terça-feira, 20 de outubro de 2009

Gato Fedorento - Esmiuça os Sufrágios II - A pobreza das entrevistas

O programa da RTP1 "Gato Fedorento - Esmiuça os Sufrágios", de que já falámos neste blog, é, em geral, um programa bem conseguido. Tem peças divertidas e bons comentários humorísticos, que demonstram inteligência na análise da realidade política. A entrevista, se nos é permitida a apreciação, é que nos parece pobre. Ricardo Araújo Pereira recebe diariamente uma figura importante da política e tem um rol de perguntas pré-determinadas, ao que parece, embora haja também algum espaço para a improvisação, geralmente perspicaz e oportuna. É por isto que lamentamos que as entrevistas se pareçam menos do que deviam com um diálogo. E menos do que deviam com um diálogo interessante. Os Gato Fedorento têm uma lista de perguntas sobre situações bem conhecidas em que os entrevistados foram protagonistas, mas demasiado voltadas para o pitoresco e menos para o caso sério. A acrescentar, como as perguntas são estanques e não há ali espaço para fazer réplicas, à excepção dos improvisos do apresentador, as conversas primam de facto pela ausência de conversa. Isto torna a entrevista leve e fácil de ver, mas nem sempre divertida e poucas vezes interessante. Além de que se perde a oportunidade de reter o testemunho dos protagonistas, já que é mais ao facto superficial e risível e não ao conteúdo dos acontecimentos que se tem dado importância. Pensamos que, numa época em que tudo parece ser veloz - e mais grave até, com a tutela da lei - desde os cursos universitários remodelados por Bolonha, até aos noticiários da televisão, fica-se sem o sumo das matérias quotidianas. Os Gato Fedorento têm categoria para serem menos superficiais e para de facto chamar a atenção para a importância da Política e daquilo que os políticos andam a fazer. Se são tão conhecidos e admirados, aqui teriam uma oportunidade para interessar quem os vê nestes temas. Porque, de facto, os políticos não podem fazer Política sós. Se representam um Povo, ele deve ser chamado a fazer parte do seu trabalho. Como disse Péricles: "Aqui não dizemos que o homem que não tem interesse pela política se preocupa apenas com o que lhe diz respeito - dizemos que ele nem sequer aqui devia estar." (dito em c. 450 a. C., Cit. "História da Vida Quotidiana, Selecções do Reader's Digest, 1993, p.73)

Cartas do meu Moinho

Para o Tavares, que está longe.


“Cartas do meu Moinho” (no original “Les Lettres de mon Moulin”), publicado em 1869, é um livro de pequenas histórias, todas diversas, mas todas ligadas através das aventuras do narrador que as conta a partir de um “moinho de vento e de farinha, sito no vale do Ródano, em pleno coração da Provença, numa encosta coberta de pinheiros e azinheiras”[1]. Tendo vindo à procura de um sítio tranquilo para pensar e para escrever, o narrador, cujo espaço se centra essencialmente no moinho, vai contando histórias que ouve no ambiente circundante, sem deixar de revelar algo de si também. Há histórias que ouviu a vizinhos, outras que se contam de tradição, histórias do seu passado e as suas próprias aventuras na Provença e no velho moinho, que está abandonado há mais de 20 anos. No dia em que chega, depois de ter comprado o imóvel a um pequeno proprietário casado com a neta do Tio Cornille, proprietário original e moleiro já falecido, o Sr. Daudet encontra-se logo com outros moradores que, alheios a contratos de transmissão de direitos reais e muito terra-a-terra no que toca a procurar casa, já lá viviam há anos. “Foi uma surpresa para os coelhos!... Havia tanto tempo que viam a porta do moinho fechada, as paredes e a plataforma invadidas pelas ervas, que tinham acabado por acreditar que se extinguira a raça dos moleiros, e, como o lugar lhes parecera bom, instalaram nele uma espécie de quartel-general (...). Na noite da minha chegada, havia lá pelo menos sem exagero, uns vinte, sentados em círculo na plataforma, como se aquecessem as patas a um raio de luar... (...) Quem ficou também muito espantado, ao ver-me, foi o locatário do primeiro andar, um velho mocho sinistro, de cabeça de pensador, que habita o moinho há mais de vinte anos. Encontrei-o no quarto de cima, imóvel e hirto (...), no meio da caliça e das telhas caídas. (...) Mas não faz mal! Assim como é, com os seus olhos piscos e a sua expressão carrancuda, este locatário silencioso agrada-me mais do que qualquer outro, e, por isso, apressei-me a renovar-lhe o arrendamento.”[2] Depois vêm as histórias, de todas as proveniências. Há um pastor que contribui com uma sobre como uma noite ao ar livre, igual a todas as outras, pôde tornar-se numa noite verdadeiramente bela (“As Estrelas”); há a história dramática de Jan, filho de um lavrador abastado e perdido de amores por uma arlesiana de cabeça leve, que lhe conta um dos criados da casa (“A Arlesiana”); há a curiosíssima história do coice que a mula do Papa guardou durante sete anos para um certo maroto que a tratou mal, e que veio a transformar-se em dito popular, esta investigada pelo próprio Daudet numa biblioteca local, já que ninguém sabia a origem do dito (“A Mula do Papa”); a história da estada num farol da Córsega, com os seus funcionários (“O Farol dos Sanguinários”); a história que ao narrador contou o patrão Lionetti, quando há anos percorria com ele o mar da Sardenha, sobre a fragata Semillante, perdida no mar (“A Agonia da «Sémillante»”); e outras mais. As histórias, invariavelmente breves, têm uma simplicidade e uma ternura, próprias da observação particular do narrador. São quadros curtos sobre numerosos assuntos que vêm a propósito do moinho, ou apenas das reflexões pessoais. O autor, Alphonse Daudet, nasceu em Nîmes em 1840 e começou por publicar versos, em 1858. Prossegue a carreira com algumas narrativas cheias de sensibilidade poética, mas acaba por chegar ao realismo, tendo mesmo recebido um elogio de Émile Zola, célebre autor naturalista. Daudet morreu de doença em 1897, há 112 anos.

