segunda-feira, 23 de março de 2009

Sobre Evolução – V – Algumas questões

A evolução do Homem

Imagem retirada do site: http://pt.heroeswiki.com/Imagem:Evolution.jpg


Para quem está a observar esta imagem e pensa que representa a evolução humana, então deverá ler o texto que se segue. Esta é uma imagem que induz as pessoas em erro, por várias razões. Olhando para a figura, parece-nos que: 1) A evolução é linear; 2) O Homem evoluiu do macaco; 3) uma espécie de hominídeo extinguiu-se para dar origem à espécie seguinte, e assim sucessivamente.
Estes conceitos (ou preconceitos?) estão errados, como passo a explicar: 1) A evolução não se processa de um modo linear nem progressivo, mas de um modo ramificado, devido a variações aleatórias sujeitas à acção da selecção natural; 2) O Homem não evoluiu nem do macaco nem do chimpazé actual, o que acontece é que o Homem tem um ancestral comum com o chimpazé actual há cerca de 7 Milhões de anos atrás, período aproximado em que iniciou-se a divergência das espécies; 3) Os hominídeos não se extinguiram para dar lugar aos seguintes, na realidade, alguns deles coexistiram ao mesmo tempo e até no mesmo lugar (exemplo do Homo sapiens que quando chegou à Europa encontrou o Homo neandertalensis). Em baixo vê-se uma secção da evolução humana em forma de árvore, tal como se encontra actualmente em exibição na exposição “A evolução de Darwin”, na Fundação Calouste Gulbenkian.


Imagem retirada do site: http://diario.iol.pt/multimedia/oratvi/multimedia/imagem/id/13111422/

Pode ver-se a evolução a ocorrer?
Sim, de facto pode-se. Para exemplificar, recorro ao exemplo das borboletas britânicas, conforme estudado por Haldane e ilustrado nos manuais escolares. Inicialmente uma espécie de borboletas apresentava duas características: umas tinham asas claras e outras asas escuras. As borboletas pousavam frequentemente nos troncos claros das árvores, cobertos de líquenes. As de asas claras estavam favorecidas, pois ficavam como que camufladas no fundo claro. De modo contrário, as de asas escuras ficavam mais expostas, servindo de alimento a aves que se alimentavam destes insectos e, portanto, existiam em menor número.
Quando se deu a revolução industrial, construíram-se fábricas que ao libertar fumos mataram os líquenes e escureceram os troncos das árvores, levando a que as borboletas de asas escuras passassem a estar favorecidas, logo viviam mais tempo, podendo deixar mais descendência com as mesmas características vantajosas, enquanto que as de asas claras passaram a estar mais expostas e tornaram-se elas alimento para os predadores. Com o passar do tempo, após várias gerações, aumentou o número de borboletas de asas escuras e diminuiu o número de borboletas de asas claras.
Com as novas regras para combater a poluição, as fábricas poluem menos e os líquenes voltam a desenvolver-se. Actualmente as brancas voltaram a ficar favorecidas, verificando-se novamente um aumento do seu número. Isto é a evolução a ocorrer.


Outro exemplo: A resistência de bactérias a antibióticos.
Quando somos infectados por bactérias o médico informa-nos que devemos tomar determinado antibiótico do início ao fim do tratamento, de modo a eliminar todas as bactérias. Acontece que, por vezes, os pacientes deixam de tomar os antibióticos quando se sentem melhor, apesar de toda a sensibilização realizada por médicos, farmacêuticos e pelos media. Aquando da infecção as bactérias penetram no organismo e replicam-se e, como têm um elevado índice de mutação, podem adquirir resistência a determinado antibiótico. Ao interromper o tratamento, as bactérias resistentes permanecem no organismo (sendo a resistência ao antibiótico é uma característica vantajosa), multiplicam-se e, após várias gerações, temos um grande número de bactérias resistentes ao antibiótico. Quando nos sentirmos novamente doentes e tomarmos o dito antibiótico já ele não tem efeito, sendo necessária uma nova consulta médica para receitar, possivelmente, um outro antibiótico.


Então, em que casos podemos ver a evolução a ocorrer? Podemos ver a evolução a ter lugar em organismos com ciclo de vida curto (quando comparado com o nosso) para podermos acompanhar as várias gerações.

