sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Há 202 anos atrás...

Que melhor motivo para me estrear nesta nova aventura de escrita do que escrever uma pequena nota sobre quem vai ocupar grande parte dos meus dias nos próximos 6 meses?
Pois é, no próximo Sábado (12 de Fevereiro), 202 anos após o seu nascimento, celebra-se um pouco por todo o mundo o Dia de Darwin (http://www.darwinday.org/index.php).

O primeiro evento para celebrar esta efeméride teve lugar a 22 de Abril de 1995 na Universidade de Stanford, e foi promovido pelo Grupo de Estudantes Humanistas de Stanford e pela Comunidade Humanista. Nessa ocasião, Donald Johnson, famoso pela descoberta dos fósseis humanos mais conhecidos do mundo ('Lucy'), foi o responsável pela conferência "Darwin e as Origens Humanas", que reuniu cerca de 600 pessoas. Posteriormente, mudou-se a data da celebração de forma a coincidir com o aniverário de Charles Darwin, a 12 de Fevereiro. Desde então, são muitas as instituições públicas e privadas que organizam diferentes actividades de divulgação do conhecimento científico com motivo desta celebração.

Ne
ste ano de 2011, a Universidade do Porto une-se às comemorações e, aproveitando a exposição "A Evolução de Darwin", promove um dia aberto de visita gratuita.
Para além disso, o biólogo Albano Beja Pereira (CIBIO) apresentará a palestra "A evolução dos animais domésticos segundo Darwin: O exemplo de como os Homens tambem foram domesticados". Esta conferência terá lugar no Jardim Botânico do Porto, onde também está patente a exposição, no Auditório Jardim às 17:30h; também com entrada livre.
Fica então aqui, uma vez mais, o convite para que apareçam pelo Jardim Botânico do Porto e disfrutem desta bela exposição e do seu entorno. Até lá!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Os Teatros de Lisboa


Julio Cezar Machado (1835-1890) foi um dos mais interessantes autores portugueses do seu século. Apesar de ter publicado ficção, as suas obras mais cativantes são as que falam da sua época. Sobre Lisboa deixou numerosas crónicas que fazem a cidade como que reviver, com as suas ruas e as suas figuras típicas, passados cerca de 150 anos. Podem nomear-se, por exemplo, a Lisboa na Rua (1874) ou a Lisboa de Ontem (1877). Hoje, no entanto, falaremos d' Os Teatros de Lisboa, de 1875, reeditado pela Frenesi em 2002, conservando as ilustrações de Raphael Bordallo Pinheiro. Ao longo de cerca de 130 páginas, aliás muito bem escritas dentro de um estilo familiar e pitoresco sem deixar de ser cuidado, o folhetinista fala dos artistas (actores, dramaturgos, músicos) que trabalhavam nos teatros S. Carlos, D. Maria II e Trindade. Se António de Sousa Bastos (1844-1911) no seu Diccionario do Theatro Portuguez (1908) nos deixou um trabalho de erudição, muito investigado e em tom sério, Julio Cezar Machado oferece-nos o complemento vivo, palpável, susceptível de empatia imediata, do mesmo assunto. Descrevendo as figuras do teatro português um pouco como Bordallo Pinheiro as traçava à pena nos jornais, o escritor deixa um retrato jovial e crítico de numerosas celebridades de então: Emília das Neves, Coppolla, Santos, Manuela Rey, Beneventano, Garrett, para citar uns poucos. É um testemunho precioso, pois, como se disse, lê-se como se fosse a vida a decorrer.

