domingo, 27 de junho de 2010

O Mundo de Sofia


Sobre o Livro:
Conta a estória de uma jovem rapariga, Sofia, que começa por receber pelo correio cartas com perguntas estranhas, como “Quem és tu?” e “De onde vem o Mundo?”. Seguem-se mais cartas com mais interrogações, mas também com explicações. Vem a descobrir, mais tarde, que quem tem andado a remeter-lhe a correspondência é um professor de filosofia, Alberto Knox, com o intuito de dar-lhe a conhecer não só a disciplina, mas levando Sofia numa interessante, e igualmente fascinante, viagem pelo pensamento filosófico ao longo dos séculos, desde a época dos filósofos pré-socráticos e da Antiguidade, passando pela Idade Média, Renascimento, Iluminismo, até ao presente. O enredo adensa-se quando Sofia recebe postais de um major, de nome Albert Knag, funcionário da ONU em missão no Líbano, mas esses postais são destinados a Hilde, filha do militar. Para além da reflexão dedicada às lições que tem recebido do filósofo, Sofia debruça-se ainda a tentar descobrir quem é Hilde, e por que razão o major envia postais para a sua residência. Este é um romance repleto de reviravoltas, em que nem tudo o que parece é.

O autor aborda uma variedade de acontecimentos e de personagens históricas, mas, mais relevante ainda, faz a contextualização no período em análise, algo muito importante em história. Esta contextualização histórica da sociedade ocidental é extremamente importante para a nossa formação individual e enquanto cidadãos, para melhor compreensão da sociedade que nos rodeia. O autor salienta esta importância logo na abertura do livro, com uma citação do pensador e escritor alemão Johann Wolfgang Goethe: “Quem não sabe prestar contas de três milénios permanece nas trevas ignorante, e vive o dia que passa.”

Se bem que este é um romance inicialmente dedicado a jovens, na minha opinião pode e deve ser lido por pessoas de todas as idades, e por todo o público. Se o leitor gosta de temas como filosofia, história, ciência, religião, política, aventura, mistério, suspense, ou simplesmente de boa literatura, então este é um excelente livro para si. Não se trata apenas de uma leitura de lazer, mas de uma aprendizagem informal.

Sobre o autor:
Jostein Gaarder nasceu em 1952, estudou Línguas Escandinavas e Teologia na Universidade, foi professor de Filosofia, e é autor de diversos contos e romances para crianças jovens. Ganhou vários prémios literários, mas foi com “O Mundo de Sofia” (1991), a sua obra mais conhecida, que ganhou uma maior projecção internacional. Desde 1993 dedica-se exclusivamente à carreira literária.

Fonte:
Jostein Gaarder, “O Mundo de Sofia”, 29ª edição, Editorial Presença, Barcarena, 2009 – tradução de Catarina Belo.

O regresso de Salgari


O escritor italiano Emilio Salgari (1862-1911) é uma das referências mais perenes da cultura popular europeia, senão mundial. E, no entanto, como o Charlot que no imaginário do público substituía o Chaplin seu criador, fica muitas vezes na sombra de heróis como o Sandokan. Os livros de Salgari eram um dos supremos prazeres da juventude portuguesa desde o início do século XX, mas o autor terá ficado um tanto esquecido durante os anos ’80 e ’90. Outros heróis mais espectaculares, mas menos humanos, tomaram o lugar das suas personagens: lembramos, ao acaso, o Sangoku, as criaturas bizarras do Pokemon, os X-Men e as Tartarugas Ninja. Porém, há um certo amadurecimento que se consegue com o passar dos anos e dos trabalhos e que devolve aos antigos fãs destes heróis irreais o gosto por uma boa aventura salgariana, em espaços verosímeis, com personagens coerentes e humanas, deixando no leitor uma impressão saborosamente realista da ficção. Falamos assim, pois Emilio Salgari está a regressar às livrarias portuguesas em edições modernas. Para quem não o conhece ainda, este autor nasceu em Verona (Itália) a 21 de Agosto de 1862 numa família burguesa, estudou no Instituto Técnico Naval de Veneza, tendo podido viajar e descobrir o seu talento literário, pois “alguns apontamentos sobre as suas impressões de viagem despertaram nele a vocação de escritor e, em 1883, iniciou-se no periódico milanês La Valigia, com um conto intitulado Os Selvagens da Papuásia.”[1] Fixado na sua terra natal, Salgari começou a publicar em folhetins o romance Tay-See, que em volume teve o título A Rosa do Dong-Giang. “Deu assim início à sua, ao mesmo tempo feliz e atormentada, carreira de escritor”[2]. Casado e com quatro filhos, Emilio Salgari passou a vida preocupado com dívidas e cheio de trabalho, a fazer lembrar o nosso Camilo Castelo Branco (1825-1890), cujo génio literário nem sempre é evidente no meio do afã para assegurar mais uma refeição na mesa familiar. Assim, “da pampa às Caraíbas, da Malásia ao Oeste americano, de África ao Oriente, Salgari povoou a Terra de heróis e heroínas atormentados e arrojados, de injustiças, vinganças e paixões; não importa que nunca tenha sulcado os mares, nem tenha cruzado as selvas (...); não importa que toda a documentação tenha sido obtida na biblioteca pública, nem que nunca tenha sido um herói de verdade. Salgari foi algo mais, foi e é o pai dos heróis, o que permite que todos os seus leitores sulquem os mares, ele que nunca navegou [sic], e combatam a injustiça com a mesma valentia dos heróis com quem sonhou.”[3]
De Emilio Salgari estão disponíveis em Portugal:

