Fotografia colorida da Ilustração Portugueza, que saía uma vez por semana com O Século, de 27 de Novembro de 1911. A senhora representada, então com 22 anos, é a pintora e ilustradora Raquel Roque Gameiro (1889-1970), filha do prestigiado artista Alfredo Roque Gameiro (1864-1935). Como pintora, expôs em Lisboa, no Porto e em Londres. Ilustrou obras para crianças, nomeadamente da autoria de Ana de Castro Osório (1872-1935) e de António Sérgio (1883-1969).
Fonte: AAVV, Percursos, Conquistas e Derrotas das Mulheres na 1ª República, coord. de Teresa Pinto, Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa - Grupo de Trabalho para as Comemorações Municipais do Centenário da República - Biblioteca Museu República e Resistência, 2010, p.131.
Em 1874, Pedro Antonio de Alarcón (1833-1891), escritor espanhol natural de Granada, publicava a novela El Sombrero de Tres Picos. A acção é situada algures na Andaluzia, entre 1805 e 1808. Está-se numa Península Ibérica gerida segundo o Antigo Regime, "com a sua Inquisição e os seus frades, com a sua pitoresca desigualdade perante a lei, com os seus privilégios, foros e isenções pessoais, com a sua carência de toda a liberdade municipal ou política, [em que os cidadãos eram] governados simultaneamente por insignes bispos e poderosos corregedores" e pagavam "dízimos, primícias, alcavalas, subsídios, deixas e esmolas obrigatórias, rendas, capitações, tércias reais, impostos, frutos civis, e até cinquenta tributos mais" (pp.16-17). A história é precisamente sobre um velho e atrevido corregedor, cujos poderes servem mais os seus desejos pessoais e nem sempre inocentes, verdadeira síntese do Antigo Regime, embrulhado numa capa e coberto com um chapéu de três bicos (ou tricórnio), que na Península se usaram até bem dentro do século XIX. É pois sobre o corregedor e sobre como quis conquistar a Tia Frasquita, esposa do Tio Lucas, moleiro. E de como os alargados privilégios de uma classe podem não ser tudo na vida, porque nem tudo conseguem obter. A novela retrata uma época comum a Espanha e a Portugal, um tempo em que os povos peninsulares, ainda presos sob os costumes que vinham desde a Idade Média, olhavam com alguma esperança para os ideais do constitucionalismo que vinham do estrangeiro. É um modelo de sociedade que actualmente não conhecemos, pois as nossas são a natural evolução dos regimes liberais então implantados. É por isso que, com muito humor, António Pedro de Alarcón nos diz recordar da sua infância "ter visto pendurados num prego, único adorno da desmantelada parede da arruinada torre da casa que Sua Senhoria habitou (...), aquelas duas antiquadas jóias, aquela capa e aquele chapéu - o chapéu negro em cima, e a capa vermelha debaixo -, formando como que um espectro do absolutismo, uma espécie de mortalha do corregedor, uma caricatura retrospectiva do seu poder (...); uma espécie enfim de espanta-pássaros, que outrora fora espanta-homens e que hoje me assusta ter contribuído para escarnecer, passeando-a por aquela histórica cidade nos dias de Entrudo, no alto duma vassoura, ou servindo de ridículo disfarce ao idiota que mais fazia rir a plebe" (p.35). No entanto, sem mencionar mais o valioso testemunho, ainda que caricaturado, da sociedade do virar do século XVIII para o XIX, esta novela reforça a saudade do serão familiar ou, melhor ainda, comunitário, fazendo lembrar, por exemplo, o convívio que no campo se organizava nas desfolhadas. Isto porque quem conta verdadeiramente a história, inevitavelmente retocada por Alarcón, é o Tio Repela, "um rude pastor de cabras, que nunca saíra da escondida povoação em que nasceu (...). (...) Sempre que havia festa motivada por boda ou baptizado, ou por solene visita dos amos, tocava-lhe o fazer as palhaçadas, as pantominas, e recitar os romances e relações. E foi precisamente numa ocasião dessas (...) que ele houve por bem deslumbrar e embelezar certa noite a nossa inocência (relativa) com o conto em verso de «O Corregedor e a Moleira», ou seja de «O Moleiro e a Corregedora»" (p.7). Em todo o caso, uma história em que "não se aconselha ninguém a que seja mau; nem se ensina a sê-lo; nem fica sem castigo o que o é" (p.9), fazendo lembrar a moralidade d' Os Contos do Tio Joaquim, de Rodrigo Paganino, dos quais se falou já neste espaço. Uma excelente leitura, que prova que a literatura popular tem vivacidade suficiente para ombrear e, quantas vezes!, ultrapassar a arte erudita, frequentemente tão desfeada pela vaidade e presunção dos artistas.
