segunda-feira, 29 de março de 2010

Rita Coelho - Um percurso de vida

Parte II – Percurso Empresarial

Inspirada pela sua filhota, o próximo desafio foi criar a “Loja Pezinhos”, uma loja on-line, onde vende sapatos para crianças, desde os mais pequeninos que estão a dar os primeiros passos até aos mais graúdos. Desde que surgiu, a loja tem sido um gigantesco sucesso, dominando já uma importante quota do mercado português (continente e ilhas). As razões para este sucesso, passam, certamente, pelo elevado dinamismo e vitalidade da jovem empreendedora, pela soberba qualidade dos seus produtos, pela forma como trata as pessoas que procuram estes produtos com uma grande atenção, e, muito importante, estar sempre a inovar, tanto nos produtos como nos serviços. Os passos mais importantes dados pela empresa terão sido a criação do cheque-oferta, a criação de uma conta no facebook para um contacto mais de perto com os clientes e, finalmente, ter feito da loja pezinhos uma marca registada.

Recentemente, apostou na publicidade em revistas da especialidade, nomeadamente nos números de Março das revistas “Pais&Filhos” e “Super Bebés”, no mês em que se celebra o dia do Pai.

Como bióloga que é, não deixa de fora as suas preocupações ambientais, implementando-as na sua loja: a maioria das encomendas é enviada em embalagens recicladas, com o intuito de diminuir a pegada ecológica.

Em entrevista para este blog, os seus colegas definiram-na como uma pessoa inteligente, comunicativa, fantástica e optimista, e como sendo uma colega divertida, bem-disposta e despachada no que trata a resolver qualquer situação.

Fica aqui retratado o exemplo de uma mulher que dedica parte da sua vida à ciência e ao empreendedorismo, mostrando que podemos ser tudo aquilo que desejarmos, basta fazer por isso.

Fontes:
Casos de Sucesso, Linhas, Revista da Universidade de Aveiro, Ano 3, Setembro de 2006, pp. 24,25
Entrevista presencial à Dra. Rita Coelho e aos seus colegas no dia 25 de Março de 2010

Para saber mais:
Instituto Português de Malacologia (IPM): http://www.ipmalac.org/

Rita Coelho - Um percurso de vida

Parte I – Percurso Académico

Rita Coelho licenciou-se em Biologia na Universidade Aveiro, onde teve uma vida académica activa fazendo parte do Bionúcleo e da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv). Foi enquanto estagiária do Instituto da Conservação da Natureza (ICN) que leu a notícia de um projecto que ganhara o Prémio Milénio Sagres/Expresso, desenvolvido pelo Doutor Gonçalo Calado, na altura presidente do Instituto Português de Malacologia (IPM).

Sempre curiosa e extremamente interessada, foi mantendo contactos com o Doutor Gonçalo, que forneceu-lhe mais detalhes sobre este interessante projecto de reprodução de lesmas-do-mar para extracção de substâncias com fins farmacológicos. O objectivo era estudar o ciclo de vida destes moluscos opistobrânquios para que se conseguisse proceder à sua reprodução, com sucesso, em meio laboratorial, e, posteriormente, extrair substâncias químicas destes animais para análise e estudo, tendo como fim a síntese em laboratório de compostos relevantes para a biomedicina. Sendo, os opistobrânquios, animais de tamanho reduzido e a maioria sem concha, adquiriram, no seu percurso evolutivo, estratégias de protecção contra os predadores, como a libertação secreções mucosas cujas moléculas orgânicas são tóxicas para os seus inimigos, mas que revelam potenciais capacidades anti-cancerígenas e analgésicas para o ser-humano. Recorda, numa entrevista dada à Linhas, Revista da Universidade de Aveiro (2006), que foi num misto de entusiasmo e hesitação que acabou por aceitar trabalhar neste projecto. Lembrando-se da falta de experiência inicial com estas espécies de moluscos, não esquece a sapiente frase do Doutor Gonçalo Calado: “não sabes, mas aprendes”.

Tão bem desenvolveu o seu trabalho que permaneceu ligada ao IPM, agora para realizar o doutoramento em ambiente empresarial, cujo tema é “Avaliação do Potencial de Cultivo de Moluscos Gastrópodes com Interesse para a Indústria da Aquariofilia”. Com este projecto propõe estudar os ciclos de vida, o desenvolvimento embrionário e larvar, assim como realizar experiências de optimização de cultivo das várias espécies em estudo. Deste modo, dedica-se a várias áreas da Biologia: zoologia, biologia do desenvolvimento, fisiologia, histologia e ecologia, entre outras; colaborando com outras instituições como a Universidade do Algarve ou o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) no Porto.

