terça-feira, 23 de setembro de 2008

Recordando Soeiro Pereira Gomes - autor de "Esteiros" III

A 20 de Dezembro de 1979, na sessão realizada na Sociedade Nacional de Belas-Artes, relembrando a morte de Pereira Gomes (1949), disse Mário Dionísio: "Não sei, assim, evocar Pereira Gomes, sem evocar também toda uma época: a do surto do movimento neo-realista, movimento que, em lenta gestação desde 1934, no jornal «Liberdade» e noutros, se afirmava a partir de 1936 e 1937 em poemas, contos, crónicas, artigos de teorização e de polémica, e se consolidaria depois de 1939, sobretudo n'«O Diabo» e no «Sol Nascente»" (cit. em Ricciardi, p.58). O aparecimento de periódicos de esquerda foi uma das formas de combate à autoridade exagerada do Estado Novo. Foi uma das formas escolhidas pela intelectualidade portuguesa não só para divulgar estéticas novas, mas também para chamar a atenção para problemas antigos não resolvidos, como os da desigualdade social, da degradação que havia na exploração dos pobres pelos poderosos, do problema dos analfabetos, da pobreza... Pereira Gomes, nesta questão, deu o exemplo literário e deu o exemplo prático, tornando-se num modelo de homem interventivo e completo, que viu e sentiu o que descreveu nos seus contos e romances. Em Alhandra teve uma actividade importante pela integração e qualificação das pessoas: "os cursos de educação física, a construção da piscina no Alhandra Sporting Club, as palestras nas colectividades próximas, a organização de bibliotecas populares, os cursos de alfabetização para crianças e para adultos, os passeios, o campismo, a presença constante e discreta entre os operários da fábrica. E não menos importante, o trabalho pedagógico de convencer a juventude a afastar-se das tabernas e do jogo" (cit. idem, p.59). Da piscina, em particular, diz o próprio Pereira Gomes, em carta de 1938 a um amigo: "Durante três meses trabalhei como uma fera: arranjei dinheiro, dirigi os trabalhos e, tendo gasto apenas umas dezenas de contos, arranjei uma piscina para o club local e um esgotamento físico pra mim. Em todo o caso, produzi e fui útil para a colectividade." (cit. idem, p.60) Haverá talvez ainda alguns idosos que se lembram deste cidadão, que também deu aulas de ginástica à mocidade. E, depois do corpo, o espírito: "Bem-vindas sejam pois as bibliotecas até porque elas são inimigas da taberna. Mas, elas só não bastam, nem mesmo como paliativo, porque de nada servirão aos ignorantes, aos analfabetos. Permiti-me, portanto, que, fundador também de algumas bibliotecas populares - alvitre, [...] a criação de um curso nocturno de instrução primária para os sócios." (cit. idem, p.66) Isto escreveu Soeiro Pereira Gomes num texto duma palestra (Instrução, Desporto e Educação Física). As bibliotecas e os cursos funcionaram em Alhandra depois dos esforços dos cidadãos que apoiaram estas ideias. Baptista Pereira, atleta e campeão de nado alhandrense e, também, o Gineto de Esteiros, disse: "Quem me começou a ensinar a ler foi Soeiro Pereira Gomes, um homem extraordinário que viveu aqui em Alhandra." (cit. idem, p.67) Ainda houve espaço para a representação de revistas, musicadas por Manuela Reis, a inteligente esposa do escritor, que, pelo início dos anos '40 era uma prestigiada colaboradora da Emissora Nacional. Alhandra era assim um local um tanto melhor para se viver. E tudo o que era necessário, ontem como hoje, era vontade, imaginação e altruísmo. Agora que se recordam estes factos guardados pela História, seria bom ver as mais jovens gerações à altura dos seus antepassados.
Soeiro Pereira Gomes - Uma Biografia Literária, Giovanni Ricciardi, Caminho, 1999

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Leitura em Férias IV- "O Melhor dos Meus Erros"

Aproveito o post anterior, já que mencionei a autora Clara Pinto Correia, para destacar mais um livro da sua autoria. Desta vez trata-se de um conjunto de crónicas da altura em que colaborava com a revista Visão.
Após terminada a leitura de “O melhor dos meus erros”, fiquei com a sensação de que mais que ter lido um conjunto de crónicas, li um conjunto de reflexões (algumas profundas) sobre os mais variados temas. Mais do que uma simples e serena leitura, foi também para mim uma reflexão. Devido a opiniões divergentes, pensei e repensei, observando as duas faces da mesma moeda.
Estes “erros” recomendam-se.

