... está prestes a estrear a exposição "A Evolução de Darwin", no Porto.
Nos próximos tempos o armariumlibri irá trazer mais actualizações e mais informações sobre este tema.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
It's Evolution, Baby!
E porque se está a aproximar a data de mais uma interessantíssima exposição sobre a temática evolutiva, veio-me à memória uma música que já não ouvia há muito tempo, e cujo título se adequa ao meu trabalho das últimas semanas (que é a montagem da referida exposição sobre Evolução, e onde irei trabalhar nos próximos meses).
“Do the Evolution” é uma música da banda de Rock americana Pearl Jam, da autoria do vocalista Eddie Vedder (letras) e do guitarrista Stone Gossard (música), fazendo parte do álbum “Yield” (1998).
De acordo com a banda, a escrita das músicas foi influenciada pelo livro “Ishmael”, de Daniel Quinn[1], que relata a história de um símio capaz de comunicar telepaticamente com um ser humano, reflectindo sobre os problemas da humanidade. Se ouvirmos a música e observarmos o videoclip, deparamo-nos com uma visão catastrófica do futuro, uma destruição apocalíptica do mundo pelo homem, típica das décadas 80/90. Olhando para um passado feito de guerras e destruição, desde os nossos antepassados primitivos até a um presente próximo, ao longo de uma história de milhões de anos, somos levados a concluir que no final seremos a causa da nossa própria destruição e de tudo o que nos rodeia.
Nota:
Com este texto pretendo apenas relembrar a música (para uns) ou dá-la a conhecer (a outros), assim como fornecer alguma informação extra de interesse e exibir o vídeo oficial. Não pretendo abordar a evolução humana ou analisar a aproximação do filme à realidade, isso poderá ficar para outros textos. É mais sobre divulgação de música e menos de ciência.
Referência:
Para quem quiser cantar enquanto ouve a música, segue a letra:
Letra
Woo..
I'm ahead, I'm a man
I'm the first mammal to wear pants, yeah
I'm at peace with my lust
I can kill 'cause in God I trust, yeah
It's evolution, baby
I'm at piece, I'm the man
Buying stocks on the day of the crash
On the loose, I'm a truck
All the rolling hills, I'll flatten 'em out, yeah
It's herd behavior, uh huh
It's evolution, baby
Admire me, admire my home
Admire my son, he's my clone
Yeah, yeah, yeah, yeah
This land is mine, this land is free
I'll do what I want but irresponsibly
It's evolution, baby
I'm a thief, I'm a liar
There's my church, I sing in the choir:
(hallelujah, hallelujah)
Admire me, admire my home
Admire my son, admire my clones
'Cause we know, appetite for a nightly feast
Those ignorant Indians got nothin' on me
Nothin', why?
Because... it's evolution, baby!
I am ahead, I am advanced
I am the first mammal to make plans, yeah
I crawled the earth, but now I'm higher
2010, watch it go to fire
It's evolution, baby
Do the evolution
Come on, come on, come on
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Fotografias Antigas (1): Fundo de Socorro para as Vítimas do Titanic

O paquete transatlântico britânico Titanic, afundou-se ao chocar contra um iceberg a sul da Terra Nova. O acidente deu-se do dia 14 para 15 de Abril de 1912. Obviamente, e sendo a primeira viagem de um navio que se julgava ser altamente resistente, o facto causou um choque geral, tanto mais que, em 2224 pessoas, 1513 morreram no desastre. Para ajudar as famílias daqueles que perderam a vida, organizaram-se recolhas de fundos. O que vemos na imagem é uma criança ajudando outra a colocar um donativo numa caixa para o referido efeito.
Fonte: Nick Yapp, 150 Years of Photojournalism, Köln, Könemann, 1995, p.293. [Não conhecemos a localização exacta da fotografia, sendo que pode ser americana ou britânica, pelos dizeres em inglês na caixa.]
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Boas Festas!
