quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Curtas - Eça

Eça de Queirós, um dos maiores vultos da literatura nacional, teve destaque no periódico Get Real. Aí é feita uma breve biografia do escritor, é explicada a sua importância no panorama literário e no contexto da época, terminando com referência a algumas obras da sua autoria.
Não são esquecidas as conferências do casino e a Questão Coimbrã.
As suas obras foram traduzidas para mais de vinte línguas.

O artigo em questão, intitulado Eça de Queirós - Giant of Portuguese Literature, foi escrito por Nuno Mendes e traduzido por Fiona Perris in Get Real, Edition no. 81, August 12, 2008

Leitura em Férias III - "Alice do Outro Lado do Espelho"


Na continuação das aventuras de Alice, segue-se Alice no Outro Lado do Espelho[1], em que a jovem menina decide atravessar para o lado de lá do espelho, após se questionar como seria a vida desse outro lado.
O nonsense literário continua presente neste reino de fantasia. Após atravessar o espelho para outra realidade, a personagem principal vê-se novamente envolvida em situações disparatadas. Se na estória anterior, Alice, desceu para uma toca subterrânea, desta vez a estória passa-se à superfície. Continuam presentes as personagens antropomórficas, mas em vez de estar rodeada de baralhos de cartas humanizados, encontra-se com peças brancas e vermelhas de um jogo de xadrez. O objectivo da menina é jogar o jogo, sendo ela um peão branco, chegar à oitava casa e tornar-se rainha. Para que tal possa acontecer, vai passar por várias peripécias e conhecer novas personagens como Tuidledum e Tuidleduim; o carpinteiro e a morsa, ambos possuidores de um voraz apetite por ostras; Humpty Dumpty, o ovo; o Leão e o Unicórnio; e o cavaleiro branco, com enorme imaginação para invenções. Reaparece a Lebre de Março e o Chapeleiro Maluco, se bem que ambos e Alice parecem não se reconhecer.
Sendo o autor, Lewis Carroll, matemático, aparecem várias referências a essa disciplina, como as inversões, pois no outro lado do espelho tudo se passa ao contrário. As personagens não se recordam apenas do passado, mas também do futuro. Outro fenómeno que ocorre neste mundo de fantasia é que por mais rápido que se corra nunca se abandona o local inicial, pois a terra aí também gira a grande velocidade.
Na minha opinião, este conto, Alice no outro lado do espelho, é mais interessante que o anterior, Alice no País das Maravilhas, pois os diálogos conseguem remeter-nos para reflexões na área da ciência, quase tocando a ficção-científica.
Deixo agora alguns excertos do livro, de modo a entusiasmar a leitura desta esplêndida obra:

« - Bem, na nossa terra – disse Alice, ainda um pouco ofegante, - é costume chegar-se a outro sítio quando corremos muito depressa durante muito tempo como nós fizemos.
- Que terra tão lenta! – exclamou a rainha. – Aqui, como vês, é preciso corrermos o mais depressa possível para ficarmos sempre no mesmo lugar. Se quiseres chegar a outro sítio, tens de correr pelo menos ao dobro desta velocidade!»[2]

Eis a conversa entre Alice e Tuidledim e Tuidledum, quando encontraram o rei vermelho a dormir:
« - Ora, está a sonhar contigo! – exclamou Tuidledim, batendo as palmas de contente. – E para onde pensas que ias se ele deixasse de sonhar contigo?
- Ficava onde estou. – disse Alice, convictamente.
- Não ficavas nada! – replicou Tuidledim num tom de desprezo. – Não ficavas em lado nenhum, porque não passas de um sonho dele!
- Se aquele Rei ali acordasse tu apagavas-te logo... puf!... que nem uma vela! – acrescentou Tuidledum.
[...]
- Bem, não merece a pena falares em acordá-lo, se tu é só um sonho dele – explicou Tuidledum. – Sabes perfeitamente que não és real.»[3]

Diálogo entre Alice e a Rainha Branca:
« - Fraca memória a tua que só funciona às arrecuas. – acusou a Rainha.
- De que espécie de coisas se lembra melhor? – perguntou Alice, um pouco baralhada.
- Oh, das coisas que aconteceram na semana que vem. – respondeu a Rainha, como quem achasse isso normal. [...]»[4]