Referência:
Clara Pinto Correia, “O melhor dos meus erros”, Oficina do Livro, Lisboa, 2003

Escrever uma Tese em Bom Português

Encontramo-nos no início de um novo ano lectivo. Terminam as férias, os passeios, o descanso e reiniciam-se as aulas, o estudo e os exames. Para alguns começa o estágio e já se preparam para escrever a Tese. É esta a minha deixa para sugestão de dois livros, que podem ser de particular utilidade nesta altura do percurso de formação de todos nós.
O primeiro livro trata, como o próprio título indica, sobre “Como escrever uma tese, monografia ou livro científico usando o Word”, dos autores Alexandre Pereira e Carlos Poupa. Acho este livro sugestivo não só por explicar as normas de redacção de uma tese (poupando trabalho ao orientador), como também por explicar tutorialmente, com recurso a texto e imagens, as várias formatações necessárias em word (notas, referências, índices remissivos, tabelas, figuras, quadros, equações e gráficos).
No entanto, antes de escrever uma tese, é necessário saber escrever. Saber escrever em Português. Esta minha ênfase neste assunto, resulta da chamada de atenção de muitos docentes, inclusivamente a nível universitário, sobre o facto de encontrarem inúmeros erros, sejam eles gramaticais ou ortográficos, tanto em exames como nas próprias teses. Assim, este livro dedica um capítulo à escrita (Capítulo 4 – Escrever correctamente).
Por falar em escrever correctamente, a segunda sugestão é novamente dedicada à escrita de Português, porque nunca é de mais insistir. Desta vez o título indicado é “Complementos Indirectos – Um Guia Prático para uma Escrita Feliz em Português”, da autoria de Clara Pinto Correia. Este livro é o resultado das aulas leccionadas pela docente, no Workshop de Escrita para Biólogos, na Universidade Lusófona. O interesse deste livro passa não só pelas indicações que a autora dá sobre como escrever correctamente em português (pontuação, gramática ou ortografia), como também pelos exercícios que se encontram ao longo da obra.

Nota: Apenas como curiosidade, por coincidência, os três autores são docentes na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias.


Referências:

Alexandre Pereira & Carlos Poupa, “Como escrever uma tese, monografia ou livro científico usando o Word” – 3ª edição - revista, Edições Sílabo, Lisboa, 2006

Clara Pinto Correia, “Complementos Indirectos – Um Guia Prático para uma Escrita Feliz em Português”, Quasi Edições, Vila Nova de Famalicão, 2007