Referência:
Pedro Antonio de Alarcón, O Chapéu de Três Bicos, Publicações Europa-América, 1973.
E porque se está a aproximar a data de mais uma interessantíssima exposição sobre a temática evolutiva, veio-me à memória uma música que já não ouvia há muito tempo, e cujo título se adequa ao meu trabalho das últimas semanas (que é a montagem da referida exposição sobre Evolução, e onde irei trabalhar nos próximos meses).
“Do the Evolution” é uma música da banda de Rock americana Pearl Jam, da autoria do vocalista Eddie Vedder (letras) e do guitarrista Stone Gossard (música), fazendo parte do álbum “Yield” (1998).
De acordo com a banda, a escrita das músicas foi influenciada pelo livro “Ishmael”, de Daniel Quinn[1], que relata a história de um símio capaz de comunicar telepaticamente com um ser humano, reflectindo sobre os problemas da humanidade. Se ouvirmos a música e observarmos o videoclip, deparamo-nos com uma visão catastrófica do futuro, uma destruição apocalíptica do mundo pelo homem, típica das décadas 80/90. Olhando para um passado feito de guerras e destruição, desde os nossos antepassados primitivos até a um presente próximo, ao longo de uma história de milhões de anos, somos levados a concluir que no final seremos a causa da nossa própria destruição e de tudo o que nos rodeia.
Nota:
Com este texto pretendo apenas relembrar a música (para uns) ou dá-la a conhecer (a outros), assim como fornecer alguma informação extra de interesse e exibir o vídeo oficial. Não pretendo abordar a evolução humana ou analisar a aproximação do filme à realidade, isso poderá ficar para outros textos. É mais sobre divulgação de música e menos de ciência.
O paquete transatlântico britânico Titanic, afundou-se ao chocar contra um iceberg a sul da Terra Nova. O acidente deu-se do dia 14 para 15 de Abril de 1912. Obviamente, e sendo a primeira viagem de um navio que se julgava ser altamente resistente, o facto causou um choque geral, tanto mais que, em 2224 pessoas, 1513 morreram no desastre. Para ajudar as famílias daqueles que perderam a vida, organizaram-se recolhas de fundos. O que vemos na imagem é uma criança ajudando outra a colocar um donativo numa caixa para o referido efeito.
Fonte: Nick Yapp, 150 Years of Photojournalism, Köln, Könemann, 1995, p.293. [Não conhecemos a localização exacta da fotografia, sendo que pode ser americana ou britânica, pelos dizeres em inglês na caixa.]
Saiu recentemente o primeiro volume da História da Vida Privada em Portugal, dirigida pelo Prof. José Mattoso, editada pelo Círculo de Leitores e pela Temas e Debates e que pretende ser para Portugal o que foi para parte da Europa a obra célebre dirigida por Philippe Ariès e Georges Duby. Está dividida em 4 volumes, cada qual dirigido por um especialista. O primeiro, referente à Idade Média, é dirigido pelo Prof. Bernardo Vasconcelos e Sousa; o segundo, sobre a Idade Moderna, é de Nuno Gonçalo Monteiro; o terceiro (A Época Contemporânea) é de Irene Vaquinhas e o último (Os Nossos Dias), que nos apanha a nós - contemporâneos - em flagrante, foi dirigido por Ana Nunes de Almeida e contou não com uma equipa de historiadores, mas de sociólogos. Os temas abordados estão no domínio do privado, muitas vezes cruzado com a vida quotidiana: a casa, a família, a infância, a sexualidade, o sentimento religioso, etc. São situações de grande importância para nós portugueses estas incursões em temas novos da História, revelando que a historiografia está avançando todos os dias, com discussão, crítica, releitura das fontes e até de estudos já clássicos da área.
