quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
As palmeiras doentes
Há cerca de 5 anos atrás, sensivelmente, enquanto estava no Algarve, tomei contacto com a realidade de as palmeiras da região estarem a morrer. Após conversa com os locais, apercebí-me que a causa devia-se a um insecto Rhynchophorus ferrugineus, que pouco depois pude observar in loco, nas palmeiras perto de minha casa.
É sobre esta e outras pragas, que a Doutora Helena Freitas, bióloga da Universidade de Coimbra, fala neste artigo do jornal Público, com o título: O murchar das palmeiras.
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Campanha do Priolo
Está a decorrer uma campanha de CrowdFunding, para a preservação do Priolo, organizada pela SPEA - Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves.
O Priolo é uma ave em risco, nos Açores. Nos últimos anos a SPEA tem desenvolvido diversas campanhas de conservação desta espécie, e os resultados têm sido extremamente positivos, graças à colaboração de todos os envolvidos: técnicos, biólogos, voluntários, instituições locais, entre outros.
Os resultados deste trabalho beneficiaram não só a espécie, mas toda a ecologia local, e a floresta laurisilva em particular. Também nós podemos usufruir deste trabalho através do ecoturismo. Lembro-me deste trabalho ter sido bastante elogiado quando trabalhei na Universidade de Coimbra.
No entanto, há mais para fazer, e a SPEA e o Priolo precisam da nossa ajuda. Se puderem, contribuam para esta campanha de crowdfunding. Agradecia-se ajuda na divulgação.
Mais informações em baixo:
Campanha de crowdfunding
O priolo está a sensibilizar as pessoas, tendo a campanha já ultrapassado os $5000 de contribuições (cerca de 4000 Eur.) na sua primeira semana. Contudo, este valor ainda está longe dos $28000 estabelecidos como objectivo necessário para garantir a continuação deste projeto a curto prazo, mas é sem dúvida um arranque interessante e um sinal de esperança, demonstrando interesse da sociedade por um projeto de referência na conservação da natureza na Europa.
- Ver reportagem da RTP e contribuir
Fotografia retirada do site da SPEA
Bioética para Jovens
Apresentação do livro "MANUAL DE BIOÉTICA PARA JOVENS"
Na próxima 3ª feira, dia 22 de Janeiro, pelas 18:00h, no RÓMULO - Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra, situado no piso térreo do Departamento de Física da FCTUC, vai ser apresentado o livro "Manual de Bioética para Jovens", da Fondation Jérôme Lejeune. Contará com a presença dos Profs. Doutores Henrique Vilaça Ramos e Ana Ramalheira. A entrada é livre.
ara qualquer esclarecimento adicional, poderá contactar-nos pelo telefona 239 410 699 ou por mail ccvromulocarvalho-at-gmail.com.
| Quando | Ter, 22 de Janeiro, 18:00 – 19:30 GMT+00:00 |
| Onde | RÓMULO - Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra |
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terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Edições de Autor
Recentemente deparei-me com a obra "Sofia e o Mestre" do escritor António dos Santos. Trata-se de um conto do quotidiano, que retrata a vida e as relações de um grupo de amigos. O relato centra-se na vida do Mestre, o personagem principal, e gira à volta de encontros e desencontros, do que se toma como garantido e do que se perde. Enfim, trata da correria frenética do dia-a-dia e das conquistas voláteis da vida.
Mas não me quero centrar tanto no tema nem na análise da obra, mas sim no facto de estar perante uma edição de autor. Nas últimas semanas, tenho-me deparado com algumas obras deste teor, pelo que aproveito para abordar rapidamente esta questão.
A Edição de Autor apresenta-se como uma alternativa à edição convencional, em que o autor conta com uma editora para ver o seu trabalho publicado.
Como em tudo, há vantagens e desvantagens, de ambos os lados. No caso da edição convencional, entrega-se a obra à editora, que irá aprovar ou não a publicação, normalmente faz uma revisão técnica, fica responsável pela distribuição, e o autor recebe, em média, cerca de 7 a 10% sobre o preço de capa. Pelo contrário, na edição de autor, a obra é entregue a uma gráfica que trata da impressão, de acordo com as indicações fornecidas previamente num formulário, e entrega ao autor; o escritor é responsável pela distribuição; os lucros são definidos pelo autor. No entanto, algumas empresas que se dedicam às edições de autor também fornecem serviços de distribuição (com custos acrescentados) ou colocam os livros à venda nos seus sites.