sábado, 13 de setembro de 2008

Homens do Mar em Portugal I - O Cego do Maio





"DOM LUÍS, por Graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, etc.: Tomando em consideração os relevantíssimos e repetidos actos de coragem e de devoção cívica que José Rodrigues Maio, da Póvoa de Varzim, tem praticado, arriscando a vida no salvamento de muitos indivíduos que teriam perecido se não fossem os esforços e verdadeira abnegação de tão benemérito cidadão; e Querendo, por estes respeitos, dar-lhe um público testemunho da Minha Real Munificência: Hei por bem fazer-lhe mercê de o nomear Cavaleiro da Antiga e muito Nobre Ordem da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito." (cit. em Santos Graça, p.43) O Rei Dom Luís I (1838-1889) condecorava em sessão solene no Palácio de Cristal o cidadão poveiro José Rodrigues Maio a 15 de Dezembro de 1881, por actos de heroísmo no mar. José Rodrigues Maio - conhecido como Cego do Maio -, pescador, tinha nascido a 8 de Outubro de 1817 e faleceu a 13 de Novembro de 1884. "Admirável Lobo marinho da praia da Fabita!... Nascera ali, numa modesta casinha, onde sempre viveu e onde a morte o procurou para o levar. Bem frente ao mar, ao abrir o postigo da porta de sua casa, via sempre, lá adiante, entre a penedia trágica do sul da enseada, como dois tigres de fauces hiantes, as fatídicas pedras Mobelhe e Extremundes, para onde a forte corrente da barra arrastava os desgraçados náufragos, perdidos para sempre no redemoinho das vagas, numa luta desesperada de esgotamento. Foi naquela penedia que o Cego do Maio começou a sua faina de pesca." (Santos Graça, pp.43-44) Experimentou-se entre as vagas do mar que, há 130 anos, era terrível dada a falta de segurança nas costas. Dizia Raul Brandão em 1921: "Como morrem [os poveiros] dizia-o, muito melhor do que eu, o velho cemitério da Póvoa, que já não existe. Ia-se passando de túmulo em túmulo e lia-se sempre: - António Libó, morto no mar; Francisco Perneta, morto no mar; José Mouco, morto no mar... De onde a onde havia uma redoma de vidro com alguns ossos brancos e mirrados que tinham dado à costa. E depois, seguiam-se os letreiros - sempre! sempre! - Domingos Reigoiça, morto no mar; Joaquim Monco, morto no mar... Todos eles vivem no mar - e morrem no mar." (Os Pescadores, p.57) O historiador Oliveira Martins protestava: "Não basta que ao peito do Maio se pendure a medalha de honra, nem que se dêem vinte mil réis ao Sérgio: é necessário que na praia da Póvoa se construam molhes de abrigo - exactamente para não haver mais náufragos a salvar, nem mais heróis a enobrecer." (cit. em Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol.15, p.964) Mas enquanto o Estado não se ocupou destas importantes obras públicas, continuou a existir Cego do Maio que fosse temerariamente com a sua pequena embarcação buscar os náufragos às águas perigosas. Uma vez, conta Santos Graça, ao norte da praia da Fabita, uma vaga fez perder um batel. O barco-vigia conseguiu salvar a tripulação, excepto dois homens que as ondas empurravam contra as rochas. O Cego do Maio, que viu tudo isto, teve o arrojo de se meter pelas altas montanhas de água com dois filhos (Manuel e Francisco) aos remos. O barco ora se perdia ora reaparecia. Finalmente, após algum tempo de combate, uma onda desfaz-se furiosamente contra a areia da praia e vêem-se regressar os poveiros com os homens da companha. A multidão que se juntara a ver entra na água e puxa-os com ânimo. De outra vez, a 25 de Janeiro de 1879, de manhã, tinha-se deitado ao mar uma lancha nova com oito tripulantes, apesar de estar um espesso nevoeiro e o mar agitado. Quatro horas depois, deram à praia os remos e a polé e deduziu-se que houvera acidente. O Cego do Maio atravessou o nevoeiro com os dois filhos e conseguiu salvar ainda cinco pessoas, que trazia no seu barco. Outras façanhas como estas tornaram o poveiro célebre, numa época em que os portugueses, pouco governados pelos homens públicos, se iam amparando uns aos outros pelas praias, planícies e serras do País. A falta de algumas condições mínimas devidas ao trabalho quotidianamente inseguro de muitas pessoas, pela qual reclamava Oliveira Martins, permitiu, no entanto, que personalidades fortes como a de José Rodrigues Maio revelassem as boas características do nosso povo. Teve uma morte estranha este poveiro, segundo a versão de Santos Graça, ouvida a Francisco, filho dele. "E contou-me que o regedor Neta, que era contrário à política do Presidente da Câmara, Pereira Azurar, de quem seu pai era grande admirador e a quem devia benefício, lhe fora pedir o seu voto e o dos filhos. Disse-lhe secamente que não! Seu pai encontrava-se a comer uma tigela de papas encostado a um varal. O regedor agastou-se e ameaçou-o, dizendo-lhe que lhe tirava as farroncas. Seu pai, genioso, não se conteve e atirou-lhe com a tigela de papas" (p.115). Duas horas depois, uma mulher veio avisá-los que vinha aí gente prender o poveiro. O Cego do Maio fugiu e esteve escondido presumivelmente uns dias, porque tinha a casa cercada. Era uma vergonha para os poveiros ir preso ou ficar sob os ferros d'El-Rei. Foi nessa altura que se começou a sentir doente e teve que se acamar. A morte de António da Mata, um arrais de barco de pesca e companheiro de trabalhos marítimos, por essa altura, terá sido, segundo a fonte, um grande choque para o Cego do Maio. Delirou durante oito dias e morreu a 13 de Novembro de 1884, com 67 anos.
Fontes:
Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Editorial Enciclopédia Limitada, vol.15, pp.964-965;
Epopeia dos Humildes (Para a História Trágico-Marítima dos Poveiros), A. Santos Graça, Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, 2005, pp.41-47 e 115-116;
Os Pescadores, Raul Brandão, Biblioteca Ulisseia de Autores Portugueses pp.52-57.
A imagem veio do site da Biblioteca Municipal da Póvoa de Varzim: http://ww.cm-pvarzim.pt/biblioteca/.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Aqui há Gato

Não foi por acaso que escolhi as duas obras de Carroll para leitura de férias. De facto, há já uns tempos que congeminava usá-las como preliminares para a leitura de um outro livro, intitulado “A Rainha de Copas”. Esta, é uma obra de divulgação científica escrita por Matt Ridley, autor de “Genoma”.
Este título foi um entre os diversos aconselhados pela docente da disciplina de Estratégias Sexuais. Foi numa das aulas, em que a professora explicava em que é que consistia a hipótese da red queen, que comecei a franzir o sobrolho.
Como em breve se vai entender, o conceito da red queen é baseado num dos contos de Lewis Carroll, e a ideia subjacente a esta personagem é que quando uma espécie evolui, outras espécies que mantêm relações com a espécie inicial terão de acompanhar essa evolução. As relações que refiro podem ser de predação ou parasitismo. Deste modo, se uma presa adquire uma habilidade ao longo da escala de tempo evolutiva para escapar a um predador, este terá de arranjar maneira de acompanhar essa evolução.[1] É por esta razão que também se designa este conceito de corrida ao armamento.
Fazendo uso do livro para melhor me explicar, segue o seguinte excerto:

“Em biologia, este conceito de que todo o progresso é relativo passou a ser conhecido pelo nome de «Rainha de Copas», baseado numa peça de xadrez que a Alice conhece em Through the Looking Glass (Do Outro Lado do Espelho) que corre perpetuamente sem avançar muito porque a paisagem se move com ela [...] Quanto mais depressa o leitor correr, mais o mundo se move consigo e menos o leitor progride.”[2]

E acrescenta-se:

“O significado da Rainha de Copas é que ela corre, mas fica no mesmo lugar. O mundo continua a chegar ao ponto de partida, existe alteração, mas não existe progresso.”[3]