Algumas obras do autor:

"Les Amoureuses", poesia, 1858
"La Dernière Idole", teatro, 1862
"Le Petit Chose", romance com recordações da juventude, 1868
"Les Lettres de mon Moulin", invocações da Provença, que teve a colaboração de Paul Arène, 1869
"L’Arlésienne", 1872
"Tartarin de Tarascon", também evocativo da Provença, 1872
"Contes du Lundi", livro patriótico, 1873
"Fromont jeune et Risler aîné", narrativa realista sobre o comércio e a indústria em Paris, 1874
"Jack", 1876
"Le Nabab", sobre a política, 1877, elogiado por Émile Zola, escritor naturalista
"Les Rois en exil", 1879
"Numa Roumestan", 1881
"L’Évangeliste", sobre o fanatismo religioso, 1883
"Sapho", sobre os artistas e a boémia, 1884
"Tartarin sur les Alpes", com o herói já referido noutro título, 1885
"L’Immortel", sobre os estudantes, 1888
Port-Tarascon, romance, 1890[3]

Notas:
[1] Alphonse Daudet, Cartas do meu Moinho, Publicações Europa-América, 1971, p.7. A Provença é uma região francesa situada a SE do país.
[2] Ibidem, p.9. A imagem acima vem da capa deste livro.
[3] A lista vem em “XIX Siècle”, André Lagarde et Laurent Michard, Bordas, 1968, p.498.

Novo Blog

Caros leitores:

Informa-se que os autores encontram-se envolvidos num outro blog científico:

http://www.raphus-cucullatus.blogspot.com/

Este continuará igualmente a funcionar.

Cumprimentos

Quem foi Lineu?

No inquérito realizado neste blog há uns meses, perguntou-se “Quem foi Carl Linnaeus (Lineu)?”. Das quatro opções - compositor, botânico, médico ou romancista – os leitores do blog votaram maioritariamente em botânico (85%, 6votos) e em menor número optaram por médico (28%, 2votos). Tendo havido 7 votações (7 pessoas votaram), mas 8votos, significa que um votante optou pelas duas opções (botânico e médico).


Conclusões: uma vez que as duas hipóteses estão correctas, pode concluir-se que Lineu é uma personalidade histórica conhecida dos leitores, pelo menos no que concerne ao estudo da natureza. Outra conclusão, é que apesar da familiaridade dos leitores com este cientista, o seu contributo científico não está completamente divulgado. Fica então a nota que para além do contributo do Lineu para a História Natural e para a Medicina, o cientista também deu um contributo para a economia do seu país. Para saber mais sobre este cientista sueco do Iluminismo, deixarei referências bibliográficas no final. Apresento de seguida, um sintético esboço da vida do botânico e médico (a perspectiva económica não será aqui analisada).

Quem foi Carl Linnaeus (Lineu)?

Carl Linnaeus (1707-1778), mais conhecido por Lineu, nasceu em 1707 em Småland, uma província pobre do norte Báltico, filho de Christina Brodersonia (1688-1733) e de Nils Ingemarsson Linnaeus (1674-1748).

Lineu viveu num período histórico em que aumentava o interesse pelo estudo da natureza e isso reflectia-se nas colecções de animais preservados em recipientes de vidro, nos magníficos livros de História Natural, nas colecções privadas de fauna e flora nos salões dos nobres e nos gabinetes de curiosidades – antecedentes dos museus de ciências.

O famoso aforismo: “Deus criou, Lineu ordenou”, deriva do trabalho realizado pelo naturalista que consistira em observar várias espécies de animais e plantas e, de seguida, classificá-los e colocá-los em grupos, consoante a sua semelhança morfológica. Lineu hierarquizou essas características das mais gerais (Reino) para as mais específicas (espécie), e criou uma nomenclatura binomial, isto é, a nomenclatura científica das espécies passou a ser designada por dois nomes: o epíteto genérico (indica o género) seguido de um epíteto específico (indica a espécie), em forma latinizada (e.g. Homo sapiens). O resultado do seu trabalho taxonómico encontra-se patente na sua obra-prima, o Systema naturae (1735).

Lineu é lembrado como um naturalista sueco do século XVIII e como um grande especialista em botânica. O que não é muito conhecido é o facto de Lineu também ter sido médico. Vejamos:

A 23 de Junho de 1735, Lineu tornou-se Doutor em medicina pela Universidade de Harderwijk, na Holanda, cuja dissertação foi sobre a etiologia da malária. A sua ligação à medicina não se limitou ao doutoramento, pois de 1738 a 1741 trabalhou como médico em Estocolmo, onde se especializou numa doença sexualmente transmissível, muito comum na época, a sífilis. Em 1741, tornou-se professor de medicina na Universidade de Uppsala.