Deixo alguns links que podem ser consultados:
- a Lulu é uma empresa estrangeira
- A Várzea da Rainha é uma empresa portuguesa
- Site com algumas dicas em inglês
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Promovendo o Pensamento Crítico
Quem por aqui passa, já deve ter reparado que o blogue tem andado parado. Tal deve-se à intensa vida académica, assim como a novos projectos que os colaboradores abraçaram recentemente.
Um desses projectos, e que já aqui mencionámos, é a COMCEPT - Comunidade Céptica Portuguesa, que pretende promover o pensamento crítico com recurso ao método científico.
Em menos de um ano já cumprimos vários objectivos: realizamos tertúlias mensais, mantemos o site com alguma regularidade, e até já realizámos a nossa primeira grande conferência que decorreu na Nazaré.
Um dos nossos objectivos é alertar para as pseudociências, tentando informar as pessoas, esclarecendo-as sobre como distinguir entre ciência e falsa ciência. Por falar nisso, remeto para a divulgação de mais um livro dos cientistas Carlos Fiolhais e David Marçal (os mesmo autores de Darwin aos tiros), Pipocas com telemóveis.
Ainda sobre pseudociência, a revista Super Interessante também dedicou várias páginas a esta temática, no número deste mês (ver).
E para terminar, informa-se que a próxima tertúlia Cépticos com Vox decorrerá brevemente no Café Progresso, no Porto, com o tema Cepticismo na Escola. Esta é uma tentativa de descentralizar as nossas iniciativas, de modo a chegar a um maior número de seguidores.
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In memoriam: Carl Woese
Faleceu, no último domingo, o cientista Carl Woese (1928-2012).
Um dos seus grandes contributos para a ciência foi precisamente na área da biologia evolutiva, explicando que os organismos extremófilos, isto é que habitam em condições extremas de temperatura ou salinidade, os Archaea são extremamente diferentes das bactérias, ao contrário do que se pensava. Woese, foi o responsável por incluir estes organismos num grupo diferente, o chamado terceiro ramo da árvore da vida. Esta conclusão foi obtida através da sequenciação de moléculas do ADN dos Ribossomas.
Hoje, os cientistas agrupam os seres vivos em 3 domínios: os Eukarya ou eucariontes, organismos com núcleo individulizado; as Eubactéria (ou simplesmente Bacteria) e as Archaea.
Para mais informações, consultar a notícia do Público, aqui.
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Evolução
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
As lições de Warren Buffett
Descobri há uns meses uma interessante série de desenhos animados, em que o empresário Warren Buffett é o personagem principal, e que pretende dotar os mais novos com o conhecimento básico sobre gestão de negócios.
Achei interessante este conceito, por passar uma mensagem de modo acessível, sendo um bom exemplo de divulgação da disciplina de gestão (e também de valores).
Estes desenhos animados estão disponíveis no youtube, mas disponibilizo-os em baixo. Apresento o título do episódio, o tema e o respectivo link. A série é intitulada: "Warren
Buffett’s Secret Millionaires Club".
"The best
investment you can make is an investment in yourself" - o melhor investimento que fazes é em ti;
"The more
you learn, the more you’ll earn" - quanto mais aprendes, mais ganhas.
Episódio 1:
Lemons to lemonade: localização
http://www.youtube.com/watch?v=y3gBNBtJMJw&feature=related
Episódio 2:
Car wash: Promoção/publicidade
http://www.youtube.com/watch?v=1ZNySxtgEss&feature=related
Episódio 3: Dog
walking: Planificação
http://www.youtube.com/watch?v=za_NIGhYFw4&feature=related
Episódio 4:
Lawn and order: Poupar para investir (a penny saved, is a penny earned –
Benjamin Franklin)
http://www.youtube.com/watch?v=9BD8SQOu1vc&feature=related
Episódio 5: PC’s and understanding: investir em negócios que se
compreenda
http://www.youtube.com/watch?v=VGpm4dEEJgs&feature=related
Episódio 6: House of cards: as modas mudam com o tempo, não
investir tudo de uma vez num determinado negócio. Aprender com os teus erros ou
dos outros
http://www.youtube.com/watch?v=xByFKwg4ZIY&feature=related
Episódio 7:
Debt of a salesman: evitar dívidas.
http://www.youtube.com/watch?v=3aKGc9-kP9U&feature=related
Episódio 8: The big trade off: avaliar os trade-offs (análise
de vantagens e desvantagens). Estudar e aprender todos os dias algo que não se
sabia.
http://www.youtube.com/watch?v=gmUr-vTq81c&feature=related
Episódio 9: The trouble with credits: Poupar em vez de usar o
crédito que pode levar à falência.