E que dizer desta conversa que até figurou como flavor text, numa carta antiga, do conhecido jogo Magic, The Gathering:
« Alice não pôde evitar um sorriso, ao dizer:
- Sabes, eu também pensava que os Unicórnios eram monstros fabulosos! Nunca tinha visto um vivo!
- Bem, agora já nos vimos um ao outro – constatou o Unicórnio. – Se acreditares em mim, eu acredito em ti. De acordo?»[5]

Referência: Lewis Carroll, Alice do Outro Lado do Espelho, Biblioteca Editores Independentes, Relógio D’Água Editores, 2007 – Tradução: Margarida Vale de Gato

[1] No original: Through the Looking Glass and What Alice Found There
[2] Lewis Carroll, Alice do Outro lado do Espelho, p.38
[3] Idem, p.61
[4] Ibidem, p.69
[5] Ibidem, p.104

Leitura em Férias II - "Alice no País das Maravilhas"

Num dia quente, junto ao rio, Alice deixa a irmã a ler um livro, enquanto decide seguir um Coelho Branco que havia passado por ela. Alice, a personagem principal deste conto corre, até uma «grande toca» existente debaixo dos arbustos, atrás do estranho coelho que usa um colete e um relógio de algibeira.
A aventura desta pequena menina começa assim que ela desce, interminavelmente, pela longa toca do coelho. Daí em diante, através de bolos, de bebidas, ou ainda através de cogumelos, a rapariga sofre uma série de alterações de tamanho, ora cresce, ora mingua.
É no País das Maravilhas que Alice vai conhecer as outras incomuns personagens, nas mais confusas situações e ter os mais estranhos diálogos. No mar de lágrimas encontra o rato, na corrida eleitoral o Dodo e mais à frente o lagarto Bill. Aparece também a conselheira lagarta azul, sentada num cogumelo, que tranquilamente fuma o seu muito comprido cachimbo de água. À medida que a história se desenrola, a menina conhece a Duquesa, que está sempre a espirrar devido ao excesso de pimenta que a empregada coloca na sopa. Junto ao fogão está um gato que se encontra sempre a rir, o gato de Cheshire, que tornará a aparecer novamente ao longo da história. Na hora da merenda, Alice junta-se ao Chapeleiro Maluco, à Lebre de Março e ao sonolento Arganaz, até à altura em que se dirigirá ao jogo de Croquet. Aí vai conhecer as personagens pertencentes a um baralho de cartas, incluindo a rainha de copas, sempre muito zangada e, a ordenar que se corte a cabeça a quem discorde dela, ou a quem a irrite:
« - Cortem-lhe a cabeça! – berrou a Rainha, o mais alto que pôde.»[1]
A história termina com o despertar da Alice, de um longo sono, e a partilhar com a irmã as suas aventuras oníricas.


Referência: Lewis Carroll, Alice no País das Maravilhas, Abril Controljornal, Biblioteca Visão, Colecção Novis, Linda-a-Velha, Portugal, 2000 – Tradução: Vera Azancot.[2]

[1] Lewis Carroll, Alice no País das Maravilhas, p. 92.
[2] Titulo original: Alice’s Adventures in Wonderland

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Leitura em Férias I – “A Desilusão de Deus”

Finalmente chegaram as férias e com elas algum tempo livre. Tenho agora disponibilidade horária para retomar a leitura de alguns livros que deixara esquecidos no móvel do quarto, como que em função de standby, à espera que uma pequena abertura na minha agenda me permitisse voltar a dirigir-lhes alguma da minha atenção.
Dos vários livros que trouxe comigo, encontro-me neste momento a ler “A Desilusão de Deus”[1], escrito pelo biólogo americano Richard Dawkins. Sendo o autor um ateu assumido, pretende com este livro transmitir a sua opinião sobre a razão pela qual não crê em qualquer tipo de Deus, nem segue nenhuma religião. Para Dawkins, a sua maior inimiga é a superstição, e defende que o ser-humano devia fazer uso da razão e do espírito crítico no seu quotidiano.
Nesta obra encontramos os seguintes capítulos: 1 – Um descrente fervoroso; 2 – A Hipótese Deus; 3 – Argumentos a favor da existência de Deus; 4 – Por que razão é quase certo que Deus não existe; 5 – As raízes da religião; 6 – As raízes da moralidade: porque somos bons?; 7 – O «bom» livro e as mudanças do Zeitgeist moral; 8 – Qual é o mal da religião? Porquê tanta hostilidade?; 9 – Infância, abusos e fuga à religião; 10 – Uma lacuna muito necessária?
Este é um livro sério, e apesar de ser tendencioso (em defesa do ateísmo), o autor consegue não ser fundamentalista ao longo do seu discurso, e na minha opinião isto é de valor:

“Os fundamentalistas sabem aquilo em que acreditam e sabem também que nada os fará mudar de ideia. A citação de Kurt Wise, na página 341, diz tudo: «...se todas as provas do universo acabassem por contrariar o criacionismo, eu seria o primeiro a admiti-lo, mas continuaria a ser criacionista porque é para aí que a Palavra de Deus parece apontar. Daqui não saio.» [...] Por mais apaixonadamente que possa «acreditar» na evolução, o verdadeiro cientista sabe exactamente o que seria necessário para mudar de ideia: provas. Quando perguntaram a J. B. S. Haldane que provas poderiam contradizer a evolução, este respondeu: «Fósseis de coelho no Pré-Câmbrico.» Permita-se-me que crie também a minha própria versão simétrica do manifesto de Kurt Wise: «Se todas as provas do universo se revelassem a favor do criacionismo, eu seria o primeiro a admiti-lo e imediatamente mudaria de ideia. Contudo, da maneira como as coisas estão, toda a evidência disponível (e ela é abundante) dá razão à evolução. [...]»”[2]

Este livro deve ter tido ainda mais impacto nos Estados Unidos da América, onde se vive um enorme fanatismo religioso (na minha opinião quase doentio em alguns casos), para além dos lobbies que as diversas religiões têm junto dos governantes. Escusado será dizer que nesse contexto social os ateus não são muito bem vistos, naquela que se esperaria ser a nação da liberdade de expressão e da tolerância:

“Hoje em dia, o estatuto dos ateus nos Estados Unidos está ao mesmo nível do dos homossexuais há 50 anos. Agora, depois do movimento do Orgulho Gay, é possível, embora ainda não muito fácil, um homossexual ser eleito para desempenhar cargos públicos. Numa sondagem levada a cabo em 1999 pela Gallup, perguntava-se aos Americanos se votariam numa pessoa bem habilitada e que fosse mulher (95% de respostas afirmativas), católica (94%), judia (92%), negra (92%), mórmon (79%), homossexual (79%), ou ateia (49%). É óbvio que há ainda um longo caminho a percorrer, mas os ateus são bastante mais numerosos, sobretudo entre a elite mais instruída, do que muitos possam pensar.”[3]

Então e o que dizer da resposta de George Bush-pai a um jornalista, quando questionado sobre “se reconhecia como iguais o patriotismo e a cidadania dos americanos ateus: «Não, não acho que os ateus devam ser considerados cidadãos, nem que devam ser considerados patriotas. Esta é uma só nação, sob a protecção de Deus.»”[4]

Ainda na mesma página ficamos a conhecer uma história no mínimo caricata, que aconteceu com o professor David Mills:

“Um desses curandeiros que dizem curar pela fé, um cristão que dirigia uma «cruzada milagreira», ia à cidade natal de Mills uma vez por ano. Entre outras coisas, instigava os diabéticos a deitarem fora a insulina e as pessoas que sofriam de cancro a desistirem da quimioterapia, incentivando-as, em vez disso, a rezar por um milagre. Num gesto sensato, Mills decidiu organizar uma manifestação pacífica para avisar as pessoas. Contudo, cometeu o erro de ir à polícia informar os agentes da sua intenção e pedir protecção policial para o caso de possíveis ataques por parte dos apoiantes do curandeiro. O primeiro agente com quem falou perguntou: «É pa’ se manifestar a favor ó contra?» (querendo dizer a favor do curandeiro ou contra ele). Quando Mills respondeu «contra», o agente disse que ele próprio estava a pensar ir à concentração e que fazia tenções de cuspir na cara de Mills quando este passasse à sua frente.”[5]

Mills continuou a tentar contactar a polícia, mas teve sempre como resposta ameaças ou de prisão ou de violência física.


