida contextualização, o conhecimento não se fixa no cérebro. Ainda por cima, cria-se desde cedo o mau hábito de deixá-lo passar transitoriamente.No fim-de-semana de 20 a 22 de Junho, o CEHFC (Centro de Estudos de História e Filosofia da Ciência) propõe a reunião na Culturgest de cientistas portugueses de várias áreas ligadas à educação para discutir a situação presente. Pretende-se, entre outros aspectos, analisar seriamente os benefícios da introdução da História da Ciência nos currículos, não como um bonequinho exterior ao texto mas como um fio de Ariana no labirinto, que servirá de superstrutura para tornar o ensino da ciência mais proveitoso e maximizar os seus resultados. E para que o que se aprende não se desvaneça no dia seguinte ao teste.”

Programa

SEXTA 20das 18h30 às 20h00
apresentação e moderação Clara Pinto Correia (ULHT/CEHFC)
A lição da chave: procurar onde há mais luz
José Victor Malheiros (director científico do jornal Público)
Paralelismo entre as dificuldades no ensino e a apresentação de ciência ao público: questões da compreensão pública da ciência nas suas várias vertentes

SÁBADO 21das 14h30 às 17h15
Os novos contributos das ciências da educação
apresentação e moderação Paulo Mendes Pinto (ULHT/UL)
Experiência pessoal: razões e raízes do desconhecimento da ciência das religiões
João Correia de Freitas (UNL)
A educação no tempo da Web 2.0
Victor Teodoro Duarte (UNL)
Aprender ciência e matemática com computadores, hands on, hearts on & minds on
Mariana Valente (UE/ CEHFC)
Física e educação

das 17h45 às 20h00
A palavra do obreiro: fala quem faz
apresentação e moderação Rui Trindade (Profissional de Comunicação de CiênciaA Comunicação de Ciência na era do infoentertenimento
Luís Filipe Barreto (CCCM)
(título a anunciar)
Fernando Barriga (MNHN e FC da UL)
História da Mineralogia e da Geologia na Escola e no Museu
Rosália Vargas (Programa Ciência Viva/Pavilhão do Conhecimento)
Os semáforos da Ciência: sinais na rua

DOMINGO 22
das 15h00 às 16h45
A importância da história das ciências na compreensão científica
apresentação e moderação Joana Capucho (Professora de Biologia no Ensino Secundário)
Teresa Avelar (ULHT/CEHFC)
História da Biologia: como apresentar a evolução
Madalena Esperança Pina (UNL/CEHFC)
História da Medicina: O papel da evolução da Medicina no contexto da História da Ciência

das 17h15 às 19h30
Continuação da temática anterior
apresentação e moderação Joana Capucho (Professora de Biologia no Ensino Secundário)
Conceição Burguete (UC)
História da Química: Paradigma sistémico: a matrix do conhecimento.
Belarmino Barata (UL)
História da Bioquímica: (título a anunciar)
Augusto Fitas (UE/CEHFC)
História da Física: A história da física contemporânea, alguns cruzamentos com a história da ciência em Portugal