http://www.youtube.com/watch?v=UK8Fw8pPT7o&feature=related
Episódio 10: Gotta dance: trabalhar em algo que se goste. Ter 1
sonho e persegui-lo. Travalhar com paixão.
http://www.youtube.com/watch?v=D4P5aS1SdCE&feature=related
Episódio 11: It takes two: o valor da colaboração
http://www.youtube.com/watch?v=ftyaepZlGwk&feature=related
Episódio 12: Special delivery: diferenciação através da
qualidade de serviço. Ser simpático, agradável, educado
http://www.youtube.com/watch?v=OOrx-MJc-BA&feature=related
Episódio 13: Learn, baby, learn: actualizar conecimentos e
praticar. Tenta ser mais inteligente ao final do dia do que eras de manhã.
http://www.youtube.com/watch?v=J0mOcLil0Mg&feature=related
Episódio 14: sorry, I can’t hair you: ouvir os clientes
http://www.youtube.com/watch?v=zBUl-9zzxMM&feature=related
Episódio 15: The high cost of high demand: lei da oferta e da
procura. Quando surge um novo produto, esperar que deixe de haver procura para
que baixe de preço.
http://www.youtube.com/watch?v=x9yYtMSu1Iw&feature=related
Episódio 16: Why pay more: diferença entre preço e valor.
Produtos idênticos têm diferente spreços, pq apostam de maneira diferente em
publicidade e em promoção nas lojas.
http://www.youtube.com/watch?v=n1XNK7fXlIc&feature=related
Episódio 17: Tough cookies: fazer tudo bem, todos os dias. Ter
disciplina. Praticar todos os dias.
http://www.youtube.com/watch?v=tSoig_hIUmc&feature=related
Episódio 18: All fall up: Falhar é essencial (cornerstone) para
o sucesso. Porque falhar é bom? Os erros de hoje levam ao sucesso de amanhã.
http://www.youtube.com/watch?v=46tpu-NqcHE&feature=related
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segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Ainda o Bosão de Higgs
Se houve algum resultado científico que captou a atenção de muitas pessoas este ano, terá sido certamente a possível descoberta do tão famigerado Bosão de Higgs, no campo da Física.
De facto, esse tema analisado a nível internacional também teve repercussões no nosso blogue, culminando num texto da autoria da nossa colega Diana Barbosa. O texto a que me refiro é este.
Os jornalistas entraram em contacto com especialistas para que estes tentassem explicar, de um modo acessível ao público, do que tratava a descoberta e quais as suas implicações e aplicações. Um dos cientistas convidados, e que compareceu no programa Tarde Informativa da RTP Informação, foi o Manel da Rosa Martins.
(declaração de interesses: o Manel é um grande amigo dos autores do blogue).
Partilhamos o vídeo com as explicações do Manel:
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sábado, 6 de outubro de 2012
Viva a República!
Celebra-se hoje, dia 5 de Outubro, o aniversário da implantação da República em Portugal, com as comemorações a realizaram-se por todo o país.
Este ano, por motivos pessoais e profissionais, celebrei esta data na cidade de Coimbra. Posso dizer que foi um dia em cheio. Logo de manhã, prestou-se homenagem ao Major-General Augusto Monteiro Valente, recentemente falecido, com um discurso proferido por Carlos Esperança. Este discurso, em nome do Movimento Republicano 5 de Outubro (MR5O) e da Associação 25 de Abril, pode ser lido no nosso blogue, clicando neste link.
Após a homenagem, seguimos para um almoço de confraternização organizado pelo MR5O. A refeição alongou-se e, como já a tarde ia longa, dirigimo-nos à livraria Lápis de Memória para assistir a mais uma homenagem ao Monteiro Valente, onde foi dado o seu nome à sala de eventos da livraria e onde passou a constar uma placa evocativa a este ilustre cidadão. Ainda nesta livraria, assistimos à apresentação do livro intitulado "À Boca do Inferno", da autoria de António Torrado.
Já era tarde, mas o dia ainda não terminara. Saímos daqui e deslocámo-nos para a Rua Infantaria 23, onde iria ser apresentado um novo livro: o "Memorial Republicano", da autoria historiador Amadeu Carvalho Homem, com imagens obtidas através da pesquisa de Alexandre Ramires, e que contou com a apresentação realizada por António Arnaut (outro grande vulto da sociedade portuguesa).
Foi já de noite que regressei a casa.