Num país em que há inúmeras religiões, e em que todas pregam uma moral de compreensão, tolerância, amor ou perdão, deparamo-nos com situações destas. Será esta a virtude religiosa que os americanos pretendem seguir?





Nota: A propósito de se falar em curas através da oração, Dawkins refere os estudos científicos realizados sob essa temática nas páginas 90 até 95. É de interesse conhecer como esses estudos foram feitos e a que conclusões chegaram.

[1] Richard Dawkins; “A Desilusão de Deus” – 3ª edição, Casa das Letras, Cruz Quebrada, 2007.
Na versão original tem o título “The God Delusion”.
[2] Richard Dawkins, “A Desilusão de Deus”, p. 29
[3] Idem, p. 17
[4] Ibidem, p.70
[5] Idem

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Recordando Afonso de Albuquerque

Terminei a minha leitura da obra intitulada Afonso de Albuquerque – O Leão dos Mares da Ásia, da historiadora Geneviève Bouchoun. Apesar da existência de várias biografias de Afonso de Albuquerque (1460-1515) em língua portuguesa, estas já se encontravam desactualizadas “devido aos notáveis progressos que a investigação no domínio específico da história indo-portuguesa tem conhecido nos últimos vinte anos”[1]. Além disso, como a autora referiu no prólogo, não existia nenhuma biografia em língua francesa consagrada a Afonso de Albuquerque.
Até à leitura desta obra, o que eu conhecia deste português resumia-se ao que aprendera na escola e em alguns programas de divulgação históricos. Esta obra contribuiu para o preenchimento dessa lacuna no meu conhecimento. Assim, fiquei a conhecer quem foi este Afonso de Albuquerque que havia prestado serviços à coroa e como recompensa recebera o posto de capitão-mor de uma frota da Índia. Para aí foi enviado com uma missão, de tornar-se Governador, trabalhar no sentido do projecto imperial manuelino, implantando o cristianismo por onde passasse.
Neste livro encontrei inúmeras descrições das batalhas realizadas por este bravo lusitano, dos sucessos e insucessos que daí resultaram, e de como fundou feitorias e cidades. A sua personalidade deveu-se à sua educação por pertencer a uma das mais nobres famílias do reino, ter adquirido treino de cavalaria e seguido carreira de armas e ter ouvido os feitos épicos de Alexandre e César. Também não faltam referências às intrigas vividas entre os líderes vizinhos dos vários territórios colonizados, assim como as existentes entre os próprios homens de Afonso. Entre guerras, intrigas e outros tantos dissabores, não foi fácil levar avante o projecto estipulado. Mas Afonso não era homem de desistir e até à sua morte continuou a zelar pela sua missão:

“Quando, por sua vez, foi atingido em Agosto, tratou o seu mal com desprezo, e quando obrigado a recolher à câmara durante onze dias seguidos, os trabalhos afrouxaram. Então, mandou levar a cama para junto de uma janela baixa, que dava para as obras, e daí continuou a dar ânimo aos homens.”[2]

Actualmente tem-se falado que é necessário que os Portugueses se tornem mais empreendedores, recordando a época em que o nosso povo se questionou sobre o que haveria para lá do Oceano e se lançou ao mar em grandes navios. É verdade que fomos pioneiros dos descobrimentos, mas na minha opinião, tão mais prioritário que ousar ou arriscar, é estar pronto em qualquer altura para arregaçar as mangas e trabalhar:

“O rei de Cochim vinha frequentemente observar os progressos da fortaleza. Maravilhava-se com a diligência dos Portugueses, mas não deixavam de o escandalizar esses «homens-faz-tudo» (como dizia), que participavam, todos, activamente nas obras, sem preocupação de hierarquia ou especialização.”[3]

Que nós, Portugueses contemporâneos, caminhemos em frente, tendo como modelo este valente lusitano renascentista, e que consigamos também nós fazer singrar os nossos projectos, ousando e lutando perante as adversidades que possamos encontrar.