Explicado o conceito da red queen, resta-me apenas explicar o porquê de ter franzido o sobrolho, como acima descrevi. A minha desconfiança não se prende com o conceito em si, mas com a designação. Ou melhor, com a tradução para português da designação. Creio que o leitor mais atento já entendeu onde eu quero chegar, atendendo à explicação dada até agora e recorrendo aos posts anteriores referentes às duas obras de Lewis Carroll. Acontece que a tradução correcta será de Red Queen para Rainha Vermelha, que é a tal peça de xadrez que encontramos em O Outro Lado do Espelho. A Rainha de Copas (Queen of Hearts) é a personagem que é parte integrante de um baralho de cartas, que se encontra em Alice no País das Maravilhas. O mesmo autor, diferentes obras, diferentes personagens.
Não sei se a tradução do conceito deste modo foi intencional ou acidental, mas também não pretendo ajuizar sobre o assunto. Fica feita a chamada da atenção.


Fontes:

Matt Ridley, A Rainha de Copas – O Sexo e a Evolução da Natureza Humana, Gradiva, Lisboa, 2004 – Tradução de Carla Rego

Lewis Carroll, Alice no País das Maravilhas, Abril Controljornal, Biblioteca Visão, Colecção Novis, Linda-a-Velha, Portugal, 2000 – Tradução: Vera Azancot.

Lewis Carroll, Alice do Outro Lado do Espelho, Biblioteca Editores Independentes, Relógio D’Água Editores, 2007 – Tradução: Margarida Vale de Gato

[1] Nota: Quando me refiro a presa e predador, estou a fazê-lo enquanto espécies e não enquanto indivíduos.
[2] Matt Ridley, A Rainha de Copas – O Sexo e a Evolução da Natureza Humana, p.28
[3] Idem, p.75

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Novidades no Direito Marítimo Português II

Continua a faltar em Portugal uma nova lei, possivelmente codificada, que sistematize a matéria relativa ao Direito Marítimo, actualmente "espalhado" em várias normas que, não raro, são dfíceis de conciliar conceptualmente. Também na doutrina portuguesa não há ainda um manual de Direito Marítimo abrangente e actualizado, pelo que as contribuições neste domínio, apesar de ainda insuficientes, vão orientando os juristas que quotidianamente se dedicam aos assuntos marítimos. Neste sentido, foi publicado um novo livro pela Almedina, na Colecção Direito Marítimo e dos Transportes: Da Limitação da Responsabilidade do Transportador na Convenção de Bruxelas de 1924, Hugo Ramos Alves, 2008. Outra editora jurídica, a Quid Juris publicou também um manual: Direito Comercial Marítimo de Luís da Costa Diogo e Rui Januário, 2008. É um livro um tanto abrangente, com breves conceitos, que pode ser um bom guia, mas ainda insuficiente para as grandes exigências quer práticas quer teóricas deste ramo.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Curtas - Eça

Eça de Queirós, um dos maiores vultos da literatura nacional, teve destaque no periódico Get Real. Aí é feita uma breve biografia do escritor, é explicada a sua importância no panorama literário e no contexto da época, terminando com referência a algumas obras da sua autoria.
Não são esquecidas as conferências do casino e a Questão Coimbrã.
As suas obras foram traduzidas para mais de vinte línguas.

O artigo em questão, intitulado Eça de Queirós - Giant of Portuguese Literature, foi escrito por Nuno Mendes e traduzido por Fiona Perris in Get Real, Edition no. 81, August 12, 2008

Leitura em Férias III - "Alice do Outro Lado do Espelho"


Na continuação das aventuras de Alice, segue-se Alice no Outro Lado do Espelho[1], em que a jovem menina decide atravessar para o lado de lá do espelho, após se questionar como seria a vida desse outro lado.
O nonsense literário continua presente neste reino de fantasia. Após atravessar o espelho para outra realidade, a personagem principal vê-se novamente envolvida em situações disparatadas. Se na estória anterior, Alice, desceu para uma toca subterrânea, desta vez a estória passa-se à superfície. Continuam presentes as personagens antropomórficas, mas em vez de estar rodeada de baralhos de cartas humanizados, encontra-se com peças brancas e vermelhas de um jogo de xadrez. O objectivo da menina é jogar o jogo, sendo ela um peão branco, chegar à oitava casa e tornar-se rainha. Para que tal possa acontecer, vai passar por várias peripécias e conhecer novas personagens como Tuidledum e Tuidleduim; o carpinteiro e a morsa, ambos possuidores de um voraz apetite por ostras; Humpty Dumpty, o ovo; o Leão e o Unicórnio; e o cavaleiro branco, com enorme imaginação para invenções. Reaparece a Lebre de Março e o Chapeleiro Maluco, se bem que ambos e Alice parecem não se reconhecer.
Sendo o autor, Lewis Carroll, matemático, aparecem várias referências a essa disciplina, como as inversões, pois no outro lado do espelho tudo se passa ao contrário. As personagens não se recordam apenas do passado, mas também do futuro. Outro fenómeno que ocorre neste mundo de fantasia é que por mais rápido que se corra nunca se abandona o local inicial, pois a terra aí também gira a grande velocidade.
Na minha opinião, este conto, Alice no outro lado do espelho, é mais interessante que o anterior, Alice no País das Maravilhas, pois os diálogos conseguem remeter-nos para reflexões na área da ciência, quase tocando a ficção-científica.
Deixo agora alguns excertos do livro, de modo a entusiasmar a leitura desta esplêndida obra:

« - Bem, na nossa terra – disse Alice, ainda um pouco ofegante, - é costume chegar-se a outro sítio quando corremos muito depressa durante muito tempo como nós fizemos.
- Que terra tão lenta! – exclamou a rainha. – Aqui, como vês, é preciso corrermos o mais depressa possível para ficarmos sempre no mesmo lugar. Se quiseres chegar a outro sítio, tens de correr pelo menos ao dobro desta velocidade!»[2]

Eis a conversa entre Alice e Tuidledim e Tuidledum, quando encontraram o rei vermelho a dormir:
« - Ora, está a sonhar contigo! – exclamou Tuidledim, batendo as palmas de contente. – E para onde pensas que ias se ele deixasse de sonhar contigo?
- Ficava onde estou. – disse Alice, convictamente.
- Não ficavas nada! – replicou Tuidledim num tom de desprezo. – Não ficavas em lado nenhum, porque não passas de um sonho dele!
- Se aquele Rei ali acordasse tu apagavas-te logo... puf!... que nem uma vela! – acrescentou Tuidledum.
[...]
- Bem, não merece a pena falares em acordá-lo, se tu é só um sonho dele – explicou Tuidledum. – Sabes perfeitamente que não és real.»[3]

Diálogo entre Alice e a Rainha Branca:
« - Fraca memória a tua que só funciona às arrecuas. – acusou a Rainha.
- De que espécie de coisas se lembra melhor? – perguntou Alice, um pouco baralhada.
- Oh, das coisas que aconteceram na semana que vem. – respondeu a Rainha, como quem achasse isso normal. [...]»[4]

E que dizer desta conversa que até figurou como flavor text, numa carta antiga, do conhecido jogo Magic, The Gathering:
« Alice não pôde evitar um sorriso, ao dizer:
- Sabes, eu também pensava que os Unicórnios eram monstros fabulosos! Nunca tinha visto um vivo!
- Bem, agora já nos vimos um ao outro – constatou o Unicórnio. – Se acreditares em mim, eu acredito em ti. De acordo?»[5]

Referência: Lewis Carroll, Alice do Outro Lado do Espelho, Biblioteca Editores Independentes, Relógio D’Água Editores, 2007 – Tradução: Margarida Vale de Gato

[1] No original: Through the Looking Glass and What Alice Found There
[2] Lewis Carroll, Alice do Outro lado do Espelho, p.38
[3] Idem, p.61
[4] Ibidem, p.69
[5] Ibidem, p.104

Leitura em Férias II - "Alice no País das Maravilhas"

Num dia quente, junto ao rio, Alice deixa a irmã a ler um livro, enquanto decide seguir um Coelho Branco que havia passado por ela. Alice, a personagem principal deste conto corre, até uma «grande toca» existente debaixo dos arbustos, atrás do estranho coelho que usa um colete e um relógio de algibeira.
A aventura desta pequena menina começa assim que ela desce, interminavelmente, pela longa toca do coelho. Daí em diante, através de bolos, de bebidas, ou ainda através de cogumelos, a rapariga sofre uma série de alterações de tamanho, ora cresce, ora mingua.
É no País das Maravilhas que Alice vai conhecer as outras incomuns personagens, nas mais confusas situações e ter os mais estranhos diálogos. No mar de lágrimas encontra o rato, na corrida eleitoral o Dodo e mais à frente o lagarto Bill. Aparece também a conselheira lagarta azul, sentada num cogumelo, que tranquilamente fuma o seu muito comprido cachimbo de água. À medida que a história se desenrola, a menina conhece a Duquesa, que está sempre a espirrar devido ao excesso de pimenta que a empregada coloca na sopa. Junto ao fogão está um gato que se encontra sempre a rir, o gato de Cheshire, que tornará a aparecer novamente ao longo da história. Na hora da merenda, Alice junta-se ao Chapeleiro Maluco, à Lebre de Março e ao sonolento Arganaz, até à altura em que se dirigirá ao jogo de Croquet. Aí vai conhecer as personagens pertencentes a um baralho de cartas, incluindo a rainha de copas, sempre muito zangada e, a ordenar que se corte a cabeça a quem discorde dela, ou a quem a irrite:
« - Cortem-lhe a cabeça! – berrou a Rainha, o mais alto que pôde.»[1]
A história termina com o despertar da Alice, de um longo sono, e a partilhar com a irmã as suas aventuras oníricas.