Sendo este um artigo dedicado à celebração da República, partilho um texto da autoria de Carlos Esperança, em que o autor relembra os valores deste regime que é o de todos nós, cidadãos:
(Nota: os sublinhados a negrito são da minha autoria)
"Viva a República
A Revolução de 1820, em 24 de agosto, o 5 de outubro de 1910 e o 25 de abril são, em Portugal, os marcos históricos da liberdade. Foram os momentos que nos redimiram da monarquia absoluta e da dinastia de Bragança; são as datas que honram e dão alento para encarar o futuro e fazer acreditar na determinação e patriotismo dos portugueses.
Comemorar a República é prestar homenagem aos cidadãos que não quiseram continuar vassalos. O 5 de Outubro de 1910 não se limitou a mudar de regime, foi portador de um ideário libertador que as forças conservadoras tudo fizeram para boicotar.
Com a monarquia caíram os privilégios da nobreza, o imenso poderio da Igreja católica e os títulos nobiliárquicos. Ao poder hereditário e vitalício sucedeu o escrutínio do voto; aos registos paroquiais do batismo, o Registo Civil obrigatório; ao direito divino, a vontade popular; à indissolubilidade do matrimónio, o direito ao divórcio; à conivência entre o trono e o altar, a separação da Igreja e do Estado.
Há 102 anos, ao meio-dia, na Câmara Municipal de Lisboa, José Relvas proclamou a República, aclamada pelo povo e vivida com júbilo por milhares de cidadãos. É essa data gloriosa que amanhã se evoca, prestando homenagem aos seus heróis.
Cândido dos Reis, Machado dos Santos, Magalhães Lima, António José de Almeida, Teófilo Braga, Basílio Teles, Eusébio Leão, Cupertino Ribeiro, José Relvas, Afonso Costa, João Chagas e António José de Almeida, além de Miguel Bombarda, foram alguns desses heróis que prepararam e fizeram a Revolução.
Afonso Costa, uma figura maior da nossa história, honrado e ilustríssimo republicano, suscitou o ódio de estimação das forças mais reacionárias e o vilipêndio do salazarismo. Também por isso lhe é devida a homenagem de quem ama e preza os que serviram honestamente a República.
Há quem hoje vire as costas à República que lhe permitiu o poder, quem despreze os heróis a quem deve as honrarias e esqueça a homenagem que deve. Há quem se remeta ao silêncio para calar um viva à República e se esconda com vergonha da ingratidão, ou saia do país com medo do desprezo.
Não esperaram honras nem benefícios os heróis do 5 de outubro. Não se governaram os republicanos. Foram exemplo da ética por que lutaram. Morreram pobres e dignos.
Glória aos heróis do 5 de Outubro. Viva a República."
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sexta-feira, 5 de outubro de 2012
In Memoriam: Augusto Monteiro Valente
Partilho um texto de sentida homenagem a Augusto Monteiro valente, da autoria de Carlos Esperança, e que foi proferido hoje, dia 5 de Outubro, junto ao monumento ao 25 de Abril, na Cidade de Coimbra, onde estive presente.
Fica aqui este texto para lembrarmos que o nosso país ainda tem bons homens de carácter e de valores. Que esta memória ilumine o caminho de cada um de nós.
"Comemorações do 5 de Outubro - Coimbra
Homenagem ao major-general Augusto José Monteiro Valente
Cidadão e Cidadãs
Em nome do Movimento Republicano 5 de Outubro (MR5O) de Coimbra
Homenagem ao major-general Augusto José Monteiro Valente
Cidadão e Cidadãs
Em nome do Movimento Republicano 5 de Outubro (MR5O) de Coimbra
e
Em nome da Associação 25 de Abril, por solicitação expressa do seu presidente, Vasco Lourenço, e aqui representada pelos cidadãos Luís Curado e Amadeu Carvalho Homem, respetivamente vice-presidente da Direção e presidente da Assembleia-Geral da Delegação Centro, integrada nas Comemorações do 5 de Outubro, vai prestar-se homenagem
Ao major-general Augusto José Monteiro Valente
Aos 68 anos, ao fim da tarde do dia 3 de setembro, enquanto o país ardia, o general Monteiro Valente deixou-nos. Partiu mais um capitão de Abril, um militar que amou a Pátria e honrou a farda, um cidadão que arriscou a vida para que Portugal tivesse uma democracia.
Fez na Guiné uma comissão onde o PAIGC já dominava o terreno e tinha superioridade militar. Partiu sem três dos quatro alferes, que desertaram antes do embarque. O último desertou depois. Aguentou, com os furriéis e os soldados, o isolamento quebrado pelos reabastecimentos lançados a grande altura de aviões que evitavam o derrube pela artilharia inimiga. Os mantimentos e munições nem sempre acertavam no alvo, que era o aquartelamento. Portou-se com bravura e percebeu aí que aquela guerra injusta já não tinha saída militar. Adquiriu a sua consciência política, com mortos para chorar, feridos para evacuar e vivos para confortar.
