segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Combate à Fraude


Quando este blog foi criado, os fundadores tinham em mente a divulgação de conhecimento factual e com recurso a fontes fidedignas, de modo a promover o conhecimento e lutar contra a ignorância. Este espaço pretende ser um local instrutivo, de partilha de saberes que vamos adquirindo ao longo da nossa formação ou actividade profissional, na esperança de que a informação aqui colocada seja, de algum modo, útil aos nossos leitores.

Na foto: Neil deGrasse Tyson, astrofísico, director do Planetário Hayden e divulgador de ciência.
Tradução: Literacia Científica é a vacina contra os charlatães do mundo que iriam explorar a sua ignorância.

Na senda do trabalho que temos vindo a desenvolver, passaremos a prestar alguma atenção a mitos e a pseudociências enraizadas nalguns segmentos menos esclarecidos da nossa sociedade. Denunciaremos casos que consideremos flagrantes e tentaremos esclarecê-los. Há vários casos de pseudociências que, de uma maneira ou de outra, poderão ser prejudiciais aos indivíduos ou à sociedade, e portanto devem ser apontados e clarificados. A título de exemplo, refiro-me à opção pela homeopatia em vez da medicina convencional (1), a astrologia e o tarot, e a negação da ciência, só para citar alguns temas - muitos dos quais podem ser considerados fraudes.

A propósito deste post, deixo uma animação humorística que retrata também esta preocupação. Resumidamente, trata-se de um diálogo poético entre Tim Minchin, um rapaz racional e defensor do conhecimento científico, e "Storm", uma rapariga que  é o reflexo do típico negacionista da ciência.



(1) - A temática homeopática já foi aqui abordada no nosso blog, mas continuaremos a prestar mais atenção ao assunto.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Webinar "Casa das Ciências" - 12 de janeiro


É já amanhã que o coordenador (Prof. José Ferreira Gomes) e o sub-coordenador (Eng. Manuel Silva Pinto) da Casa das Ciências vão fazer uma apresentação deste projeto sob a forma de um webinar, um seminário online. Já aqui tive ocasião de escrever sobre a Casa das Ciências, o portal Gulbenkian para professores de Ciências, onde todos os professores de ciências podem encontrar REDs (recursos educativos digitais) para as suas aulas e também partilhar os seus próprios recursos com a comunidade de professores lusófona.

Imagens de alguns REDs disponíveis na Casa das Ciências



Para quem quiser saber mais, só precisa então de um computador com ligação à Internet e de entrar no site dedicado da DGIDC, a Direçao-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular do Ministério da Educação, amanhã, 12 de Janeiro de 2012, pelas 15:00h (GMT). O webinar  "O Universo da Casa das Ciências – Portal Gulbenkian para Professores" terá a duração aproximada de uma hora e será possível colocar questões aos oradores através da direção de email webinar@dgidc.min-edu.pt.

Este é o resumo que se encontra no site da DGIDC:


"Numa primeira parte serão apresentados os fundamentos do projeto e serão mostrados exemplos dos seus conteúdos, a saber, RED’s (Recursos Educativos Digitais) de diferentes áreas científicas, entradas da WikiCiências, enciclopédia on-line sobre ciência, e imagens do Banco de Imagem.
Numa segunda parte será feita a descrição da metodologia de avaliação, validação e publicação dos RED’s numa perspectiva de funcionamento de um BackOffice autónomo."


Todos os interessados estão naturalmente convidados!


A Casa das Ciências está também presente no Facebook, aqui.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Votos de Boas Festas!


"Sob a chaminé estala e dança a grande fogueira do Natal: a sua luz rica faz parecer de ouro os cabelos louros, e de prata as barbas brancas.
Tudo está enfeitado como numa páscoa sagrada: dos retratos dos avós pendem ramos de flores de Inverno, as flores da neve, e todas as pratas da casa cintilam sobre os aparadores, numa solenidade patriarcal.
(...)
E por corredores e salas, as crianças, os bebés, com os cabelos ao vento, vestidos de branco e cor-de-rosa, correm, cantam, riem, vão a cada momento espreitar os ponteiros relógio monumental, porque à meia-noite chega Santo Claus, o venerável Santo Claus que tem três mil anos de idade e um coração de pomba, e que já a essa hora vem caminhando pela neve da estrada, rindo com os seus velhos botões, apoiado ao seu cajado, e com os alforges cheios de bonecos.
(...)
Também, como eles o adoram, o bom Claus! E apenas ele chegar, como correrão todos, em triunfo, a puxá-lo para o pé do lume, a esfregar-lhe as decrépitas mãos regeladas, a oferecer-lhe uma taça de prata cheia de hidromel quente - que ele bebe de um trago, o glutão! Depois abrem-se-lhe os alforges. Quantas maravilhas!..."