Quando se fala da História mais antiga, clássica e alto-medieval por exemplo, os artefactos arqueológicos têm uma grande preponderância, já que as fontes escritas existem em modesto número. No entanto, quando existem são muito valiosas, desde logo porque são coevas de um tempo muito recuado, que se reconstitui com dificuldade. Estamos a pensar precisamente no Venerável Bede, cronista britânico dos séculos VII e VIII da nossa era. Terá nascido na primeira metade da década de ’70 daquele século[1], algures a norte do rio Humber, na região chamada Northumbria. Pelos 7 anos de idade entrou no mosteiro de Monkwearmouth e ou aí mesmo ou no mosteiro de Jarrow passou o resto da sua vida.[2] Possivelmente professou no primeiro e passou mais tarde ao segundo, pois temos notícia de que morreu lá.[3] Foi beneditino e terá passado a sua vida monacal a ler e a escrever, para o que aproveitou a vasta biblioteca do mosteiro de Jarrow, que contava algumas centenas de volumes. O próprio Bede deixou obras em inglês antigo e em latim, mas aquelas perderam-se.[4] Entre comentários à Bíblia (Homiliarium) e uma cronologia desde o nascimento de Cristo (De Tempore Ratione, 725), para dar dois exemplos, escreveu uma obra histórica fundamental para seguir a conjuntura da Ilha nos tempos mais antigos – Historia Ecclesiastica Gentis Anglorum, acabada em 731.[5] Trata-se da narração crítica, com recurso a provas documentais, do que aí ocorreu desde o tempo dos Romanos até ao século VIII, embora haja poucos dados anteriores ao século V. As suas qualidades de historiador, fazem com que continue a ser de leitura fundamental. Os missionários da sua região acabaram por divulgar os seus escritos, especialmente entre os Francos.[6] O Papa Leão XIII (1810-1903; papa desde 1878) declarou-o Doutor da Igreja por decreto de 13 de Novembro de 1899). Notas: [1] A New Caxton Encyclopedia, vol.2, London, The Caxton Publishing Company, 1973, p.617, s.v. “Bede, the Venerable”, diz 672; já a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol.4, Lisboa – Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia Limitada, s.d., p.414, s.v. “Beda (O Venerável)” e a Lexicoteca – Moderna Enciclopédia Universal, dir. e coord. de Leonel Moreira de Oliveira, vol.III, Círculo de Leitores, 1986, p.150, s.v. “Beda “O Venerável”, apontam para 672 ou 673. [2] The New Caxton Encyclopedia, vol.2, p.617, s.v. “Bede, the Venerable”. [3] Lexicoteca – Moderna Enciclopédia Universal, vol.III, p.150, s.v. “Beda “O Venerável”. [4] Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol.4, p.414, s.v. “Beda (O Venerável)”. [5] The New Caxton Encyclopedia, vol.2, p.617, s.v. “Bede, the Venerable” [6] The New Caxton Encyclopedia, vol.2, p.617, s.v. “Bede, the Venerable”.
"A Alma está no Cérebro" é um livro sobre neurociências, da autoria de Eduardo Punset, ao estilo dos livros de divulgação do neurocientista português António Damásio.