[1] Bouchon, G., Afonso de Albuquerque – O Leão dos Mares da Ásia, 2ª edição, Quetzal Editores, Lisboa, 2000, p. 14 – Tradução de Isabel de Faria e Albuquerque
[2] Idem – p. 300
[3] Ibidem – p.65

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Jules Verne - Obras pouco divulgadas I


Jules Verne (1828-1905), ou Júlio Verne em português, foi um escritor francês considerado por críticos como o precursor do género de ficção científica. De facto, conseguiu prever nos seus livros avanços científicos como o submarino ou viagens à lua.
Quando se fala nas obras de Jules Verne, há sempre umas quantas que nos vêm à memória: Viagem ao Centro da Terra, Volta ao Mundo em 80 dias, Vinte Mil Léguas Submarinas, Da Terra à Lua ou A Ilha Misteriosa. No entanto, muitas outras são as obras escritas por Jules Verne e que apesar de tão boas ou melhores que as anteriores, nem por isso são tão divulgadas. Tenciono, pois, falar de algumas destas obras, e hoje debruçar-me-ei sobre o livro intitulado Clovis Dardentor.
Neste livro ficamos a conhecer as personagens Marçal e João que embarcam numa viagem de barco (o Argèlès) para Oran, Argélia, com o intuito de se alistarem no 5º Regimento. É durante a viagem que travam conhecimento com as outras personagens como a desagradável família Desirandelle, o imensamente misterioso Eustáquio Oriental e Clovis Dardentor, personagem em torno da qual se desenvolve o enredo.
Sendo Dardentor um abastado industrial sem herdeiros, Marçal e João tentam colocar em acção um elaborado plano para conquistarem algum do dinheiro ao recente amigo. O plano engendrado consiste em salvar Dardentor de um perigo de vida real, e se tal acontecer, diz a lei que Dardentor terá de adoptar os seus salvadores. Mas tal como acontece no mundo real a vida é irónica, dá muitas voltas e nem tudo se desenvolve como planeado. O mesmo acontece neste magnífico enredo que tenta equilibrar as derrotas e as quase-vitórias de Marçal e João.
Qualquer tentativa de desvendar o final à medida que se vai lendo o livro é inglória, pois o final é surpreendente e ficamos a conhecer a verdade sobre quem é na verdade o Eustáquio Oriental.
Esta magna obra é constituída de aventura, acção, romance e humor. Sem dúvida, um dos melhores livros que li até hoje.

“Marçal Lornans e João Taconnat eram primos co-irmãos por parte de suas mães, que eram irmãs. Parisienses de nascimento, órfãos de pai desde muito pequenos, tinham sido educados com grandes dificuldades de dinheiro. [...] Muito unidos, como se fossem dois irmãos, tinham um pelo outro a mais profunda afeição, uma amizade que coisa nenhuma seria capaz de quebrar, embora entre os dois existisse uma extraordinária divergência de caracteres.” (1)

(1) Verne, Jules; Clovis Dardentor, Colecção Júlio Verne, Livraria Bertrand, Lisboa, 1979 (p. 26).

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Cruzeiro Observação de Aves

Hoje ao caminhar no Parque das Nações reparei numa nova actividade da qual podemos usufruir, sendo esta não apenas de lazer, mas também de relevância cultural. Refiro-me a um Cruzeiro de Observação de Aves do estuário do Tejo.

Diz o folheto o seguinte:

"Embarque no Varino "Castro Júnior" até à Aldeia Palafita dos avieiros da Póvoa de Stª Iria e observe os flamingos, colhereiros e muitas outras aves do estuário do Tejo."

Horário:

Terça a Sexta - 15H
Sábado / Domingo - 11H e 15H

Duração:

Cerca de 3 horas

Preçário:

Adulto - 21€
Crianças - Grátis
Estudantes, séniores, Grupos (+ de 4) e cliente fidelizado - 14€

Como lá chegar? É fácil. Saiam do Centro Comercial Vasco da Gama em direcção ao rio Tejo e é sempre em frente até ao rio.