Os Mistérios da Selva Negra, Temas e Debates, 2003
O Corsário Negro, Via Óptima, 2009 (ou Temas e Debates, 1997)
O Capitão Tormenta, Via Óptima, 2009
A Rainha das Caraíbas, Via Óptima, 2009
Viagem sobre o Atlântico em Balão, Sopa de Letras, 2010

Notas:
[1] Emilio Salgari, Os Mistérios da Selva Negra, Lisboa, Temas e Debates, 2003, p.5 (nota introdutória sobre a vida de Salgari, que aqui seguimos).
[2] Ibidem.
[3] Ibidem, p.6.
A imagem exposta acima vem da Nova Enciclopédia Larousse, dir. de Leonel de Oliveira, vol.20, Círculo de Leitores, 1999, p.6181.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Workshop Compostagem - Lagartagis

A Lagartagis vai realizar este Sábado, 19 de Junho, às 11h, um workshop de compostagem doméstica [1]. Serão abordados quais os materiais e os melhores organismos a utilizar e quais os cuidados a ter com o compostor.

Esta actividade é dirigida ao público em geral, e a grupos familiares. As inscrições terminam no dia 17 de Junho.

Mais informações em:

Serviço de Extensão Pedagógica (SEP)

Lagartagis – Museu Nacional de História Natural
Jardim Botânico
Rua da Escola Politécnica, 58
1250-102 Lisboa
E-mail: lagartagis@museus.ul.pt
Telf: 210 443 510



[1] Este tema já foi abordado neste blog, aqui.

domingo, 13 de junho de 2010

"Cultura Científica 2010"

Cultura Científica 2010


Nesta última terça-feira, 8 de Junho, celebrou-se o dia do Agrupamento na escola Nº3 dos Olivais, Piscinas. Neste dia, os alunos participaram em actividades desportivas, exibiram os seus trabalhos realizados ao longo do ano lectivo, e visitaram as salas de aulas que possuíam diferentes exposições dedicadas às várias disciplinas. O estabelecimento de ensino esteve aberto também a ex-alunos, encarregados de educação e às outras escolas do Agrupamento.

Uma vez mais, em semelhança ao ano anterior, fui convidado pelas docentes da disciplina de Ciências Naturais para realizar um evento que complementasse as actividades que viriam a ser desenvolvidas no âmbito do dia do Agrupamento. Desta vez, a iniciativa organizada adquiriu a designação de “Cultura Científica 2010”, tendo como objectivos levar a ciência e os cientistas à escola, dar a conhecer as instituições científicas aos professores e possibilitar a troca de contactos e de experiências entre as várias instituições.

Logo de manhã montou-se a exposição “Laboratório de Imagens”, emprestada pela Associação Viver a Ciência (VaC), com fotografias tiradas durante o processo de investigação científica. Estas figuras expostas serviram de base a um concurso dirigido aos alunos, que pretendia que estes reinterpretassem as imagens, representando o conceito observado de uma outra perspectiva (prémios para os melhores desenhos). Antes do almoço ainda houve tempo para duas palestras, uma sobre a Biodiversidade (por João Monteiro) e outra sobre a importância da História (por Luís Henriques).

De tarde, houve uma palestra sobre insectos no geral e as borboletas e suas metamorfoses em particular (por Lagartagis). Também o Instituto Gulbenkian Ciência (IGC) esteve presente, abordando a questão da hereditariedade, e realizando a extracção de ADN com recurso a reagentes caseiros. Paralelamente a estas actividades, no exterior da sala, a empresa de divulgação científica Neurónios Curiosos realizava actividades interactivas destinadas à jovem audiência, como demonstrações de um vulcão em erupção, metamorfoses de insectos, produtos obtidos através da reciclagem de materiais usados, entre muitos outros.