Foi dos mais brilhantes militares portugueses e dos mais empenhados no 25 de Abril. Transferido de Lamego, na sequência do 16 de março, com o regime receoso do seu prestígio e determinação, conseguiu sublevar o Regimento da Guarda (RI 12), onde acabara de chegar, prender o comandante, e marchar para Vilar Formoso a desarmar a Pide e controlar a fronteira ao serviço do Movimento das Forças Armadas enquanto, do outro lado, a polícia, nervosa, temia uma última loucura do genocida Francisco Franco a quem tanto agradaria fazer abortar a Revolução Portuguesa que, em breve, exportaria a democracia para lá da fronteira. Fez parte do punhado de heróis que restituíram a Portugal a dignidade e aos portugueses a liberdade.
Nunca mais deixou de estar na trincheira dos que acima da vida puseram a defesa da democracia. Licenciou-se em História, graduou-se em Estudos Europeus, foi o primeiro oficial-general a comandar a Brigada Territorial 5, em Coimbra, e terminou a carreira militar como 2.º Comandante-Geral da GNR em 2003, porque o ministro da Defesa, Paulo Portas, sempre viu nos heróis de Abril os implicados numa sublevação.
Aliou a intervenção cívica permanente ao contínuo aperfeiçoamento do saber, com um extremo respeito pela Constituição e pelo sufrágio popular. Era investigador associado do Centro 25 de Abril e do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra. Foi um excelso militar e um ilustre académico.
Foi membro da Comissão Cívica de Coimbra para as comemorações do Centenário da República e da atual comissão para defesa do feriado da data fundadora do regime. Era o presidente da Delegação Centro da Associação 25 de Abril onde, durante quatro anos tive a honra de ser seu vice-presidente e de conhecer a dimensão ética, a capacidade de trabalho e a qualidade intelectual do amigo de quase quarenta anos.
Desdobrou-se em conferências, artigos, tertúlias e palestras nas escolas onde levou aos alunos os princípios republicanos do amor à Pátria, à liberdade e à democracia. Recusou sempre o título de herói com o mesmo desprendimento com que recusou uma promoção por mérito que o Conselho da Arma lhe atribuiu pela reconhecida competência militar.
Honrou a divisa da Revolução Francesa: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Deu o exemplo e foi militante da trilogia que continua a ser a matriz do regime republicano e o lema democrático. Defendeu a laicidade como imperativo de um Estado moderno e a Igualdade como base da justiça social. Fez tudo o que pôde e o que devia. Foi para nós, membros do MR5O, um exemplo e o motor de um projeto de pedagogia cívica que temos a obrigação de prosseguir.
Monteiro Valente era um homem de uma integridade à prova de bala, com um elevado sentido da honra e do cumprimento do dever, um cidadão exemplar e um democrata.
O seu discurso da tomada de posse como comandante da Brigada de Coimbra foi uma lufada de ar fresco que percorreu a GNR. Alguns oficiais contorciam-se na tribuna e olhavam de soslaio à espera de ver a reprovação das palavras do seu comandante que preferiu advertir os militares em parada de que mais importante do que a ordem, que lhes cabia manter, era o respeito pela Constituição e a defesa dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos que ela consagrava. As autoridades locais primaram pela ausência mas, talvez pela primeira vez, em Coimbra, no comando da GNR, sob as estrelas de um oficial general brilhou um cidadão civilista que substituiu a cultura de caserna pela da cidadania.
Teve, como poucos, a noção de que a democracia só é plena em regime republicano, onde há cidadãos e não vassalos, onde se exoneram os poderes hereditários e vitalícios, onde ao alegado direito divino se sobrepõe a legitimidade do sufrágio popular. Por isso, se insurgiu contra a traição de quem rasgou do calendário o feriado comemorativo da data que mudou Portugal e foi a pedra basilar da democracia, ofendendo a cidadania, os heróis da Rotunda e a história, vilania que nem a ditadura ousou.
Partiu destroçado com o rumo dos acontecimentos políticos, de mal com o estado a que o País chegou, revoltado com a deriva ultraliberal, que o amargurava, receoso do futuro da liberdade que ajudou a conquistar.
Portugal e a democracia estão mais pobres. A família e os amigos ficaram destroçados.
Mas o seu exemplo, os seus valores e a sua generosidade ficarão como símbolos. Ele foi o melhor de nós e aquele que a História há de recordar. Quis apenas um ramo de acácia e três cravos vermelhos sobre o caixão, antes de ser cinza, mas nos nossos corações hão de florir sempre os cravos que ele plantou e a República que sonhou.