É o primeiro capítulo que dá o título ao livro, e em que se faz uma contextualização histórica do estudo da mente e da evolução do conceito de alma - o que hoje denominamos de alma tem um significado diferente do que teria na Idade Média, por exemplo; e o estudo da alma, mais concretamente o estudo das emoções, do cérebro e da questão do Eu, encontra-se no ramo das neurociências, levando o autor a concluir com base nisto, e justificando no final do capítulo, que a alma poderá não ser mais que o resultado das reacções físico-químicas (incluindo acção de hormonas, portanto, também biológicas) que ocorrem no cérebro. Aliás, todo este livro trata de uma análise a este importantíssimo órgão do nosso corpo.
Para além da contextualização histórica, há outros capítulos extremamente interessantes abordados neste trabalho, nomeadamente o tema da lavagem ao cérebro (capítulo 6) e manipulação de pessoas, assim como a análise à mente do psicopata e índoles violentas (capítulos 9 e 10), ou outras temáticas como a educação emocional (capítulo 8), inteligência criativa (capítulo 11), a relação cérebro e linguagem (capítulo 14) e os efeitos nefastos da depressão para o cérebro (para além da vida pessoal, obviamente) (capítulo 15).
Como livro de divulgação que é, pode ser compreendido por qualquer leigo no assunto, mas arrisco dizer, que é de particular interesse para biólogos, psicólogos, médicos ou investigadores (principalmente em neurociências).
Fonte:
Eduardo Punset, "A Alma está no Cérebro - Uma radiografia da máquina de pensar", Publicações Dom Quixote, Alfragide, 2008 - tradução de João Pedro George
Segue um texto da minha autoria, editado na Gazeta de Lagoa, sobre a exposição "Profissões com História":
"Está patente no Centro Cultural D. Dinis, em Porches, a exposição “Profissões com História”, que teve início a 8 de Novembro e continuará aberta ao público até Fevereiro de 2011. Esta iniciativa de cariz privado, mas com o apoio da Junta de Freguesia que cedeu o espaço, tem como objectivo dar a conhecer o património histórico-cultural da região, assim como sensibilizar para a criação de um Museu Etnográfico no Concelho de Lagoa, como salienta Virgílio Monteiro, organizador do projecto.
“Tudo começou com um desafio do presidente da Junta para montar a réplica do interior de uma Escola Primária Centenária no Festival do Caracol, em Porches”, recorda Virgílio. A adesão das pessoas foi imediata ao verem a carteira, o quadro negro de ardósia e os antigos manuais escolares, lembrando os tempos de estudante. O sucesso repetiu-se, pouco depois, na FATACIL, e na FNAC do Centro Comercial da Guia, onde esteve exposta durante trinta e três dias, na abertura do ano escolar.
Agora em exibição encontra-se um espólio mais completo relativo a várias actividades profissionais, dividido em diversas secções – há o lugar dos professores, do sapateiro, do barbeiro, dos vinhos, do barro e da alfaiataria. “Foi essencialmente o entusiasmo das pessoas nas iniciativas anteriores que me motivou a continuar”, explica o organizador.
Também o presidente da Junta de Freguesia está satisfeito com o trabalho demonstrado e felicita a iniciativa. Quanto a um possível Museu localizado em Porches, essa é uma luta da Junta há cerca de vinte anos e que deve continuar a ser incentivada. No entanto, o presidente alerta para a necessidade de se encontrar um local apropriado e haver disponibilidade financeira. Só depois se poderá avançar.
Na primeira semana, o Centro Cultural já recebeu várias dezenas de visitantes, e a expectativa é que venham ainda muitos mais. A exposição está aberta todos os dias das 10h até 12h30, e à tarde com marcação prévia. A entrada é gratuita.
Nota: O Organizador agradece profundamente o apoio do Presidente e dos membros da Junta de Freguesia de Porches, assim como dos populares que têm manifestado o apoio constante a esta iniciativa, contribuindo com sugestões e ainda com objectos que complementam a exposição. A todos um grande bem-haja."