A Dra. Rita é uma mulher que gosta de desafios e não consegue estar parada. O próximo passo foi a criação de uma empresa, que abordaremos no próximo texto.

sexta-feira, 26 de março de 2010

A Economia e a Universidade

Deixo aqui a sugestão de dois livros que li recentemente.

O primeiro, intitulado Economia para todos, aborda, de um modo simples e abrangente, os conceitos básicos para uma boa compreensão da economia. Parece-me de importante leitura atendendo aos tempos que correm, em que a economia e as contas do país estão na ordem do dia. Um cidadão bem informado torna-se capaz de emitir opiniões bem fundamentadas.
Este livro começa por dar a conhecer a macroeconomia; aborda a questão do dinheiro e a sua relação com as taxas de juro, as taxas de câmbio e a inflação; no capítulo que mais me cativou aborda a importância da expectativa dos consumidores e a sua relação com a inflação, o produto e outras variáveis macro. A segunda parte do livro é dedicada a alguns tópicos sobre o histórico e a mecânica económica de onde saliento os capítulos sobre os fundamentos do cálculo do PIB, do PNB, da depreciação e uma atenção particular dada ao investimento, poupança e empréstimos externos.
É importante referir que David Moss, o autor deste livro, não teve a ambição de tornar o leitor um expert em economia, mas apenas fornecer-lhe algumas bases para a compreensão do mundo que o rodeia.

O segundo livro, de leitura mais fácil e rápida, mas igualmente interessante, é intitulado O Futuro Inventa-se, da autoria de António Câmara, docente na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT-UNL) e fundador da empresa YDreams. Ganhou o Prémio Pessoa em 2006.
Neste pequeno livro, fala da sua experiência universitária e reflecte sobre os desafios no ensino, na investigação científica e para o empreendedorismo universitário. Ao longo da leitura é analisado o que está a ser feito nas universidades, a aposta que deve ser feita na criatividade e no empreendedorismo dos alunos, e que resultados esperar dos jovens dinâmicos e bem preparados que vão ingressar no mercado de trabalho com muito conhecimento para colocar em prática.

Fontes:
- David A. Moss, Economia para todos, Academia do Livro, Alfragide, 2009
- António Câmara, O Futuro Inventa-se - a formação de jovens criativos e empreendedores e o papel da nova universidade, Editora Objectiva, Carnaxide, 2009

sexta-feira, 19 de março de 2010

Limpar Portugal

É já amanhã que terá lugar o Projecto Limpar Portugal (PLP).
Este projecto, impulsionado por três cidadãos sem qualquer militância ecológica, pretende recolher lixo depositado ilegalmente nas florestas e em espaços verdes, com o apoio de todos os interessados em melhorar o ambiente das áreas que os rodeiam. Já se contam mais de 50.000 voluntários e o Alto Patrocínio da Presidência da República.

Quando escrevemos neste blog que os cidadãos devem tomar a iniciativa de melhorar a sociedade, em vez de esperarem que alguém faça o que falta fazer, é a exemplos destes que nos referimos. Um excelente exemplo da mobilização da Sociedade Civil, em prol de um bem comum. Sigamos, pois, o lema deste projecto: "Mãos à obra. Limpar Portugal" 

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Sucesso de Escritor

Numa das minhas deambulações pela estrada da internet, li alguns conselhos sobre como escrever um bom livro, conselhos esses do escritor brasileiro Mário Persona. O texto termina com uma observação crítica da profissão escritor, em terras brasileiras, informando que é extremamente difícil ganhar dinheiro através da escrita. Essa análise é feita em formato de estória, em que Persona relata o diálogo entre um escritor e um amigo:

"- Eu agora vivo de escrever livros. Ganho a vida a escrever livros.
- Que bom! Interessante! Já vendeu muito? – pergunta o amigo.
- Já vendi quase tudo. Já vendi carro, casa, bicicleta, cachorro, geladeira…"

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

2010, projectos e o Zoomarine

Janeiro é o mês da transição, por excelência. Analisamos o que fizemos, e ponderamos o que deve ser feito no novo ano. Foi neste âmbito que escrevi um texto para o blog do zoomarine, e que deixo aqui a ligação: (ZoomarineBlogue).