Viva o 5 de Outubro! Viva o 25 de Abril! Viva Portugal!
(Discurso proferido em Coimbra, às 12H30, junto ao monumento ao 25 de Abril)"
Em nome da Associação 25 de Abril, por solicitação expressa do seu presidente, Vasco Lourenço, e aqui representada pelos cidadãos Luís Curado e Amadeu Carvalho Homem, respetivamente vice-presidente da Direção e presidente da Assembleia-Geral da Delegação Centro, integrada nas Comemorações do 5 de Outubro, vai prestar-se homenagem
Ao major-general Augusto José Monteiro Valente
Aos 68 anos, ao fim da tarde do dia 3 de setembro, enquanto o país ardia, o general Monteiro Valente deixou-nos. Partiu mais um capitão de Abril, um militar que amou a Pátria e honrou a farda, um cidadão que arriscou a vida para que Portugal tivesse uma democracia.
Fez na Guiné uma comissão onde o PAIGC já dominava o terreno e tinha superioridade militar. Partiu sem três dos quatro alferes, que desertaram antes do embarque. O último desertou depois. Aguentou, com os furriéis e os soldados, o isolamento quebrado pelos reabastecimentos lançados a grande altura de aviões que evitavam o derrube pela artilharia inimiga. Os mantimentos e munições nem sempre acertavam no alvo, que era o aquartelamento. Portou-se com bravura e percebeu aí que aquela guerra injusta já não tinha saída militar. Adquiriu a sua consciência política, com mortos para chorar, feridos para evacuar e vivos para confortar.
Foi dos mais brilhantes militares portugueses e dos mais empenhados no 25 de Abril. Transferido de Lamego, na sequência do 16 de março, com o regime receoso do seu prestígio e determinação, conseguiu sublevar o Regimento da Guarda (RI 12), onde acabara de chegar, prender o comandante, e marchar para Vilar Formoso a desarmar a Pide e controlar a fronteira ao serviço do Movimento das Forças Armadas enquanto, do outro lado, a polícia, nervosa, temia uma última loucura do genocida Francisco Franco a quem tanto agradaria fazer abortar a Revolução Portuguesa que, em breve, exportaria a democracia para lá da fronteira. Fez parte do punhado de heróis que restituíram a Portugal a dignidade e aos portugueses a liberdade.
Nunca mais deixou de estar na trincheira dos que acima da vida puseram a defesa da democracia. Licenciou-se em História, graduou-se em Estudos Europeus, foi o primeiro oficial-general a comandar a Brigada Territorial 5, em Coimbra, e terminou a carreira militar como 2.º Comandante-Geral da GNR em 2003, porque o ministro da Defesa, Paulo Portas, sempre viu nos heróis de Abril os implicados numa sublevação.
Aliou a intervenção cívica permanente ao contínuo aperfeiçoamento do saber, com um extremo respeito pela Constituição e pelo sufrágio popular. Era investigador associado do Centro 25 de Abril e do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra. Foi um excelso militar e um ilustre académico.
Foi membro da Comissão Cívica de Coimbra para as comemorações do Centenário da República e da atual comissão para defesa do feriado da data fundadora do regime. Era o presidente da Delegação Centro da Associação 25 de Abril onde, durante quatro anos tive a honra de ser seu vice-presidente e de conhecer a dimensão ética, a capacidade de trabalho e a qualidade intelectual do amigo de quase quarenta anos.
Desdobrou-se em conferências, artigos, tertúlias e palestras nas escolas onde levou aos alunos os princípios republicanos do amor à Pátria, à liberdade e à democracia. Recusou sempre o título de herói com o mesmo desprendimento com que recusou uma promoção por mérito que o Conselho da Arma lhe atribuiu pela reconhecida competência militar.
Honrou a divisa da Revolução Francesa: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Deu o exemplo e foi militante da trilogia que continua a ser a matriz do regime republicano e o lema democrático. Defendeu a laicidade como imperativo de um Estado moderno e a Igualdade como base da justiça social. Fez tudo o que pôde e o que devia. Foi para nós, membros do MR5O, um exemplo e o motor de um projeto de pedagogia cívica que temos a obrigação de prosseguir.
Monteiro Valente era um homem de uma integridade à prova de bala, com um elevado sentido da honra e do cumprimento do dever, um cidadão exemplar e um democrata.