(Eça de Queiroz, Cartas de Inglaterra e Crónicas de Londres, Lisboa, Livros do Brasil, 2001, pp. 44-45. A imagem vem de Luís Espinha da Silveira e Paulo Jorge Fernandes, D. Luís, Lisboa, Círculo de Leitores, 2006, figura nº1 em extra texto entre pp. 192-193. Neste desenho da autoria do Rei D. Fernando II (1816-1885), datado de 1848, estão representados os seus filhos, à data, com a Rainha D. Maria II (1819-1853): D. Pedro (1837-1861), D. Luís (1839-1889), D. João (1842-1861), D. Maria Ana (1843-1884), D. Antónia (1845-1913), D. Fernando (1846-1861) e D. Augusto (1847-1889)


O Armarium Libri deseja Boas Festas a todos os seus leitores e seguidores!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Fotografias Antigas (5): Guarda-Fios, c. 1902

Os guarda-fios no século XIX eram funcionários ligados ao Ministério das Obras Públicas e tinham como função instalar, reparar e fiscalizar as linhas do telégrafo. O guarda-fios "fazia rondas habituais a pé, num perímetro chamado cantão, onde verificava a deficiência dos traçados, que incluíam postes desaprumados, espias e linhas desreguladas e isoladores partidos. Com os anos, criaram-se três tipos de traçados - telegráfico, telefónico e de altas frequências -, obrigando o guarda-fios a trabalhos suplementares." Por causa do seu trabalho que, em geral, não podia conhecer a fadiga nem os rigores do clima, eram possíveis as comunicações até onde chegava essa nova tecnologia em Portugal. Presentes desde a introdução do telégrafo em 1855, a sua visibilidade concretizava-se especialmente na possibilidade quotidiana de enviar mensagens. Apesar de todas as profissões, mais ou menos, estarem documentadas em todas as épocas históricas, a verdade é que há um certo número de trabalhos invisíveis para uma boa parte da população. Os funcionários da recolha do lixo são outro exemplo. Todavia, estes como os guarda-fios, tornavam o País num local mais confortável para os seus compatriotas.


Referência: Tanto a imagem como a citação vêm de Rogério Santos, Olhos de Boneca - Uma História das Telecomunicações 1880-1952, Lisboa, Edições Colibri e Portugal Telecom, 1999, pp. 134-135.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Contos e Histórias, de Luís de Araújo

Na continuidade do que há tempos deixámos aqui comentado sobre a obra de Júlio César Machado (Os Teatros de Lisboa), damos hoje a conhecer outro autor popular do século XIX: Luís António de Araújo (1833-1908). Jornalista e funcionário do Ministério das Obras Públicas, grande observador do quotidiano, colaborou em vários periódicos, escreveu diversas comédias e até manteve um almanaque humorístico com o seu nome. Quem actualmente procurar as obras de Luís de Araújo, deparar-se-á imediatamente com os Contos e Histórias (1871), especialmente por ter uma edição moderna (1984). Este livro é uma sucessão de frescos, em que os costumes oitocentistas são captados nos seus traços fundamentais. São cenas do dia-a-dia, como a chegada das lavadeiras com as roupas dadas aos rol, intrigas de criadas, práticas religiosas, festas e serões familiares, sem esquecer a descrição de alguns tipos fundamentais, como o Galego e a Saloia, cujas formas de falar são reproduzidas, embora sem depreciar. Em alguns casos, poucos, dado o ano de nascimento de Luís Araújo, recua-se ao século XVIII ou ao tempo dos franceses, para descrever as vidas de personagens com que conviveu.

Excerto:

"Eu tive um tio médico.