O Armarium Libri deseja Feliz Natal e Próspero Ano Novo a todos os seus colaboradores, seguidores e leitores!

domingo, 19 de dezembro de 2010
História da Vida Privada em Portugal
Saiu recentemente o primeiro volume da História da Vida Privada em Portugal, dirigida pelo Prof. José Mattoso, editada pelo Círculo de Leitores e pela Temas e Debates e que pretende ser para Portugal o que foi para parte da Europa a obra célebre dirigida por Philippe Ariès e Georges Duby. Está dividida em 4 volumes, cada qual dirigido por um especialista. O primeiro, referente à Idade Média, é dirigido pelo Prof. Bernardo Vasconcelos e Sousa; o segundo, sobre a Idade Moderna, é de Nuno Gonçalo Monteiro; o terceiro (A Época Contemporânea) é de Irene Vaquinhas e o último (Os Nossos Dias), que nos apanha a nós - contemporâneos - em flagrante, foi dirigido por Ana Nunes de Almeida e contou não com uma equipa de historiadores, mas de sociólogos. Os temas abordados estão no domínio do privado, muitas vezes cruzado com a vida quotidiana: a casa, a família, a infância, a sexualidade, o sentimento religioso, etc. São situações de grande importância para nós portugueses estas incursões em temas novos da História, revelando que a historiografia está avançando todos os dias, com discussão, crítica, releitura das fontes e até de estudos já clássicos da área.
sábado, 18 de dezembro de 2010
Venerável Bede (67?-735)
Quando se fala da História mais antiga, clássica e alto-medieval por exemplo, os artefactos arqueológicos têm uma grande preponderância, já que as fontes escritas existem em modesto número. No entanto, quando existem são muito valiosas, desde logo porque são coevas de um tempo muito recuado, que se reconstitui com dificuldade. Estamos a pensar precisamente no Venerável Bede, cronista britânico dos séculos VII e VIII da nossa era. Terá nascido na primeira metade da década de ’70 daquele século[1], algures a norte do rio Humber, na região chamada Northumbria. Pelos 7 anos de idade entrou no mosteiro de Monkwearmouth e ou aí mesmo ou no mosteiro de Jarrow passou o resto da sua vida.[2] Possivelmente professou no primeiro e passou mais tarde ao segundo, pois temos notícia de que morreu lá.[3] Foi beneditino e terá passado a sua vida monacal a ler e a escrever, para o que aproveitou a vasta biblioteca do mosteiro de Jarrow, que contava algumas centenas de volumes. O próprio Bede deixou obras em inglês antigo e em latim, mas aquelas perderam-se.[4] Entre comentários à Bíblia (Homiliarium) e uma cronologia desde o nascimento de Cristo (De Tempore Ratione, 725), para dar dois exemplos, escreveu uma obra histórica fundamental para seguir a conjuntura da Ilha nos tempos mais antigos – Historia Ecclesiastica Gentis Anglorum, acabada em 731.[5] Trata-se da narração crítica, com recurso a provas documentais, do que aí ocorreu desde o tempo dos Romanos até ao século VIII, embora haja poucos dados anteriores ao século V. As suas qualidades de historiador, fazem com que continue a ser de leitura fundamental. Os missionários da sua região acabaram por divulgar os seus escritos, especialmente entre os Francos.[6] O Papa Leão XIII (1810-1903; papa desde 1878) declarou-o Doutor da Igreja por decreto de 13 de Novembro de 1899). Notas:
[1] A New Caxton Encyclopedia, vol.2, London, The Caxton Publishing Company, 1973, p.617, s.v. “Bede, the Venerable”, diz 672; já a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol.4, Lisboa – Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia Limitada, s.d., p.414, s.v. “Beda (O Venerável)” e a Lexicoteca – Moderna Enciclopédia Universal, dir. e coord. de Leonel Moreira de Oliveira, vol.III, Círculo de Leitores, 1986, p.150, s.v. “Beda “O Venerável”, apontam para 672 ou 673.