Excerto do livro:
"O outro director da orquestra, Guilherme Cossoul, dava em aplicação, em assiduidade, em atenção e em paciência quanto bastasse por dois. Eram-lhe incumbidas as óperas difíceis, que requressem grande número de ensaios e aquela perseverança que não quer ser paga noutra moeda senão a glória de agradar e de vencer. O público teve sempre confiança nas óperas dirigidas por Cossoul; e os cantores iam para a cena com esperança e fé, em ele estando de poleiro no meio dos músicos, ou antes, por cima deles, no seu estrado de honra. Quando se interessava por algum artista, fazia tais prodígios com a batuta, que a maior parte da gente incapaz de compreender a paixão da arte julgava-o namorado. Foi assim que se espalhou que ele ia casar ora com uma prima-donna, ora com outra, e cada ano lhe atribuíam noiva, até que a última cortou a legenda no melhor do boato, a cantora Harris. (...) Guilherme Cossoul nem dava por estas coisas. Qual! Ia regendo a orquestra. Ia ensaiando os cantores. Ia trabalhando. Gravemente. Austeramente. (...) Depois, fora do teatro, ia sendo bombeiro, e, ainda mais que bombeiro, bombista!..., isto é, brincalhão, farsista, trocista, calçoísta! (...) Há casos em que se tem medo dele como do Diabo, por seus artifícios e malefícios. (...) Os menos prudentes, tão depressa o vêem aparecer, tomam desde logo precauções injuriosas. Se é no campo e ele vai estar de hóspede na mesma casa em que estejamos, tem uma pessoa todas as noites de visitar o quarto, abaixar-se, ver bem por baixo da cama, remexer os móveis, sondar as paredes, tapar o buraco da fechadura, dar três voltas à chave e guardá-la segura. E apesar deste luxo de precauções ainda se fica inquieto... (...) Principiam sempre as hostilidades quando os convivas, munidos cada um com a competente palmatória e vela de estearina, vão tranquilamente para os seus quartos. cai de repente em cima deles uma chuva de travesseiros e de almofadinhas, que apaga de repente as luzes. Pragas de um lado, risota do outro, lá se acende a luz outra vez; e cada um, instruído já pela experiência, vai de degrau em degrau abrigando a chama com mão protectora..." (Júlio César Machado e Rafael Bordalo Pinheiro, Os Teatros de Lisboa, Lisboa, Frenesi, 2002, pp.35-40; a imagem reproduzida vem na p.2.)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Exposição "A Evolução de Darwin" - Porto

Informa-se que a exposição "A Evolução de Darwin" estreou a semana passada na cidade do Porto, e ficará em exibição até 17 de Julho. Esta iniciativa coincide com a continuação da celebração do centenário da República (1910-2010) e com o centenário da Universidade do Porto (1911-2011).
Este evento tem por base a mesma exposição que se realizou em 2009, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, por altura da comemoração dos 200 anos do nascimento de Charles Darwin e dos 150 anos da publicação da sua obra máxima "A Origem das Espécies". No entanto, apresenta dois módulos novos muito interessantes dedicados à genética humana e à recepção do Darwinismo em Portugal.
Destaque para o local onde se realiza a exposição, que é na Casa Andresen, sito no Jardim Botânico do Porto, palacete que pertenceu aos familiares da escritora portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen, e posteriormente, serviu de departamento de Botânica para aulas universitárias. Uma vez que o edifício se encontrava profundamente degradado, foram efectuadas obras de reabilitação para acolher este evento, sendo que no futuro este espaço dará lugar a um museu de biodiversidade.
Existem, portanto, várias razões para visitar esta iniciativa cultural no Porto: vê a exposição, visita as estufas onde estarão animais e plantas que representam a biodiversidade que Darwin encontrou na sua viagem, conhece a famosa Casa Andresen, e passeia pelos belos jardins que rodeiam o palacete.


sábado, 5 de fevereiro de 2011

Fotografias Antigas (2): Raquel Roque Gameiro, 1911

Fotografia colorida da Ilustração Portugueza, que saía uma vez por semana com O Século, de 27 de Novembro de 1911. A senhora representada, então com 22 anos, é a pintora e ilustradora Raquel Roque Gameiro (1889-1970), filha do prestigiado artista Alfredo Roque Gameiro (1864-1935). Como pintora, expôs em Lisboa, no Porto e em Londres. Ilustrou obras para crianças, nomeadamente da autoria de Ana de Castro Osório (1872-1935) e de António Sérgio (1883-1969).

