sexta-feira, 22 de julho de 2011
Parceria - "Espaço Anémona"
quinta-feira, 14 de julho de 2011
sábado, 9 de julho de 2011
"A Evolução de Darwin"
quarta-feira, 29 de junho de 2011
O olho humano e a complexidade irredutível
A propósito deste artigo publicado na revista Scientific American(1), esta parece-me uma boa ocasião para, uma vez mais, desmistificar esta falsa questão: como foi possível a evolução do olho humano?
Segundo os proponentes do ‘Design Inteligente’ e do conceito de ‘Complexidade Irredutível’, o olho humano seria o exemplo perfeito de uma estrutura que não funcionaria sem todas as suas partes e, portanto, com uma complexidade irredutível, que não pode ser reduzida em nenhum dos seus componentes sem o risco de deixar de cumprir a sua função por completo.
Já em 1987, Richard Dawkins, no seu documentário The Blind Watchmaker(2), deitava por terra este argumento, demonstrando com uma simples experiência de óptica como era possível, em pequenos passos, chegar desde uma estrutura foto-receptora simples até ao complexo olho dos vertebrados (e do polvo).
(ver min 7:55)
Em 2010, Dawkins volta a abordar esta questão neste programa da BBC:
Na verdade, como o Prof. Dawkins bem explica, no reino animal encontramos espécies com diferentes graus de desenvolvimento das suas estruturas foto-receptoras (os olhos). Por si só, uma evidencia da evolução do olho.
Ainda assim, este argumento de William Paley continua a ser usado pelos criacionistas (disfarçados de 'cientistas da criação') como evidência da existência de um designer para a vida e, desta forma, negarem a teoria da evolução.
O artigo supracitado apresenta uma série de resultados científicos obtidos ao longo dos últimos anos na área da embriologia e da genética que inclusivamente sugerem que “o nosso olho ‘tipo-câmara’ tem uma origem muito mais antiga que o até agora suposto e que, antes de operar como um órgão visual, servia como um detector de luz que modulava os ritmos circadianos dos nossos distantes ancestrais”.
Será que desta vez, definitivamente, se abandona o uso desta “prova” pseudo-científica a favor do Criacionismo (perdão, Design Inteligente)?
Referências:
(1) Lamb, T. D. 2011. Evolution of the Eye. Scientific American July
(2) The Blind Watchmaker, 1987. BBC. [Também em livro: Dawkins, D. 1986. The Blind Watchmaker: Why the Evidence of Evolution Reveals a Universe without Design. W. W. Norton & Company, 496pp]
terça-feira, 28 de junho de 2011
Novo programa de Governo
Foi hoje publicado, pela Presidência do Conselho de Ministros, o Programa do XIX Governo Constitucional, dirigido por Pedro Passos Coelho. No capítulo VI (O Desafio do Futuro), encontram-se os objectivos e acções programáticas para a Ciência (a partir da pág. 118).
A leitura deste capítulo levou-me a algumas reflexões...
Em primeiro lugar, infelizmente, este texto não parece dizer nada de concreto, apenas faz uma declaração de intenções com uma linguagem tão vaga que não se percebe em que áreas da ciência é que os apoios/cortes vão incidir. E os cortes, não nos enganemos, vão ser muitos. No entanto, no meio das expressões vagas acerca da importância da ciência para o avanço do país, intui-se o incentivo ao "apoio privado", "emprego privado", parcerias com a indústria...
A meu ver, dificilmente a ciência fundamental avança com apoios privados. As empresas privadas querem aplicações práticas para os seus investimentos, se possível imediatas, e rentáveis. Esse é o seu objectivo, e é compreensível que assim seja.
Mas, o valor do conhecimento científico nem sempre se pode traduzir em dinheiro. O início de uma nova linha de investigação muitas vezes não vai em busca de uma aplicação prática […embora muitos são os (a)casos em que mais tarde essa aplicação surgiu].