Já lá está na terra da verdade. O dia em que se finou, foi um dia de luto para toda aquela boa gente de Odivelas.
Meu tio chamava-se Maurício José dos Santos. Era o filho mais velho de meu avô materno, o Dr. Gregório Taumaturgo dos Santos, jurisconsulto bem conhecido e respeitado no seu tempo.
(...)
Meu tio médico, por ter bebido os conselhos do pai, e sair ele tal qual em índole e carácter, eis a razão porque foi tão chorada a sua perda.
Foi em Coimbra premiado vários anos, serviu no exército como físico-mor, foi condecorado pelo Sr. Rei D. João VI, e abandonando a política, em Maio de 1840, foi morar para Odivelas.
Ali, pelas boas acções que praticava, chamavam-lhe O pai dos pobres.
Um dia de manhã cedo procurou-o uma saloia:
seu doutor médeco, eu tenho uma dor aqui, salvo seja, na boca do estamâgo, e vai com o lidar passa-me aos rinzes e apanha-me ós pois as costelas desta banda de riba a baixo. Tenho frementado com enxúndia de galinha; mas a dor é fixa... e então se V. S.ª entender que me purgue, que eu já tomi uns pozes que me deu o seu Silva do Lumiar.
-Cale-se aí vossemecê, e deixe-me ver o pulso. Isso não é nada... tome esta receita e há-de achar-se boa.
A saloia, quando ia a retirar-se, pôs-lhe doze vinténs sobre a carteira.
-Para que é isto?
-É a paga a V.ª S.ª, e se não dou mais, Deus me salve a minh'alma como não tenho ni mais um real de meu.
-Pois guarde Vossa Mercê os seus doze vinténs e compre com eles uma galinha.
Por estas e outras é que todos o adoravam."

Referência: Luís de Araújo, Contos e Histórias, Porto, Lello&Irmão Editores, 1984, pp. 181-182.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Arte e Ciência no Porto


Para quem ainda não teve oportunidade, até ao próximo dia 8 de Janeiro ainda pode ir visitar a exposição "Harold Edgerton - Fragmentos de Tempo", patente na Casa Andresen (Jardim Botânico do Porto). A exposição pode ser visitada de quarta a domingo, das 14h30 às 18h30, com entrada livre.




Harold "Doc" Edgerton, foi um americano pioneiro da área da fotografia e cinematografia. Foi inventor, empreendedor, explorador e carismático professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Tinha como filosofia de vida: "Work hard. Tell everyone everything you know. Close a deal with a handshake. Have fun!".

Quem não conhece esta famosa fotografia?




Embora o seu reconhecimento venha, em grande parte, de feitos artísticos, pela captura de imagens de grande beleza, Egderton foi acima de tudo um cientista. Esteve ligado ao MIT desde que lá estudou e foi lá também que desenvolveu as suas primeiras experiências com luz estroboscópica com fotografia, e que o tornou tão célebre. Mas, as aplicações das suas descobertas vão muito mais além de uma "simples fotografia". Ao permitir parar movimentos no tempo e gravá-los em imagens fotográficas, as técnicas de Edgerton tornaram percetíveis fenómenos que, de outra forma, o olho humano não conseguiria observar. E, para chegar a essas imagens teve que criar e desenvolver equipamentos eletrónicos e fotográficos completamente novos. A observação detalhada destes fenómenos permitiu também o seu estudo científico, como foi o caso do voo do beija-flôr. 

No filme Quicker'n a Wink, galardoado com um Oscar em 1940, pode-se perceber melhor o trabalho pioneiro deste cientista/artista nessa década:




O trabalho de Harold Edgerton é um exemplo de um equilíbrio perfeito entre arte e ciência.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

"Testando o M@arbis"

O Instituto Português de Malacologia (IPM) continua a realizar palestras abertas ao público em geral, com o intuito de abordar o tema do estudo dos moluscos de um modo acessível a todas as pessoas interessadas. Se gosta de ciência e do mar, apareça. A próxima palestra contará com a investigadora Mónica Albuquerque como oradora, e irá ter como tema o programa M@rBis e a sua relação com o estudo da fauna malacológica das Ilhas Selvagens.
Local: Museu Nacional de História Natural e da Ciência, R. da Escola Politécnica, Lisboa
Nota: a entrada é gratuita.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Naturalista britânico aos tiros em Portugal


Reproduz-se aqui um texto da minha autoria, publicado hoje no Diário de Coimbra, no âmbito do projecto "Ciência na Imprensa Regional - Ciência Viva". Trata-se de uma apreciação do livro "Darwin aos tiros... e outras histórias de ciência". Actualmente encontra-se no Top10 da FNAC (8º lugar), comprovando que o público interessa-se cada vez mais por ciência.