Referências Bibliográficas:

Koerner, Lisbet; Linnaeus: Nature and Nation, third printing, Harvard University Press, 2001

Para saber mais:



quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Gato Fedorento - Humaniza os Sufrágios

O programa “Gato Fedorento – Esmiuça os Sufrágios”, a passar na SIC às 21h30 de Segunda a Sexta, é uma novidade em Portugal. Não nos lembramos de um programa de humor político nas últimas décadas, mas ainda que existisse, as frequentes tensões entre a população e o governo – evidentes nas manifestações, por exemplo – fizeram supor que era impossível inserir humor na vida política. O panorama frio, racionalista e um tanto cinzento da discussão política e até das campanhas é desanimador. O que o grupo de humoristas conseguiu foi relativamente simples. Através das montagens com as imagens de debates, discursos e entrevistas, mostraram o lado engraçado e às vezes non-sense do discurso político, denunciando um certo artificialismo que terá alguma inspiração em técnicas de marketing. E humanizaram seguidamente os políticos que vão à entrevista e que podem mostrar uma face diferente, bem-humorada e diversa da faceta distante do quotidiano. Uma das razões do desinteresse pela política pode estar na falta de identificação da população com os políticos. Isto acontece porque dia-a-dia, ao aparecerem na televisão, estes assumem um papel que não parece humano. É um papel de excessiva seriedade que os pretende transformar em super-homens, invencíveis, insensíveis, longínquos e concentrados nos assuntos do Estado. Obviamente o que se quer num político e também num governante é uma honestidade, uma franqueza, uma dedicação e um trabalho sérios. Mas o que de artificial lhes é acrescentado fá-los parecerem-se cada vez menos com o povo que representam e governam. Como podem os comerciantes, os operários, os professores, os intelectuais, etc., identificar-se com homens que parecem tão distantes? O que os Gato Fedorento vieram fazer foi devolver essa humanidade aos políticos através do humor, que sempre gera sentimentos e respostas inesperadas. Talvez a partir daqui, mais do que na "Grande Entrevista" da RTP1, possamos ficar a conhecer melhor os políticos no seu raramente aparecido lado humano.

"Bull and Bear...Markets"

Eis mais uma sugestão de leitura, desta vez virada para a área da gestão pessoal.
No último post dedicado a este assunto, falei de um livro de Camilo Lourenço, destinado ao público em geral, cujo tema central era sobre como poupar[1].
De facto, de acordo com os princípios do capitalismo, um dos principais passos para a criação de riqueza é a poupança. Tendo conseguido juntar algum dinheiro e colocado de parte, o próximo passo é investir esse dinheiro, de modo a gerar riqueza. Há vários investimentos que podem ser realizados, dependendo da quantia disponível. Ele há quem invista em obras de arte, em casas, em planos poupança reforma (PPR), noutro tipo de depósitos a prazo, investimentos na bolsa, etc. Como vemos há vários tipos de investimento, tendo em vista a rentabilização do seu dinheiro, cada um com as suas vantagens e, também, desvantagens. Tudo depende da personalidade do investidor (e. g. Se o investidor for propenso ao risco talvez invista em acções; se, pelo contrário, for mais cauteloso, talvez opte por um depósito a prazo). E o investimento é algo que é necessário realizar ao longo do nosso percurso de vida, seja porque iremos precisar de financiamento para qualquer projecto, ou para usufruto na reforma (uma vez que as reformas são, geralmente, baixas). Além disso, sejamos sinceros, se queremos uma vida melhor temos de fazer por isso, não podemos esperar que uma vida boa “nos caia do céu por obra e graça do Espírito Santo”, ou o mesmo seja dizer, não podemos (nem devemos!!) estar à espera de ajudas e benesses do Estado.
A sugestão de leitura de hoje vai para o livro com o título “A Bolsa para Iniciados”, da autoria de Fernando Braga de Matos[2]. Anteriormente já tinha publicado o livro “Ganhar em Bolsa”, um manual de cerca de 550 páginas. Devido ao sucesso desse livro e a necessidade de abordar o mesmo tema dirigido a um outro público-alvo, surge a obra sobre a qual vou falar (esta menos volumosa – cerca de 200 páginas).
Quando se fala em investir na bolsa há dois conceitos que as pessoas têm em mente: “comprar barato para vender caro” e “um grande risco associado”. Este último em especial é verdade, mas não nos esqueçamos que quanto maior o risco, maiores também serão os lucros (Daí não se dever investir todas as poupanças, mas apenas uma parte). No entanto, para minorar os riscos existentes, neste livro o autor explica: em que investir (ter uma carteira diversificada), como investir, e quando investir (principalmente durante o Bull Market). Para sabermos se é bom período para começar a investir ou se devemos aguardar mais um pouco, procedemos a uma análise técnica com o intuito de analisar a designada “Tendência Bolsista”, uma vez que, como sabemos, existem ciclos de crescimento e de decréscimo económico. Assim chegamos a dois conceitos importantes:

“(...) os prenúncios de expansão económica dão a partida para a Tendência ascendente da Bolsa, o chamado Bull Market. E depois ocorre o movimento inverso e aparece o Bear Market, a tendência descendente da Bolsa, também com diferimento.[3]