O país só avança verdadeiramente na sua cultura científica e tecnológica quando toda a boa ciência for apoiada e os cientistas tiverem uma verdadeira carreira profissional pela frente, altamente competitiva, mas também compensatória. E as agencias governamentais têm um papel fundamental neste apoio, mesmo nos países mais capitalistas e neo-liberais (como é o caso dos EUA).
NOTA: O texto completo do programa pode ser lido aqui: http://www.portugal.gov.pt/pt/GC19/Documentos/Programa_GC19.pdf
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Darwinismo na Literatura II
Darwinismo na Literatura II
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Vacinas e Saúde Pública
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Figura Gigante e reflexão sobre o valor do Homem
domingo, 19 de junho de 2011
O Castelo de Cartas, de Chardin

Na imagem, quadro de Jean Baptiste Simeon Chardin (1699-1779), O Castelo de Cartas, óleo sobre tela, 60x72 cm, National Gallery of London, 1736-37. Natural de Paris, onde também faleceu, Chardin pintou naturezas-mortas e cenas da vida quotidiana. Os temas do dia-a-dia e o tratamento das cores, que compõem o intimismo dos interiores domésticos, recordam Vermeer (1632-1675). Quadros como o que aqui se reproduz, podem, pelo seu realismo, conter boas informações para a concretização de outras fontes que sejam menos claras e menos visualizáveis. A imagem vem da Web Gallery of Art: http://www.wga.hu/.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
III Encontros de História das Ciências
sábado, 11 de junho de 2011
Darwinismo na Literatura I
(2) H. G. Wells, “A Máquina do Tempo”, pp. 102-103
sexta-feira, 10 de junho de 2011
A Falta de Tempo na Sociedade
A mudança na vida e nas empresas
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Os Fabulosos Grant: A Selecção Natural e a Especiação
No passado Sábado passado tive ocasião de assistir uma vez mais a uma excelente palestra de Peter e Rosemary Grant, desta feita na Fundação de Serralves, no Porto (evento organizado pelo CIBIO-UP no âmbito da exposição 'A Evolução de Darwin'). Este casal de investigadores ingleses, professores da Universidade de Princeton nos EUA, ficarão para sempre associados ao estudo dos tentilhões de Darwin, os interessantes tentilhões das Ilhas Galápagos. E esse lugar na história da ciência é bem merecido.
Desde a década de 70 do século passado, ano após ano, o casal muda-se para a pequena ilha desértica Daphne Maior durante vários meses. Aí, seguiram ao pormenor as populações de três das catorze espécies de tentilhões que povoam este arquipélago, capturando e anilhando milhares de indivíduos, medindo-os e retirando amostras de sangue que permitiram fazer um seguimento fisiológico e genético destes pequenos pássaros. Com este estudo detalhado puderam verificar a acção “em directo” da selecção natural, devida às brutais variações climáticas que sofrem estas ilhas, principalmente no que diz respeito à pluviosidade.
Em 1977, por influência do El Niño, a ilha sofreu uma seca extrema e 80% da população de tentilhões desapareceu. Que indivíduos é que sobreviveram? Aqueles que tinham o bico maior, mais forte, que lhes permitia quebrar os duros frutos da planta do género Tribolium e chegar às suas sementes, o único alimento disponível. Estes investigadores assistiram em poucos anos, à mudança de morfologia na população de Geospiza scandens nesta ilha. Alguns anos mais tarde, em 1984-85 a intensa pluviosidade levou de novo a uma mudança extraordinária na flora da ilha, a ponto de os tão típicos cactos ficarem imersos em trepadeiras. Nesta ocasião, a acção da selecção natural levou a um processo inverso: desta vez, tinham vantagem os pássaros com o bico mais pequeno que podiam aproveitar todas as pequenas sementes das plantas que floresceram com a chuva…e de novo, a morfologia da espécie mudou nas gerações seguintes.
Esta parte da história é possivelmente já bem conhecida por muitos leitores deste blog. Um pouco menos conhecida será a respeitante aos trabalhos que têm desenvolvido nos últimos anos a respeito dos processos de especiação que parecem estar a ter lugar nesta pequena ilha.