Referência: Lewis Carroll, Alice no País das Maravilhas, Abril Controljornal, Biblioteca Visão, Colecção Novis, Linda-a-Velha, Portugal, 2000 – Tradução: Vera Azancot.[2]

[1] Lewis Carroll, Alice no País das Maravilhas, p. 92.
[2] Titulo original: Alice’s Adventures in Wonderland

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Leitura em Férias I – “A Desilusão de Deus”

Finalmente chegaram as férias e com elas algum tempo livre. Tenho agora disponibilidade horária para retomar a leitura de alguns livros que deixara esquecidos no móvel do quarto, como que em função de standby, à espera que uma pequena abertura na minha agenda me permitisse voltar a dirigir-lhes alguma da minha atenção.
Dos vários livros que trouxe comigo, encontro-me neste momento a ler “A Desilusão de Deus”[1], escrito pelo biólogo americano Richard Dawkins. Sendo o autor um ateu assumido, pretende com este livro transmitir a sua opinião sobre a razão pela qual não crê em qualquer tipo de Deus, nem segue nenhuma religião. Para Dawkins, a sua maior inimiga é a superstição, e defende que o ser-humano devia fazer uso da razão e do espírito crítico no seu quotidiano.
Nesta obra encontramos os seguintes capítulos: 1 – Um descrente fervoroso; 2 – A Hipótese Deus; 3 – Argumentos a favor da existência de Deus; 4 – Por que razão é quase certo que Deus não existe; 5 – As raízes da religião; 6 – As raízes da moralidade: porque somos bons?; 7 – O «bom» livro e as mudanças do Zeitgeist moral; 8 – Qual é o mal da religião? Porquê tanta hostilidade?; 9 – Infância, abusos e fuga à religião; 10 – Uma lacuna muito necessária?
Este é um livro sério, e apesar de ser tendencioso (em defesa do ateísmo), o autor consegue não ser fundamentalista ao longo do seu discurso, e na minha opinião isto é de valor:

“Os fundamentalistas sabem aquilo em que acreditam e sabem também que nada os fará mudar de ideia. A citação de Kurt Wise, na página 341, diz tudo: «...se todas as provas do universo acabassem por contrariar o criacionismo, eu seria o primeiro a admiti-lo, mas continuaria a ser criacionista porque é para aí que a Palavra de Deus parece apontar. Daqui não saio.» [...] Por mais apaixonadamente que possa «acreditar» na evolução, o verdadeiro cientista sabe exactamente o que seria necessário para mudar de ideia: provas. Quando perguntaram a J. B. S. Haldane que provas poderiam contradizer a evolução, este respondeu: «Fósseis de coelho no Pré-Câmbrico.» Permita-se-me que crie também a minha própria versão simétrica do manifesto de Kurt Wise: «Se todas as provas do universo se revelassem a favor do criacionismo, eu seria o primeiro a admiti-lo e imediatamente mudaria de ideia. Contudo, da maneira como as coisas estão, toda a evidência disponível (e ela é abundante) dá razão à evolução. [...]»”[2]

Este livro deve ter tido ainda mais impacto nos Estados Unidos da América, onde se vive um enorme fanatismo religioso (na minha opinião quase doentio em alguns casos), para além dos lobbies que as diversas religiões têm junto dos governantes. Escusado será dizer que nesse contexto social os ateus não são muito bem vistos, naquela que se esperaria ser a nação da liberdade de expressão e da tolerância:

“Hoje em dia, o estatuto dos ateus nos Estados Unidos está ao mesmo nível do dos homossexuais há 50 anos. Agora, depois do movimento do Orgulho Gay, é possível, embora ainda não muito fácil, um homossexual ser eleito para desempenhar cargos públicos. Numa sondagem levada a cabo em 1999 pela Gallup, perguntava-se aos Americanos se votariam numa pessoa bem habilitada e que fosse mulher (95% de respostas afirmativas), católica (94%), judia (92%), negra (92%), mórmon (79%), homossexual (79%), ou ateia (49%). É óbvio que há ainda um longo caminho a percorrer, mas os ateus são bastante mais numerosos, sobretudo entre a elite mais instruída, do que muitos possam pensar.”[3]

Então e o que dizer da resposta de George Bush-pai a um jornalista, quando questionado sobre “se reconhecia como iguais o patriotismo e a cidadania dos americanos ateus: «Não, não acho que os ateus devam ser considerados cidadãos, nem que devam ser considerados patriotas. Esta é uma só nação, sob a protecção de Deus.»”[4]

Ainda na mesma página ficamos a conhecer uma história no mínimo caricata, que aconteceu com o professor David Mills:

“Um desses curandeiros que dizem curar pela fé, um cristão que dirigia uma «cruzada milagreira», ia à cidade natal de Mills uma vez por ano. Entre outras coisas, instigava os diabéticos a deitarem fora a insulina e as pessoas que sofriam de cancro a desistirem da quimioterapia, incentivando-as, em vez disso, a rezar por um milagre. Num gesto sensato, Mills decidiu organizar uma manifestação pacífica para avisar as pessoas. Contudo, cometeu o erro de ir à polícia informar os agentes da sua intenção e pedir protecção policial para o caso de possíveis ataques por parte dos apoiantes do curandeiro. O primeiro agente com quem falou perguntou: «É pa’ se manifestar a favor ó contra?» (querendo dizer a favor do curandeiro ou contra ele). Quando Mills respondeu «contra», o agente disse que ele próprio estava a pensar ir à concentração e que fazia tenções de cuspir na cara de Mills quando este passasse à sua frente.”[5]

Mills continuou a tentar contactar a polícia, mas teve sempre como resposta ameaças ou de prisão ou de violência física.