Boas leituras.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Nova Antologia da Poesia Portuguesa

Para o J.M.


A Porto Editora publicou em Novembro do ano que passou uma nova antologia da poesia portuguesa, que reune trabalhos de autores portugueses desde o século XIII até à actualidade (2008). A utilidade deste tipo de obras está na divulgação no mesmo volume, ou na mesma colecção, de vários autores representativos da sensibilidade literária de um tempo. De facto, passados os séculos e as suas circunstâncias, muitos escritores ficam esquecidos e as suas obras geralmente desconhecidas. Em princípio, excluindo o desinteresse de um povo por si mesmo, o critério que existe é o do mérito. Porém, um bom conhecimento de uma Literatura nacional tem que incluir os autores considerados bons e os autores menos talentosos. Não se pode supor que se percebe o Romantismo português tendo lido só Garrett e Herculano, pois ficariam faltando Rebelo da Silva, Arnaldo Gama, Coelho Lousada, António Feliciano de Castilho, etc. São os trabalhos de todos eles que ampliam a visão de uma época literária e tornam o seu estudo mais completo e honesto. As antologias, como as velhas selectas da escola, têm a vantagem de mostrar um tempo, um contexto, a sua mentalidade e, consequentemente por comparação, de destacar os escritores de grande talento dos seus outros contemporâneos sem no entanto os esquecer. Porém, também têm o defeito da escolha. A falta de espaço e outros factores impedem a divulgação de tudo ou até de um pouco de tudo quanto se fez numa Literatura. A antologia apresentará uma síntese (submetida a certo critério) e com ela pistas de investigação posterior, mas não esgota nem os autores nem as obras. O Armarium Libri analisou brevemente a presente antologia e é de opinião que apresenta as vantagens e as desvantagens referidas. Os próprios organizadores o referem. A obra recupera autores esquecidos como o Abade de Jazente (1719-1789) ou João Xavier de Matos (1730-1789), omite autores menos conhecidos como Curvo Semedo (1766-1838) e relembra autores de sempre como Bocage (1765-1805) e Cesário Verde (1855-1886). Como se diz na Introdução, é também a primeira vez que o século XX é completamente incluído numa antologia. E é igualmente a primeira vez que se relaciona com o início do século presente. Em todo o caso, esta antologia tem a utilidade de fornecer um panorama da poesia portuguesa ao longo do tempo, convidando os leitores (e críticos) a avaliar o mérito dos autores divulgados.


Referência:

"Poemas Portugueses - Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI", selecção, organização e notas de Jorge Reis-Sá e Rui Lage, Porto, Porto Editora, 2009.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Dr. Jekyll & Mr. Hyde

A história começa com o relato de um estranho acontecimento, relato esse, contado pelo Sr. Richard Enfield ao seu parente afastado, Sr. Utterson, advogado de profissão. O advogado fica a saber que anda um indivíduo, bruto, a vaguear pela cidade, e que, certo dia, ao cruzar uma esquina, não se apercebendo da presença de alguém na rua transversal, choca com uma pequena rapariga. Acidentes acontecem, mas este misterioso indivíduo em vez de pedir desculpa e ajudar a criança, pisando-a prossegue como se nada tivesse acontecido, até ser impedido por Enfield que testemunhara o sucedido. Já com a vizinhança à volta dos intervenientes, o Sr. Edward Hyde, o tal indivíduo sem escrúpulos que magoara a criança, aceita oferecer uma quantia avultada para compensar a família da vítima e, assim, evitar um possível linchamento público ou um escândalo pondo em causa o seu nome. Algumas testemunhas acompanham o Sr. Hyde a sua casa de modo a garantirem que o dinheiro é realmente entregue. Para além das dez libras em ouro, o culpado também passa um cheque. Acontece que este cheque vem assinado por uma pessoa ilustre, reconhecida pela sociedade, que se vem a saber ser o médico e cientista Dr. Henry Jekyll. Estando as testemunhas desconfiadas, e com razão, da incompreensível relação entre o respeitado Dr. Jekyll e o abominável Sr. Hyde, decidem aguardar pela abertura do Banco e comprovar a validade do cheque, que se veio a observar válido.