O seu discurso da tomada de posse como comandante da Brigada de Coimbra foi uma lufada de ar fresco que percorreu a GNR. Alguns oficiais contorciam-se na tribuna e olhavam de soslaio à espera de ver a reprovação das palavras do seu comandante que preferiu advertir os militares em parada de que mais importante do que a ordem, que lhes cabia manter, era o respeito pela Constituição e a defesa dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos que ela consagrava. As autoridades locais primaram pela ausência mas, talvez pela primeira vez, em Coimbra, no comando da GNR, sob as estrelas de um oficial general brilhou um cidadão civilista que substituiu a cultura de caserna pela da cidadania.
Teve, como poucos, a noção de que a democracia só é plena em regime republicano, onde há cidadãos e não vassalos, onde se exoneram os poderes hereditários e vitalícios, onde ao alegado direito divino se sobrepõe a legitimidade do sufrágio popular. Por isso, se insurgiu contra a traição de quem rasgou do calendário o feriado comemorativo da data que mudou Portugal e foi a pedra basilar da democracia, ofendendo a cidadania, os heróis da Rotunda e a história, vilania que nem a ditadura ousou.
Partiu destroçado com o rumo dos acontecimentos políticos, de mal com o estado a que o País chegou, revoltado com a deriva ultraliberal, que o amargurava, receoso do futuro da liberdade que ajudou a conquistar.
Portugal e a democracia estão mais pobres. A família e os amigos ficaram destroçados.
Mas o seu exemplo, os seus valores e a sua generosidade ficarão como símbolos. Ele foi o melhor de nós e aquele que a História há de recordar. Quis apenas um ramo de acácia e três cravos vermelhos sobre o caixão, antes de ser cinza, mas nos nossos corações hão de florir sempre os cravos que ele plantou e a República que sonhou.
Viva o 5 de Outubro! Viva o 25 de Abril! Viva Portugal!
(Discurso proferido em Coimbra, às 12H30, junto ao monumento ao 25 de Abril)"
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segunda-feira, 3 de setembro de 2012
A opinião de Carrier
Uma opinião a reflectir sobre o estudo da história. Diz Richard Carrier que temos de ser cautelosos com as publicações de história escritos antes da década de 1950. As razões por ele apresentadas encontram-se no seu blog: http://richardcarrier.blogspot.pt/2007_04_01_archive.html
Quererão os nossos leitores da área da história comentar?
Investigação científica e ...
Recentemente li um artigo do site NatureJobs sobre alternativas de emprego para investigadores científicos. O texto, intitulado Business and Science: in the market, dá a conhecer oportunidades de empregabilidade em áreas aparentemente distantes da ciência, como é o caso do Marketing, por exemplo.
Mas faz sentido, uma vez que empresas ligadas à ciência, como a Indústria Farmacêutica, precisam de colaboradores que entendam o que estão a tentar comercializar para melhor comunicar com os clientes. Estas empresas têm contratado funcionários com uma licenciatura na área das ciências, e que eventualmente seguiram uma carreira científica até ao patamar de pos-doc, tendo posteriormente apostado numa especialização em marketing.
Quem fala de marketing, pode falar de qualquer outra disciplina. O ideal é tentar aliar uma saída profissional com outra actividade que se goste de desenvolver. Deste modo não só se trabalhará num emprego que contribui para a realização pessoal, como poderá, eventualmente, levar à possibilidade de criar um negócio próprio, se tiver essa intenção.
Fonte:
http://www.nature.com/naturejobs/science/articles/10.1038/nj7406-261a?WT.mc_id=FBK_NatureJobs
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Ciência na Rua - em Estremoz
Divulgação do evento Ciência na Rua, que conta com o contributo do Centro de Ciência Viva de Estremoz e da Escola de Ciências e Tecnologia da Universidade de Évora:
A 6ª edição do CIÊNCIA NA RUA é já no próximo dia 15 de setembro, das 18h00 às 01h00, na cidade de Estremoz.
Estremoz Cidade de Ciência, é mais uma vez palco de inúmeras experiências interativas e espetáculos, onde a CIÊNCIA e a ARTE se juntam para viver a Química no nosso dia-a-dia, num Festival de Ciência de características únicas!
Durante uma noite única e inesquecível, dezenas de CIENTISTAS e ARTISTAS transformam o Centro da cidade de Estremoz recriando e experimentando 7 Grandes Momentos Científicos em torno da Química: TABELA PERIÓDICA, LAVOISIER, QUÍMICA e a SAÚDE, QUÍMICA e a ALIMENTAÇÃO, QUÍMICA e a COR, QUÍMICA e a INVESTIGAÇÃO CRIMINAL, QUÍMICA e a ENERGIA.