Sobre Evolução – IV – Darwin

Conhece Darwin?[1]
Charles Robert Darwin nasce em Shrewsbery em Fevereiro de 1809, filho de Robert Waring Darwin (médico) e Susannah Wedgwood. A sua mãe falece quando ele tem oito anos, tendo sido criado pelas suas três irmãs mais velhas. Neto de Erasmus Darwin, poeta, médico e um dos primeiros pensadores evolutivos e também do ceramista Josiah Wedgwood. Ambos contribuíram grandemente para a revolução industrial e florescimento intelectual do século XVIII. É assim «criado numa atmosfera familiar intelectual e científica e onde a liberdade de pensamento era cultivada.»[2]
Em Janeiro de 1839 casa-se com a sua prima e amiga de infância Emma Wedgwood, com quem tem diversos filhos: William, Anne, Henrietta, George, Elizabeth, Francis, Leonard, Horace e Charles.
Sobre a Origem das Espécies através da Selecção Natural, ou a Preservação das Raças Favorecidas na Luta pela Vida, da autoria de Charles Darwin, é publicado numa quinta-feira, dia 24 de Novembro de 1859, em Londres. Pela altura da morte de Darwin haviam sido publicadas seis edições desta obra, com ligeiras alterações, sendo que a expressão sobejamente conhecida «sobrevivência do mais apto» só aparece, pela primeira vez, na 5ª edição (1869).
Darwin morre em 1882, com 73 anos, tendo sido sepultado na abadia de Westminster, em Londres.
Sobre a Evolução pela Selecção Natural
Darwin afasta-se de Erasmus e Lamark, porque, ao contrário deles, não acredita que as modificações levem necessariamente a uma progressão, ou a “uma luta interior pela perfeição”. Na realidade, as modificações sofridas pelos organismos revelam-se de uma forma aleatória. “Um organismo bem adaptado pode ser extraordinariamente simples. Um insecto era tão maravilhosamente adaptado como um homem.”[3]
Creio que o livro “Evolução a Duas Vozes”[4], na parte escrita pela Doutora Teresa Avelar, resume muito bem o essencial do mecanismo evolutivo proposto por Darwin, isto é, Evolução pela Selecção Natural.
Podemos resumir este mecanismo a quatro pontos chave, como se segue:

- Variabilidade
- Crescimento populacional + recursos finitos à “luta pela existência”
- Algumas variações são vantajosas
- Sobrevivência de indivíduos e procriação

Assim, dentro de uma população de determinada espécie existe variabilidade intraespecífica, o que significa que os indivíduos são diferentes. Com o passar do tempo, o número de indivíduos dessa população ultrapassará os recursos disponíveis, originando uma “luta pela existência”. Devido às diferenças entre indivíduos, alguns terão características mais vantajosas, o que lhes permitirá sobreviver durante mais tempo, e por conseguinte, deixar mais descendência com essas mesmas características, em que também elas terão maior capacidade de sobrevivência e reprodução. Após várias gerações, em que os mais aptos se reproduzem mais dos que os menos aptos, verifica-se uma alteração lenta e gradual das espécies, ou seja, evolução.
Neo-Darwinismo
O mecanismo de selecção natural implica uma acção lenta sobre pequenas diferenças hereditárias entre indivíduos. No entanto, o que os geneticistas observam em laboratório são mutações e consequentemente uma evolução por saltos, e não gradual.
Foi necessário que vários cientistas se reunissem para que cada um, de acordo com a sua especialidade, pudesse explicar esta aparente divergência.
Deste modo, Ronald A. Fisher (1890-1962), com o seu livro The genetical theory of natural selection, demonstra a compatibilidade entre a genética mendeliana e a evolução por selecção natural, ou seja, com recurso a matemática, prova que o gene é fundamental para que a selecção natural possa actuar.
John Burdon Saunderson Haldane (1889-1988) coloca em prática o modelo da genética de populações de Fisher, realizando casos de estudo sobre alterações genéticas em populações naturais. Haldane é o responsável pelo exemplo da evolução da cor das asas das borboletas britânicas, frequentemente ilustradas nos manuais escolares (ver mais à frente).
Sewall Wright (1892-1964), tendo trabalhado no departamento de agricultura da América do Norte, apercebe-se que a variação genética não se distribui de modo uniforme pelas diferentes populações da mesma espécie. Deste modo, cada população de uma dada espécie terá uma distribuição genética própria. Assim, Wright propõe o modelo da Deriva Genética. Uma pequena população isolada fica impedida de reproduzir-se com indivíduos de outras populações, levando à fixação de uma composição genética particular (exemplo de uma ilha colonizada por um reduzido número de indivíduos de dada espécie).
O naturalista e geneticista russo, Theodosius Dobzansky (1900-1975), publica a obra que é considerada a fundação da Síntese Evolutiva Moderna, Genetics and the Origin of Species, em que inclui explicitamente a genética na teoria da evolução por selecção natural, reconciliando a matemática e genética com a selecção natural.
O zoólogo alemão, Ernst Mayr (1904-2005), explica que duas populações evoluindo de forma independente podem acumular variações genéticas que impossibilitam a reprodução, levando a um processo de especiação. Mayr define assim, portanto, geneticamente o conceito de espécie.
O paleontólogo Geoge Gaylord Simpson, estudando o registo fóssil com recurso a análise estatística, demonstra a compatibilidade dos elementos fósseis com a teoria evolutiva. Também o geneticista de plantas, G. Ledyard Stebbins, dá o seu contributo para a extensão da síntese moderna à botânica, publicando o livro Variation and Evolution in Plants (1950).