O Sr. Utterson também estranha esta relação entre as duas personagens opostas, e reflecte sobre o caso. Para mais, sendo advogado do Dr. Jekyll e tendo em sua posse o testamento do médico, relê-o, encontrando uma referência ao Sr. Hyde em que será este o herdeiro dos bens do doutor em caso de morte ou desaparecimento deste. Utterson começa a suspeitar de uma qualquer chantagem sobre o médico e decide investigar este mistério.

Quem será este Sr. Edward Hyde, que mais tarde se revela um assassino? Qual a relação com o médico Henry Jekyll? Estará a chantageá-lo? Por que razão? Estará a vida de Jekyll em perigo? Estas são algumas das questões colocadas ao longo da leitura do livro.

O autor, o escocês Robert Louis Stevenson (1850-1894), reflecte nesta obra sobre a ambiguidade moral, a natureza humana, e o conflito entre o bem e o mal. É portanto uma boa leitura, fácil e rápida (é um conto breve), e simultaneamente faz-nos pensar e reflectir sobre questões importantes. Não é por acaso que esta obra é considerada um dos grandes clássicos da literatura europeia oitocentista, podendo ser incluído nas categorias de policial, mistério, ficção-científica ou horror.

Bibliografia:

Robert Louis Stevenson, O Estranho Caso do Dr. Jekyll e do Sr. Hyde, Quasi Edições, Vila Nova de Famalicão, 2008 – Tradução de Fernando Dias Antunes.

Nota 1: O título original da obra é: The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde.
Nota 2: R. L. Stevenson é autor de outros clássicos como A Ilha do Tesouro e A Flecha Negra.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

C. Darwin e F. Kafka

Na continuação das celebrações dos 200 anos do nascimento de Charles Darwin, e dos 50 anos da sua obra “A Origem das Espécies”, divulga-se mais uma iniciativa no âmbito da Evolução.


Está em cena no Teatro da Trindade a peça “A Conferência de um Macaco”, baseada na obra “Relatório a uma Academia” (1917), de Franz Kafka (1883-1924). Esta apresentação estará patente de 29 de Outubro a 20 de Novembro, às 15h.


A Conferência ...

A incrível história de um macaco que em 5 anos deixa de o ser. O ex-macaco apresenta-se perante nós vestido elegantemente, no apogeu da sua carreira e dá uma conferência descrevendo em linhas gerais o percurso e o estado actual da sua evolução — desde a captura em África, passando pelo circo, pelos espectáculos de variedades, a educação intensa e concentrada que recebeu — até chegar ao nível de cultura e urbanidade de um Europeu.

Com muito humor e uma certa dose de crueldade, numa perspectiva insólita, aborda as questões do evolucionismo. Sem fins didácticos, sem vincular conhecimentos científicos exactos, o legado de Darwin pela pena de Kafka é sintetizado num genial relato na primeira pessoa.

Nesta conferência o ex-símio, dá conta da sua experiência pessoal: uma amálgama concentrada dos mecanismos da evolução. Um mergulho frio e consciente no mistério da passagem dos primatas a Homo sapiens sapiens, da irracionalidade à racionalidade, da animalidade à humanidade, da natureza à cidade...” – informação retirada do PDF de divulgação, p.2.

Para mais informações consultar:






Ficha artística:

A partir da obra de Franz Kafka

Dramaturgia e encenação: Annalisa Bianco, Virginio Liberti, A. Pinheiro

Com: Amândio Pinheiro

Biólogos: André Levy, Francisco Branco

Vídeo: João Leal, José Pedro Magano

Mascaras: Elena Veggetti, Marco Picarreda

Som: Otto Rankerlott

Produção: Sara Paz

Direção Técnica: Filipe Pinheiro

Comunicação: Olívia Justo Coelho

Imagem: Maria Abreu

Duração: 35 min.

Ciência e Solidariedade

A Associação Viver a Ciência (VaC), é uma associação constituída por cientistas que têm por objectivo geral divulgar o trabalho científico e envolver a comunidade na investigação científica - para saber mais, consultar: http://viveraciencia.org/index.php?option=com_content&task=view&id=16&Itemid=73


Entre os vários projectos em que esta equipa está envolvida, destaco o “Simbiontes”, que passo a divulgar:

A Associação Viver a Ciência (VaC) tem vindo a desenvolver a primeira edição do Simbiontes, um projecto cuja estreia consistiu numa parceria com o IPO de Lisboa e o Ar.Co e visa a angariação de fundos para a investigação em cancro realizada em Portugal.