De salientar que o Jardim Botânico de Lisboa não conseguiu estar presente, mas colaborou fornecendo uma chave dicotómica para a identificação de plantas, que foi usada no final da palestra da biodiversidade. Após a observação de algumas imagens de plantas, os alunos tiveram de identificá-las com recurso à chave dicotómica fornecida, relembrando o modo de usá-la e a sua importância para a identificação das espécies vivas.

Também o Zoomarine colaborou nesta iniciativa, fornecendo material de divulgação.

Desde já, os meus agradecimentos a estas instituições, assim como ao Luís Henriques (apoio na organização) e à comunidade docente, em particular à Professora Elsa Costa (ligação à escola).

Tal como no ano passado, foi oferecido um livro para a biblioteca da escola. Desta vez ofereci "Os Amigos da Menina do Mar", da autoria da bióloga Raquel Gaspar (VaC), no âmbito de um projecto em colaboração com o Instituto Português de Oncologia (IPO), que visa obter fundos para a investigação oncológica.

Colaboraram neste evento:
- Associação Viver a Ciência (VaC): http://viveraciencia.org/index/

- Instituto Gulbenkian Ciência (IGC): http://www.igc.gulbenkian.pt/

- Jardim Botânico de Lisboa (com material de divulgação): http://www.jb.ul.pt/  


- Neurónios Curiosos: http://www.neuronioscuriosos.pt/

- Zoomarine (com material de divulgação): http://www.zoomarine.pt/start.php e http://zoomarineblogue.blogs.sapo.pt/

"Neurónios Curiosos" rodeados de jovens super interessados.



Lagartagis fala da metamorfose das borboletas para uma audiência atenta.

O IGC explica os fenómenos de hereditariedade, e procede à extracção de ADN com reagentes caseiros! 










Novamente este ano, a Evolução de Charles Darwin marcou presença neste evento. Aliás, bem a propósito, termino este texto com a frase do biólogo Dobzhansky (1900-1975): "Nada em Biologia faz sentido sem ser à luz da Evolução".

domingo, 16 de maio de 2010

Domingo - Ciência no Mundo Mix 10

O Castelo de São Jorge, em Lisboa, acolheu novamente este ano o Mercado Mundo Mix, iniciativa que teve a sua origem no Brasil e que propõe dar a conhecer o que de novo anda a ser feito nas áreas da arte, música, moda e design.
Para além das artes, também a Ciência esteve presente, através da Associação Viver a Ciência (VaC) e Instituto Gulbenkian Ciência (IGC). Esta iniciativa científica teve por objectivo aproximar a Ciência dos cidadãos, com o intuito de dar a conhecer o trabalho dos investigadores. Realizou-se a extracção de ADN de morango com recurso a reagentes caseiros e outras actividades interactivas com o público. Venderam-se canecas com imagens de observações microscópicas realizadas pelos cientistas (parceria IGC e Vista Alegre), assim como livros de divulgação científica dirigidos a um público mais jovem: "Os Amigos da Menina do Mar", "Caracol, Caracol, põe os pauzinhos ao sol!" e "À Descoberta das Conchas da Praia" (estes dois últimos dedicados à área da Malacologia - estudo dos moluscos).

Na foto: Investigadores do IGC e VaC no Mundo Mix 2010, no Castelo de S. Jorge, em Lisboa.

Mais informações:
Sobre o livro "Os Amigos da Menina do Mar": www.ipmalac.blogspot.com/2010/01/projecto-simbiontes.html 

Sábado - Feira do Livro

A minha ausência da Capital, por motivos profissionais, só agora me permitiu visitar a Feira do Livro de Lisboa. Posso dizer que foi um dia em cheio. Tendo aquirido no ano anterior "O Processo", de Franz Kafka, este ano consegui, finalmente, obter "A Metamorfose", do mesmo autor, a um bom preço. Após a leitura, abordarei o livro aqui no blog.
Esta feira não tem por único objectivo a venda de livros, mas também o contacto entre leitores e escritores. Deste modo, procurei usufruir da iniciativa na sua plenitude.
Encontrei, no espaço LEYA, o psicólogo Quintino Aires, autor de vários livros e presença diária na Antena3 com o programa "A Hora do Sexo". Tive a oportunidade de felicitá-lo pelo excelente serviço público que tem feito na rádio, contribuindo para uma melhor educação sexual dos portugueses, desmistificando alguns preconceitos, e abordando uma temática que, para muitos, ainda é tabu!
Tive ainda a oportunidade de ouvir o professor Carlos Fiolhais, Docente de Física na Universidade de Coimbra, a apresentar o livro "Big Bang", da autoria de Simon Singh, publicado pela Gradiva. Este é mais um livro da área da História das Ciências, que irei comprar em breve e que será analisado neste blog. É abordada a evolução de ideias e conceitos acerca da visão do lugar da terra no Universo e a origem e formação deste último, com a análise de várias questões levantadas ao longo de séculos de observações. No final, consegui ainda ser fotografado com o professor Fiolhais. De salientar, que este professor é também um grande divulgador científico, autor de diversas publicações e convidado para inúmeras palestras. Assina também o blog De RerumNatura: http://dererummundi.blogspot.com/ .