[1] De um modo exageradamente sintético, colocarei apenas o principal. Para saber mais sobre a vida deste naturalista e a sua principal obra, recomendo vivamente: Janet Browne, A Origem das Espécies de Charles Darwin, Gradiva, Lisboa, 2008 – tradução: Ana Falcão Bastos e Cláudia Brito.
[2] Janet Browne, A Origem das Espécies de Charles Darwin, Gradiva, Lisboa, 2008 – tradução: Ana Falcão Bastos e Cláudia Brito, pp. 19-20
[3] Idem, p.88
[4] Teresa Avelar, Padre Carreira das Neves, Evolução a duas vozes, Bertrand Editora, 2009

Sobre Evolução – III– Lamarck

Sobre Lamarck
Já antes de Charles Darwin, vários pensadores especulavam sobre a transformação das espécies ao longo do tempo. Exemplo disso, foi o seu próprio avô, o médico inglês Erasmus Darwin, ou o naturalista francês Jean-Baptiste Pierre Antoine de Monet, Cavaleiro de Lamarck (1744-1829), o qual vamos procurar conhecer.
Lamarck foi discípulo de Buffon no Jardin du Roi de Paris, dedicando-se inicialmente ao estudo de plantas, viria posteriormente a surgir a obra “Flore de France”. Posteriormente, estudou as conchas fossilizadas de invertebrados marinhos extintos, concluindo que as espécies deveriam transformar-se ao longo do tempo.
Sobre o “Lamarckismo”
Lamarck foi o primeiro a propor um interessante mecanismo para explicar a evolução em animais, na sua obra “Philosophie Zoologique” (1809), enunciando dois princípios: “Lei do uso e do desuso” e “Hereditariedade das Características adquiridas”.
O exemplo mais conhecido deste mecanismo, que aparece nos manuais escolares, é o da evolução da girafa. Imagine-se que uma girafa, de pescoço não muito alto, necessita esticar o dito pescoço para chegar à copa das árvores de modo a conseguir alimentar-se das folhas. Pela “lei do uso e do desuso” sabemos que quanto mais exercitarmos um determinado órgão mais ele se desenvolve, e, se pelo contrário não o usarmos ele atrofia-se. Deste modo, a girafa ao fazer uso do seu pescoço irá desenvolvê-lo, e, quando se reproduzir, passará estas alterações à descendência, de acordo com a “Hereditariedade das características adquiridas”. Se as girafas repetirem este processo ao longo de várias gerações, teremos girafas de pescoço cada vez mais alto.
Críticas ao sistema proposto por Lamarck
Até poderíamos pensar que este mecanismo é capaz de explicar o processo evolutivo, mas na realidade isto não se verifica na prática, principalmente atendendo à transmissão das características adquiridas, pela qual Lamarck é conhecido.
É na transição do século XIX para o XX que August Weismann (1834-1914) refuta esta ideia de que as transformações resultantes do uso e desuso de determinado órgão podem ser herdadas pelos descendentes. Utilizando milhares de ratinhos, corta-lhes a cauda e espera que se reproduzam. Se as ideias de Lamarck estiverem correctas, espera-se que as crias não tenham cauda. Observando os descendentes das várias gerações seguintes, Weismann constata que todos têm cauda, concluindo que a hereditariedade das características adquiridas, de facto, não se verifica na prática.
Então Weismann postula que são só as células sexuais (gâmetas), e não as somáticas (do corpo), que contêm a informação que passa para a geração seguinte.