Fonte:
AAVV, Percursos, Conquistas e Derrotas das Mulheres na 1ª República, coord. de Teresa Pinto, Lisboa, Câmara Municipal de Lisboa - Grupo de Trabalho para as Comemorações Municipais do Centenário da República - Biblioteca Museu República e Resistência, 2010, p.131.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O Chapéu de Três Bicos


Em 1874, Pedro Antonio de Alarcón (1833-1891), escritor espanhol natural de Granada, publicava a novela El Sombrero de Tres Picos. A acção é situada algures na Andaluzia, entre 1805 e 1808. Está-se numa Península Ibérica gerida segundo o Antigo Regime, "com a sua Inquisição e os seus frades, com a sua pitoresca desigualdade perante a lei, com os seus privilégios, foros e isenções pessoais, com a sua carência de toda a liberdade municipal ou política, [em que os cidadãos eram] governados simultaneamente por insignes bispos e poderosos corregedores" e pagavam "dízimos, primícias, alcavalas, subsídios, deixas e esmolas obrigatórias, rendas, capitações, tércias reais, impostos, frutos civis, e até cinquenta tributos mais" (pp.16-17). A história é precisamente sobre um velho e atrevido corregedor, cujos poderes servem mais os seus desejos pessoais e nem sempre inocentes, verdadeira síntese do Antigo Regime, embrulhado numa capa e coberto com um chapéu de três bicos (ou tricórnio), que na Península se usaram até bem dentro do século XIX. É pois sobre o corregedor e sobre como quis conquistar a Tia Frasquita, esposa do Tio Lucas, moleiro. E de como os alargados privilégios de uma classe podem não ser tudo na vida, porque nem tudo conseguem obter. A novela retrata uma época comum a Espanha e a Portugal, um tempo em que os povos peninsulares, ainda presos sob os costumes que vinham desde a Idade Média, olhavam com alguma esperança para os ideais do constitucionalismo que vinham do estrangeiro. É um modelo de sociedade que actualmente não conhecemos, pois as nossas são a natural evolução dos regimes liberais então implantados. É por isso que, com muito humor, António Pedro de Alarcón nos diz recordar da sua infância "ter visto pendurados num prego, único adorno da desmantelada parede da arruinada torre da casa que Sua Senhoria habitou (...), aquelas duas antiquadas jóias, aquela capa e aquele chapéu - o chapéu negro em cima, e a capa vermelha debaixo -, formando como que um espectro do absolutismo, uma espécie de mortalha do corregedor, uma caricatura retrospectiva do seu poder (...); uma espécie enfim de espanta-pássaros, que outrora fora espanta-homens e que hoje me assusta ter contribuído para escarnecer, passeando-a por aquela histórica cidade nos dias de Entrudo, no alto duma vassoura, ou servindo de ridículo disfarce ao idiota que mais fazia rir a plebe" (p.35). No entanto, sem mencionar mais o valioso testemunho, ainda que caricaturado, da sociedade do virar do século XVIII para o XIX, esta novela reforça a saudade do serão familiar ou, melhor ainda, comunitário, fazendo lembrar, por exemplo, o convívio que no campo se organizava nas desfolhadas. Isto porque quem conta verdadeiramente a história, inevitavelmente retocada por Alarcón, é o Tio Repela, "um rude pastor de cabras, que nunca saíra da escondida povoação em que nasceu (...). (...) Sempre que havia festa motivada por boda ou baptizado, ou por solene visita dos amos, tocava-lhe o fazer as palhaçadas, as pantominas, e recitar os romances e relações. E foi precisamente numa ocasião dessas (...) que ele houve por bem deslumbrar e embelezar certa noite a nossa inocência (relativa) com o conto em verso de «O Corregedor e a Moleira», ou seja de «O Moleiro e a Corregedora»" (p.7). Em todo o caso, uma história em que "não se aconselha ninguém a que seja mau; nem se ensina a sê-lo; nem fica sem castigo o que o é" (p.9), fazendo lembrar a moralidade d' Os Contos do Tio Joaquim, de Rodrigo Paganino, dos quais se falou já neste espaço. Uma excelente leitura, que prova que a literatura popular tem vivacidade suficiente para ombrear e, quantas vezes!, ultrapassar a arte erudita, frequentemente tão desfeada pela vaidade e presunção dos artistas.
Referência:
Pedro Antonio de Alarcón, O Chapéu de Três Bicos, Publicações Europa-América, 1973.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

E a propósito de evolução...