Dia 28 de Novembro às 17h serão leiloados no Chiado Plaza, em Lisboa, 13 telas e 27 ilustrações produzidas por crianças em ambulatório no IPO, que participaram em oficinas de arte e ciência desenvolvidas pela VaC e pelo Ar.Co. A exposição dos quadros ficará patente ao publico até ao Natal. Os fundos obtidos com o leilão e com as actividades associadas a esta edição do Simbiontes serão para aplicar posteriormente na investigação em cancro, mediante concurso.

Paralelamente, haverá, também no Chiado, uma loja com os produtos alimentares premiados com o rótulo “Sabor do Ano 2009”. O lucro de vendas destes produtos revertem para o projecto “Simbiontes”.

Para que estas duas actividades possam ser bem sucedidas precisamos de voluntários para estar no local dos eventos, no Chiado, - em slots de 4 horas- e ajudar a coordenar a exposição e/ou o processo de venda na loja. Fins-de-semana, feriados e dias úteis entre as 17h e as 20h são as épocas que mais necessitam de colaboração.


Os voluntários que marcarem presença neste evento, terão garantido o acesso à Internet (móvel), caso levem o seu portátil.


Saiba mais sobre o projecto Simbiontes no website da Associação Viver a Ciência (http://viveraciencia.org/index.php?option=com_content&task=view&id=197&Itemid=187).


Aos voluntários que não sejam nossos associados, temos para oferecer uma anuidade gratuita como associado da Associação Viver a Ciência, com todas as vantagens que lhe estão associados - consultar lista de benefícios dos Sócios da VaC em (http://viveraciencia.org/index.php?option=com_content&task=blogcategory&id=23&Itemid=85)

Ajudem com o vosso tempo, é por uma boa causa!

Muito obrigada!

A equipa do Simbiontes

Publicado simultaneamente em www.raphus-cucullatus.blogspot.com

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Darwin - As celebrações continuam

Programa para este fim-de-semana:

As celebrações dos 200 anos do nascimento de Charles Darwin e dos 150 anos da publicação da "Origem das Espécies" continuam.

Este fim-de-semana tem lugar mais uma iniciativa que pretende dar continuidade à reflexão e à divulgação sobre a temática evolutiva.


Esta iniciativa continuará nos dias 25 e 26 de Novembro.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Gato Fedorento - Esmiuça os Sufrágios II - A pobreza das entrevistas

O programa da RTP1 "Gato Fedorento - Esmiuça os Sufrágios", de que já falámos neste blog, é, em geral, um programa bem conseguido. Tem peças divertidas e bons comentários humorísticos, que demonstram inteligência na análise da realidade política. A entrevista, se nos é permitida a apreciação, é que nos parece pobre. Ricardo Araújo Pereira recebe diariamente uma figura importante da política e tem um rol de perguntas pré-determinadas, ao que parece, embora haja também algum espaço para a improvisação, geralmente perspicaz e oportuna. É por isto que lamentamos que as entrevistas se pareçam menos do que deviam com um diálogo. E menos do que deviam com um diálogo interessante. Os Gato Fedorento têm uma lista de perguntas sobre situações bem conhecidas em que os entrevistados foram protagonistas, mas demasiado voltadas para o pitoresco e menos para o caso sério. A acrescentar, como as perguntas são estanques e não há ali espaço para fazer réplicas, à excepção dos improvisos do apresentador, as conversas primam de facto pela ausência de conversa. Isto torna a entrevista leve e fácil de ver, mas nem sempre divertida e poucas vezes interessante. Além de que se perde a oportunidade de reter o testemunho dos protagonistas, já que é mais ao facto superficial e risível e não ao conteúdo dos acontecimentos que se tem dado importância. Pensamos que, numa época em que tudo parece ser veloz - e mais grave até, com a tutela da lei - desde os cursos universitários remodelados por Bolonha, até aos noticiários da televisão, fica-se sem o sumo das matérias quotidianas. Os Gato Fedorento têm categoria para serem menos superficiais e para de facto chamar a atenção para a importância da Política e daquilo que os políticos andam a fazer. Se são tão conhecidos e admirados, aqui teriam uma oportunidade para interessar quem os vê nestes temas. Porque, de facto, os políticos não podem fazer Política sós. Se representam um Povo, ele deve ser chamado a fazer parte do seu trabalho. Como disse Péricles: "Aqui não dizemos que o homem que não tem interesse pela política se preocupa apenas com o que lhe diz respeito - dizemos que ele nem sequer aqui devia estar." (dito em c. 450 a. C., Cit. "História da Vida Quotidiana, Selecções do Reader's Digest, 1993, p.73)

Cartas do meu Moinho

Para o Tavares, que está longe.