[2] The New Caxton Encyclopedia, vol.2, p.617, s.v. “Bede, the Venerable”.
[3] Lexicoteca – Moderna Enciclopédia Universal, vol.III, p.150, s.v. “Beda “O Venerável”.
[4] Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol.4, p.414, s.v. “Beda (O Venerável)”.
[5] The New Caxton Encyclopedia, vol.2, p.617, s.v. “Bede, the Venerable”
[6] The New Caxton Encyclopedia, vol.2, p.617, s.v. “Bede, the Venerable”.
[1] A New Caxton Encyclopedia, vol.2, London, The Caxton Publishing Company, 1973, p.617, s.v. “Bede, the Venerable”, diz 672; já a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol.4, Lisboa – Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia Limitada, s.d., p.414, s.v. “Beda (O Venerável)” e a Lexicoteca – Moderna Enciclopédia Universal, dir. e coord. de Leonel Moreira de Oliveira, vol.III, Círculo de Leitores, 1986, p.150, s.v. “Beda “O Venerável”, apontam para 672 ou 673.
[2] The New Caxton Encyclopedia, vol.2, p.617, s.v. “Bede, the Venerable”.
[3] Lexicoteca – Moderna Enciclopédia Universal, vol.III, p.150, s.v. “Beda “O Venerável”.
[4] Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol.4, p.414, s.v. “Beda (O Venerável)”.
[5] The New Caxton Encyclopedia, vol.2, p.617, s.v. “Bede, the Venerable”
[6] The New Caxton Encyclopedia, vol.2, p.617, s.v. “Bede, the Venerable”.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Livro sobre Neurociências
"A Alma está no Cérebro" é um livro sobre neurociências, da autoria de Eduardo Punset, ao estilo dos livros de divulgação do neurocientista português António Damásio.
É o primeiro capítulo que dá o título ao livro, e em que se faz uma contextualização histórica do estudo da mente e da evolução do conceito de alma - o que hoje denominamos de alma tem um significado diferente do que teria na Idade Média, por exemplo; e o estudo da alma, mais concretamente o estudo das emoções, do cérebro e da questão do Eu, encontra-se no ramo das neurociências, levando o autor a concluir com base nisto, e justificando no final do capítulo, que a alma poderá não ser mais que o resultado das reacções físico-químicas (incluindo acção de hormonas, portanto, também biológicas) que ocorrem no cérebro. Aliás, todo este livro trata de uma análise a este importantíssimo órgão do nosso corpo.
Para além da contextualização histórica, há outros capítulos extremamente interessantes abordados neste trabalho, nomeadamente o tema da lavagem ao cérebro (capítulo 6) e manipulação de pessoas, assim como a análise à mente do psicopata e índoles violentas (capítulos 9 e 10), ou outras temáticas como a educação emocional (capítulo 8), inteligência criativa (capítulo 11), a relação cérebro e linguagem (capítulo 14) e os efeitos nefastos da depressão para o cérebro (para além da vida pessoal, obviamente) (capítulo 15).
Como livro de divulgação que é, pode ser compreendido por qualquer leigo no assunto, mas arrisco dizer, que é de particular interesse para biólogos, psicólogos, médicos ou investigadores (principalmente em neurociências).
Fonte:
Eduardo Punset, "A Alma está no Cérebro - Uma radiografia da máquina de pensar", Publicações Dom Quixote, Alfragide, 2008 - tradução de João Pedro George
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Biologia,
História das Ciências
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Exposição "Profissões com História" no Centro Cultural D. Dinis, em Porches
Segue um texto da minha autoria, editado na Gazeta de Lagoa, sobre a exposição "Profissões com História":
"Está patente no Centro Cultural D. Dinis, em Porches, a exposição “Profissões com História”, que teve início a 8 de Novembro e continuará aberta ao público até Fevereiro de 2011. Esta iniciativa de cariz privado, mas com o apoio da Junta de Freguesia que cedeu o espaço, tem como objectivo dar a conhecer o património histórico-cultural da região, assim como sensibilizar para a criação de um Museu Etnográfico no Concelho de Lagoa, como salienta Virgílio Monteiro, organizador do projecto.