“Darwin aos Tiros”

Por João Lourenço Monteiro (Biólogo)

"Foi muito recentemente publicado o livro de divulgação científica “Darwin aos Tiros e outras Histórias de Ciência”, da autoria do professor de Física da Universidade de Coimbra Carlos Fiolhais e do Bioquímico David Marçal.

Se o leitor é um ávido curioso pela Ciência e pela História, então vai encontrar aqui o melhor dos dois mundos, desvendando os segredos da História de várias disciplinas como a Matemática, a Astronomia, a Física, a Química, a Geologia, a Biologia, a Medicina e ainda um alerta para as pseudociências. As pseudociências são crenças que se pretendem valorizar alegando basear-se em factos científicos, mas que na realidade não têm qualquer apoio por parte da ciência, sendo os exemplos mais conhecidos a astrologia ou a homeopatia.

Na apresentação do livro, que teve lugar em Lisboa, o editor Guilherme Valente relatava um telefonema que havia recebido do professor Fiolhais, em que o lente afirmara que estava a preparar um novo livro que seria um tiro; qual não foi o espanto do editor quando recebeu um esboço do livro intitulado “Darwin aos Tiros”. Afinal o professor de Física, a brincar, falava a sério.

Importa esclarecer a origem do título: Charles Darwin foi um importante cientista britânico do século XIX, que realizou uma circum-navegação ao globo na qual aproveitou para estudar várias espécies da fauna e flora mundiais. Como a viagem demorou cinco anos e a tripulação não levava mantimentos suficientes, era necessário capturar algumas das espécies que iam encontrando, para servirem de alimento. Nessas situações, Darwin demonstrou que não era apenas um cientista curioso e atento, mas também um exímio caçador. E mais não revelo, para não estragar o prazer da descoberta.

De salientar que a ciência relatada no livro também teve origem em Portugal, com cientistas do calibre de Pedro Nunes, Amato Lusitano, Diogo de Carvalho Sampayo, Garcia de Orta, sem esquecer, como recordam os autores, o importante papel que tem tido a Universidade de Coimbra, formando ou acolhendo muitos dos notáveis aqui mencionados.

Neste livro, a História das Ciências é contada aos leitores em jeito de breves estórias, e com uma certa dose de sentido de humor, o que tornará a leitura desta obra, creio, bastante agradável. Nestes dias frios e chuvosos, em que nos vemos forçados a permanecer grande parte do tempo na clausura do nosso lar, este livro promete ser uma companhia prazenteira. Boas leituras."

O Incansável Investigador de Coimbra


Já tive a oportunidade de escrever neste blog sobre o António Piedade, investigador em Coimbra. Para além da investigação desenvolvida no ramo da Bioquímica, o António é também comunicador de ciência, estando a coordenar um projecto da Ciência Viva - "Ciência na Imprensa Regional", como também já mencionámos aqui por várias ocasiões.
Para se ser um bom cientista não basta calçar as botas e ir para o campo, ou vestir a bata e permanecer no laboratório; esta é apenas uma parte visível da profissão. Para se ser um bom cientista, é preciso ter paixão pelo que se faz, e, quando isso acontece, a Ciência acompanha-nos 24h por dia. São muitas horas de entrega à Ciência, e o António é um bom exemplo disto. Como quem pretende comprovar o ditado popular "Quem corre por gosto não cansa", António desdobra-se para levar a Ciência a todos, principalmente àqueles a quem não chegaria de outro modo. Vou dar três exemplos (e poderiam até ser mais):

1) Escreveu um conto que enviou para o concurso "Conte Connosco (2ª edição)" e que está agora sujeito a votação dos leitores (pode ser consultado em http://www.conteconnosco.com/trabalho-detalhe2.php?id=706#_= ). Sugiro a leitura porque o autor consegue, de um modo simples, explicar certos conceitos da biologia molecular, com recurso a um diálogo passado em família. A opinião fica à consideração de cada leitor. (nota: pode votar 1 vez por dia).

2) Ainda no domínio da escrita, é co-autor no livro "Palavras Nossas" que irá ser recentemente apresentado na FNAC do Centro Comercial Colombo, em Lisboa, no dia 3 de Dezembro 2011 (Sábado).
3) Já neste sábado, dia 19 de Novembro, vai coordenar as apresentações de divulgação de ciência que irão decorrer no auditório da Bertrand do Centro Comercial Dolce Vita, em Coimbra. Este ciclo de eventos que tem vindo a ser desenvolvido pelo investigador, é designado de "Sábados com Ciência", e é dirigido a um público geral. Esta semana será dedicada à Física (ver imagem seguinte).