NaturaObserva

A Cascais Natura - Agência Municipal de Ambiente, promove um programa de voluntariado jovem (entre os 16 e 30 anos) na área do ambiente e da preservação da natureza, designado de NaturaObserva.
Existem seis projectos do NaturaObserva 2008 a funcionar num regime quinzenal de 16 de Julho a 30 de Setembro de 2008:
Projecto Germina (banco genético vegetal autóctone): montagem de um viveiro florestal para propagação de plantas de espécies arbóreas e arbustivas distintas autóctones no PNSC (1); identificação e referenciação de núcleos de vegetação autóctone com interesse de conservação; recolha de sementes e bolotas desses exemplares.
Projecto Guarda-Rios (vigilância de ribeiras): monotorização e caracterização da vegetação ao longo dos cursos de água e suas margens; análise de qualidade de água e solo.
Projecto Javali (trabalhos florestais): controlo de espécies invasoras; desramação em árvores resinosas; podas de formação em árvores folhosas; rega de árvores.
Projecto Gaio (Vigilância da floresta): apoio na vigilância aos incêndios florestais com percursos de BTT em áreas sensíveis do PNSC; observação e registo de avifauna; informação e sensibilização ambiental aos visitantes do PNSC.
Projecto Raposa (pequenas e grandes rotas): instalação de sinalética em locais de interesse biológico, geológico e/ou arquitectónico; manutenção dos percursos pedestres e cicláveis do PNSC; detecção de inconformidades.
Projecto Coruja (recuperação do património arquitectónico): trabalhos de limpeza e desmatação; desenho etnográfico; levantamento fotográfico das estruturas; pesquisa arqueológica.
Mais informações em: http://www.cascaisnatura.org/
Fonte: Caderno de divulgação ObservaNatura - Voluntariado jovem, monitirização ambiental, preservação da natureza.
(1) PNSC - Parque Natural Sintra-Cascais

quarta-feira, 9 de julho de 2008

terça-feira, 8 de julho de 2008

Evolução e Charles Darwin I

Celebra-se em 2009 os 200 anos do nascimento de Charles Darwin, e os 150 anos da publicação da sua obra mais emblemática, “A Origem das Espécies”.
O armariumlibri irá escrever mais sobre este tema e deixará algumas sugestões de leitura sobre o tema Evolução.




Livros técnicos:

D. J. Futuyma, Evolutionary Biology, Sunderland, Massachusetts, Sinauer

Divulgação:

Augusta Gaspar (Coordenação), Clara Pinto Correia (Prefácio) Teresa Avelar, Frederico Almada, Augusta Gaspar, Octávio Mateus (Colaboração), Evolução e Criacionismo – Uma relação impossível, Edições Quasi, 2007

Teresa Avelar, Margarida Matos, Carla Rego, Quem tem medo de Charles Darwin? Relógio D’Água, 2004

Fontes:

On the origins of species
The Descent of Man

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Lisboa antes do Terramoto

O Terramoto de 1755 é um acontecimento que faz parte da História de Portugal, tendo tido grandes repercursões ao longo do nosso País. Há inúmeros relatos do século XVIII sobre como foi sentido e vivido este desastre natural, não só em Portugal como noutros Países da Europa (tal a força da natureza); também posteriormente muito tem sido escrito sobre esta época, desde ensaios, estudos históricos até romances.


O Gabinete de Estudos Olisiponenses está a realizar um levantamento da população até ao ano do terramoto, recorrendo a registos de casamentos, baptizados e óbitos, e encontra-se a estudar "indicadores demográficos como a infertilidade, ou a idade média de casamento".(1) Revela a mesma fonte que "das 34 freguesias pré-pombalinas, já estão identificados os habitantes de três".(1)
Se pretenderem pesquisar estes dados, podem dirigir-se ao seguinte site:
http://geo.cm-lisboa.pt/



(1) Jornal Gratuito, Meia Hora, Lisboa, Ano II, Número 231, 1 de Julho de 2008

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Culinária duvidosa...