“Tudo começou com um desafio do presidente da Junta para montar a réplica do interior de uma Escola Primária Centenária no Festival do Caracol, em Porches”, recorda Virgílio. A adesão das pessoas foi imediata ao verem a carteira, o quadro negro de ardósia e os antigos manuais escolares, lembrando os tempos de estudante. O sucesso repetiu-se, pouco depois, na FATACIL, e na FNAC do Centro Comercial da Guia, onde esteve exposta durante trinta e três dias, na abertura do ano escolar.
Agora em exibição encontra-se um espólio mais completo relativo a várias actividades profissionais, dividido em diversas secções – há o lugar dos professores, do sapateiro, do barbeiro, dos vinhos, do barro e da alfaiataria. “Foi essencialmente o entusiasmo das pessoas nas iniciativas anteriores que me motivou a continuar”, explica o organizador.
Também o presidente da Junta de Freguesia está satisfeito com o trabalho demonstrado e felicita a iniciativa. Quanto a um possível Museu localizado em Porches, essa é uma luta da Junta há cerca de vinte anos e que deve continuar a ser incentivada. No entanto, o presidente alerta para a necessidade de se encontrar um local apropriado e haver disponibilidade financeira. Só depois se poderá avançar.
Na primeira semana, o Centro Cultural já recebeu várias dezenas de visitantes, e a expectativa é que venham ainda muitos mais. A exposição está aberta todos os dias das 10h até 12h30, e à tarde com marcação prévia. A entrada é gratuita.
Nota: O Organizador agradece profundamente o apoio do Presidente e dos membros da Junta de Freguesia de Porches, assim como dos populares que têm manifestado o apoio constante a esta iniciativa, contribuindo com sugestões e ainda com objectos que complementam a exposição. A todos um grande bem-haja."
Fonte: Gazeta de Lagoa, Director e Editor: Arthur Ligne, Sexta-feira, 19-11-2010, 22º ano, Nº 1045
terça-feira, 16 de novembro de 2010
O Empreendedor-Minuto
“O Empreendedor-Minuto” é um livro que aborda a temática do empreendedorismo e as várias etapas que se sucedem na criação de uma empresa, com recurso a uma parábola - a história de Jud McCarley, um rapaz que almeja criar o seu próprio negócio e o que tem de fazer para o conseguir. Apesar de esta ser uma obra de ficção, os autores basearam-se na sua experiência e em factos reais para atingir vários objectivos, tais como, analisar os factores necessários para a criação de uma empresa, definir o que é relevante para o empreendimento vingar, alertar para o que pode correr mal, e explicar como lidar com as situações menos boas que aparecem em qualquer projecto.
Este livro de divulgação pode ser lido por qualquer pessoa mas, arrisco-me a dizer, é mais adequado para aqueles que têm uma veia empreendedora e não sabem por onde começar. Num período de desemprego acentuado em Portugal e em que se valoriza o empreendedorismo, este é um livro a ter em conta. Como costumo referir, estes livros de divulgação podem, e devem, servir como ponto de partida para uma literatura mais técnica, no futuro.
Sobre os autores:
- Ken Blanchard é director de uma empresa de formação e consultadoria em gestão, a Ken Blanchard Companies, Inc. É conferencista e autor de diversos livros best-sellers a nível internacional.
- Don Hutson é director-geral da empresa de formação U.S. Learning, foi fundador e presidente da National Speakers Association, e é autor de diversos livros de gestão.