Na foto: Professor Carlos Fiolhais (Físico) e João Monteiro (Biólogo). Duas gerações de Cientistas e Divulgadores.

sábado, 15 de maio de 2010

80ª Feira do Livro de Lisboa III

A Feira do Livro de Lisboa não terminará neste Domingo (16 de Maio), como antes planeado e noticiado. Antes se prolongará até ao dia 25 de Maio (Domingo da semana que vem). Para mais informações, ver: http://feiradolivrodelisboa.pt/.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

80ª Feira do Livro de Lisboa II

O Armarium Libri já foi à Feira do Livro de Lisboa e trouxe de lá as seguintes recomendações de leitura:
    • Dicionário Bibliográfico Português (1858-1923), de Inocêncio Francisco da Silva (1810-1876) e continuado por Brito Aranha (1833-1914), reedição da Imprensa Nacional-Casa da Moeda: vários volumes de bio-bibliografias de autores portugueses em numerosas entradas muito pesquisadas da autoria de dois grandes bibliógrafos;
    • Nova História de Portugal, notável e inovadora obra colectiva em vários volumes dirigida por Joel Serrão (1919-2008) e A. H. de Oliveira Marques (1933-2007), contemplando todos os aspectos da vida portuguesa desde a Pré-História até 1975, incluindo temas pouco abordados da sociedade, da Editorial Presença (em publicação desde 1986);
    • Nova História da Expansão Portuguesa, obra colectiva dirigida pelos mesmos professores e nos mesmos moldes, sobre o descobrimento, povoação e vida nas colónias portuguesas, da Editorial Estampa (em publicação desde 1986);
    • Casa e Família - Habitar, Comer e Vestir na Europa Moderna, Raffaella Sarti, 1ªedição, Editorial Estampa, 2001 - obra muito bem escrita que junta e interpreta numerosos elementos da história da vida material em relação com as famílias na Europa dos séculos XVI-XVIII;
    • Estudos de Antropologia, 2 volumes de textos do antropólogo Jorge Dias (1907-1973), editados pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda, com importantes dados conceptuais acessíveis ao público não especializado e com dois artigos interessantes sobre o carácter do povo português e a sua cultura;
    • AAVV, Primeiras Civilizações - Da Idade da Pedra aos Povos Semitas, dir. de Pierre Lévêque, Lisboa, Edições 70, 2009.

Com interesse para juristas:

  • Paulo Merêa (1889-1977), Estudos de História do Ensino Jurídico em Portugal (1772-1902), Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2005;
  • António Braz Teixeira, Sentido e Valor do Direito - Introdução à Filosofia Jurídica, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2006.

Assinalamos com agrado o regresso do pavilhão dos Açores, onde o leitor poderá encontrar a correspondência e a obra científica do naturalista e antropólogo Arruda Furtado e uma biografia do poeta Antero do Quental em dois extensos volumes, da autoria de Bruno Carreiro. Com interesse também, o pavilhão da Livraria Municipal de Lisboa, onde se encontram algumas raridades. Este ano, infelizmente, têm menos interesse os alfarrabistas, onde abundam obras de ficção, mas poucas monografias. No entanto, os preços aqui continuam relativamente convidativos. A Feira tem muitas actividades, entre debates e autógrafos dos autores. Para informações, ver http://feiradolivrodelisboa.pt/.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Ciclo de Conferências "A Matemática e os seus Encantos"

Dez anos depois dos eventos comemorativos do Ano Internacional da Matemática (em 2000), a Fundação Calouste Gulbenkian de Lisboa, apresenta uma série de conferências, já iniciadas em Abril, que se prolongará até ao mês de Junho. Estão proximamente programadas as seguintes conferências:
  • Ultra Secreto! A Matemática nas Comunicações Confidenciais, por António Machiavelo, docente de Matemática da Faculdade de Ciências do Porto e especializado em Teoria Algébrica dos Números, no dia 19 de Maio de 2010, às 18h00, no Auditório 2;
  • Simetria Passo a Passo, sobre a simetria dos objectos com que convivemos, por Ana Cannas da Silva, Professora Associada do Instituto Superior Técnico, investigadora na Universidade de Princeton, com estudos feitos na área da Geometria, no dia 23 de Junho de 2010, às 18h00, no Auditório 2.

Para mais informações, ver: http://www.gulbenkian.pt/index.php?object=160&article_id=2376&cal=eventos.