... está prestes a estrear a exposição "A Evolução de Darwin", no Porto.

Nos próximos tempos o armariumlibri irá trazer mais actualizações e mais informações sobre este tema.

It's Evolution, Baby!

E porque se está a aproximar a data de mais uma interessantíssima exposição sobre a temática evolutiva, veio-me à memória uma música que já não ouvia há muito tempo, e cujo título se adequa ao meu trabalho das últimas semanas (que é a montagem da referida exposição sobre Evolução, e onde irei trabalhar nos próximos meses).

“Do the Evolution” é uma música da banda de Rock americana Pearl Jam, da autoria do vocalista Eddie Vedder (letras) e do guitarrista Stone Gossard (música), fazendo parte do álbum “Yield” (1998).

De acordo com a banda, a escrita das músicas foi influenciada pelo livro “Ishmael”, de Daniel Quinn[1], que relata a história de um símio capaz de comunicar telepaticamente com um ser humano, reflectindo sobre os problemas da humanidade. Se ouvirmos a música e observarmos o videoclip, deparamo-nos com uma visão catastrófica do futuro, uma destruição apocalíptica do mundo pelo homem, típica das décadas 80/90. Olhando para um passado feito de guerras e destruição, desde os nossos antepassados primitivos até a um presente próximo, ao longo de uma história de milhões de anos, somos levados a concluir que no final seremos a causa da nossa própria destruição e de tudo o que nos rodeia.

Nota:
Com este texto pretendo apenas relembrar a música (para uns) ou dá-la a conhecer (a outros), assim como fornecer alguma informação extra de interesse e exibir o vídeo oficial. Não pretendo abordar a evolução humana ou analisar a aproximação do filme à realidade, isso poderá ficar para outros textos. É mais sobre divulgação de música e menos de ciência.

Referência:



Para quem quiser cantar enquanto ouve a música, segue a letra:
Letra

Woo..
I'm ahead, I'm a man
I'm the first mammal to wear pants, yeah
I'm at peace with my lust
I can kill 'cause in God I trust, yeah
It's evolution, baby

I'm at piece, I'm the man
Buying stocks on the day of the crash
On the loose, I'm a truck
All the rolling hills, I'll flatten 'em out, yeah
It's herd behavior, uh huh
It's evolution, baby

Admire me, admire my home
Admire my son, he's my clone
Yeah, yeah, yeah, yeah
This land is mine, this land is free
I'll do what I want but irresponsibly
It's evolution, baby

I'm a thief, I'm a liar
There's my church, I sing in the choir:
(hallelujah, hallelujah)

Admire me, admire my home
Admire my son, admire my clones
'Cause we know, appetite for a nightly feast
Those ignorant Indians got nothin' on me
Nothin', why?
Because... it's evolution, baby!

I am ahead, I am advanced
I am the first mammal to make plans, yeah
I crawled the earth, but now I'm higher
2010, watch it go to fire
It's evolution, baby

Do the evolution
Come on, come on, come on

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Fotografias Antigas (1): Fundo de Socorro para as Vítimas do Titanic


O paquete transatlântico britânico Titanic, afundou-se ao chocar contra um iceberg a sul da Terra Nova. O acidente deu-se do dia 14 para 15 de Abril de 1912. Obviamente, e sendo a primeira viagem de um navio que se julgava ser altamente resistente, o facto causou um choque geral, tanto mais que, em 2224 pessoas, 1513 morreram no desastre. Para ajudar as famílias daqueles que perderam a vida, organizaram-se recolhas de fundos. O que vemos na imagem é uma criança ajudando outra a colocar um donativo numa caixa para o referido efeito.
Fonte: Nick Yapp, 150 Years of Photojournalism, Köln, Könemann, 1995, p.293. [Não conhecemos a localização exacta da fotografia, sendo que pode ser americana ou britânica, pelos dizeres em inglês na caixa.]

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Boas Festas!