Fonte: Gazeta de Lagoa, Director e Editor: Arthur Ligne, Sexta-feira, 19-11-2010, 22º ano, Nº 1045
“O Empreendedor-Minuto” é um livro que aborda a temática do empreendedorismo e as várias etapas que se sucedem na criação de uma empresa, com recurso a uma parábola - a história de Jud McCarley, um rapaz que almeja criar o seu próprio negócio e o que tem de fazer para o conseguir. Apesar de esta ser uma obra de ficção, os autores basearam-se na sua experiência e em factos reais para atingir vários objectivos, tais como, analisar os factores necessários para a criação de uma empresa, definir o que é relevante para o empreendimento vingar, alertar para o que pode correr mal, e explicar como lidar com as situações menos boas que aparecem em qualquer projecto.
Este livro de divulgação pode ser lido por qualquer pessoa mas, arrisco-me a dizer, é mais adequado para aqueles que têm uma veia empreendedora e não sabem por onde começar. Num período de desemprego acentuado em Portugal e em que se valoriza o empreendedorismo, este é um livro a ter em conta. Como costumo referir, estes livros de divulgação podem, e devem, servir como ponto de partida para uma literatura mais técnica, no futuro.
Sobre os autores:
- Ken Blanchard é director de uma empresa de formação e consultadoria em gestão, a Ken Blanchard Companies, Inc. É conferencista e autor de diversos livros best-sellers a nível internacional.
- Don Hutson é director-geral da empresa de formação U.S. Learning, foi fundador e presidente da National Speakers Association, e é autor de diversos livros de gestão.
- Ethan Willis é director-geral da Prosper Learning, Inc. e foi galardoado com o prémio Entrepreneur of the Year Ernst&Young
Fonte Bibliográfica:
Blanchard, K.; Hutson, D.; Willis, E., “O Empreendedor-Minuto”, Gestãoplus Edições (chancela da Bertrand Editora), Lisboa, 2009 – Trad. Catarina Espadinha
“O Gestor-Minuto” é o título de um livro que tem como propósito indicar uma metodologia eficiente de gestão de empresas e equipas. Para isso, os autores recorrem à fábula de um jovem que tem como ambição tornar-se um gestor eficiente. Após viajar por vários países e ter conhecido diferentes abordagens de gestão, a personagem regressa à sua terra sem ter conseguido encontrar o que procurara. Contudo, pouco depois, ouve rumores da existência de um gestor formidável que, ironicamente, trabalharia numa cidade perto da sua. Como qualquer pessoa que sabe o que quer, foi logo conhecer esse guru da gestão, com o intuito de receber conhecimentos úteis. Devido à desilusão que havia experimentado em situações anteriores, partiu com baixas expectativas. No entanto, ao longo do livro, e à medida que vai contactando com os colaboradores do gestor, compreende que é ali que vai encontrar muitas das respostas às suas questões.
A mensagem que os autores pretendem passar é a de três regras fundamentais: os objectivos-minuto, os elogios-minuto e as repreensões-minuto; que mais não são do que dizer o essencial de um modo breve e na altura certa. De seguida explica-se porque funcionam estas regras tão bem.
Pessoalmente, considero este um “livro-minuto” porque tem as ideias-chave bem condensadas e a leitura é extremamente fluida.
Sobre os autores:
Ken Blanchard é director de uma empresa de formação e consultadoria em gestão, a Ken Blanchard Companies, Inc. É conferencista e autor de diversos livros best-sellers a nível internacional.
Spencer Johnson é formado em psicologia pela University of South California e em medicina pelo Royal College of Surgeons, e autor de diversos best-sellers.
Informo que se encontra em funcionamento o blog Divulgar Cultura que pretende agregar e disponibilizar a um maior número de pessoas, vários eventos culturais, tais como lançamento de livros ou discos, colóquios, congressos, entre outros. As áreas em destaque são as mais variadas, incluindo Ciência, História, Literatura, Música, Artes Plásticas, só para citar algumas.
É mais uma iniciativa dos membros da equipa Armarium Libri.