80ª Feira do Livro de Lisboa

Já está aberta no Parque Eduardo VII a 80ª Feira do Livro de Lisboa, que terminará no dia 16 de Maio. Os leitores poderão visitar o espaço de 2ª a 6ª feira, entre as 12h30 e as 23h30, aos Sábados, Domingos e feriados entre as 11h00 e as 23h30. Para mais informações, ver: http://feiradolivrodelisboa.pt/.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O mês de Fevereiro no século XV


O realismo de algumas imagens deixadas pelos artistas da Idade Média pode ser tão descritivo como os documentos escritos em que encontramos a vida quotidiana desse tempo. Referimo-nos particularmente às iluminuras das Très Riches Heures du Duc de Berry (1413-1416), da autoria dos irmãos Limbourg. Trata-se de um livro de horas, muito ricamente concebido, já que era para uso ou deleite de um homem dito importante. “Designavam-se por êste nome uns livros para uso dos fiéis, contendo um calendário, os ofícios da missa e as vésperas, os ofícios dos diferentes santos, entre os quais os dos santos protectores do possuïdor, sendo, por isso, além do alto valor artístico que alguns destes preciosos códices em pergaminho, iluminados, tiveram como subsídio para a história da arte, valiosas fontes de informação para a biografia das notáveis individualidades que os mandavam fazer. (...) As horas que deram o nome a êstes livros eram as chamadas horas canónicas, segundo o som das badaladas do sino que anunciava a celebração do ofício”[1]. O livro de horas em questão foi feito particularmente para o Duque de Berry (1340-1416). Chamava-se ele Jean de France, era filho de Jean II, le Bom, irmão do Rei Charles V (1338-1380) e foi um importante mecenas do seu tempo. Os autores das gravuras foram os irmãos Pol, Herman e Jou Limbourg, três artistas de origem flamenga que se estabeleceram em França[2] e que trabalharam na corte do Duque; terão falecido em data desconhecida, mas anterior e próxima de 1416.[3] As gravuras do calendário das Très Riches Heures acompanham o Homem Medieval através do ano e mostram as actividades ligadas a cada época. “Assim a iluminura de Fevereiro [reproduzida junto deste texto], a mais antiga paisagem de neve na história da arte ocidental[4], dá-nos uma imagem lírica e encantadora da vida de aldeia no pico do Inverno, com as ovelhas no redil, as aves esfomeadas esgravatando na eira e uma criada aquecendo as mãos com o bafo, enquanto vai correndo para junto das companheiras à lareira (a parede da frente foi suprimida para benefício do contemplador); a meia distância um aldeão corta lenha para o lume e outro conduz um burro carregado para a povoação ao longe.”[5] Sobre esta época do ano, diz G. D’Haucourt: “Fevereiro, mês do frio, da neve e da chuva. Os calendários mostram-nos o vilão, sentado ao lume, na lareira bem abrigada, decorada com presuntos e chouriças. No Dia na Candelária traziam da igreja o círio bento, cuidadosamente reservado para acender em caso de perigo ou à cabeceira dos moribundos. Também esta festa era, em muitas regiões, época de pagamentos; celebravam-na fazendo filhós. Mais cedo ou mais tarde, conforme o ano, chegava a Quaresma”.[6]

Notas:
(A imagem das Très Riches Heures acima reproduzida vem de André Lagarde e Laurent Michard, Moyen Âge, Paris, Bordas, 1967, p.98.)
[1] Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol.13, Lisboa - Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia Limitada, s.d., p.373, s.v. “Hora (Livros de Horas)”.
[2] H. W. Janson, História da Arte, 6ª edição, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1998, p.357.
[3] Lexicoteca – Moderna Enciclopédia Universal, dir. e coord. de Leonel Moreira de Oliveira, vol.XII, Círculo de Leitores, 1986, p.27, s.v. “Limbourg, irmãos.”.
[4] Destaque nosso.
[5] H. W. Janson, ibidem.
[6] Geneviève d’Haucourt, A Vida na Idade Média, Lisboa, Livros do Brasil, s.d., p.82.

sábado, 17 de abril de 2010

Memórias Paroquais de 1758 II

A importância das Memórias Paroquiais de 1758 é assinalável. Trata-se de um documento único que retrata amplamente o País tal como era nos meados do século XVIII. E tal como o deixou o terramoto onde fez estragos. Nem sempre restam documentos tão eloquentes sobre o passado e muitas lacunas têm irremediavelmente permanecido nas narrações históricas. Para se ter uma ideia do valor destes documentos, deixa-se um excerto. São as respostas dadas ao inquérito de que se falou no texto anterior, pela freguesia de S. Tomé de Abação, concelho de Guimarães e distrito de Braga. É também o primeiro do livro que agora se compilou. Acabou de redigir o documento em 22 de Maio de 1758 o Abade de S. Tomé de Abação (Manoel Teixeira Azevedo), assistido pelo Abade do Salvador de Pinheiro (Joze Alvez Tumo de Gouveia) e pelo Abade de Santa Eulália (Domingos Lopes). É mantida a forma da transcrição dos organizadores da obra.