Por outras palavras, desde que o mercado pareça dar sinais de crescimento e até atingir o seu auge encontramo-nos no Bull Market, a partir do momento em que encontramos nos gráficos as figuras de reversão, isto é, sinais de que o mercado não vai crescer muito mais, podemos esperar de seguida uma descida e aí estaremos no Bear Market (uma boa altura de vender as acções para manter os lucros). Mas tudo isto está bem explicado no livro.
Uma das maneiras de iniciar-se na bolsa é contactando o seu banco (que será o seu intermediário) onde abrirá um dossier de títulos e depois poderá realizar as suas transacções on-line, no conforto do seu lar (como as coisas evoluíram!). Também on-line tem toda a informação que poderá consultar, nomeadamente as oscilações diárias da bolsa, assim como as semanais, mensais e anuais (importantes para a Análise Técnica[4]).
Ou eu muito me engano ou estamos a entrar no designado Bull Market, pela análise técnica por mim realizada. É, portanto, esta a melhor altura para investir, tendo em vista o longo prazo, e quando este ciclo terminar quando reentrarmos novamente no Bear Market, há que vender as acções e usar a técnica “STOP LOSS” explicada pelo autor. E assim, deste simples modo, fazemos um investimento de onde retiraremos lucros. Lucros esses que poderão ser aumentados por outras técnicas que o autor divulga.
Chega de assuntos técnicos, termino a falar apenas do livro em si. Frequentemente, deparo-me com a necessidade de livros de divulgação, escritos por especialistas da área que consigam explicar conceitos complicados ou abstractos ao cidadão comum. Vejo essa necessidade não só na ciência que é a minha área de trabalho, como também na economia/gestão e em História[5]. Este livro é um claro exemplo de como esse objectivo foi conseguido. A matéria está clara, explícita, o texto vem intercalado com várias tabelas e gráficos de modo a que qualquer um possa acompanhar o raciocínio. O autor desmistifica certos preconceitos, como os investimentos na bolsa serem só para ricos e pessoas da área de economia, ou a existência de um “bicho-papão” nesses investimentos; na realidade esta é, cada vez mais, uma ferramenta que permite ao cidadão comum gerar a sua riqueza, desde que devidamente informado!!, daí a importância de ler este livro, ou outro semelhante. Além disso este livro está escrito com um bom sentido de humor e algumas citações hilariantes, como as que seguem:

Se os mercados fossem eficientes, eu não passaria de um pedinte.” – Warren Buffett – investidor bem-sucedido e o homem mais rico do mundo”, p. 96

Se conseguires manter a calma quando todos à volta perderam a cabeça, então é porque não percebeste a situação”. – Kipling p. 130

No entanto, o leitor tenha atenção porque há uma gralha nas tabelas da p. 137: os cálculos não estão feitos para um ganho de 5%, mas sim de 6%!! (Sim, dei-me ao trabalho de fazer as contas); na tabela de baixo, comparando as duas colunas, o ganho não é 10 vezes maior, mas sim cerca de 6 vezes maior. Seria 10 vezes se comparasse com os resultados da tabela de cima. No entanto, isto é de menor importância, pois creio que se deva a erros de formatação, nada mais. Este livro, na minha opinião está muito bom, e é uma leitura que sugiro vivamente.

Sites úteis[6]:
- o site do seu banco;
- http://www.nextbolsa.com/
- http://www.cmvm.pt/cmvm
- http://www.finbolsa.com/
- http://www.clubeinvest.com/bolsa/index.php
- http://finance.yahoo.com/
- http://www.mscibarra.com/index.jsp
- http://www.nyse.com/
- http://www.nasdaq.com/
entre outros...


Bibliografia:

Fernando Braga de Matos, “A Bolsa para Iniciados”, Editorial Presença, Lisboa, 2008



[1] http://armariumlibri.blogspot.com/search/label/Economia%2FGest%C3%A3o
[2] Na capa vem a seguinte referência sobre o autor: “(...) nasceu no Porto em 1943. Formado em Direito, exerceu advocacia e foi professor universitário. Joga na Bolsa desde 1969, desenvolvendo em simultâneo a actividade de cronista em jornais e revistas sobre economia política há cerca de 30 anos (...)”.
[3] “A Bolsa para Iniciados” (2008), p. 97.
[4] Há dois tipos de análise a ter em conta: A Análise Fundamental (AF) para escolher as acções, e a Análise Técnica (AT) “para analisar e medir o «tempo» do mercado”. Grosso modo, para realizar a AF recorre-se a cálculos, se quisermos saber, p. ex. o Price Earning Ratio (PER) ou o Dividend Yeald (DY), entre outros; e para Realizar a AT recorre-se, essencialmente aos gráficos pois o que pretendemos saber é a tendência.
[5] Em abono da verdade, tem havido um enorme esforço na área da divulgação científica e na área da Economia/Gestão, estando ao dispor do público uma panóplia de literatura sobre estes temas. Basta procurar nas grandes livrarias (FNAC, Bertrand, etc.)
[6] “A Bolsa para Iniciados” (2008), conforme pp.59-60

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Nota sobre a antiguidade das fábulas

As fábulas, normalmente matéria do interesse infantil, são muito mais antigas do que parece. Até a lição moral que costuma vir no fim pode trair este facto, tal é ainda a adequação dos seus valores aos nossos. O fabulário português que José Leite de Vasconcellos encontrou em manuscrito na Biblioteca Nacional de Viena de Áustria em 1900, era do século XV e continha uma série de breves histórias com as referidas lições morais no final. O título original era “Fabulae Aesopi in Lingua Lusitana”, mas o etnógrafo substituiu-o por “Livro de Esopo” e terá feito publicar a obra em 1906. Uma fábula pode definir-se como uma composição literária, em prosa ou verso, que dá corpo a “uma ideia abstracta, e sobretudo a uma verdade moral.”[1] Tem, todavia, a característica peculiar de o fazer recorrendo a factos fantasiosos. Dá-se vida a objectos inanimados, dão-se sentimentos e pensamentos humanos a animais e atribui-se vida autónoma a coisas que a não têm. Sem discutir a origem das fábulas, lembramos aqui as célebres compilações de Esopo, autor grego de cuja vida nada se sabe ao certo, de La Fontaine e Perrault, ambos franceses e, entre nós, as de Almeida Garrett, de Curvo Semedo e de Bocage, todos poetas e todos influenciados pelo Iluminismo. Para defender a antiguidade das fábulas e a sua quase perfeita recepção pela nossa cultura, apresentamos aqui uma do referido Livro de Esopo, que também aparecia há cerca de 20 anos num livro de leitura da Primária de então. A grafia medieval não foi alterada, pois pensamos que um texto, por difícil que seja, deve ser saboreado puro. O que não exclui a necessidade de informação adicional que auxilie a sua leitura.