Sobre Evolução – II – Nota Introdutória

Neste ano de 2009, em que se celebram os 200 anos do nascimento de Charles Darwin e os 150 anos da publicação da sua mais importante obra “A Origem das Espécies”, os autores deste blog comprometeram-se a divulgar informação sobre esta temática. Para além da literatura já sugerida, parece-nos importante aprofundar esta importante área de estudo que é a evolução.
Decidi, inicialmente, abordar o mecanismo de evolução proposto por Lamarck e analisá-lo. De seguida, explicarei a Teoria da Evolução pelo mecanismo de Selecção Natural, tal como proposto por Darwin e, subsequentemente, debruçar-me-ei sobre o Neo-Darwinismo. Por último, parece-me interessante discorrer sobre algumas das questões levantadas aquando da abordagem deste importante tema, que é a evolução.
Seguem-se, então, os posts sobre os assuntos acima mencionados.

terça-feira, 17 de março de 2009

Escola de Verão da UNL

Já estão anunciados os cursos de verão que a Universidade Nova de Lisboa proporciona àqueles que quiserem aproveitar uma parte das férias para aprender algo novo. A participação é livre, ou seja, não depende de apresentação de certificado ou candidatura prévia. Cada curso tem a duração de 18/20 horas e dá direito a certificado de frequência. Quem quiser poderá ser avaliado e, desse modo, conseguir créditos ECTS. Para informações mais detalhadas, ver: http://verao.fcsh.unl.pt/.

terça-feira, 10 de março de 2009

Significados II - Mariola


A palavra “mariola”, substantivo masculino, serve comummente para qualificar aquele que não tem um bom comportamento social. “Pessoa de sentimentos vis; biltre; patife”, diz o Dicionário da Língua Portuguesa[1]. “Malandro”, “brejeiro, atrevido com as mulheres”[2], acrescenta o Grande Dicionário da Língua Portuguesa[3]. Este vocábulo, a cair actualmente em desuso, tem ainda outro significado, desta feita profissional, e ambos os dicionários começam até por ele. Mariola é um antigo moço de fretes que se encarregava de tarefas pesadas. Já no século XVI, diz o misterioso Frei Pantaleão de Aveiro (Itinerario da Terra Santa e suas particularidades): “chegando ao ribeiro... cortaram uma parra com seu cacho, a qual levaram dois homens em uma canga à mariola”[4], ou seja, a “pau e corda”[5]. Aliás, segundo o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, o mais antigo sentido da palavra é este mesmo: “carregador, moço de fretes”[6], significado então (séc. XVI) bem conhecido e porventura usado desde muito antes, já que a oralidade precede a escrita. Sugere-se assim, “com reservas”, que seja um italianismo. De facto o vocábulo é documentado também em italiano desde o século XVI[7]. O sentido pejorativo parece ser posterior. António de Morais Silva (1755-1824) não fala dele ainda em 1813 (2ª ed. do Dicionário da Língua Portuguesa), mas aparece em 1871-74, no Grande Dicionário Português ou Tesouro da Língua Portuguesa, do Dr. Frei Domingos Vieira[8]. Enquanto profissão, temos uma gravura de um mariola, aqui reproduzida, de uma obra cuja primeira edição é de 1809: Coleçaõ de Estampas Intitulada Ruas de Lisboa. Na reedição da Inapa (a partir da edição de 1826), diz M. Graça Garcia: “O «Mariola», cuja conduta poderá ter dado ocasião a juízos pouco favoráveis por parte da população, dado o sentido que o termo hoje apresenta, encarregava-se sobretudo de transportes pesados: mercadorias das zonas portuárias, mobiliário nas mudanças de residência, etc. O seu equipamento era constituído por um saco para objectos de menores dimensões, uma espécie de pequena almofada semicircular tecida de cordas, um pau comprido e resistente e uma longa corda. O «Moço de Fretes» ocupava-se geralmente de trabalhos mais leves, apresentando apenas uma corda para facilitar os transportes, encarregando-se também de transmitir recados e missivas. Os «mariolas» e moços de fretes colocavam-se em locais estratégicos, às esquinas, ou em grupos no Rossio e no Terreiro do Paço, à espera de fregueses.”[9]