Para além de tudo isto ser um bom exemplo da dedicação dos cientistas nacionais, fica também como sugestão para um programa de fim-de-semana cultural.


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Dia do Carl Sagan



Hoje, dia 9 de Novembro, celebra-se o Dia de Carl Sagan (1934-1996), em honra do cientista, astrónomo e divulgador de ciência norte-americano. Das suas obras, relembramos "Cosmos", "Os Dragões do Éden", "Pálido Ponto Azul" e "O Mundo Assombrado pelos Demónios: A Ciência vista como uma vela no escuro".
Na imagem de cima podemos ler a frase: "A nossa espécie precisa, e merece, uma cidadania com mentes despertas e com um conhecimento básico de como o mundo funciona".
A imagem foi encontrada no site de Astronomia Português, o AstroPt (aqui). Devido ao execelente e importante trabalho de divulgação científica desenvolvido pelos autores do site, este merece destaque na nossa coluna lateral.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Sobre a Homeopatia


"Ciência na Imprensa Regional - Ciência Viva" é um projecto da Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, coordenado pelo Dr. António Piedade. Esta iniciativa pretende levar o conhecimento científico e a compreensão do mesmo a um maior número de pessoas, e promover a secção de Ciência nos Media, através das publicações regionais.
Sendo que dois dos colaboradores deste blog colaboram no projecto, disponibilizo aqui um texto da minha autoria, que saiu no Diário de Coimbra (25-10-2011):

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Mais um interessante livro sobre Darwin... e não só.


O livro "DARWIN AOS TIROS E OUTRAS HISTÓRIAS DE CIÊNCIA", da autoria de dois autores do blogue De Rerum Natura (Carlos Fiolhais e David Marçal) e editado pela Gradiva, irá contar no seu lançamento com a actuação dos Cientistas de Pé, grupo de stand-up comedy com cientistas.

Data: 2 de Novembro de 2011

Local: FNAC Colombo (Lisboa)

Horas:
18h - Espectáculo dos Cientistas de Pé
19h - Apresentação do livro com a presença dos autores

Para ouvir a entrevista em podcast aos autores do livro, pode consultar este link.

Palestra sobre Bivalves no Museu Nacional de História Natural


O Instituto Português de Malacologia (IPM) irá desenvolver um conjunto de palestras no Museu Nacional de História Natural. A primeira sessão é dedicada aos bivalves, e terá como orador o Doutor Joaquim Reis, Presidente do IPM.


Título: "O Mexilhão é que se lixa? - A conservação de mexilhões-de-rio e o plano nacional de barragens"
Orador: Doutor Joaquim Reis
Local: Museu Nacional de História Natural, Rua da Escola Politécnica, Lisboa (no Auditório)
Data: 28 Outubro 2011, 19h
ENTRADA GRATUITA

sábado, 15 de outubro de 2011

O Lince e o Acordo Ortográfico


Quer se goste, quer se odeie, o Acordo Ortográfico (AO) está aí para ficar. Para ajudar nesta fase de transição, relembramos que existe um conversor oficial de textos, intitulado "O Lince". Esta ferramenta aceita ficheiros em vários formatos (Word, PDF, etc.), como poderá consultar no site. Para fazer download, clique no link:


É de fácil uso. Escreva o seu texto, grave o trabalho e feche o documento. De seguida, abra o conversor (previamente instalado no computador), pesquise pelo documento, e clique em converter. O documento surgirá com o mesmo título do ficheiro inicial e com a informação de "convertido". Por exemplo, se o ficheiro inicial chamar-se "Ensaio", após a conversão no Lince chamar-se-á automaticamente "Ensaio_convertido". Boa escrita.



Uma Casa para os professores de ciências...e não só



Nasceu em 2008, foi apresentada ao mundo em 2009, chama-se [simplesmente] Casa das Ciências e é o Portal Gulbenkian para Professores. Com já três aninhos de funcionamento e crescimento é, no entanto, um projeto ainda desconhecido por muitos elementos do seu principal público-alvo: os professores de ciências.



Aqui fica então uma breve nota sobre este interessante projeto apoiado pela Fundação CalousteGulbenkian e que tem o seu Gabinete Coordenador localizado na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, dirigido pelo Prof. Doutor José Ferreira Gomes, catedrático de Química.