“Comta este poeta este emxemplo e diz que os pees e as mãaos acusarom o uentre, dizendo:
-Nos ssempre ssosteemos grande afam em andando de ca e de lla em muytos trabalhos; e todos nos este uentre come e nunca sse farta, nem comtenta; e elle esta ocçioso e nom faz nem dura trabalho. Nom lhe demos de comer!
E assy o fezerom. Ho uentre começou a auer fame e disse aas mãaos e aos pees:
-Amygos, dade-me de comer e ajudade-me, ca eu mouro com ffame.
As mãaos e os pees disereom que lh’o nom queriam dar, e diziam-lhe:
-Sse tu queres comer, toma affam, assy como nos fazemos; d’outra guysa, nom queremos que comas quanto nos trabalhamos.
Em esta perfia esteuerom per espaço de dias, tanto que os pees começarom de enfraquecer e outrossy as mãaos.
E os pees diserom:
-Nom podemos andar.
E as mãaos diserom:
-Nom podemos trabalhar.
Vendo esto, as mãaos tomarom do pam para dal-o aa boca; e a boca e o corpo eram ja postos em tamta fraqueza que os demtes da boca nom sse poderom abrir. E per esta perfia o corpo morreo: e, elle morto, morrerom os pees e as mãaos com todolos outros membros.


Pom este poeta emxemplo per nosso amaestramento e diz, rreprehendendo os auaros, os quaaes nom querem ajudar o sseu proximo nas ssuas neçessidades. Ajnda diz que nhũu homem sse deue rreputar d’atanto, por muy poderoso e rrico que sseia, que algũas vezes nom lhe faça mester o seruiço d’outrem e d’outros que ssom de muy mays pequena condiçom que elle, por que hũu amyguo ssempre lhe conpre seruiço d’outros: hũu amyguo serue o outro amyguo. Outrossy diz que, bem que o homem sseja tanto maao que nom queyra perdoar a outrem, deue perdoar a ssy medes, por nom sseer rreputado cruell e maao.”[2]


A moral continua a ser a mesma e está relacionada com a importância da coesão social, independentemente do estatuto dos Homens na mesma sociedade. E a verdade é que continua actual e perfeitamente ensinável às pessoas de hoje, como o era no século XV e no tempo dos gregos antigos.
[1] Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Editorial Enciclopédia Limitada, vol.10, p.803.
[2] “O Livro de Esopo”, Leite de Vasconcellos, pp.38-39, cit. em “Textos Medievais Portugueses”, Corrêa de Oliveira e Saavedra Machado, Atlântida – Livraria Editora, Coimbra, 1959.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Reflexão Breve sobre a Televisão

A série de época que recentemente passou na televisão e que se chama “Conta-me Como Foi” suscitou-nos algumas reflexões. Que os portugueses têm todo o talento para fazer séries boas e televisão boa, não deixa dúvidas. Que a televisão é, hoje, geralmente má, também é óbvio. “Conta-me Como Foi”, que peca por copiar um programa homónimo espanhol, retrata com algum rigor uma época e uma mentalidade que existiram há cerca de 40 anos. Podemos ver o medo da Ditadura e da polícia, a clandestinidade – de passagem –, as actividades ditas subversivas, o quotidiano com pouco dinheiro, a infância mais ou menos alheia ao mundo perturbador dos adultos, as fortes relações comunitárias, etc. Apesar de algumas fantasias, a série tem uma função importante nos dias de hoje, que é tentar encurtar a distância entre as gerações mais velhas e as mais novas, através da empatia e da compreensão. Aqui se pode ver um retrato de um tempo, desde a mentalidade ao vestuário e aos móveis. Os actores, em geral muito bons, ajudam muito à compreensão das personagens e dos seus lugares na sociedade dos anos ’60 e ’70. É por a série ser tão boa, no cenário infame da televisão actual, que indigna mais ser baseada noutra. Numa época em que a Educação parece estar cada vez pior, quer nas formas, quer nos conteúdos, e as gerações mais novas um tanto desorientadas, é de questionar o papel degenerativo que a televisão pode ter. Não se deve pretender uma televisão “politicamente correcta” e bem comportada; apenas falamos na necessidade de conteúdos de qualidade, que deixem de parte o ridículo, o superficial e o degradante e invistam antes naquilo que é verdadeiramente formador e interessante. Neste sentido, podemos referir, ao acaso, o “Sociedade Civil” e os programas do Prof. José Hermano Saraiva como bons conteúdos. Mas em que ajudarão, por exemplo, os jovens séries como “Morangos Com Açúcar”, “Rebelde Way” ou “Floribella”? E, além disso, em que medida retratarão uma fatia suficientemente alargada da juventude actual, produzindo talvez pretensões de empatia onde esta não pode existir? Longe talvez o tempo de um “Verão Azul”, de certo modo idealista, mas com personagens profundas, realistas e representativas de meios sociais determinados. E até reflexo de uma certa ternura, o que a tornou uma referência indelével de milhares de jovens por todo o Mundo. Poderá “Morangos Com Açúcar” ser lembrada daqui a 28 anos como um momento “mágico” e pedagógico de televisão? As intrigas e caprichos, frequentemente dementados, das personagens poderão gerar afectos, referências e valores perenes para a vida? Falámos apenas nestes poucos programas, pois o espaço de que dispomos não nos permite mais considerações, nem nós temos à mão os documentos que contam a história da televisão. Mas não quisemos deixar de reflectir brevemente sobre o papel favorável que esta podia ter na aquisição de Cultura. Pensamos que ela não deve ser um meio de concorrência desenfreada entre canais pois, se chega a tanta gente, não deveria servir tão pouca. A televisão é comunitária, é de todos e, em tudo o que transmite, deveria conter esse propósito altruísta e nobre de formar cidadãos livres e bons.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Cientistas Ao Palco