Muito se tem discutido nas últimas semanas sobre a economia portuguesa e as finanças públicas, a propósito do Orçamento de Estado para o ano de 2011. Uns defendem que o orçamento deve ser aprovado, outros que deve ser chumbado; alguns clamam pela intervenção do Fundo Monetário Internacional (FMI), outros nem querem ouvir falar dessa hipótese; a culpa do estado das contas públicas é das décadas de governação do Partido Socialista (PS), segundo alguns, mas o Partido Social Democrata (PSD) também tem responsabilidade, acusam outros. Muito a opinião pública se tem manifestado, mas falará com conhecimento de causa?
Para uma discussão séria, as pessoas devem estar minimamente informadas e, por essa razão, divulgo livro Economia Portuguesa – As últimas décadas, da autoria do historiador Luciano Amaral, numa edição conjunta da Fundação Francisco Manuel dos Santos e da Relógio d’Água Editores.
O livro encontra-se dividido em duas partes. A primeira parte realiza uma contextualização histórica, analisando a evolução da economia portuguesa desde os anos '50 até aos dias de hoje, ou seja, relembra o panorama dos anos de ditadura, contextualiza o período de revolução, e analisa os anos seguintes, referindo as duas vezes em que o FMI esteve em Portugal (1978-1979) e (1983-1985); é, portanto, esta informação histórica que nos permitirá compreender como chegámos ao estado actual. Na segunda parte são analisados dois temas em particular: o Estado-Providência e o Crescimento Económico. O Estado-Providência, uma das mais importantes realizações a nível político, social e económico da democracia em Portugal, só foi conseguido após a denominada Revolução dos Cravos. Se bem que tenha elevados custos financeiros, também trouxe melhores condições para a vida dos cidadãos de Portugal, resultando de mais investimento da parte do Estado, particularmente na Saúde e na Educação: hoje em dia, estas duas áreas em conjunto assimilam cerca de 14% do PIB nacional. Relembre-se ainda a importância da criação do Serviço Nacional de Saúde em 1979 e as melhorias que trouxe para a Saúde Pública, como a diminuição da mortalidade infantil e o aumento da esperança média de vida, por exemplo. Quanto ao crescimento económico, é estudado o modo como o mercado de trabalho e a educação podem influenciar a economia e reflecte-se sobre a importância de cada um destes factores.
Após a leitura deste breve livro, qualquer cidadão terá mais bases sustentáveis de argumentação, falando com conhecimento de causa. Será também um bom princípio para se aventurar noutras leituras complementares, uma vez que esta obra, embora completa, é dirigida a um público alargado, sendo um bom livro de divulgação, sem grandes preciosismos académicos. Pode ser encontrado em livrarias e nalguns estabelecimentos comerciais, como o Pingo Doce.
Sobre o autor:
Luciano Amaral (Porto, 1965) é licenciado em História pela Universidade Nova de Lisboa e doutorado em História da Civilização pelo Instituto Universitário Europeu de Florença, especializado em História Económica. É docente na Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa e colunista em jornais.
Bibliografia:
Luciano Amaral, Economia Portuguesa – As últimas décadas, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos & Relógio d’Água Editores, 2010
“E sempre que falte aos investigadores a probidade do crítico e a seriedade do pensador, todas as démarches feitas no sentido da verdade resultarão infrutíferas”(1).
Esta afirmação do advogado, publicista e ensaísta algarvio Júlio Carrapato (1919-1985), leva-nos a meditar sobre a importância da constante reflexão por parte de um investigador. Lembra-nos que um trabalho de pesquisa, qualquer que seja a temática de estudo, não passa apenas pela recolha de informação, mas de igual modo pela assimilação dos conteúdos, análise e sentido crítico.
Este foi um dos primeiros ensaios escritos pelo autor, ainda com dezoito anos.
(1) – Júlio Carrapato, “O Mistério Camoniano e a «Alma PoéticaLusitana»” (1937), in “Obras (Quase) Completas” (1996).
Bibliografia:
Júlio Filipe de Almeida Carrapato, “Obras (Quase) Completas”, 1º Volume, Algarve em Foco Editora, Faro, 1996