“Cartas do meu Moinho” (no original “Les Lettres de mon Moulin”), publicado em 1869, é um livro de pequenas histórias, todas diversas, mas todas ligadas através das aventuras do narrador que as conta a partir de um “moinho de vento e de farinha, sito no vale do Ródano, em pleno coração da Provença, numa encosta coberta de pinheiros e azinheiras”[1]. Tendo vindo à procura de um sítio tranquilo para pensar e para escrever, o narrador, cujo espaço se centra essencialmente no moinho, vai contando histórias que ouve no ambiente circundante, sem deixar de revelar algo de si também. Há histórias que ouviu a vizinhos, outras que se contam de tradição, histórias do seu passado e as suas próprias aventuras na Provença e no velho moinho, que está abandonado há mais de 20 anos. No dia em que chega, depois de ter comprado o imóvel a um pequeno proprietário casado com a neta do Tio Cornille, proprietário original e moleiro já falecido, o Sr. Daudet encontra-se logo com outros moradores que, alheios a contratos de transmissão de direitos reais e muito terra-a-terra no que toca a procurar casa, já lá viviam há anos. “Foi uma surpresa para os coelhos!... Havia tanto tempo que viam a porta do moinho fechada, as paredes e a plataforma invadidas pelas ervas, que tinham acabado por acreditar que se extinguira a raça dos moleiros, e, como o lugar lhes parecera bom, instalaram nele uma espécie de quartel-general (...). Na noite da minha chegada, havia lá pelo menos sem exagero, uns vinte, sentados em círculo na plataforma, como se aquecessem as patas a um raio de luar... (...) Quem ficou também muito espantado, ao ver-me, foi o locatário do primeiro andar, um velho mocho sinistro, de cabeça de pensador, que habita o moinho há mais de vinte anos. Encontrei-o no quarto de cima, imóvel e hirto (...), no meio da caliça e das telhas caídas. (...) Mas não faz mal! Assim como é, com os seus olhos piscos e a sua expressão carrancuda, este locatário silencioso agrada-me mais do que qualquer outro, e, por isso, apressei-me a renovar-lhe o arrendamento.”[2] Depois vêm as histórias, de todas as proveniências. Há um pastor que contribui com uma sobre como uma noite ao ar livre, igual a todas as outras, pôde tornar-se numa noite verdadeiramente bela (“As Estrelas”); há a história dramática de Jan, filho de um lavrador abastado e perdido de amores por uma arlesiana de cabeça leve, que lhe conta um dos criados da casa (“A Arlesiana”); há a curiosíssima história do coice que a mula do Papa guardou durante sete anos para um certo maroto que a tratou mal, e que veio a transformar-se em dito popular, esta investigada pelo próprio Daudet numa biblioteca local, já que ninguém sabia a origem do dito (“A Mula do Papa”); a história da estada num farol da Córsega, com os seus funcionários (“O Farol dos Sanguinários”); a história que ao narrador contou o patrão Lionetti, quando há anos percorria com ele o mar da Sardenha, sobre a fragata Semillante, perdida no mar (“A Agonia da «Sémillante»”); e outras mais. As histórias, invariavelmente breves, têm uma simplicidade e uma ternura, próprias da observação particular do narrador. São quadros curtos sobre numerosos assuntos que vêm a propósito do moinho, ou apenas das reflexões pessoais. O autor, Alphonse Daudet, nasceu em Nîmes em 1840 e começou por publicar versos, em 1858. Prossegue a carreira com algumas narrativas cheias de sensibilidade poética, mas acaba por chegar ao realismo, tendo mesmo recebido um elogio de Émile Zola, célebre autor naturalista. Daudet morreu de doença em 1897, há 112 anos.