Notas:
[1] Dicionário da Língua Portuguesa, 5ªed., Porto Editora, s.d., p.915.
[2] Estas duas limitadas ao Alentejo.
[3] Grande Dicionário de Língua Portuguesa, José Pedro Machado (coord.), vol.VII, Sociedade de Língua Portuguesa, 1989, p.58.
[4] Cap. 57, cit. em Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol. 16, Editorial Enciclopédia Limitada, p.369.
[5] Ibidem.
[6] Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, José Pedro Machado, vol.4, 4ªed., Livros Horizonte, Lisboa, 1989, p.66.
[7] Dizionario Etimologico Italiano, C. Battisti, G. Alessio, G. Barbera Editore, 1950-57, cit. ibidem.
[8] Ibidem.
[9] Ruas de Lisboa (1826), Inapa, 1994 (do Prefácio). A imagem é provavelmente da autoria de Manuel da Silva Godinho (c.1751-18??).

segunda-feira, 9 de março de 2009

I Curso Livre sobre História das Ciências da Saúde

Aproveito por fazer a seguinte divulgação:
"I Curso Livre sobre História das Ciências da Saúde:
Corpo, Saúde e Práticas Médicas ao longo dos séculos.
Organização: Centro de História da Universidade de Lisboa (CHUL) e Centro de Estudos de História e Filosofia da Ciência (CEHFCi)
Coordenação: Ana Maria S. A. Rodrigues (FLUL, CHUL) e José Pedro Sousa Dias (FFUL, CEFHCi)
Horário: 18h00-20h00 (Sessões de 2h00, com 1h30 de exposição e 30mn de discussão)
Calendário: De 14 de Abril a 30 de Junho (12 sessões às 3ªs feiras)
PROGRAMA
14 Abril – Cristina Pimentel (FLUL), Práticas médicas, superstições e mezinhas na Antiguidade romana
21 Abril – Luís Manuel de Araújo (FLUL), Saúde e bem-estar no antigo Egipto
28 Abril – Filomena Barros (U. Évora), Corpo, medicina e saúde pública no Islão clássico (sécs. VIII-XII)
5 Maio – Ana Maria Rodrigues (FLUL), Os receituários medievais, entre magia e ciência
12 Maio – Francisco Contente Domingues (FLUL), Nos Navios dos Descobrimentos: salubridade, alimentação e saúde
19 Maio – Laurinda Abreu (U. Évora), Políticas de caridade, assistência e saúde no Portugal Moderno
26 Maio – Cristiana Bastos (ICS-UL), Medicina e Império: biopoder colonial, doenças, feiticeiros, sangue e vampiros
2 Junho – Madalena Esperança Pina (UNL-FCM), Azulejaria e Medicina – Dos quatro elementos primordiais à decoração hospitalar.
9 Junho – Clara Pinto Correia (U. Lusófona), A Biologia do Demónio
16 Junho – Ricardo Lopes Coelho (FCUL), Os «Physicos» da Física (1842-1851)
23 Junho – Teresa Avelar (U. Lusófona), Medicina Darwiniana ou Porque é que a evolução é importante para a nossa saúde
30 Junho – José Pedro Sousa Dias (FFUL), A Introdução da medicina laboratorial em Portugal"

Conferência sobre Darwin - Olivia Judson

Vai decorrer mais uma conferência sobre Evolução, que terá lugar na Fundação Calouste Gulbenkian, Av. de Berna, no auditório 2, às 18horas do dia 11 de Março de 2009.
A palestra será proferida pela Doutora Olivia Judson, do Imperial College, UK, e terá como título "Glad to have evolved" - (Ainda bem que evoluímos).
Apesar da comunicação ser em inglês terá tradução simultânea.
Videodifusão - http://live.fccn.pt/fcg

quarta-feira, 4 de março de 2009

Sobre Evolução

Em 2009, celebram-se os 200 anos do nascimento de Charles Darwin, e os 150 anos da publicação da sua obra mais emblemática, “A Origem das Espécies”.
O armariumlibri, como prometido em posts anteriores, actualizou a sua lista de sugestões de leitura sobre o tema da EVOLUÇÃO.