- Ethan Willis é director-geral da Prosper Learning, Inc. e foi galardoado com o prémio Entrepreneur of the Year Ernst&Young
Fonte Bibliográfica:
Blanchard, K.; Hutson, D.; Willis, E., “O Empreendedor-Minuto”, Gestãoplus Edições (chancela da Bertrand Editora), Lisboa, 2009 – Trad. Catarina Espadinha
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
O Gestor-Minuto
“O Gestor-Minuto” é o título de um livro que tem como propósito indicar uma metodologia eficiente de gestão de empresas e equipas. Para isso, os autores recorrem à fábula de um jovem que tem como ambição tornar-se um gestor eficiente. Após viajar por vários países e ter conhecido diferentes abordagens de gestão, a personagem regressa à sua terra sem ter conseguido encontrar o que procurara. Contudo, pouco depois, ouve rumores da existência de um gestor formidável que, ironicamente, trabalharia numa cidade perto da sua. Como qualquer pessoa que sabe o que quer, foi logo conhecer esse guru da gestão, com o intuito de receber conhecimentos úteis. Devido à desilusão que havia experimentado em situações anteriores, partiu com baixas expectativas. No entanto, ao longo do livro, e à medida que vai contactando com os colaboradores do gestor, compreende que é ali que vai encontrar muitas das respostas às suas questões.
A mensagem que os autores pretendem passar é a de três regras fundamentais: os objectivos-minuto, os elogios-minuto e as repreensões-minuto; que mais não são do que dizer o essencial de um modo breve e na altura certa. De seguida explica-se porque funcionam estas regras tão bem.
Pessoalmente, considero este um “livro-minuto” porque tem as ideias-chave bem condensadas e a leitura é extremamente fluida.
Sobre os autores:
Ken Blanchard é director de uma empresa de formação e consultadoria em gestão, a Ken Blanchard Companies, Inc. É conferencista e autor de diversos livros best-sellers a nível internacional.
Spencer Johnson é formado em psicologia pela University of South California e em medicina pelo Royal College of Surgeons, e autor de diversos best-sellers.
Fonte Bibliográfica:
Blanchard, K. & Johnson, S., “O Gestor-Minuto”, 5ª reimpressão, Gestãoplus Edições (chancela da Bertrand Editora), Lisboa, 2010 – Trad. Rita Figueiredo
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Economia/Gestão
sábado, 6 de novembro de 2010
Divulgar Cultura
Informo que se encontra em funcionamento o blog Divulgar Cultura que pretende agregar e disponibilizar a um maior número de pessoas, vários eventos culturais, tais como lançamento de livros ou discos, colóquios, congressos, entre outros. As áreas em destaque são as mais variadas, incluindo Ciência, História, Literatura, Música, Artes Plásticas, só para citar algumas.
É mais uma iniciativa dos membros da equipa Armarium Libri.
sábado, 30 de outubro de 2010
Sobre a Economia Portuguesa
Muito se tem discutido nas últimas semanas sobre a economia portuguesa e as finanças públicas, a propósito do Orçamento de Estado para o ano de 2011. Uns defendem que o orçamento deve ser aprovado, outros que deve ser chumbado; alguns clamam pela intervenção do Fundo Monetário Internacional (FMI), outros nem querem ouvir falar dessa hipótese; a culpa do estado das contas públicas é das décadas de governação do Partido Socialista (PS), segundo alguns, mas o Partido Social Democrata (PSD) também tem responsabilidade, acusam outros. Muito a opinião pública se tem manifestado, mas falará com conhecimento de causa?
Para uma discussão séria, as pessoas devem estar minimamente informadas e, por essa razão, divulgo livro Economia Portuguesa – As últimas décadas, da autoria do historiador Luciano Amaral, numa edição conjunta da Fundação Francisco Manuel dos Santos e da Relógio d’Água Editores.