O Portal surge na lógica da Fundação Calouste Gulbenkian de apoio à educação em Portugal, tanto na elaboração de conteúdos como no apoio a docentes, pretendendo ser um “veículo integrador e amplificador dos esforços atuais na utilização das tecnologias da Informação no processo de Ensino/Aprendizagem feitos por agentes muito diversos cujos resultados se encontram dispersos”.
 
A Casa das Ciências tem, neste momento, três vertentes de ação, representadas no Portal em três secções diferentes: Materiais, Banco de Imagem e WikiCiências.

A secção dos Materiais constituiu o primeiro passo deste projeto e ainda hoje representa o seu maior esforço. Nesse espaço, os utilizadores registados (o registo e download de materiais é gratuito), encontrarão materiais diversos que podem ser usados pelos professores (ou divulgadores) de ciência e estes são “materiais que os próprios professores consideram úteis e eficazes para a sua atividade profissional”. Também neste espaço, os professores “podem trocar ideias sobre esses materiais e o modo de os usar; será também um sítio onde […] partilharão as suas experiências”. É objetivo primordial do Portal oferecer aos professores das diferentes áreas científicas (Biologia, Geologia, Química, Física e Matemática), desde o ensino básico até aos primeiros anos do ensino superior, ferramentas digitais de qualidade e em português. Nesse sentido, todos os materiais submetidos pelos utilizadores passam por um processo de avaliação por pares (peer review), tanto a nível científico como pedagógico. Para além disso, muitos dos materiais que lá se podem encontrar proveem de portais estrangeiros de qualidade reconhecida e foram traduzidos para o nosso idioma, com autorização dos seus responsáveis. Para fomentar a “produção nacional”, a Casa das Ciências atribui também bolsas a projetos de criação de novas ferramentas digitais e, anualmente, o Prémio Casa das Ciências (que é atribuído ao autor do material original publicado no Portal selecionado pelo júri pela sua qualidade).

Um dos mais recentes projetos apoiados pela Casa das Ciências, “Eu e o Meu Corpo”, desenvolvido pela Equipa de Ciências da Comunicação do Instituto Gulbenkian de Ciência, recebeu recentemente um galardão internacional, o prémio Ciencia en Acción 2011. Para além do vídeo, no Portal encontram-se também documentos de apoio para o professor tirar o melhor partido desta ferramenta, que é dirigida principalmente a crianças de 7-12 anos. Aqui fica o vídeo:


 


Os “filhos” mais jovens deste projeto são o Banco de Imagens e a WikiCiências.

O Banco deImagens está integrado no Portal principal e é possível a qualquer utilizador submeter imagens que pense serem relevantes para o ensino das ciências e que passarão por uma revisão editorial feita por um cientista da área em questão. Depois de publicadas, as imagens ficam disponíveis para download com uma licença Creative Commons (uso com atribuição da autoria). Neste momento, existem já mais de 300 fotos disponíveis na área da Biologia, mas é importante que se disponibilizem também imagens relacionadas com as outras ciências. Aqui fica o apelo!

Uma das imagens disponíveis no Banco de Imagens.

Quanto à WikiCiências, esta pretende ser uma enciclopédia on-line de referência para a consulta de termos relacionados com a ciência, em português e, claro, com validação por especialistas de cada uma das áreas científicas representadas. Precisamente por este último motivo, inicialmente, as entradas foram escritas por professores universitários convidados. Atualmente, todos os utilizadores registados na wiki e com uma página pessoas biográfica válida (vejam as instruções) podem submeter os seus textos, mas estes passarão necessariamente, tal como os demais materais, por um escrutínio antes da sua eventual publicação. Desta forma, o Portal garante a qualidade científica dos conteúdos lá presentes. Para consultar as entradas já existentes não é necessária qualquer autenticação.

É, como espero poder ter transmitido, um projeto interessantíssimo, com muito valor para os educadores das áreas científicas, onde se congregam uma série de ferramentas que podem ser aplicadas na sua atividade docente. A maioria das ferramentas é simples de utilizar e muito útil. Reforço, uma vez mais, o caráter gratuito de todas as valências da Casa das Ciências!


 
NOTA: Ao contrário do que acontece no Banco de Imagens, a Biologia, que me diz respeito de uma forma mais particular, está subrepresentada na secção de Materais. Espero que os leitores deste blog, da área biológica e de qualquer outra, se animem a fazerem uma visita ao Portal, se registem e, quem sabe, colaborem comalgum material que queiram partilhar.