Livros técnicos:

D. J. Futuyma, Evolutionary Biology, Sunderland, Massachusetts, Sinauer

Divulgação:

Augusta Gaspar (Coordenação), Clara Pinto Correia (Prefácio), Teresa Avelar, Frederico Almada, Augusta Gaspar, Octávio Mateus (Colaboração), Evolução e Criacionismo – Uma relação impossível, Edições Quasi, 2007

Janet Browne, A Origem das Espécies de Charles Darwin, Gradiva, 2008 – Tradução: Ana Falcão Bastos e Cláudia Brito, Revisão Científica: Filipa Vala


Matt Ridley, A Rainha de Copas, Gradiva, «Ciência Aberta», 2004 – Tradução: Carla Rego


Richard Dawkins, O Relojoeiro Cego, Gradiva, «Ciência Aberta», 2007

Teresa Avelar, Padre Carreira das Neves, Evolução a duas vozes, Bertrand Editora, 2009

Teresa Avelar, Margarida Matos, Carla Rego, Quem tem medo de Charles Darwin?, Relógio D’Água, 2004


Fontes:

Charles Darwin, A Origem das Espécies, tradução de D. Batista, Publicações Europa-América, 2005

Charles Darwin, Autobiografia, Relógio d’Água, 2004 – Introdução, tradução e notas de T. Avelar

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Soeiro Pereira Gomes - 100 anos de memória

Se o escritor e militante comunista Joaquim Soeiro Pereira Gomes fosse vivo, completava 100 anos a 14 de Abril deste ano. O Armarium Libri vai continuar a publicar textos sobre a vida do escritor e militante social, como tem feito desde o ano passado, juntando-se neste pequeno contributo àqueles que também divulgam a sua memória. Pereira Gomes era natural de Gestaçô, concelho de Baião e distrito do Porto. Estudou na Escola Nacional de Agricultura de Coimbra e, diplomado, partiu para Angola nos anos '30. Regressado, fixou-se em Alhandra e empregou-se nos escritórios da Fábrica Cimentos Tejo. A partir dessa época e com a participação frequente da esposa (Manuela Reis) interveio na vida social e cultural da vila. Foi militante do Partido Comunista Português, mas é mais conhecido como autor da novela Esteiros, sobre "os filhos dos homens que nunca foram meninos", uma história que aborda os aspectos da pobreza infantil e da injustiça social nos anos '30. Considerado um dos melhores livros portugueses de sempre ainda hoje é lido e estudado na escolas, no âmbito da Língua Portuguesa. Da sua vida pode sobretudo retirar-se o exemplo de um homem que agiu desinteressadamente a favor de uma sociedade mais justa e fraterna. Por isso continua tão viva a sua memória entre nós. Soeiro Pereira Gomes faleceu em 1949.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Celebrando Darwin – III

É já amanhã, sexta-feira, dia 13 de Fevereiro, que se irá realizar a conferência “Darwin: Discovering the Tree of Life”[1], por Niles Eldredge, na Fundação Calouste Gulbenkian, auditório 2, às 18 horas. Haverá tradução simultânea.

[1] “Darwin, À Descoberta da Árvore da Vida”

Celebrando Darwin – II

Como biólogo, fico satisfeito pelo destaque que tem sido dado a esta comemoração dos 200 anos do nascimento de Darwin e dos 150 anos de “A Origem das Espécies”.
No início da semana constatei que Darwin e a Evolução figuravam na capa das revistas “Super Interessante” – Nº 130, e na “National Geographic - Portugal”, ambas de Fevereiro de 2009.
Hoje, também nos jornais encontramos referências a Darwin. O Jornal de Notícias apesar de dedicar apenas um pequeno canto da capa à efeméride, entrega as páginas centrais à teoria e à exposição “A evolução de Darwin”, na Fundação Calouste Gulbenkian, cuja inauguração é hoje. Em oposição, tanto o Diário de Notícias como o Público fazem de Darwin e da sua teoria da Evolução capa do jornal. O Diário de Notícias sintetiza-nos a vida de Darwin e o seu legado nas páginas centrais, sendo que é o Público, dos três jornais, que mais destaque dá tanto à vida de Darwin, como à exposição na Gulbenkian.
Deixo aqui a sugestão, para que visitem a exposição “A Evolução de Darwin”, patente na Fundação Calouste Gulbenkian, de 12 de Fevereiro a 24 de Maio de 2009, assim como todas as outras iniciativas a realizar pelo país, e que tentaremos aqui divulgá-las.