“P.1
1º.Na provincia de Entre-Douro-e-Minho, arcebispado de Braga, Primas das Espanhas, vezita de Montelongo termo e comarca da villa de Guimaraens, fica a freguezia de S. Thome de Abbação.
2º.Hé de el-Rey e prezide nella hum abbade.
3º.Vizinhos, tem setenta e seis; pessoas de comunhão, duzentas; e pessoas de menores, trinta e dois.
4º.Está sitoada nas costas da serra de Santa Catherina; e como fica em hum alto, descobre para a aprte poente oyto legoas, e no espaço destes campos e vales, pondo termo a esta vista o mar. Para a parte do Norte não tem vista senão a ultima altura da serra de Santa Catherina, como também para o Nascente. Para a parte do Sul descobre muytos vales e serras.
5º.Pertence ao termo da villa de Guimaraens e à sua comarca.
6º.A parochia não tem logar vezinho senão as cazas da rezidencia do reverndo abbade que estam mistas à mesma igreja e sam as milhores que hão na freguezia, ficando-lhe de fortes as hortas e pumar e varios prados. (...) A igreja na sua arquitectura hé das milhores que tem toda esta redondeza; está feita ao moderno com dois campanarios rematados com três pirâmides de pedra; e na do meyo huma crus de ferro com sua bandeyra que mostra as variedades dos tempos. (...) No frontespicio tem hum nixo de nove palmos com huma imagem de Nossa Senhora com o titolo das Necessidades com sua vidraça por diante. (...)

Alde[i]as
13º.Tem esta freguezia no seu destricto quarenta logares, digo quarenta e quatro. (...)
15º.Os frutos destas terras são: pão do milho, milho branco pahinço e senteyo e algum trigo, castanhas e frutas de toda a casta. A mayor abundancia hé de milhão, senteyo, feyjão e pahinço.
16º.Não tem juis ordinario. São o[s] seculares governados pela Justiça de Guimaraens, os ecleziasticos pella cidade de Braga.
(...)
19º.Não tem feyra.
P.4
20º.Não tem correyo mas sim se servem com o de Guimaraens, em que dista pouco menos de huma legoa, o qual parte à Sexta-feira e chega ao Domingo.
21º.Dista esta freguezia da cidade de Braga três legoas e meya, de Guimaraens pouco menos de huma; da de Lisboa sesentta.
(...)

Nesta forma tenho dado complemento à ordem do senhor Doutor Provizor da cidade de Braga, com os reverendos parochos vezinhos na forma mandada, e asiney com elles dittos abayxo.

Hoje, 22 de Mayo de 1758 annos

as)Manoel Teixeira Azevedo, abbade de S. Thome de Abbação
as)Joze Alves Tumo Gouveia, abbade do Salvador de Pinheiro
as)Domingos Lopes, abbade de Santa Eulallia de Pentieyros”[1]
Notas:
[1] Memórias Paroquiais, introdução, transcrição e índices de João Cosme e José Varandas, vol. I [Abação-Alcaria], Casal de Cambra, Centro de História da Universidade de Lisboa – Caleidoscópio, 2009, pp.3-8.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Memórias Paroquais de 1758