O livro encontra-se dividido em duas partes. A primeira parte realiza uma contextualização histórica, analisando a evolução da economia portuguesa desde os anos '50 até aos dias de hoje, ou seja, relembra o panorama dos anos de ditadura, contextualiza o período de revolução, e analisa os anos seguintes, referindo as duas vezes em que o FMI esteve em Portugal (1978-1979) e (1983-1985); é, portanto, esta informação histórica que nos permitirá compreender como chegámos ao estado actual. Na segunda parte são analisados dois temas em particular: o Estado-Providência e o Crescimento Económico. O Estado-Providência, uma das mais importantes realizações a nível político, social e económico da democracia em Portugal, só foi conseguido após a denominada Revolução dos Cravos. Se bem que tenha elevados custos financeiros, também trouxe melhores condições para a vida dos cidadãos de Portugal, resultando de mais investimento da parte do Estado, particularmente na Saúde e na Educação: hoje em dia, estas duas áreas em conjunto assimilam cerca de 14% do PIB nacional. Relembre-se ainda a importância da criação do Serviço Nacional de Saúde em 1979 e as melhorias que trouxe para a Saúde Pública, como a diminuição da mortalidade infantil e o aumento da esperança média de vida, por exemplo. Quanto ao crescimento económico, é estudado o modo como o mercado de trabalho e a educação podem influenciar a economia e reflecte-se sobre a importância de cada um destes factores.
Após a leitura deste breve livro, qualquer cidadão terá mais bases sustentáveis de argumentação, falando com conhecimento de causa. Será também um bom princípio para se aventurar noutras leituras complementares, uma vez que esta obra, embora completa, é dirigida a um público alargado, sendo um bom livro de divulgação, sem grandes preciosismos académicos. Pode ser encontrado em livrarias e nalguns estabelecimentos comerciais, como o Pingo Doce.
Sobre o autor:
Luciano Amaral (Porto, 1965) é licenciado em História pela Universidade Nova de Lisboa e doutorado em História da Civilização pelo Instituto Universitário Europeu de Florença, especializado em História Económica. É docente na Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa e colunista em jornais.
Bibliografia:
Luciano Amaral, Economia Portuguesa – As últimas décadas, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos & Relógio d’Água Editores, 2010
sábado, 16 de outubro de 2010
Júlio Carrapato - Sobre a importância da Reflexão
“E sempre que falte aos investigadores a probidade do crítico e a seriedade do pensador, todas as démarches feitas no sentido da verdade resultarão infrutíferas”(1).
Esta afirmação do advogado, publicista e ensaísta algarvio Júlio Carrapato (1919-1985), leva-nos a meditar sobre a importância da constante reflexão por parte de um investigador. Lembra-nos que um trabalho de pesquisa, qualquer que seja a temática de estudo, não passa apenas pela recolha de informação, mas de igual modo pela assimilação dos conteúdos, análise e sentido crítico.
Este foi um dos primeiros ensaios escritos pelo autor, ainda com dezoito anos.
(1) – Júlio Carrapato, “O Mistério Camoniano e a «Alma PoéticaLusitana»” (1937), in “Obras (Quase) Completas” (1996).
Bibliografia:
Júlio Filipe de Almeida Carrapato, “Obras (Quase) Completas”, 1º Volume, Algarve em Foco Editora, Faro, 1996
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
"A Maravilhosa Aventura da Vida" - Novidades
Informam-se os leitores, que o livro de divulgação científica "A Maravilhosa Aventura da Vida", da autoria da Doutora Clara Pinto Correia, faz parte do Plano Nacional de Leitura. Este livro já fora tratado no nosso blog em Junho do ano passado.
Mais informações, aqui.