Os Cientistas ao Palco vão andar em digressão, com ante-estreias de espectáculos com e sobre cientistas a serem preparados para a Noite Europeia dos Investigadores de Lisboa, Porto, Coimbra e Olhão.

Convidamos a estarem presentes:
11 de Setembro / 22h00 - Cientistas de Pé na Ilga


Cientistas de Pé - um espectáculo de Stand-up Comedy

Sete cientistas das mais diversas áreas (excepto das que têm empregabilidade) fazem o espectáculo Cientistas de Pé. São abordados temas como o futebol, sexo, religião, o maior problema ambiental do mundo, mensagens para os extraterrestres, ciências leves, ciências duras e o papel dos homens na ciência (não necessariamente por esta ordem). A comicidade é assegurada por uma série de rigorosos testes realizados em laboratório, pelo que o público nem precisa de se preocupar em rir. A duração do espectáculo é cerca de 50 minutos (mais encores).

Ficha técnica
Actores: Bruno Pinto, Cheila Almeida, Daniel Silva, João Damas, Sandra Mateus, Sofia Leite e Sofia Vaz
Direcção de texto: David Marçal
Direcção de actores: Romeu Costa
Produção: c. q. d. e Noite Europeia dos Investigadores

Onde

Associação ILGA Portugal
Centro LGBT
Rua de S. Lázaro, 88
Lisboa
ENTRADA LIVRE
Autocarro: 790 / Metro: Martim Moniz
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12 de Setembro / 21h30 - Cientistas ao Palco de Bragança

De que falamos quando falamos de cientistas? - Um espectáculo de teatro fórum

A vida dos cientistas tal como ela é: como se começa a carreira de investigação, como é que se conjuga o trabalho com a família e amigos, ficar ou ir embora de Portugal, o que são os orientadores e o que fazer quando desorientam. O que são bolsas e empregos científicos? De que vivem, o que querem, de onde vêem e para onde vão?
Só vale a pena ser cientista se for para descobrir a cura definitiva do cancro, a vacina para o HIV ou ganhar o prémio Nobel?
Cientistas que se transformaram em actores para explicar tudo isto e mais, num espectáculo de teatro fórum que tenta responder à grande pergunta: Afinal, de que é que falamos quando falamos de cientistas?
O Teatro-Fórum contém dois momentos: primeiro há a apresentação do espectáculo, com vários momentos de conflito entre personagens, e depois é pedida a intervenção do público em palco para substituir actores e propor uma resolução do(s) problema(s) apresentado(s).

Ficha técnica
Actores: Américo Duarte, Ana Castro, Ana Osório Oliveira, Andrea Santos, Ângela Crespo, Catarina Francisco, Catarina Silva, Cláudia Andrade, Cláudia Gaspar, Leonor Alves, Mariline Justo e Sónia Negrão
Autoria: David Marçal, Joana Lobo Antunes e Romeu Costa
Direcção: Joana Lobo Antunes e Romeu Costa
Encenação: Romeu Costa
Produção: c. q. d. e Noite Europeia dos Investigadores

Cientistas de Pé - um espectáculo de Stand-up Comedy

Sete cientistas das mais diversas áreas (excepto das que têm empregabilidade) fazem o espectáculo Cientistas de Pé. São abordados temas como o futebol, sexo, religião, o maior problema ambiental do mundo, mensagens para os extraterrestres, ciências leves, ciências duras e o papel dos homens na ciência (não necessariamente por esta ordem). A comicidade é assegurada por uma série de rigorosos testes realizados em laboratório, pelo que o público nem precisa de se preocupar em rir. A duração do espectáculo é cerca de 50 minutos (mais encores).

Ficha técnica
Actores: Bruno Pinto, Cheila Almeida, Daniel Silva, João Damas, Sandra Mateus, Sofia Leite e Sofia Vaz
Direcção de texto: David Marçal
Direcção de actores: Romeu Costa
Produção: c. q. d. e Noite Europeia dos Investigadores


Onde
Teatro Municipal de Bragança
Praça Professor Cavaleiro Ferreira
Bragança
Entrada: 2€
Contacto bilheteira: 273 302 744 / bilheteira-teatro@cm-braganca.pt

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18 de Setembro / 22h00 - Cientistas de Pé na Cossoul

Cientistas de Pé - um espectáculo de Stand-up Comedy

Sete cientistas das mais diversas áreas (excepto das que têm empregabilidade) fazem o espectáculo Cientistas de Pé. São abordados temas como o futebol, sexo, religião, o maior problema ambiental do mundo, mensagens para os extraterrestres, ciências leves, ciências duras e o papel dos homens na ciência (não necessariamente por esta ordem). A comicidade é assegurada por uma série de rigorosos testes realizados em laboratório, pelo que o público nem precisa de se preocupar em rir. A duração do espectáculo é cerca de 50 minutos (mais encores).