Mais informações em: http://www.culturgest.pt/actual/para_a_gente.html

LusoExpedição OLYMPUS 2008

Encontrou-se a decorrer, pelo terceiro ano consecutivo, uma importante expedição no Oceano Atlântico a bordo do Navio de Treino de Mar (NTM) Creoula da Marinha Portuguesa, realizada por investigadores Portugueses. Refiro-me à “LusoExpedição OLYMPUS 2008”, que terminou hoje, organizada pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (ULHT) , que contou com a participação de investigadores de outras instituições, tais como Universidade Fernando Pessoa, Universidades de Lisboa, do Algarve, de Aveiro e dos Açores, Instituto Superior de Psicologia Aplicada, Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves e Universidade de Amesterdão.
Esta expedição oceanográfica levou equipas de mergulhadores às profundezas do Banco de Gorringe, que se encontra localizado entre Portugal Continental e o arquipélago da Madeira. Nesta missão embarcaram biólogos marinhos, oceanógrafos, químicos e cerca de 30 estudantes universitários.
O Dr. Pinto de Abreu, coordenador desta missão e Vice-Reitor da ULHT, referiu que “depois das duas edições anteriores que se pautaram por um enorme sucesso, continuamos este ano com uma missão de caracterização de zonas remotas do mar Português, numa altura em que se está a aproximar a data de entrega do projecto que vai permitir expandir o território marinho sob jurisdição portuguesa nas Nações Unidas em 2009”.
No Blog do Núcleo de Biologia da ULHT (BioCEL), que também está a divulgar esta actividade podemos ler o seguinte:
“Durante a última grande glaciação, a Glaciação de Wurm (há cerca de 18ooo anos) o nível médio das águas do Oceano Atlântico estava aproximadamente 150 m mais abaixo do que se encontra hoje em dia. Este processo durou vários milhares de anos, fazendo com que muitas montanhas que estão actualmente submersas, formassem outrora ilhas ou até mesmo arquipélagos. Assim, um conjunto destes montes submarinos como é o caso do Banco de Gorrige, podem ser utilizados como uma ponte de passagem para as espécies marinhas de proveniência europeia em direcção ao Arquipélago da Madeira e dos Açores, aproveitando correntes marinhas favoráveis. Este Banco encontra-se numa montanha submarina com cerca de 5000 m que faz parte de uma cordilheira que se estende desde o sul de Portugal até ao Arquipélago da Madeira (cerca de 9500Km2 de extensão). Nesta Cordilheira encontram-se também outros bancos conhecidos, como é o caso do Banco de Ampère e o de Josephine. O Banco de Gorringe encontra-se localizado a sudoeste do Cabo de São Vicente, a uma deistância de cerca de 200 Milhas náuticas (Latitude N 36º 32’ Longitude W 011º 33’).”
Ainda através da mesma fonte, são dados a conhecer os objectivos e metodologias desta missão:
“Este projecto pretende testar duas hipóteses científicas realizadas com a evolução e colonização da fauna marinha do Atlântico Nordeste, prosseguindo o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido nas expedições anteriores:
Como actuarm este spicos submarinos no passado e como actuam agora: como pedras de passagem, ou refúgios intermédios na dispersão da fauna a longa distância?
Estarão as populações marinhas ali existentes geneticamente isoladas das de Portugal Continental, Madeira e Açores?
Para testar as hipóteses referidas, levaremos a a cabo uma série de metodologias normalmente utilizadas neste tipo de estudos ecológicos:
Transectos (linhas de recolha de larvas no plâncton ao longo de todo o percurso);
Mergulho com escafandro autónomo que possibilite:
a) seleccionar e recolher algumas espécies modelo;
b) construir uma colecção de referência e descrever novas espécies;
c) estabelecer as actuais relações biogeográficas dos organismos recolhidos utilizando marcadores genéticos apropriados;
d) amostrar cuidadosamente áreas definidas com diferentes povoamentos de organismos
e) bentónicos para estudos ecológicos quantitativos;
f) descrever as comunidades associadas a estes picos.”

Num comunicado à imprensa, a organização refere a possibilidade de usar venenos produzidos por organismos marinhos na biomedicina. A título de exemplo refiro os estudos realizados pelo Professor Gonçalo Calado com Opistobrânquios (gastrópodes marinhos, exemplo: lesma-do-mar).
As anteriores expedições já revelaram os seus frutos. O trabalho dos investigadores teve expressão em publicações científicas internacionais e os organizadores afirmam que esta missão ainda não atingiu todo o seu potencial. Podemos pois especular que para o ano possa haver uma nova expedição com novos objectivos e com resultados que contribuam para o maior conhecimento da nossa geografia, fauna e flora marítimas e que se consiga chegar a avanços na área da biomedicina.


Patrocinadores: Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, Olympus, N. T. M. Creoula, Nautilus-Sub, Generali Companhia de Seguros, Tranemo workwear, BioAlvo, Reagente 5, V. Reis, PVL, LabCel.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Bocage e os novos temas poéticos

Liberdade, onde estás? Quem te demora?
Quem faz que o teu influxo em nós não caia?
Porque (triste de mim!), porque não raia
Já na esfera de Lísia a tua aurora?

Da santa redenção é vinda a hora
A esta parte do mundo, que desmaia.
Oh!, venha... Oh!, venha, e trémulo descaia
Despotismo feroz, que nos devora!

Eia! Acode ao mortal que, frio e mudo,
Oculta o pátrio amor, torce a vontade,
E em fingir, por temor, empenha estudo.

Movam nossos grilhões tua piedade;
Nosso númen tu és, e glória, e tudo,
Mãe do génio e prazer, ó Liberdade!


Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805), natural de Setúbal, era um poeta chamado "de transição" pelos académicos, pois evidencia cacterísticas neoclássicas, nomeadamente em referências mitológicas, e características românticas, principalmente nos temas. No tempo do Elmano Sadino em Portugal, circulavam entre os intelectuais as ideias novas do século - em especial inspiradas por escritores franceses. Porém, os livros dos filósofos que haviam escrito sobre liberdades individuais ou representatividade do povo junto do poder não circulavam livremente. A Revolução Francesa (1789), veiculando ideais baseados nas novas sugestões dos pensadores, acabou por derrubar o Antigo Regime em França, o que se fez sentir também em Portugal a partir de 1820. Começaram aqui as novas ordens jurídica e económica que mudaram profundamente as sociedades ocidentais - na prática com alguma lentidão, por causa das naturais resistências à mudança e da dificuldade e imperfeição das primeiras implementações. O modelo jurídico do Estado saído desses tempos é, com actualizações, aquele que ainda hoje adoptamos. Não é demais, portanto, relembrar os nossos antepassados porque, ainda que estejam ausentes há séculos, continuam a orientar as nossas ideias do que deve ser uma sociedade civilizada.