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Biologia,
Divulgação
Flaubert e a análise do quotidiano
Sobre o autor:
Gustave Flaubert (1821-1880), foi um escritor francês, descendente de uma longa geração de médicos. O seu pai, que era cirurgião, abominava o interesse do seu filho pela literatura, querendo que ele seguisse medicina. Aos dezoito anos enfrentou o seu pai, informando-o que não seguiria a carreira médica. Então o seu progenitor enviou-o para uma escola de direito, curso que Flaubert abandonou, para dedicar-se definitivamente à escrita, atitude que levou o seu pai a considerá-lo um caso perdido. Excelente observador, desde uma tenra idade que tomava apontamentos sobre o comportamento das pessoas, factor essencial para a temática das suas obras. A este propósito, escrevem Henry e Dana Thomas: “Filho de um dissecador de corpos humanos, veio a tornar-se um dissecador de almas humanas”(1). Analisou, retratou e criticou a sociedade do seu tempo, sendo reconhecido pela profundidade das suas análises psicológicas. Como exemplo clássico destas observações, por ser a obra mais polémica naquele período, refere-se o livro “Madame Bovary”, em que Flaubert critica os costumes burgueses. Este é um autor do Realismo, amigo de vultos da literatura francesa como Honoré de Balzac, Victor Hugo, Émile Zola e Guy de Maupassant, entre outros.
A Obra:
A Quasi Edições, que durante quase uma década editou nomes sonantes da literatura, dos clássicos aos contemporâneos, deixou, entre nós, um conjunto de obras de grande valor.
O escritor francês Gustave Flaubert, no conto “Um coração simples”, relata a estória de Felicité, uma mulher bondosa, ingénua, demasiadamente dedicada aos outros, e a quem, ao longo da vida, acontecem sucessivas perdas. Órfã de ambos os pais, cresce a servir em casa de estranhos, tendo uma infância infeliz; apaixona-se, mas é abandonada pelo noivo; vai servir para outra cidade na casa da Sra. Aubian, de quem se torna fiel empregada e amiga dos filhos da patroa, Virginie e Paul; entretanto, o rapaz é enviado para um colégio interno, e a rapariga para um convento de freiras, ficando novamente sozinha; é autorizada a receber a visita de um sobrinho, mas este morre após uma estadia em Cuba; também Virginie acaba por morrer; para compensar a solidão, a patroa permite-lhe que tome conta de um lindo papagaio que lhe faz companhia, mas também este, tempos depois, morre; com o passar dos anos, também a sua patroa acaba por falecer. À medida que se desenrola o enredo, o leitor questionar-se-á se esta mulher, já velha, surda e que tem por única companhia um papagaio empalhado, alguma vez chegará a ser feliz. É um livro que se foca essencialmente na bondade e na perda.
Ainda o mesmo livro inclui um outro conto, “A lenda de S. Julião Hospitaleiro”. Para celebrar o nascimento de Julião, os seus pais deram uma luxuriante festa no castelo em que habitavam, após a qual, cada um dos seus progenitores, individualmente, recebeu uma profecia acerca do seu filho. Um eremita apareceu à sua mãe e profetizou que o seu filho viria a ser um santo, ao seu pai apareceu um cigano que balbuciou palavras imperceptíveis, mas que ele entendeu como glória e felicidade para o petiz. A criança cresce sadia e corajosa, tornando-se um admirável caçador, que mata todos os animais com um prazer bárbaro, até ao momento em que é amaldiçoado por um veado, que o condena a matar os seus progenitores. De regresso a casa, sucedesse-se uma série de eventos, em que, por acidente, Julião quase mata os seus pais em diversas ocasiões. Temendo que a maldição do veado se concretizasse, abandonou o castelo e partiu para outras terras onde conquistou glória e um império. Esta estória é uma reflexão sobre o destino, levando à velha questão grega se existe destino e, caso exista, poderá ser contrariado, ou independentemente das acções de um indivíduo o que está destinado acontecerá?
(1) – Henry Thomas e Dana Lee Thomas, “Vidas de Grandes Romancistas”, p.290.
Bibliografia:
- Gustave Flaubert, “Um coração simples – seguido da Lenda de S. Julião Hospitaleiro”, Quasi edições, Vila Nova de Famalicão, 2008 – tradução de Maria Emanuel Côrte-Real e Júlio Machado.
– Henry Thomas e Dana Lee Thomas, “Vidas de Grandes Romancistas”, Edição Livros do Brasil, Lisboa – tradução de James Amado.
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