O Armarium Libri deseja Feliz Natal e Próspero Ano Novo a todos os seus colaboradores, seguidores e leitores!



domingo, 19 de dezembro de 2010

História da Vida Privada em Portugal

Saiu recentemente o primeiro volume da História da Vida Privada em Portugal, dirigida pelo Prof. José Mattoso, editada pelo Círculo de Leitores e pela Temas e Debates e que pretende ser para Portugal o que foi para parte da Europa a obra célebre dirigida por Philippe Ariès e Georges Duby. Está dividida em 4 volumes, cada qual dirigido por um especialista. O primeiro, referente à Idade Média, é dirigido pelo Prof. Bernardo Vasconcelos e Sousa; o segundo, sobre a Idade Moderna, é de Nuno Gonçalo Monteiro; o terceiro (A Época Contemporânea) é de Irene Vaquinhas e o último (Os Nossos Dias), que nos apanha a nós - contemporâneos - em flagrante, foi dirigido por Ana Nunes de Almeida e contou não com uma equipa de historiadores, mas de sociólogos. Os temas abordados estão no domínio do privado, muitas vezes cruzado com a vida quotidiana: a casa, a família, a infância, a sexualidade, o sentimento religioso, etc. São situações de grande importância para nós portugueses estas incursões em temas novos da História, revelando que a historiografia está avançando todos os dias, com discussão, crítica, releitura das fontes e até de estudos já clássicos da área.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Venerável Bede (67?-735)

Quando se fala da História mais antiga, clássica e alto-medieval por exemplo, os artefactos arqueológicos têm uma grande preponderância, já que as fontes escritas existem em modesto número. No entanto, quando existem são muito valiosas, desde logo porque são coevas de um tempo muito recuado, que se reconstitui com dificuldade. Estamos a pensar precisamente no Venerável Bede, cronista britânico dos séculos VII e VIII da nossa era. Terá nascido na primeira metade da década de ’70 daquele século[1], algures a norte do rio Humber, na região chamada Northumbria. Pelos 7 anos de idade entrou no mosteiro de Monkwearmouth e ou aí mesmo ou no mosteiro de Jarrow passou o resto da sua vida.[2] Possivelmente professou no primeiro e passou mais tarde ao segundo, pois temos notícia de que morreu lá.[3] Foi beneditino e terá passado a sua vida monacal a ler e a escrever, para o que aproveitou a vasta biblioteca do mosteiro de Jarrow, que contava algumas centenas de volumes. O próprio Bede deixou obras em inglês antigo e em latim, mas aquelas perderam-se.[4] Entre comentários à Bíblia (Homiliarium) e uma cronologia desde o nascimento de Cristo (De Tempore Ratione, 725), para dar dois exemplos, escreveu uma obra histórica fundamental para seguir a conjuntura da Ilha nos tempos mais antigos – Historia Ecclesiastica Gentis Anglorum, acabada em 731.[5] Trata-se da narração crítica, com recurso a provas documentais, do que aí ocorreu desde o tempo dos Romanos até ao século VIII, embora haja poucos dados anteriores ao século V. As suas qualidades de historiador, fazem com que continue a ser de leitura fundamental. Os missionários da sua região acabaram por divulgar os seus escritos, especialmente entre os Francos.[6] O Papa Leão XIII (1810-1903; papa desde 1878) declarou-o Doutor da Igreja por decreto de 13 de Novembro de 1899).
Notas:
[1] A New Caxton Encyclopedia, vol.2, London, The Caxton Publishing Company, 1973, p.617, s.v. “Bede, the Venerable”, diz 672; já a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol.4, Lisboa – Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia Limitada, s.d., p.414, s.v. “Beda (O Venerável)” e a Lexicoteca – Moderna Enciclopédia Universal, dir. e coord. de Leonel Moreira de Oliveira, vol.III, Círculo de Leitores, 1986, p.150, s.v. “Beda “O Venerável”, apontam para 672 ou 673.
[2] The New Caxton Encyclopedia, vol.2, p.617, s.v. “Bede, the Venerable”.
[3] Lexicoteca – Moderna Enciclopédia Universal, vol.III, p.150, s.v. “Beda “O Venerável”.
[4] Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol.4, p.414, s.v. “Beda (O Venerável)”.
[5] The New Caxton Encyclopedia, vol.2, p.617, s.v. “Bede, the Venerable”
[6] The New Caxton Encyclopedia, vol.2, p.617, s.v. “Bede, the Venerable”.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Livro sobre Neurociências