Ficha técnica
Actores: Bruno Pinto, Cheila Almeida, Daniel Silva, João Damas, Sandra Mateus, Sofia Leite e Sofia Vaz
Direcção de texto: David Marçal
Direcção de actores: Romeu Costa
Produção: c. q. d. e Noite Europeia dos Investigadores

Onde
Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul
Av. D. Carlos I, 61 -1º
Lisboa
Autocarros: 727, 706, 60, 794 / Electrico: 25 / Metro: Cais do Sodré
Entrada: 2€
Contacto bilheteira: 21 397 34 71 /geral@guilhermecossoul.pt




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Cientistas ao Palco - Noite dos Investigadores 2009

http://blogs.publico.pt/cientistasaopalco/
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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Sobre Mitologia- Cassandra

Na realidade, o texto que se segue pretende ser apenas uma breve nota introdutória à personagem da mitologia clássica. Não irei discorrer longamente sobre o assunto, nem tão-pouco estabelecer relações com outros personagens, temas, ou conceitos.


Filha do rei Príamo e da rainha Hécuba, Cassandra é uma personagem da mitologia Grega, presente na obra Ilíada, de Homero. Devota de Apolo, este Deus apaixona-se por ela e ensina-lhe os segredos da profecia. Quando Cassandra se recusa a dormir com o Deus Apolo, este decide vingar-se, maldiçoando-a, de modo que a população de Tróia deixa de acreditar nas profecias catastróficas de Cassandra. Até o rei Príamo, seu pai, rejeita a ideia de que Tróia será destruída após um ataque dos gregos e, deste modo, recusa destruir um cavalo de madeira que fora levado para o interior das muralhas da cidade.
O resto da história é sobejamente conhecida, os gregos saem do interior do cavalo, onde aguardavam escondidos, destruindo a cidade, e espalhando o horror e a devastação.

Regresso de Férias

Informa-se os nossos estimados leitores, que o Armarium Libri está de regresso após um período de "férias". Na verdade, esta pausa foi dedicada ao término de alguns projectos pessoais dos autores. Mas estamos de volta com mais informação cultural.
Boas Leituras.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Para além da ciência


É interessante colocar a questão: “Como vê um cientista?”. Esta pergunta é feita, várias vezes, no blog dos “cientistas ao palco” e do c.q.d. O que será, para um leigo, um cientista? Talvez um indivíduo que se dedica à pesquisa laboratorial, dias inteiros a trabalhar com tubos de ensaio, caixas de Petri, ou mais recentemente analisando sequenciações de DNA, ou ainda trabalhando com células estaminais. Ou ainda, em alternativa, dedicando-se ao trabalho de campo, fazendo inúmeras observações, outras tantas anotações, e ocasionalmente recolhas de material botânico ou faunístico. Ou um trabalho misto, de campo e laboratorial.
Mas um cientista é ainda mais do que estas possíveis definições. Um cientista é, antes de mais, um ser humano e, por isso, tem outros interesses, outras paixões, outras preocupações. Cada vez mais pessoas estão a dar mais importância à cultura, e os cientistas não são excepção. Há cientistas a dedicarem-se ao teatro, à stand-up comedy, à escrita e à divulgação científica.
Deste modo, adicionámos às nossas sugestões da blogosfera (à esquerda) os endereços dos cientistas ao palco e do c.q.d..

terça-feira, 21 de julho de 2009

Curtas – Loures e Ambiente

A Câmara de Loures realizou, no dia 25 de Maio, uma conferência com o título “Gestão da eficiência energética de frota – Soluções energéticas alternativas”, que teve lugar na Biblioteca Municipal José Saramago. O Vice-Presidente da Câmara afirmou que “a gestão da frota na autarquia tem sofrido uma remodelação profunda, tendo em vista a diminuição dos custos e uma melhor eficácia ecológica”[1].

Tendo participado no projecto ECOXXI, foi atribuído à Câmara de Loures a bandeira verde, o galardão mais elevado, atribuído pela Associação Bandeira Azul da Europa (ABAE), por ter-se destacado na área do ambiente, no ano de 2008[2].

A iniciativa “Nós Pedalamos”, organizada pela associação portuguesa de defesa do ambiente GEOTA no dia 10 de Maio, contou com o apoio da Câmara Municipal de Loures e a Fundação Vodafone. Nesta iniciativa, em que se participaram cerca de cinco centenas de pessoas, fez a ligação do Terreiro do Paço ao Parque da Cidade de Loures, um percurso de 25 Km em bicicleta. O objectivo “foi alertar para a criação de corredores verdes nas cidades, criando assim condições para uma mobilidade mais ecológica”[3].

[1] “Loures Municipal”, Nº40, p.15
[2] Mais informações em “Loures Municipal”, Nº40, pp. 26, 27.
[3] “Loures Municipal”, Nº40, p.26

Arquivo Municipal

Foi no dia 28 de Maio que se realizou a inauguração do Arquivo Municipal de Loures, com o objectivo de albergar toda a memória colectiva deste concelho, de modo a dar a conhecer a história local. Nas palavras do Presidente da Câmara Carlos Teixeira, “O Concelho de Loures tem um passado rico em acontecimentos históricos, que queremos preservar, divulgar e homenagear”[1]. Entre outros, pode encontrar documentos sobre associações e famílias, e, a título de curiosidade, o documento mais antigo pertence ao século XVI.
Este novo edifício que possui magníficas instalações de cinco pisos com capacidade para perto de 16 Km lineares de arquivos, com sala de leitura, gabinetes técnicos e sem esquecer o estacionamento subterrâneo, está preparado para ser visitado por historiadores, ou meros curiosos sobre a história do Município. Situado junto à Biblioteca Municipal José Saramago, está aberta ao público de segunda a sexta-feira, das 9horas às 17horas.