Num país em que há inúmeras religiões, e em que todas pregam uma moral de compreensão, tolerância, amor ou perdão, deparamo-nos com situações destas. Será esta a virtude religiosa que os americanos pretendem seguir?





Nota: A propósito de se falar em curas através da oração, Dawkins refere os estudos científicos realizados sob essa temática nas páginas 90 até 95. É de interesse conhecer como esses estudos foram feitos e a que conclusões chegaram.

[1] Richard Dawkins; “A Desilusão de Deus” – 3ª edição, Casa das Letras, Cruz Quebrada, 2007.
Na versão original tem o título “The God Delusion”.
[2] Richard Dawkins, “A Desilusão de Deus”, p. 29
[3] Idem, p. 17
[4] Ibidem, p.70
[5] Idem

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Recordando Afonso de Albuquerque

Terminei a minha leitura da obra intitulada Afonso de Albuquerque – O Leão dos Mares da Ásia, da historiadora Geneviève Bouchoun. Apesar da existência de várias biografias de Afonso de Albuquerque (1460-1515) em língua portuguesa, estas já se encontravam desactualizadas “devido aos notáveis progressos que a investigação no domínio específico da história indo-portuguesa tem conhecido nos últimos vinte anos”[1]. Além disso, como a autora referiu no prólogo, não existia nenhuma biografia em língua francesa consagrada a Afonso de Albuquerque.
Até à leitura desta obra, o que eu conhecia deste português resumia-se ao que aprendera na escola e em alguns programas de divulgação históricos. Esta obra contribuiu para o preenchimento dessa lacuna no meu conhecimento. Assim, fiquei a conhecer quem foi este Afonso de Albuquerque que havia prestado serviços à coroa e como recompensa recebera o posto de capitão-mor de uma frota da Índia. Para aí foi enviado com uma missão, de tornar-se Governador, trabalhar no sentido do projecto imperial manuelino, implantando o cristianismo por onde passasse.
Neste livro encontrei inúmeras descrições das batalhas realizadas por este bravo lusitano, dos sucessos e insucessos que daí resultaram, e de como fundou feitorias e cidades. A sua personalidade deveu-se à sua educação por pertencer a uma das mais nobres famílias do reino, ter adquirido treino de cavalaria e seguido carreira de armas e ter ouvido os feitos épicos de Alexandre e César. Também não faltam referências às intrigas vividas entre os líderes vizinhos dos vários territórios colonizados, assim como as existentes entre os próprios homens de Afonso. Entre guerras, intrigas e outros tantos dissabores, não foi fácil levar avante o projecto estipulado. Mas Afonso não era homem de desistir e até à sua morte continuou a zelar pela sua missão:

“Quando, por sua vez, foi atingido em Agosto, tratou o seu mal com desprezo, e quando obrigado a recolher à câmara durante onze dias seguidos, os trabalhos afrouxaram. Então, mandou levar a cama para junto de uma janela baixa, que dava para as obras, e daí continuou a dar ânimo aos homens.”[2]

Actualmente tem-se falado que é necessário que os Portugueses se tornem mais empreendedores, recordando a época em que o nosso povo se questionou sobre o que haveria para lá do Oceano e se lançou ao mar em grandes navios. É verdade que fomos pioneiros dos descobrimentos, mas na minha opinião, tão mais prioritário que ousar ou arriscar, é estar pronto em qualquer altura para arregaçar as mangas e trabalhar:

“O rei de Cochim vinha frequentemente observar os progressos da fortaleza. Maravilhava-se com a diligência dos Portugueses, mas não deixavam de o escandalizar esses «homens-faz-tudo» (como dizia), que participavam, todos, activamente nas obras, sem preocupação de hierarquia ou especialização.”[3]

Que nós, Portugueses contemporâneos, caminhemos em frente, tendo como modelo este valente lusitano renascentista, e que consigamos também nós fazer singrar os nossos projectos, ousando e lutando perante as adversidades que possamos encontrar.


[1] Bouchon, G., Afonso de Albuquerque – O Leão dos Mares da Ásia, 2ª edição, Quetzal Editores, Lisboa, 2000, p. 14 – Tradução de Isabel de Faria e Albuquerque
[2] Idem – p. 300
[3] Ibidem – p.65

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Jules Verne - Obras pouco divulgadas I