Em Daphne Maior existem três espécies de tentilhões: Geospiza scandens, Geospiza fortis (tentilhão-terrestre-de-bico-médio) e, chegada mais recentemente, Geospiza magnirostris (tentilhão-terrestre-de-bico-grande). G. magnirostris destaca-se bem das outras duas pelo seu tamanho (pesa cerca de mais 10 gr em média). G. scandens e G. fortis têm tamanho (aproximadamente 20 gr) e aspectos similares, mas variam na forma e tamanho do seu bico.
Para além disso, os machos das três espécies cantam canções completamente diferentes. Estes investigadores puderam verificar que G. scandens e G. fortis mantinham o isolamento reprodutivo com um bom reconhecimento específico tanto a nível da morfologia como da canção. Durante vários anos, não foram encontrados híbridos destas duas espécies. As poucas excepções de hibridação davam-se quando uma cria macho aprendia, por engano, a canção de outra espécie (por exemplo, se o seu pai falecesse e ela ouvisse a canção de um “pai vizinho”). Este macho iria crescer a cantar a canção errada e portanto poderia acasalar com uma fêmea de outra espécie. Ainda assim, na maior parte dos casos, estes machos eram atacados pelos outros (da espécie “verdadeira”) quando cantavam, não chegando a reproduzir-se.
Mas houve uma excepção! Há alguns anos, os Grant detectaram um novo indivíduo, não marcado, com características diferentes: era maior que um G. scandens ou G. fortis, mas não tão grande como um G. magnirostris; todo negro; e cantava uma canção completamente nova. Como todos os indivíduos da ilha estavam marcados e os seus marcadores genéticos tinham sido analisados, “facilmente” foi possível comprar este desconhecido com o resto da população. Seria ele um emigrante de outra ilha? Não. Verificaram que este era um híbrido entre G. scandens ou G. fortis, maior, mais forte, com uma nova canção e com hábitos alimentares absolutamente generalistas. Tudo indicava ser um caso de ‘vigor híbrido’. Mas seria ele capaz de se reproduzir? Pois parece que sim. Agora, após sete gerações seguidas atentamente pelos investigadores e a sua equipa, tudo indica que este indivíduo deu origem a uma nova linhagem, quiçá uma nova espécie! Após um primeiro retrocruzamento (backcross) com uma das espécies parentais, a descendência tem vindo a acasalar entre si, dando indicação da existência de isolamento reprodutivo em relação às espécies parentais. Um caso raro de especiação por fusão (em vez de fissão).
E isto leva rapidamente à pergunta: mas então se duas espécies hibridaram não são “verdadeiras espécies”, não é? E aí entra a complicada explicação de “o que é uma espécie”? Nós temos tendência a querer ter o conhecimento bem organizadinho e ordenado em categorias fáceis de identificar. E o esforço na definição de espécie é um belo exemplo disso. Mas, na verdade, a natureza não é organizada e ordenada, mais bem o contrário. Então, não faz sentido falar em espécie como categoria? Faz. Os seres vivos, na sua maioria, parecem discriminar entidades que grosso modo coincidem com o nosso conceito de espécie mais comum: populações de indivíduos semelhantes que estão reprodutivamente isoladas de outras populações. No entanto, há excepções a esta norma e as excepções são bem-vindas porque são elas próprias sinais da evolução! As espécies, e as populações que as constituem, não são entidades estáticas. Se o fossem, não existiria evolução. E, como Peter Grant bem explicou no Sábado, seria uma simplificação brutal deixar de chamar “espécie” a muitos grupos em que se verificou fenómenos de hibridação; seria até um desrespeito pela sua história e complexidade evolutiva. E eu estou plenamente de acordo com a sua resposta.
Bravo!
Se quiser descobrir mais detalhes, consulte:
Evolution of character displacement in Darwin's finchesFission and fusion of Darwin's finches populations
The secondary contact phase of allopatric speciation in Darwin's finches
Songs of Darwin's finches diverge when a new species enters the community