Celebrando Darwin - I

De vez em quando no site http://www.sapo.pt/ são colocados inquéritos interessantes. Hoje, no dia da celebração dos 200 anos do nascimento de Darwin e 150 anos da publicação de “A Origem das Espécies”, é colocada a seguinte questão, “Faz hoje 200 anos que nasceu Charles Darwin. Sabe qual foi o contributo que deu para a Ciência?”

Até agora (13h55min), os resultados são os seguintes:

Sim: 8941 (67%)
Sim mas não partilho a tese de Darwin: 1025 (8%)
Não: 3372 (25%)

As estatísticas valem o que valem, mas podemos tirar daqui algumas conclusões. Olhando para os valores acima enunciados, constatamos que a maior parte da população (67%) encontra-se informada, e que é necessária uma maior divulgação para elucidar os restantes 33% sobre o que trata a obra de Darwin.
Sendo uma das missões deste blog contribuir para a cultura, é nosso objectivo fornecer informação aos leitores sobre esta importante temática que é a evolução. Tentaremos aqui publicar textos simples, mas simultaneamente elucidativos, sobre Darwin e a evolução, assim como divulgar as inúmeras iniciativas que se realizarão ao longo do ano em Portugal, sejam conferências, exposições, ou outras diversas.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Policiais II - Edgar Allan Poe


A Guimarães editores, para além da publicação dos famosos livros de ensaios e filosofia, tem também publicado traduções de novelas de reconhecidos autores como E. A. Poe, Franz Kafka ou Hermann Hesse. Hoje debruçar-me-ei sobre a obra Contos Policiais, de Edgar Allan Poe[1].
Este livro é constitído por quatro novelas. Na primeira, initulada Os crimes da Rue Morgue, o narrador conta como o seu amigo e personagem principal, o detective C. Auguste Dupin, deslinda o macabro crime do assassínio da Sra. L’Espanaye e da sua filha. Através de relatos de testemunhas e de uma curta visita ao local do acontecimento em demanda de pistas, Dupin, recorrendo ao uso da razão e do seu característico poder de análise, desvenda quem foi o surpreendente culpado de tal barbárie.
Em A carta roubada, Dupin recebe a visita do prefeito da polícia que, desesperado, pede-lhe ajuda para descobrir o paradeiro de uma carta desaparecida. Neste caso, o culpado é conhecido tanto da vítima como da polícia, mas a carta trata importantes assuntos que podem ser usados como chantagem política. Após várias incessantes buscas, a polícia tem a certeza que a carta está em casa do ladrão, mas não é capaz de a encontrar, nem mesmo nos mais recônditos compartimentos do lar. Cabe então ao detective Dupin solucionar este caso.
Segue-se O Mistério de Marie Rogêt, estória esta, que é baseada num acontecimento real que aconteceu na América do Norte, embora aqui retratada com diferentes personagens e noutros locais. O prefeito da polícia recorre, uma vez mais, ao detective Dupin para o ajudar a desvendar mais um misterioso caso. Uma jovem rapariga que já havia desaparecido no passado (mas entretanto regressara a casa) tornara a desaparecer, e após ter sido encontrado um corpo a boiar no rio Sena com roupas idênticas às da jovem, começa-se a pensar se não será ela. Dupin tem de descobrir se é ou não ela; caso seja tem de descobrir qual a causa da morte, assassínio ou suicídio; e se foi assassínio, terá havido apenas um, ou vários responsáveis. Todas estas eram questões que estavam a dar que fazer à polícia, e para as quais as investigações apontavam em diferentes sentidos.
O último conto intitula-se És tu o homem!. Este é o mais breve dos contos, onde se relata como foi descoberto o verdadeiro assassino de Mr. Barnabas Shuttleworthy, e quais terão sido as suas motivações. Com recurso a um engenhoso plano que surpreende o verdadeiro assassino, este voluntariamente acaba por confessar o seu crime.