Jules Verne (1828-1905), ou Júlio Verne em português, foi um escritor francês considerado por críticos como o precursor do género de ficção científica. De facto, conseguiu prever nos seus livros avanços científicos como o submarino ou viagens à lua.
Quando se fala nas obras de Jules Verne, há sempre umas quantas que nos vêm à memória: Viagem ao Centro da Terra, Volta ao Mundo em 80 dias, Vinte Mil Léguas Submarinas, Da Terra à Lua ou A Ilha Misteriosa. No entanto, muitas outras são as obras escritas por Jules Verne e que apesar de tão boas ou melhores que as anteriores, nem por isso são tão divulgadas. Tenciono, pois, falar de algumas destas obras, e hoje debruçar-me-ei sobre o livro intitulado Clovis Dardentor.
Neste livro ficamos a conhecer as personagens Marçal e João que embarcam numa viagem de barco (o Argèlès) para Oran, Argélia, com o intuito de se alistarem no 5º Regimento. É durante a viagem que travam conhecimento com as outras personagens como a desagradável família Desirandelle, o imensamente misterioso Eustáquio Oriental e Clovis Dardentor, personagem em torno da qual se desenvolve o enredo.
Sendo Dardentor um abastado industrial sem herdeiros, Marçal e João tentam colocar em acção um elaborado plano para conquistarem algum do dinheiro ao recente amigo. O plano engendrado consiste em salvar Dardentor de um perigo de vida real, e se tal acontecer, diz a lei que Dardentor terá de adoptar os seus salvadores. Mas tal como acontece no mundo real a vida é irónica, dá muitas voltas e nem tudo se desenvolve como planeado. O mesmo acontece neste magnífico enredo que tenta equilibrar as derrotas e as quase-vitórias de Marçal e João.
Qualquer tentativa de desvendar o final à medida que se vai lendo o livro é inglória, pois o final é surpreendente e ficamos a conhecer a verdade sobre quem é na verdade o Eustáquio Oriental.
Esta magna obra é constituída de aventura, acção, romance e humor. Sem dúvida, um dos melhores livros que li até hoje.

“Marçal Lornans e João Taconnat eram primos co-irmãos por parte de suas mães, que eram irmãs. Parisienses de nascimento, órfãos de pai desde muito pequenos, tinham sido educados com grandes dificuldades de dinheiro. [...] Muito unidos, como se fossem dois irmãos, tinham um pelo outro a mais profunda afeição, uma amizade que coisa nenhuma seria capaz de quebrar, embora entre os dois existisse uma extraordinária divergência de caracteres.” (1)

(1) Verne, Jules; Clovis Dardentor, Colecção Júlio Verne, Livraria Bertrand, Lisboa, 1979 (p. 26).

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Cruzeiro Observação de Aves

Hoje ao caminhar no Parque das Nações reparei numa nova actividade da qual podemos usufruir, sendo esta não apenas de lazer, mas também de relevância cultural. Refiro-me a um Cruzeiro de Observação de Aves do estuário do Tejo.

Diz o folheto o seguinte:

"Embarque no Varino "Castro Júnior" até à Aldeia Palafita dos avieiros da Póvoa de Stª Iria e observe os flamingos, colhereiros e muitas outras aves do estuário do Tejo."

Horário:

Terça a Sexta - 15H
Sábado / Domingo - 11H e 15H

Duração:

Cerca de 3 horas

Preçário:

Adulto - 21€
Crianças - Grátis
Estudantes, séniores, Grupos (+ de 4) e cliente fidelizado - 14€

Como lá chegar? É fácil. Saiam do Centro Comercial Vasco da Gama em direcção ao rio Tejo e é sempre em frente até ao rio.

NaturaObserva

A Cascais Natura - Agência Municipal de Ambiente, promove um programa de voluntariado jovem (entre os 16 e 30 anos) na área do ambiente e da preservação da natureza, designado de NaturaObserva.
Existem seis projectos do NaturaObserva 2008 a funcionar num regime quinzenal de 16 de Julho a 30 de Setembro de 2008:
Projecto Germina (banco genético vegetal autóctone): montagem de um viveiro florestal para propagação de plantas de espécies arbóreas e arbustivas distintas autóctones no PNSC (1); identificação e referenciação de núcleos de vegetação autóctone com interesse de conservação; recolha de sementes e bolotas desses exemplares.
Projecto Guarda-Rios (vigilância de ribeiras): monotorização e caracterização da vegetação ao longo dos cursos de água e suas margens; análise de qualidade de água e solo.
Projecto Javali (trabalhos florestais): controlo de espécies invasoras; desramação em árvores resinosas; podas de formação em árvores folhosas; rega de árvores.
Projecto Gaio (Vigilância da floresta): apoio na vigilância aos incêndios florestais com percursos de BTT em áreas sensíveis do PNSC; observação e registo de avifauna; informação e sensibilização ambiental aos visitantes do PNSC.
Projecto Raposa (pequenas e grandes rotas): instalação de sinalética em locais de interesse biológico, geológico e/ou arquitectónico; manutenção dos percursos pedestres e cicláveis do PNSC; detecção de inconformidades.
Projecto Coruja (recuperação do património arquitectónico): trabalhos de limpeza e desmatação; desenho etnográfico; levantamento fotográfico das estruturas; pesquisa arqueológica.
Mais informações em: http://www.cascaisnatura.org/
Fonte: Caderno de divulgação ObservaNatura - Voluntariado jovem, monitirização ambiental, preservação da natureza.
(1) PNSC - Parque Natural Sintra-Cascais

quarta-feira, 9 de julho de 2008