Foi publicado em Junho de 2009 o primeiro volume das Memórias Paroquiais de 1758. A obra sairá em vários volumes e conterá as respostas ao questionário enviado às várias autoridades do Reino por ordem alfabética, como um dicionário de freguesias. A obra em questão é muito conhecida, apesar de nunca ter sido publicada na íntegra. Explicaremos, porém, sinteticamente, em que consiste. Em primeiro lugar, o seu mais célebre inspirador foi o Padre Luís Cardoso (?-1769), membro da Congregação do Oratório e académico da Academia Real da História. Este eclesiástico publicou em 1747 e 1752 dois volumes de uma obra que se chamava Dicionário Geográfico ou notícia histórica de todas as cidades, vilas, lugares e aldeias, rios, ribeiras e serras dos reinos de Portugal e Algarve. Organizada como um dicionário, já incluía as letras A a C. É possível que, sendo o Padre Luís Cardoso um membro da referida Academia, o seu labor estivesse relacionado com certos cuidados que D. João V andava dedicando, por um lado, às antiguidades de Portugal, por outro, ao reforço do seu poder – concretizado num aprofundamento do “absolutismo régio”. Expliquemos porquê. A Academia Real da História foi criada por decreto régio datado de 8 de Dezembro de 1720. No ano seguinte, o alvará de 14 de Agosto de 1721 ordenava às câmaras e vilas do Reino que conservassem todos os documentos antigos que tivessem. Do ponto de vista histórico-patrimonial, o Rei guardava a memória dos sucessos do Reino, particularmente inspirados pelos governos dos monarcas que o haviam precedido.[1] Por outro lado, do ponto de vista político-administrativo, D. João V, “como qualquer soberano absoluto, deveria conhecer em profundidade o espaço sob a sua jurisdição.”[2] Neste sentido, ordenou que se compusesse a obra chamada Lusitânia Sacra, com notícias eclesiásticas, mas também seculares, a nível nacional. A Academia dirigiu inquéritos às autoridades religiosas e civis, para juntar as informações desta obra. A maior parte do Reino não terá respondido.[3] O governo enviou outro inquérito em 1732 às autoridades religiosas.[4] O encarregado de transformar esse material em obra consultável e útil seria o Padre Luís Cardoso e deste inquérito teriam resultado os dois volumes publicados em 1747 e 1752. Sabe-se que, nas vésperas do terramoto, o Padre Cardoso tinha já material manuscrito necessário à publicação dos outros volumes do Dicionário Geográfico. No entanto, esses manuscritos perderam-se na altura da catástrofe de 1755. É por isso necessário ter cuidado com a afirmação, um tanto comum, de que os dois volumes do Dicionário Geográfico que se publicaram deixaram na sombra, ou seja, em arquivo, os manuscritos que lhe faltam: nesta suposição, e talvez seguindo o Dicionário Bibliográfico de Inocêncio (possivelmente, o primeiro a equivocar-se)[5], erram quer a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira[6], quer o Dicionário de História de Portugal, ao afirmar que a parte por publicar ficara na Torre do Tombo[7]. Na verdade, por imprimir existe neste arquivo apenas o material relativo ao inquérito de 1758, que é posterior. Em todo o caso, após o desaparecimento destes documentos, era necessário recomeçar, recompilar as informações perdidas. No entanto, os estragos do terramoto haviam mudado o País. Recomeçar significava conhecer Portugal, mas saber também que danos e necessidades havia nas várias regiões do Reino.[8] Foi então elaborado um inquérito sistemático, que pretendia informar-se sobre “temas muito díspares, como por exemplo, meio natural, quadro político-administrativo, população, vida económica e instituições religiosas. Este questionário é constituído por três subgrupos de questões. O primeiro contém 27 questões de ordem genérica; o segundo é composto por 13 perguntas sobre as serras, e o terceiro inclui 20 sobre os rios. Desde logo é perceptível que este questionário é diferente dos anteriores. Não só contém mais items, mas também é mais abrangente no plano temático. (...) O espaço já é entendido como um elemento de poder, enquanto nos inquéritos anteriores se sobrevalorizam elementos de natureza e conexão religiosa.”[9] É este inquérito que dá origem às Memórias Paroquiais de 1758. É sintomático notar que todos estes inquéritos, através da pessoa do Padre Cardoso, nunca saíram do âmbito da Academia Real da História. Foi ele, de resto, que foi organizando as respostas que ia recebendo. O Padre acabaria por falecer em 1769 e a obra nunca foi publicada integralmente. No entanto, alguns excertos com interesse e objectivos de âmbito regional têm sido publicados, como, por exemplo, os referentes às freguesias de Lisboa (1974), de Barcelos (1998) e de Fafe (2001). Com esta obra se procura agora publicar na íntegra as notícias que o Padre Luís Cardoso recebeu das várias freguesias do Reino há 252 anos e que já não pôde deixar impressas.




Notas:
[1] Neste sentido, Luís Reis Torgal, José Amado Mendes, Fernando Catroga, História da História em Portugal – séculos XIX – XX, Temas e Debates, 1998, p.25.
[2] Memórias Paroquiais, introdução, transcrição e índices de João Cosme e José Varandas, vol. I [Abação-Alcaria], Casal de Cambra, Centro de História da Universidade de Lisboa – Caleidoscópio, 2009, p.IX.
[3] Ibidem.
[4] Ibidem.
[5] Ibidem, pp.III-V.
[6] V. Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol.5, Lisboa – Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia Limitada, s.d., p.908, s.v. “Cardoso (Padre Luiz)”.
[7] Dicionário de História de Portugal, dir. de Joel Serrão, vol.I: Abadagio -Castanheira, Porto, Livraria Figueirinhas, 1984, p.485, s.v. “Cardoso, P. Luís (?-1769)”.
[8] Memórias Paroquiais, vol. I [Abação-Alcaria], p.X; Joaquim Veríssimo Serrão, História de Portugal, vol.VI: O Despotismo Iluminado (1750-1807), 5ªedição, Póvoa de Varzim, Editorial Verbo, 1996, p.104.
[9] Memórias Paroquiais, vol. I [Abação-Alcaria], p.XI.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Gustave Doré - breve perfil de um ilustrador