"A Alma está no Cérebro" é um livro sobre neurociências, da autoria de Eduardo Punset, ao estilo dos livros de divulgação do neurocientista português António Damásio.
É o primeiro capítulo que dá o título ao livro, e em que se faz uma contextualização histórica do estudo da mente e da evolução do conceito de alma - o que hoje denominamos de alma tem um significado diferente do que teria na Idade Média, por exemplo; e o estudo da alma, mais concretamente o estudo das emoções, do cérebro e da questão do Eu, encontra-se no ramo das neurociências, levando o autor a concluir com base nisto, e justificando no final do capítulo, que a alma poderá não ser mais que o resultado das reacções físico-químicas (incluindo acção de hormonas, portanto, também biológicas) que ocorrem no cérebro. Aliás, todo este livro trata de uma análise a este importantíssimo órgão do nosso corpo.
Para além da contextualização histórica, há outros capítulos extremamente interessantes abordados neste trabalho, nomeadamente o tema da lavagem ao cérebro (capítulo 6) e manipulação de pessoas, assim como a análise à mente do psicopata e índoles violentas (capítulos 9 e 10), ou outras temáticas como a educação emocional (capítulo 8), inteligência criativa (capítulo 11), a relação cérebro e linguagem (capítulo 14) e os efeitos nefastos da depressão para o cérebro (para além da vida pessoal, obviamente) (capítulo 15).
Como livro de divulgação que é, pode ser compreendido por qualquer leigo no assunto, mas arrisco dizer, que é de particular interesse para biólogos, psicólogos, médicos ou investigadores (principalmente em neurociências).

Fonte:
Eduardo Punset, "A Alma está no Cérebro - Uma radiografia da máquina de pensar", Publicações Dom Quixote, Alfragide, 2008 - tradução de João Pedro George

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Exposição "Profissões com História" no Centro Cultural D. Dinis, em Porches

Segue um texto da minha autoria, editado na Gazeta de Lagoa, sobre a exposição "Profissões com História":

"Está patente no Centro Cultural D. Dinis, em Porches, a exposição “Profissões com História”, que teve início a 8 de Novembro e continuará aberta ao público até Fevereiro de 2011. Esta iniciativa de cariz privado, mas com o apoio da Junta de Freguesia que cedeu o espaço, tem como objectivo dar a conhecer o património histórico-cultural da região, assim como sensibilizar para a criação de um Museu Etnográfico no Concelho de Lagoa, como salienta Virgílio Monteiro, organizador do projecto.
Tudo começou com um desafio do presidente da Junta para montar a réplica do interior de uma Escola Primária Centenária no Festival do Caracol, em Porches”, recorda Virgílio. A adesão das pessoas foi imediata ao verem a carteira, o quadro negro de ardósia e os antigos manuais escolares, lembrando os tempos de estudante. O sucesso repetiu-se, pouco depois, na FATACIL, e na FNAC do Centro Comercial da Guia, onde esteve exposta durante trinta e três dias, na abertura do ano escolar.
Agora em exibição encontra-se um espólio mais completo relativo a várias actividades profissionais, dividido em diversas secções – há o lugar dos professores, do sapateiro, do barbeiro, dos vinhos, do barro e da alfaiataria. “Foi essencialmente o entusiasmo das pessoas nas iniciativas anteriores que me motivou a continuar”, explica o organizador.
Também o presidente da Junta de Freguesia está satisfeito com o trabalho demonstrado e felicita a iniciativa. Quanto a um possível Museu localizado em Porches, essa é uma luta da Junta há cerca de vinte anos e que deve continuar a ser incentivada. No entanto, o presidente alerta para a necessidade de se encontrar um local apropriado e haver disponibilidade financeira. Só depois se poderá avançar.
Na primeira semana, o Centro Cultural já recebeu várias dezenas de visitantes, e a expectativa é que venham ainda muitos mais. A exposição está aberta todos os dias das 10h até 12h30, e à tarde com marcação prévia. A entrada é gratuita.