Gostava de partilhar com os dedicados leitores deste blog uma história.
Tenho um professor que é uma personagem engraçada (à falta de melhor adjectivo). Imaginem um Belga alto, magro, com um aspecto sério, ajeitando ocasionalmente os óculos no seu nariz, enquanto nos observa com olhar inquisidor. No entanto, no interior daquela postura recta, tem escondido um agradável sentido de humor. Este professor lecciona Bioinformática.
Uma possível definição de Bioinformática pode ser: "Disciplina que consiste na aplicação das ferramenta informáticas, na aquisição, armazenamento, e tratamento estatístico e informático de grandes quantidades de dados de natureza biológica".
O que pretendo partilhar é um exercício, que reflecte o seu sentido de humor:
"Resolve almoçar durante o fim de semana em casa do seu cunhado, uma pessoa conhecida pelo seu gosto culinário duvidoso. Confrontado com um AFNI (alimento funesto não identificado), decide guardar uma amostra. A sequenciação parcial de um gene codificando para RNA ribossomal deu a seguinte sequência: "aagattaagc catgcatgtc tcagtgcaag ccgcattaag gtgaaaccgc gaatggctca ttaaatcagt tatggttcct tagatggtgg acagttactt ggataactgt ggtaattcta". Afinal que comeram?
a) Periplaneta americana (barata)
b) Lumbricus terrestris (lombriga)
c) Homo sapiens (já sabem)
d) Physeter macrocephalus (cachalote)"
Imaginem que se deparam com questões deste tipo a meio do exame. É impossível não esboçar um sorriso.
Nota: Se algum curioso quiser saber a resposta, proceda do seguite modo (o exame é com recurso à internet):
- Dirija-se ao European Bioinformatics Institute (EBI) - http://www.ebi.ac.uk/;
- Clique em Tools, Similarity & Homology, Blast, NCBI-Blast2 nucleotide;
- Escreva: ">seq1", seguido de enter e em baixo coloque a sequência de RNA dada no enunciado;
- Feito isso clique em Run Blast e aguarde o resultado.
Obtém-se a resposta que a alimentação fora à base de Periplaneta americana.

BioLogosNatura

Já saiu mais uma edição do boletim BioLogosNatura! É já o segundo número deste boletim informativo da área da biologia. A equipa de Edição/Redacção está de parabéns pelo trabalho, até porque, na minha opinião, a qualidade tem vindo a aumentar.
Para terem acesso a este boletim, dirijam-se ao blog: http://biologosnatura.blogspot.com/, e no lado direito encontrarão uma secção dirigida ao boletim, com um motor de busca do pluridoc que é onde se encontra esta publicação. O download é gratuito, sendo somente necessária a inscrição no pluridoc.
Neste boletim podem encontrar informação sobre as várias áreas da Biologia, desde o micro ao macro, desde divulgação de actividades até projectos nacionais, desde passeios a fotografias e até uma agenda com sugestões para os próximos meses.
Esta é uma publicação dirigida a biólogos e a não-biólogos. A amantes da Natureza e da Cultura.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Escola de Verão da Universidade Nova de Lisboa

A Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (Av. de Berna) está a organizar pela 3ª vez um conjunto de breves cursos intensivos em Julho e em Setembro, que abrangem uma grande diversidade de temas - desde o conhecimento de Lisboa com visitas à cidade, até à História da vida quotidiana até ao século XVI, passando pelas tendências musicais portuguesas dos Anos 1960-2000. As inscrições são abertas a todas as pessoas interessadas, quer sejam ou não estudantes da Nova, e acabam - para os cursos em Julho - no dia 20 deste mês, permanecendo abertas as inscrições para Setembro até 21 de Agosto. Mesmo aqueles que terminam este ano o Ensino Secundário poderão participar, mediante menção desta situação especial. Para quem está desocupado no Verão, há muitos cursos interessantes para escolher. Para informações completas, ver: http://www.fcsh.unl.pt/escoladeverao/index.htm.

Conhecendo Portugal - Sítio das Fontes II

Eis mais algumas fotografias do local. Agora é possível observar a bela paisagem junto ao rio.
Quando lá voltar (porque quero mesmo lá voltar), tenho de levar o meu guia de identificação de aves. Este é realmente um hotspot para amantes de aves realizarem birdwatching. Aliás, na primeira fotografia observa-se um bando de aves repousando nas calmas águas do rio.
Esta é uma sugestão de visita para estas férias, quem sabe. Vão acompanhados com amigos, com os namorados, com a família ou mesmo sozinhos. Levem o farnel e deliciem-se nas sombras do Parque das Merendas. Levem o fato de banho e ainda podem refrescar-se nas tranquilas águas envolventes da paisagem. Vão ver que vale a pena.