Como dissemos no texto anterior, falaremos brevemente aqui de Gustave Doré (1833-1883) desenhador e ilustrador francês que, entre outros trabalhos, fez as imagens que acompanhavam algumas das fábulas de La Fontaine. Foi muito jovem que começou a evidenciar talento: aos 15 anos, por exemplo, desenhava para o Journal pour rire. Muito do seu sucesso decorreu do facto de ilustrar clássicos bem conhecidos e de assim os valorizar com imagens apelativas, de grande vivacidade dramática e de cuidado pormenor. Ilustrou o Inferno de Dante (1861), o Dom Quixote (1863), a Bíblia (1864), os Idílios do Rei, do poeta Tennyson (1867-1868) e, como já se fez notar, as Fábulas de La Fontaine (1866). Doré foi um ilustrador de talento poderoso, mas têm-se-lhe assinalado algumas falhas: "Possuía limitada educação artística, e a procura dos seus trabalhos era grande demais para lhe permitir tempo de se aperfeiçoar na técnica do desenho. (...) faltavam-lhe as duas qualidades necessárias à arte séria: o estudo e a concentração. Possuía em alto grau as do improvisador, e, também os defeitos que lhe andam ligados. A sua imaginação fantasista opunha-se a uma observação exacta da natureza. (...) Em compensação, a força, a abundância, o imprevisto, os jogos fantásticos de sombra e luz, o Doré ilustrador tudo isso tinha." (GEPB, vol.9., pp.254-255) Como exemplo deste talento original, deixamos duas belas ilustrações das referidas Fábulas.


"O lobo, a mulher e o filho" (p.270)



"O pavão queixando-se a Juno"
(p.201)
Referências:
Sobre Gustave Doré: Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol.9, Lisboa - Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia Limitada, s.d., pp.254-255.
As imagens vêm da obra: La Fontaine, Fábulas de La Fontaine - traduzidas ou adaptadas por poetas portugueses e brasileiros do século XIX, Porto, Moderna Editorial Lavores, 1996, pp.201 e 270.

As Fábulas de La Fontaine, segundo os poetas portugueses e brasileiros

É muito conhecido do público o escritor francês Jean de La Fontaine, autor de um conjunto de fábulas que, desde o século XVII, faz a delícia dos seus leitores. La Fontaine (1621-1695), originário de uma família burguesa, estudou Direito (após ter desistido da vida eclesiástica) e acabou por se instalar em Paris, à procura do sucesso pela via das Letras. Esteve inicialmente ligado à poesia; no entanto, em 1668 publicou as suas primeiras fábulas. Muito do material de que se serviu não era inteiramente novo: já fora divulgado por Esopo, Fedro e outros autores. Aliás, muito deste material literário era transmitido oralmente e atravessava até fronteiras civilizacionais, de modo que La Fontaine, como outros, colheu-o em parte nas obras impressas do seu tempo e decerto em parte no imaginário popular. A proposta de leitura que aqui queremos avançar parece-nos muito interessante, precisamente por causa desta leitura e "devolução" dos temas das fábulas. A Moderna Editorial Lavores publicou em 1996 uma edição das fábulas de La Fontaine, mas trabalhadas por poetas portugueses e brasileiros. Esta edição inclui belas ilustrações de Gustave Doré, desenhador francês do século XIX, de que falaremos no texto seguinte. Tem também uma nota introdutória de Teófilo Braga. Para finalizar, deixamos uma das fábulas adaptadas: a célebre fábula da cigarra e da formiga, aqui em poema de Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805):
"A Cigarra e a Formiga
Tendo a cigarra em cantigas
Folgado todo o Verão,
Achou-se em penúria extrema
Na tormentosa estação.
Não lhe restando migalha
Que trincasse, a tagarela
Foi valer-se da formiga,
Que morava perto dela.
Rogou-lhe que lhe emprestasse,
Pois tinha riqueza e brio,
Algum grão com que manter-se
Té voltar o aceso Estio.
«Amiga - diz a cigarra -
Prometo, à fé de animal,
Pagar-vos antes de Agosto
Os juros e o principal.»
A formiga nunca empresta,
Nunca dá, por isso junta.
«No Verão em que lidavas?»
À pedinte ela pergunta.
Responde a outra: «Eu cantava
Noite e dia, a toda hora:
-Oh, bravo! - torna a formiga; -
Cantavas? Pois dança agora!»
(pp.3-4)
Referência:
La Fontaine, Fábulas de La Fontaine - traduzidas ou adaptadas por poetas portugueses e brasileiros do século XIX, Porto, Moderna Editorial Lavores, 1996.