Edgar Allan Poe (1809 – 1849), foi um poeta, escritor, editor e crítico literário norte-americano, sendo considerado parte do movimento do Romantismo americano. Nasceu em Boston, Massachusetts. Tendo perdido os pais em tenra idade, foi acolhido, apesar de não formalmente adoptado, por John e Frances Allan. Após ter frequentado por pouco tempo a Universidade de Virginia, e servido por um breve período na carreira militar, Poe distanciou-se dos Allans. Em 1835, casa-se com a sua prima de 13 anos, Virginia Clemm. Conhecido pelos seus contos de mistério e do macabro, foi também impulsionador do género de ficção científica, e considerado o inventor do género de contos de detectives[2]. De facto, na contracapa do livro Contos Policiais de Edgar Allan Poe pode ler-se o seguinte: “nestas novelas assiste-se à invenção do primeiro detective, Dupin, que mais tarde serviu de modelo aos grandes mestres para a criação de personagens tão célebres como Sherlock Holmes ou mesmo Poirot”. Poe e as suas obras influenciaram a literatura nos Estados Unidos e um pouco por todo o Mundo.

[1] Edgar Allan Poe, Contos Policiais, Guimarães Editores Lda, Lisboa, 2003
[2] Informação retirada de: http://en.wikipedia.org/wiki/Edgar_Allan_Poe, site no qual podem encontrar-se mais informações sobre este autor.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Policiais I – Moita Flores e o Carteirista


Este post poderia também ter sido intitulado de Tesouros Esquecidos.
Tesouros esquecidos porque numa biblioteca há livros pelos quais passamos e neles nunca pegamos. Alguém os leu e lá os colocou, em repouso, aguardando nova visita. É exemplo deste livro de que falarei.
A biblioteca é a do meu avô. Biblioteca é uma hipérbole que uso para descrever uma fila de prateleiras, numa apertada casa, onde descansam os livros que o meu avô já só a muito custo é capaz de ler. O livro, que me acompanhou neste dia chuvoso de Fevereiro, até nem estava escondido. Destacado de todos os outros, esperara pacientemente por alguém que se recordasse da sua existência.
Da autoria de Francisco Moita Flores, O Carteirista que fugiu a tempo[1] conta a estória de um conjunto de indivíduos, do mais baixo estrato social, que descontentes com a vida que levam, ousam aventurar-se numa ambiciosa escalada até ao nível das elites do país. Fred Astaire, conhecido por esse nome devido ao seu talento para a dança, recorda os áureos tempos em que praticava a arte de fazer sumir as carteiras dos “otários” que encontrava na rua ou nos transporte públicos. Com o advento das caixas multibanco, as pessoas deixaram de carregar quantias consideráveis de dinheiro consigo, tornando-se assim o carteirismo uma profissão (ou arte) com os dias contados. Como resultado do avanço das tecnologias, Fred vê-se forçado a abandonar a sua outrora recompensadora profissão, para mendigar nas ruas de Lisboa. É aqui que conhece casualmente uma prostituta, Gabriela, que ulteriormente o apresenta a um drogado, o “Doses”, a um ex-polícia, o Messias, e a um ex-bancário, o “Porcalhão”. Juntos, sob a liderança de Fred formam uma quadrilha. Após um assalto gorado a um banco, arranjam um estratagema para subir na vida, através de concursos televisivos e várias tramóias à mistura.
Cabe agora ao leitor descobrir, mergulhando neste enredo, se as personagens conseguirão atingir o seu propósito. Permanecerão juntos? Terão conseguido enriquecer? De que modo usarão o dinheiro?
F. Moita Flores é licenciado em História, autor de diversos livros, presidente da Câmara Municipal de Santarém. No entanto, foi a sua experiência enquanto investigador na Polícia Judiciária, que lhe terá permitido conhecer a fundo, a vida dos marginais da sociedade. Essa experiência encontra-se reflectida nesta obra, podendo ser facilmente encontrada na gíria utilizada pelas personagens.

[1] Francisco Moita Flores, O Carteirista que fugiu a tempo, 5ª edição, Editorial Notícias, Lisboa, 2002