Nota: O Organizador agradece profundamente o apoio do Presidente e dos membros da Junta de Freguesia de Porches, assim como dos populares que têm manifestado o apoio constante a esta iniciativa, contribuindo com sugestões e ainda com objectos que complementam a exposição. A todos um grande bem-haja."

Fonte: Gazeta de Lagoa, Director e Editor: Arthur Ligne, Sexta-feira, 19-11-2010, 22º ano, Nº 1045

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O Empreendedor-Minuto

“O Empreendedor-Minuto” é um livro que aborda a temática do empreendedorismo e as várias etapas que se sucedem na criação de uma empresa, com recurso a uma parábola - a história de Jud McCarley, um rapaz que almeja criar o seu próprio negócio e o que tem de fazer para o conseguir. Apesar de esta ser uma obra de ficção, os autores basearam-se na sua experiência e em factos reais para atingir vários objectivos, tais como, analisar os factores necessários para a criação de uma empresa, definir o que é relevante para o empreendimento vingar, alertar para o que pode correr mal, e explicar como lidar com as situações menos boas que aparecem em qualquer projecto.
Este livro de divulgação pode ser lido por qualquer pessoa mas, arrisco-me a dizer, é mais adequado para aqueles que têm uma veia empreendedora e não sabem por onde começar. Num período de desemprego acentuado em Portugal e em que se valoriza o empreendedorismo, este é um livro a ter em conta. Como costumo referir, estes livros de divulgação podem, e devem, servir como ponto de partida para uma literatura mais técnica, no futuro.

Sobre os autores:
- Ken Blanchard é director de uma empresa de formação e consultadoria em gestão, a Ken Blanchard Companies, Inc. É conferencista e autor de diversos livros best-sellers a nível internacional.
- Don Hutson é director-geral da empresa de formação U.S. Learning, foi fundador e presidente da National Speakers Association, e é autor de diversos livros de gestão.
- Ethan Willis é director-geral da Prosper Learning, Inc. e foi galardoado com o prémio Entrepreneur of the Year Ernst&Young

Fonte Bibliográfica:
Blanchard, K.; Hutson, D.; Willis, E., “O Empreendedor-Minuto”, Gestãoplus Edições (chancela da Bertrand Editora), Lisboa, 2009 – Trad. Catarina Espadinha

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O Gestor-Minuto

“O Gestor-Minuto” é o título de um livro que tem como propósito indicar uma metodologia eficiente de gestão de empresas e equipas. Para isso, os autores recorrem à fábula de um jovem que tem como ambição tornar-se um gestor eficiente. Após viajar por vários países e ter conhecido diferentes abordagens de gestão, a personagem regressa à sua terra sem ter conseguido encontrar o que procurara. Contudo, pouco depois, ouve rumores da existência de um gestor formidável que, ironicamente, trabalharia numa cidade perto da sua. Como qualquer pessoa que sabe o que quer, foi logo conhecer esse guru da gestão, com o intuito de receber conhecimentos úteis. Devido à desilusão que havia experimentado em situações anteriores, partiu com baixas expectativas. No entanto, ao longo do livro, e à medida que vai contactando com os colaboradores do gestor, compreende que é ali que vai encontrar muitas das respostas às suas questões.
A mensagem que os autores pretendem passar é a de três regras fundamentais: os objectivos-minuto, os elogios-minuto e as repreensões-minuto; que mais não são do que dizer o essencial de um modo breve e na altura certa. De seguida explica-se porque funcionam estas regras tão bem.
Pessoalmente, considero este um “livro-minuto” porque tem as ideias-chave bem condensadas e a leitura é extremamente fluida.

Sobre os autores:
Ken Blanchard é director de uma empresa de formação e consultadoria em gestão, a Ken Blanchard Companies, Inc. É conferencista e autor de diversos livros best-sellers a nível internacional.
Spencer Johnson é formado em psicologia pela University of South California e em medicina pelo Royal College of Surgeons, e autor de diversos best-sellers.
Fonte Bibliográfica:
Blanchard, K. & Johnson, S., “O Gestor-Minuto”, 5ª reimpressão, Gestãoplus Edições (chancela da Bertrand Editora), Lisboa, 2010 – Trad. Rita Figueiredo