A Ciência é da responsabilidade do Centro Ciência Viva de Estremoz com a colaboração da Escola de Ciências e Tecnologia da Universidade de Évora, através dos departamentos de Química e de Geociências. A Arte tem a direção artística dos PIA, Projetos de Intervenção Artística, onde os Bardoada, os PIA, os Quorum Ballet, os Kumpania Algazarra, os DesperateMen (uk), JoBithume (fr) e os Art Color Ballet (pl) representam a Química através da sua Arte.
A Ciência, o Teatro, a Música e a Dança estão à tua espera em Estremoz para desvendarem alguns dos preciosos segredos do Mundo que nos rodeia.
A gasolina do meu carro é Química???
Quando me apaixono é Química???
Na Química nada se perde???
Um iogurte é Química???
Em Estremoz, a Ciência e a Arte respondem!!!
Podes ter um “cheirinho” da edição anterior em http://www.ciencianarua.uevora.pt/2012/newsletter.php#videos
Mais e outras informações em: www.ciencianarua.uevora.pt
Passa a palavra e aparece!!!!!!!!!
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sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Ciência no Verão 2012
Caro leitor,
quer realizar actividades de Ciência gratuitas, neste Verão?
Está
decorrer, desde 15 de Julho até 15 de Setembro, a iniciativa Ciência Viva no Verão,
promovida pela Ciência Viva. Estas actividades que estão a ser desenvolvidas em
todo o país, são gratuitas e dirigidas a um público de todas as idades, dos
avós aos netos.
Pode
encontrar actividades laboratoriais, observação de estrelas, saídas de campo,
visitas aos faróis, ateliers
científicos para crianças e muito mais. Estas iniciativas são desenvolvidas por
associações, jardins botânicos, universidades, e outras instituições.
Para
inscrições e para ver que actividades ainda estão disponíveis, consultar o
site: http://www.cienciaviva.pt/veraocv/2012/
Dois dos
autores deste blog já foram monitores neste evento no ano passado,
desenvolvendo actividades laboratoriais e saídas de campo.
Este ano
participámos como visitantes. Deixo algumas fotografias da saída de campo de
botânica e arqueologia, ao Cossourado e ao Corno de Bico.
Figura 1 - Povoado fortificado do Cossourado. Lia-se numa placa informativa do local: "Construído durante a Idade do Ferro, este povoado é estruturalmente dominado pelo seu forte sistema defensivo que circunda e protege a sua área habitacional."
Figura 2 - As ruínas no Cossourado. Os trabalhos arqueológicos têm-se vindo a desenvolver desde 1993.
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terça-feira, 7 de agosto de 2012
Da Ciência para a Economia
A francesa Esther Duflo e o indiano
Abhijit Banerjee, ambos economistas no Massachusetts Institute of Technology
(MIT), fundaram, em 2003, o Poverty Lab
- laboratório de estudos de combate à pobreza.
Os estudos realizados pelo Poverty Lab recorrem a um método de
pesquisa científico [1], num bom exemplo de transdisciplinaridade entre áreas
tão diferentes como a ciência e a economia.
Este método de pesquisa consiste em
separar duas amostras da mesma população aleatoriamente: uma dessas populações
é submetida a uma solução contra um problema específico, “como um método para
aumentar a taxa de vacinação entre crianças” [2], a outra população não recebe
nenhum tratamento – é o que em ciência se designa de população controlo. A
comparação dos resultados obtidos nas duas populações indica se o programa
social teve o efeito desejado. Assim, o programa social que tiver melhores
resultados pode ser reproduzido em larga escala, em comunidades que apresentem
características idênticas.
Este projecto mereceu a atenção e o
apoio financeiro de Bill Gates, famoso filantropo de causas sociais, e que
escreveu no seu blog: “O laboratório produz evidência científica que ajuda a
tornar o esforço de combate à pobreza mais eficiente” [4].
O resultado dos vários estudos foi
publicado no livro de divulgação “Poor Economics”, eleito pelo Financial Times a melhor obra de
economia do ano [5].
Esther Duflo defende que a pobreza
mundial pode ser combatida através de investimentos a fundo perdido de países
ricos, ideia aliás já defendida por outros economistas, como Jeffrey Sachs,
já mencionado neste blog.
Notas:
[1] – Referido no texto consultado como método randómico. Ignoro se será este um
termo técnico, mas creio que a designação deveria ser método aleatório.
[2] – Revista Exame, nº340, p.80[3] – Idem
[4] – Idem
[5] – Idem, pp. 78-80
Fonte: “A guru de
Bill Gates”, in Revista Exame, nº340,
Agosto 2012, pp. 78-80
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