[1] “Loures Municipal”, Nº40, p.3

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Darwin nos Açores em Setembro

Divulgo a seguinte mensagem que me foi enviada:
"Darwin escreveu nas suas memórias da "Viagem do Beagle", quando aportou aos Açores no caminho de regresso e visitou a ilha Terceira, em 20 de Setembro de 1836: "Gostei do passeio deste dia, embora não tivesse encontrado coisa que merecesse a pena ver." Como Açorianos, cientistas, lamentamos em silêncio esta observação tão prejudicial acerca destas ilhas, embora francamente compreendamos que, após 4 anos no mar, Darwin estivesse cansado e inquieto por chegar a casa... Cerca de cinquenta anos mais tarde, em correspondência com o malacólogo Açoriano Francisco Arruda Furtado, Darwin escreveu: "Eu considero um feliz evento para a ciência que um homem como vós [...] habite um grupo de ilhas oceânicas. [...] Tendes um esplêndido campo de observação e não duvido que as vossas investigações venham a ser muito valiosas" (carta de C. Darwin a F. Arruda Furtado, 3 de Julho de 1881). Como Açorianos, cientistas, secretamente desejamos que este comentário um dia nos venha a ser aplicável!
Queremos fazer parte das comemorações mundiais de Darwin e da sua obra "Sobre a Origem das Espécies", pois Darwin esteve aqui e aqui presentemente espécies estão a ser originadas. Por esta razão estamos a preparar um simpósio, nos Açores, tendo as "ILHAS DOS AÇORES" como tema unificador:

O ERRO DE DARWIN e o que estamos a fazer para o corrigir"
(19-22 de Setembro de 2009)


Desta vez prometemos a Darwin(istas) 4 dias inesquecíveis nos Açores quando, entre outras coisas, apresentaremos com humildade as nossas contribuições passadas/presentes e futuras. Segue um esboço de programa:

DIA 19. "Como éramos" - Embora geologicamente jovens, os Açores têm um dos poucos exemplos do neogénio intertidal em ilhas oceânicas, e nós temos vindo a escavá-lo. Detemos provavelmente uma chave importante para a compreensão dos efeitos das glaciações no biota do Atlântico Norte. Para além disso, as nossas fontes hidrotermais abrigam micróbios arcaicos que encriptam dentro deles os próprios segredos da vida. Paulyn Cartwright, que procura consistência para os padrões de evolução na fluidez das medusas, gentilmente acedeu a conceder-nos a honra da palestra de abertura deste dia.

DIA 20. "A dinâmica da colonização" - Isolados no meio do Atlântico Norte, na encruzilhada das correntes e dos ventos, na charneira do domínio temperado/subtropical, os Açores sumarizam um paradigma biológico: contra ventos e correntes, eles são Europeus! Peter Grant, que deslindou a interdependência dos factores bióticos/abióticos associados com a diversidade dos tentilhões dos Galápagos, gentilmente acedeu a conceder-nos a honra da palestra de abertura deste dia.

DIA 21. "A dinâmica da evolução" - Os moluscos terrestres são os "tentilhões" Açorianos; metade deles são endémicos e a especiação pode de facto ser aqui apanhada em flagrante. Estamos convencidos de que o equilíbrio pontuado pode ver-se ao vivo nos nossos caracóis. Bruce Lieberman, que aprendeu com os pais do equilíbrio pontuado - Niles Eldredge e Stephen J. Gould - e que tem seguido a evolução desde o tempo profundo, gentilmente acedeu a conceder-nos a honra da palestra de abertura deste dia.
"Darwin e a Sociedade" - O trabalho de Darwin influenciou profundamente o mundo, muito para além do domínio da ciência; tocou a própria raiz das vidas das pessoas, as suas convenções sociais, as suas crenças religiosas. Aqui, razão e coração frequentemente têm ensombrado o desejo de um bem necessário entendimento. Eugenie C. Scott, que tem devotado a sua carreira a promover o entendimento e a separação de ciência e fé, gentilmente acedeu a conceder-nos a honra da palestra de abertura desta sessão.

DIA 22. "A dinâmica da conservação" - É aqui (e disso não nos orgulhamos!) que vive a ave mais ameaçada da Europa, o priolo, Pyrrhula murina. É também aqui que se desenvolve um projecto galardoado para o proteger. Rosemary Grant, que aqui esteve nos anos 70 a investigar os nossos tentilhões, gentilmente acedeu a conceder-nos a honra da palestra de abertura deste dia.

Cientes da nossa insignificância mas estrategicamente empoleirados nos ombros dos maiores no mundo da ciência, com orgulho vos convidamos a vir e apreciar os Açores e a ciência que aqui se desenvolve.

Sinceramente vosso,


António M. de Frias Martins CIBIO-Pólo Açores, Departamento de Biologia - Universidade dos Açores - 9501-801 Ponta DelgadaSão Miguel - Açores - Portugal "

Informação retirada para divulgação de:
webpage: http://darwin.inazores.net/