Algumas obras do autor:

"Les Amoureuses", poesia, 1858
"La Dernière Idole", teatro, 1862
"Le Petit Chose", romance com recordações da juventude, 1868
"Les Lettres de mon Moulin", invocações da Provença, que teve a colaboração de Paul Arène, 1869
"L’Arlésienne", 1872
"Tartarin de Tarascon", também evocativo da Provença, 1872
"Contes du Lundi", livro patriótico, 1873
"Fromont jeune et Risler aîné", narrativa realista sobre o comércio e a indústria em Paris, 1874
"Jack", 1876
"Le Nabab", sobre a política, 1877, elogiado por Émile Zola, escritor naturalista
"Les Rois en exil", 1879
"Numa Roumestan", 1881
"L’Évangeliste", sobre o fanatismo religioso, 1883
"Sapho", sobre os artistas e a boémia, 1884
"Tartarin sur les Alpes", com o herói já referido noutro título, 1885
"L’Immortel", sobre os estudantes, 1888
Port-Tarascon, romance, 1890[3]

Notas:
[1] Alphonse Daudet, Cartas do meu Moinho, Publicações Europa-América, 1971, p.7. A Provença é uma região francesa situada a SE do país.
[2] Ibidem, p.9. A imagem acima vem da capa deste livro.
[3] A lista vem em “XIX Siècle”, André Lagarde et Laurent Michard, Bordas, 1968, p.498.

Novo Blog

Caros leitores:

Informa-se que os autores encontram-se envolvidos num outro blog científico:

http://www.raphus-cucullatus.blogspot.com/

Este continuará igualmente a funcionar.

Cumprimentos

Quem foi Lineu?

No inquérito realizado neste blog há uns meses, perguntou-se “Quem foi Carl Linnaeus (Lineu)?”. Das quatro opções - compositor, botânico, médico ou romancista – os leitores do blog votaram maioritariamente em botânico (85%, 6votos) e em menor número optaram por médico (28%, 2votos). Tendo havido 7 votações (7 pessoas votaram), mas 8votos, significa que um votante optou pelas duas opções (botânico e médico).


Conclusões: uma vez que as duas hipóteses estão correctas, pode concluir-se que Lineu é uma personalidade histórica conhecida dos leitores, pelo menos no que concerne ao estudo da natureza. Outra conclusão, é que apesar da familiaridade dos leitores com este cientista, o seu contributo científico não está completamente divulgado. Fica então a nota que para além do contributo do Lineu para a História Natural e para a Medicina, o cientista também deu um contributo para a economia do seu país. Para saber mais sobre este cientista sueco do Iluminismo, deixarei referências bibliográficas no final. Apresento de seguida, um sintético esboço da vida do botânico e médico (a perspectiva económica não será aqui analisada).

Quem foi Carl Linnaeus (Lineu)?

Carl Linnaeus (1707-1778), mais conhecido por Lineu, nasceu em 1707 em Småland, uma província pobre do norte Báltico, filho de Christina Brodersonia (1688-1733) e de Nils Ingemarsson Linnaeus (1674-1748).

Lineu viveu num período histórico em que aumentava o interesse pelo estudo da natureza e isso reflectia-se nas colecções de animais preservados em recipientes de vidro, nos magníficos livros de História Natural, nas colecções privadas de fauna e flora nos salões dos nobres e nos gabinetes de curiosidades – antecedentes dos museus de ciências.

O famoso aforismo: “Deus criou, Lineu ordenou”, deriva do trabalho realizado pelo naturalista que consistira em observar várias espécies de animais e plantas e, de seguida, classificá-los e colocá-los em grupos, consoante a sua semelhança morfológica. Lineu hierarquizou essas características das mais gerais (Reino) para as mais específicas (espécie), e criou uma nomenclatura binomial, isto é, a nomenclatura científica das espécies passou a ser designada por dois nomes: o epíteto genérico (indica o género) seguido de um epíteto específico (indica a espécie), em forma latinizada (e.g. Homo sapiens). O resultado do seu trabalho taxonómico encontra-se patente na sua obra-prima, o Systema naturae (1735).

Lineu é lembrado como um naturalista sueco do século XVIII e como um grande especialista em botânica. O que não é muito conhecido é o facto de Lineu também ter sido médico. Vejamos:

A 23 de Junho de 1735, Lineu tornou-se Doutor em medicina pela Universidade de Harderwijk, na Holanda, cuja dissertação foi sobre a etiologia da malária. A sua ligação à medicina não se limitou ao doutoramento, pois de 1738 a 1741 trabalhou como médico em Estocolmo, onde se especializou numa doença sexualmente transmissível, muito comum na época, a sífilis. Em 1741, tornou-se professor de medicina na Universidade de Uppsala.



Referências Bibliográficas:

Koerner, Lisbet; Linnaeus: Nature and Nation, third printing, Harvard University Press, 2001

Para saber mais: