sexta-feira, 19 de abril de 2013

Programa Doutoral em Neurociências

Divulga-se o Programa Doutoral em Neurociências, da Fundação Champalimaud:


International Neuroscience Doctoral Programme (INDP) 2013 

Applications now open!

The INDP is supported by funding from the Portuguese Science and Technology Foundation (Fundação para a Ciência e a Tecnologia, FCT) and the Champalimaud Foundation. 

Full tuition and stipend to perform courses and thesis work will be ensured for successful applicants of all nationalities for a period of 4 years. English is the official language of the INDP.

The application deadline is May 18st, 2013. 

Further information on eligibility, entrance requirements and application procedures is available here.

Info about ongoing call:

Successful applicants will demonstrate the ability to tackle difficult intellectual challenges, to learn new skills and ways of thinking and to work passionately as part of a research team. Predoctoral training in quantitative disciplines (e.g. physics, mathematics, computer science), biological sciences (e.g. biology, medicine, bioengineering) or related fields is important. Previous research experience is also desirable but not required. Applicants should have a master degree and/or a 4+ year undergraduate degree, or will be obtaining their degree by no later than December 31, 2013.

The INDP is associated to the Champalimaud Neuroscience Programme (CNP), comprising fifteen research groups with a focus on the neural circuits and systems underlying mind and behaviour.

Before beginning research on a thesis project, admitted students will complete one semester of intensive courses and will be able to perform summer rotations in CNP laboratories. Courses are led by distinguished local and invited international scientists. 

The topics of instruction include molecular & cellular biology, ecology & evolution, neurophysiology & neuroanatomy, learning & development, sensory & motor systems, and computational & cognitive neuroscience, and all courses have a practical component comprising exercises, small projects, and experimental work in the INDP dedicated teaching laboratory. The overall format emphasizes participation, team-work and informal interaction in both classroom and laboratory.



Dia Mundial da Terra, no Museu




COMEMORAÇÃO DO DIA MUNDIAL DA TERRA NO TERRAÇO DO MUSEU
Oficina única de instrumentos criados pelos navegadores portugueses

Viagens oceânicas e encontros com outros continentes
Segunda-feira, 22 de abril das 15h00 às 18h00

Integrado nas comemorações do Ano Internacional do Planeta terra, o Museu Nacio­nal de História Natural e da Ciência promove, em colaboração com a Marinha Portu­guesa e a Sociedade Portuguesa de Matemática, a realização de uma oficina única sobre Instrumentos de Navegação. No terraço do museu estarão disponíveis para os visitantes cinco "estações" com réplicas de instrumentos históricos de navegação cri­ados na época das Descobertas portuguesas. A coordenação da atividade é do Co­mandante Malhão Pereira, que foi muitos anos comandante do navio escola Sagres. Em cada estação, os participantes contam ainda com o acompanhamento de investi­gadores especialistas no tema. 

Programa:

Anfiteatro Manuel Valadares: breve apresentação pelo Comandante Malhão Pereira
Terraço do museu: Estações de instrumentos de navegação
Estação I: Astrolábio + Astrolábio suspenso (Vasco Teixeira)
Estação II: Quadrante + Quadrante de Pedro Nunes (João Duarte)
Estação III – Anel náutico (João Retrê)
Estação IV – Balestilha + Kamal (Ricardo Barbosa)
Estação V – Agulha de marcar + Instrumentos de sombras (Luis Couto Soares)

Entrada gratuita
Inscrições limitadas a 30 pax
Marcação prévia obrigatória: geral@museus.ul.pt


Rua da Escola Politécnica, 58 | 1250-102 Lisboa
T. 213921800 | E. geral@museus.ul.pt
Www.mnhnc.ul.pt

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Documentários e sereias


Eu sou da opinião que os media têm o dever ético de informar as pessoas. No entanto, vemos frequentemente que por vezes passam programas de desinformação. Isto é tanto mais grave quando falamos de documentários sobre ciência. E é grave porque vai causar confusão na cabeça das pessoas, que esperando obter conhecimento e informação fidedigna, acabam muitas vezes por receber informação errónea, pseudocientífica ou por vezes anti-científica. Isto remete para um documentário sobre sereias, que são, como devemos saber, criaturas mitológicas. Ora, parece que passou um documentário sobre a existência de sereias num canal de ciência! O que passou despercebido a muita gente é que se tratava de um programa de ficção, mas que muitos terão interpretado como baseado em investigação científica credível. É por estas e outras, que a compreensão de ciência por parte dos leigos se torna confusa.

Eduardo Bessa, zoólogo brasileiro, desmonta rapidamente o documentário. Pode ler aqui.

Ouriços-do-mar contra a poluição



Na ciência, a investigação pode dividir-se, grosso modo, em pura e aplicada. A investigação pura, em que se investiga para saber mais sobre certos processos e sem uma aplicação imediata em mente, é por vezes criticada por não se verem resultados palpáveis imediatos (esta crítica é facilmente refutada). No caso da zoologia ou da etologia, p. ex., alguns investigadores são questionados sobre o objectivo de estudar determinado animal, sobre que benefícios isso traz à sociedade. 

É uma questão frequente, e pertinente para quem não domina o procedimento da ciência. Por exemplo, para quê realizar investigação pura com ouriços-do-mar? Na área em que me especializei, biologia do desenvolvimento, são várias as aplicações dos estudos com estes animais, como seja na genética ou na fertilização. 

Recentemente, o jornal Diário de Notícias deu a conhecer mais um resultado dos estudos com estes animais invertebrados. Investigadores britânicos perceberam que o níquel é essencial na produção da carapaça dos ouriços-do-mar com recurso ao CO2 marinho. Novamente no laboratório, cientistas da área da física constataram que na presença de "um catalisador de níquel, o CO2 é convertido em carbonato de cálcio (...), um mineral inócuo presente na crosta terrestre". Isto permitirá criar um método de captura do CO2 das fábricas, convertendo-o em carbonato de cálcio, contribuindo no final para a diminuição de CO2 na atmosfera. A notícia pode ser consultada aqui.

Na foto: Ouriço-do-mar. Autoria de Pete/scavenger, retirado daqui.


As palmeiras doentes


Há cerca de 5 anos atrás, sensivelmente, enquanto estava no Algarve, tomei contacto com a realidade de as palmeiras da região estarem a morrer. Após conversa com os locais, apercebí-me que a causa devia-se a um insecto Rhynchophorus ferrugineus, que pouco depois pude observar in loco, nas palmeiras perto de minha casa.
É sobre esta e outras pragas, que a Doutora Helena Freitas, bióloga da Universidade de Coimbra, fala neste artigo do jornal Público, com o título: O murchar das palmeiras.


quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Campanha do Priolo


Está a decorrer uma campanha de CrowdFunding, para a preservação do Priolo, organizada pela SPEA - Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves.

O Priolo é uma ave em risco, nos Açores. Nos últimos anos a SPEA tem desenvolvido diversas campanhas de conservação desta espécie, e os resultados têm sido extremamente positivos, graças à colaboração de todos os envolvidos: técnicos, biólogos, voluntários, instituições locais, entre outros. 
Os resultados deste trabalho beneficiaram não só a espécie, mas toda a ecologia local, e a floresta laurisilva em particular. Também nós podemos usufruir deste trabalho através do ecoturismo. Lembro-me deste trabalho ter sido bastante elogiado quando trabalhei na Universidade de Coimbra. 

No entanto, há mais para fazer, e a SPEA e o Priolo precisam da nossa ajuda. Se puderem, contribuam para esta campanha de crowdfunding. Agradecia-se ajuda na divulgação.

Mais informações em baixo:


Campanha de crowdfunding
O priolo está a sensibilizar as pessoas, tendo a campanha já ultrapassado os $5000 de contribuições (cerca de 4000 Eur.) na sua primeira semana. Contudo, este valor ainda está longe dos $28000 estabelecidos como objectivo necessário para garantir a continuação deste projeto a curto prazo, mas é sem dúvida um arranque interessante e um sinal de esperança, demonstrando interesse da sociedade por um projeto de referência na conservação da natureza na Europa.



Fotografia retirada do site da SPEA 

Bioética para Jovens



Por  me parecer uma iniciativa relevante, divulga-se:

Apresentação do livro "MANUAL DE BIOÉTICA PARA JOVENS"


Na próxima 3ª feira, dia 22 de Janeiro, pelas 18:00h, no RÓMULO - Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra, situado no piso térreo do Departamento de Física da FCTUC, vai ser apresentado o livro "Manual de Bioética para Jovens", da Fondation Jérôme Lejeune. Contará com a presença dos Profs. Doutores Henrique Vilaça Ramos e Ana Ramalheira. A entrada é livre.

ara qualquer esclarecimento adicional, poderá contactar-nos pelo telefona 239 410 699 ou por mail ccvromulocarvalho-at-gmail.com.

QuandoTer, 22 de Janeiro, 18:00 – 19:30 GMT+00:00
OndeRÓMULO - Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Edições de Autor



Recentemente deparei-me com a obra "Sofia e o Mestre" do escritor António dos Santos. Trata-se de um conto do quotidiano, que retrata a vida e as relações de um grupo de amigos. O relato centra-se na vida do Mestre, o personagem principal, e gira à volta de encontros e desencontros, do que se toma como garantido e do que se perde. Enfim, trata da correria frenética do dia-a-dia e das conquistas voláteis da vida. 

Mas não me quero centrar tanto no tema nem na análise da obra, mas sim no facto de estar perante uma edição de autor. Nas últimas semanas, tenho-me deparado com algumas obras deste teor, pelo que aproveito para abordar rapidamente esta questão.

A Edição de Autor apresenta-se como uma alternativa à edição convencional, em que o autor conta com  uma editora para ver o seu trabalho publicado. 

Como em tudo, há vantagens e desvantagens, de ambos os lados. No caso da edição convencional, entrega-se a obra à editora, que irá aprovar ou não a publicação, normalmente faz uma revisão técnica, fica responsável pela distribuição, e o autor recebe, em média, cerca de 7 a 10% sobre o preço de capa. Pelo contrário, na edição de autor, a obra é entregue a uma gráfica que trata da impressão, de acordo com as indicações fornecidas previamente num formulário, e entrega ao autor; o escritor é responsável pela distribuição; os lucros são definidos pelo autor. No entanto, algumas empresas que se dedicam às edições de autor também fornecem  serviços de distribuição (com custos acrescentados) ou colocam os livros à venda nos seus sites. 

Deixo alguns links que podem ser consultados:
- a Lulu é uma empresa estrangeira
- A Várzea da Rainha é uma empresa portuguesa
Site com algumas dicas em inglês  

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Promovendo o Pensamento Crítico


Quem por aqui passa, já deve ter reparado que o blogue tem andado parado. Tal deve-se à intensa vida académica, assim como a novos projectos que os colaboradores abraçaram recentemente.

Um desses projectos, e que já aqui mencionámos, é a COMCEPT - Comunidade Céptica Portuguesa, que pretende promover o pensamento crítico com recurso ao método científico.

Em menos de um ano já cumprimos vários objectivos: realizamos tertúlias mensais, mantemos o site com alguma regularidade, e até já realizámos a nossa primeira grande conferência que decorreu na Nazaré.

Um dos nossos objectivos é alertar para as pseudociências, tentando informar as pessoas, esclarecendo-as sobre como distinguir entre ciência e falsa ciência. Por falar nisso, remeto para a divulgação de mais um livro dos cientistas Carlos Fiolhais e David Marçal (os mesmo autores de Darwin aos tiros), Pipocas com telemóveis.
Ainda sobre pseudociência, a revista Super Interessante também dedicou várias páginas a esta temática, no número deste mês (ver).

E para terminar, informa-se que a próxima tertúlia Cépticos com Vox decorrerá brevemente no Café Progresso, no Porto, com o tema Cepticismo na Escola. Esta é uma tentativa de descentralizar as nossas iniciativas, de modo a chegar a um maior número de seguidores.

In memoriam: Carl Woese


Faleceu, no último domingo, o cientista Carl Woese (1928-2012).

Um dos seus grandes contributos para a ciência foi precisamente na área da biologia evolutiva, explicando que os organismos extremófilos, isto é que habitam em condições extremas de temperatura ou salinidade, os Archaea são extremamente diferentes das bactérias, ao contrário do que se pensava. Woese, foi o responsável por incluir estes organismos num grupo diferente, o chamado terceiro ramo da árvore da vida. Esta conclusão foi obtida através da sequenciação de moléculas do ADN dos Ribossomas.

Hoje, os cientistas agrupam os seres vivos em 3 domínios: os Eukarya ou eucariontes, organismos com núcleo individulizado; as Eubactéria (ou simplesmente Bacteria) e as Archaea.

Para mais informações, consultar a notícia do Público, aqui.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

As lições de Warren Buffett


Descobri há uns meses uma interessante série de desenhos animados, em que o empresário Warren Buffett é o personagem principal, e que pretende dotar os mais novos com o conhecimento básico sobre gestão de negócios.
 
Achei interessante este conceito, por passar uma mensagem de modo acessível, sendo um bom exemplo de divulgação da disciplina de gestão (e também de valores).
 
Estes desenhos animados estão disponíveis no youtube, mas disponibilizo-os em baixo. Apresento o título do episódio, o tema e o respectivo link. A série é intitulada: "Warren Buffett’s Secret Millionaires Club".

 Sobre Warren Buffett:
É um investidor e industrialista norte-americano e um dos  homens mais ricos do Mundo. É também um homem polémico: na decorrer da crise financeira nos EUA, foi dos primeiros a afirmar que as grandes fortunas deveriam pagar mais impostos, de modo a equilibrar os sacrifícios, revoltando-se com o baixo valor de impostos cobrados aos extremamente ricos.
É ainda um filantropo, tendo doado 85% da sua fortuna à Fundação Bill e Melinda Gates. A propósito disto, Buffett, numa entrevista, disse que cada um deveria fazer aquilo em que é bom: assim, ele gera riqueza que irá ser doada a Bill Gates, para este fazer aquilo em que é bom, aplicar o dinheiro em obras sociais, como tem demonstrado no apoio à erradicação de doenças em África.
 
- Há duas mensagens principais nestes vídeos que gostaria de salientar:
"The best investment you can make is an investment in yourself" - o melhor investimento que fazes é em ti;
"The more you learn, the more you’ll earn" - quanto mais aprendes, mais ganhas.

 
- Lista de Episódios:

Episódio 1: Lemons to lemonade: localização
http://www.youtube.com/watch?v=y3gBNBtJMJw&feature=related

Episódio 2: Car wash: Promoção/publicidade
http://www.youtube.com/watch?v=1ZNySxtgEss&feature=related

Episódio 3: Dog walking: Planificação
http://www.youtube.com/watch?v=za_NIGhYFw4&feature=related

Episódio 4: Lawn and order: Poupar para investir (a penny saved, is a penny earned – Benjamin Franklin)
http://www.youtube.com/watch?v=9BD8SQOu1vc&feature=related

Episódio 5: PC’s and understanding: investir em negócios que se compreenda
http://www.youtube.com/watch?v=VGpm4dEEJgs&feature=related

Episódio 6: House of cards: as modas mudam com o tempo, não investir tudo de uma vez num determinado negócio. Aprender com os teus erros ou dos outros
http://www.youtube.com/watch?v=xByFKwg4ZIY&feature=related

Episódio 7: Debt of a salesman: evitar dívidas.
http://www.youtube.com/watch?v=3aKGc9-kP9U&feature=related

Episódio 8: The big trade off: avaliar os trade-offs (análise de vantagens e desvantagens). Estudar e aprender todos os dias algo que não se sabia.
http://www.youtube.com/watch?v=gmUr-vTq81c&feature=related

Episódio 9: The trouble with credits: Poupar em vez de usar o crédito que pode levar à falência.
http://www.youtube.com/watch?v=UK8Fw8pPT7o&feature=related 

Episódio 10: Gotta dance: trabalhar em algo que se goste. Ter 1 sonho e persegui-lo. Travalhar com paixão.
http://www.youtube.com/watch?v=D4P5aS1SdCE&feature=related

Episódio 11: It takes two: o valor da colaboração
http://www.youtube.com/watch?v=ftyaepZlGwk&feature=related

Episódio 12: Special delivery: diferenciação através da qualidade de serviço. Ser simpático, agradável, educado
http://www.youtube.com/watch?v=OOrx-MJc-BA&feature=related

Episódio 13: Learn, baby, learn: actualizar conecimentos e praticar. Tenta ser mais inteligente ao final do dia do que eras de manhã.
http://www.youtube.com/watch?v=J0mOcLil0Mg&feature=related

Episódio 14: sorry, I can’t hair you: ouvir os clientes
http://www.youtube.com/watch?v=zBUl-9zzxMM&feature=related

Episódio 15: The high cost of high demand: lei da oferta e da procura. Quando surge um novo produto, esperar que deixe de haver procura para que baixe de preço.
http://www.youtube.com/watch?v=x9yYtMSu1Iw&feature=related

Episódio 16: Why pay more: diferença entre preço e valor. Produtos idênticos têm diferente spreços, pq apostam de maneira diferente em publicidade e em promoção nas lojas.
http://www.youtube.com/watch?v=n1XNK7fXlIc&feature=related

Episódio 17: Tough cookies: fazer tudo bem, todos os dias. Ter disciplina. Praticar todos os dias.
http://www.youtube.com/watch?v=tSoig_hIUmc&feature=related

Episódio 18: All fall up: Falhar é essencial (cornerstone) para o sucesso. Porque falhar é bom? Os erros de hoje levam ao sucesso de amanhã.
http://www.youtube.com/watch?v=46tpu-NqcHE&feature=related

 

 

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Ainda o Bosão de Higgs


Se houve algum resultado científico que captou a atenção de muitas pessoas este ano, terá sido certamente a possível descoberta do tão famigerado Bosão de Higgs, no campo da Física.

De facto, esse tema analisado a nível internacional também teve repercussões no nosso blogue, culminando num texto da autoria da nossa colega Diana Barbosa. O texto a que me refiro é este.

Os jornalistas entraram em contacto com especialistas para que estes tentassem explicar, de um modo acessível ao público, do que tratava a descoberta e quais as suas implicações e aplicações. Um dos cientistas convidados, e que compareceu no programa Tarde Informativa da RTP Informação, foi o Manel da Rosa Martins.
(declaração de interesses: o Manel é um grande amigo dos autores do blogue).

Partilhamos o vídeo com as explicações do Manel:


sábado, 6 de outubro de 2012

Viva a República!


Celebra-se hoje, dia 5 de Outubro, o aniversário da implantação da República em Portugal, com as comemorações a realizaram-se por todo o país. 

Este ano, por motivos pessoais e profissionais, celebrei esta data na cidade de Coimbra. Posso dizer que foi um dia em cheio. Logo de manhã, prestou-se homenagem ao Major-General Augusto Monteiro Valente, recentemente falecido, com um discurso proferido por Carlos Esperança. Este discurso, em nome do Movimento Republicano 5 de Outubro (MR5O) e da Associação 25 de Abril, pode ser lido no nosso blogue, clicando neste link.

Após a homenagem, seguimos para um almoço de confraternização organizado pelo MR5O. A refeição alongou-se e,  como já a tarde ia longa, dirigimo-nos à livraria Lápis de Memória para assistir a mais uma homenagem ao Monteiro Valente, onde foi dado o seu nome à sala de eventos da livraria e onde passou a constar uma placa evocativa a este ilustre cidadão. Ainda nesta livraria, assistimos à apresentação do livro intitulado "À Boca do Inferno", da autoria de António Torrado.

Já era tarde, mas o dia ainda não terminara. Saímos daqui e deslocámo-nos para a Rua Infantaria 23, onde iria ser apresentado um novo livro: o "Memorial Republicano", da autoria historiador Amadeu Carvalho Homem, com imagens obtidas através da pesquisa de Alexandre Ramires, e que contou com a apresentação realizada por António Arnaut (outro grande vulto da sociedade portuguesa).

Foi já de noite que regressei a casa.



Sendo este um artigo dedicado à celebração da República, partilho um texto da autoria de Carlos Esperança, em que o autor relembra os valores deste regime que é o de todos nós, cidadãos:
(Nota: os sublinhados a negrito são da minha autoria)

"Viva a República

A Revolução de 1820, em 24 de agosto, o 5 de outubro de 1910 e o 25 de abril são, em Portugal, os marcos históricos da liberdade. Foram os momentos que nos redimiram da monarquia absoluta e da dinastia de Bragança; são as datas que honram e dão alento para encarar o futuro e fazer acreditar na determinação e patriotismo dos portugueses.

Comemorar a República é prestar homenagem aos cidadãos que não quiseram continuar vassalos. O 5 de Outubro de 1910 não se limitou a mudar de regime, foi portador de um ideário libertador que as forças conservadoras tudo fizeram para boicotar.

Com a monarquia caíram os privilégios da nobreza, o imenso poderio da Igreja católica e os títulos nobiliárquicos. Ao poder hereditário e vitalício sucedeu o escrutínio do voto; aos registos paroquiais do batismo, o Registo Civil obrigatório; ao direito divino, a vontade popular; à indissolubilidade do matrimónio, o direito ao divórcio; à conivência entre o trono e o altar, a separação da Igreja e do Estado.

Há 102 anos, ao meio-dia, na Câmara Municipal de Lisboa, José Relvas proclamou a República, aclamada pelo povo e vivida com júbilo por milhares de cidadãos. É essa data gloriosa que amanhã se evoca, prestando homenagem aos seus heróis.

Cândido dos Reis, Machado dos Santos, Magalhães Lima, António José de Almeida, Teófilo Braga, Basílio Teles, Eusébio Leão, Cupertino Ribeiro, José Relvas, Afonso Costa, João Chagas e António José de Almeida, além de Miguel Bombarda, foram alguns desses heróis que prepararam e fizeram a Revolução.

Afonso Costa, uma figura maior da nossa história, honrado e ilustríssimo republicano, suscitou o ódio de estimação das forças mais reacionárias e o vilipêndio do salazarismo. Também por isso lhe é devida a homenagem de quem ama e preza os que serviram honestamente a República.

Há quem hoje vire as costas à República que lhe permitiu o poder, quem despreze os heróis a quem deve as honrarias e esqueça a homenagem que deve. Há quem se remeta ao silêncio para calar um viva à República e se esconda com vergonha da ingratidão, ou saia do país com medo do desprezo.

Não esperaram honras nem benefícios os heróis do 5 de outubro. Não se governaram os republicanos. Foram exemplo da ética por que lutaram. Morreram pobres e dignos.

Glória aos heróis do 5 de Outubro. Viva a República.
"


sexta-feira, 5 de outubro de 2012

In Memoriam: Augusto Monteiro Valente


Partilho um texto de sentida homenagem a Augusto Monteiro valente, da autoria de Carlos Esperança, e que foi proferido hoje, dia 5 de Outubro, junto ao monumento ao 25 de Abril, na Cidade de Coimbra, onde estive presente. 
Fica aqui este texto para lembrarmos que o nosso país ainda tem bons homens de carácter e de valores. Que esta memória ilumine o caminho de cada um de nós.


"Comemorações do 5 de Outubro - Coimbra

Homenagem ao major-general Augusto José Monteiro Valente


Cidadão e Cidadãs

Em nome do Movimento Republicano 5 de Outubro (MR5O) de Coimbra 
e
Em nome da Associação 25 de Abril, por solicitação expressa do seu presidente, Vasco Lourenço, e aqui representada pelos cidadãos Luís Curado e Amadeu Carvalho Homem, respetivamente vice-presidente da Direção e presidente da Assembleia-Geral da Delegação Centro, integrada nas Comemorações do 5 de Outubro, vai prestar-se homenagem

Ao major-general Augusto José Monteiro Valente


Aos 68 anos, ao fim da tarde do dia 3 de setembro, enquanto o país ardia, o general Monteiro Valente deixou-nos. Partiu mais um capitão de Abril, um militar que amou a Pátria e honrou a farda, um cidadão que arriscou a vida para que Portugal tivesse uma democracia.


Fez na Guiné uma comissão onde o PAIGC já dominava o terreno e tinha superioridade militar. Partiu sem três dos quatro alferes, que desertaram antes do embarque. O último desertou depois. Aguentou, com os furriéis e os soldados, o isolamento quebrado pelos reabastecimentos lançados a grande altura de aviões que evitavam o derrube pela artilharia inimiga. Os mantimentos e munições nem sempre acertavam no alvo, que era o aquartelamento. Portou-se com bravura e percebeu aí que aquela guerra injusta já não tinha saída militar. Adquiriu a sua consciência política, com mortos para chorar, feridos para evacuar e vivos para confortar.


Foi dos mais brilhantes militares portugueses e dos mais empenhados no 25 de Abril. Transferido de Lamego, na sequência do 16 de março, com o regime receoso do seu prestígio e determinação, conseguiu sublevar o Regimento da Guarda (RI 12), onde acabara de chegar, prender o comandante, e marchar para Vilar Formoso a desarmar a Pide e controlar a fronteira ao serviço do Movimento das Forças Armadas enquanto, do outro lado, a polícia, nervosa, temia uma última loucura do genocida Francisco Franco a quem tanto agradaria fazer abortar a Revolução Portuguesa que, em breve, exportaria a democracia para lá da fronteira. Fez parte do punhado de heróis que restituíram a Portugal a dignidade e aos portugueses a liberdade.


Nunca mais deixou de estar na trincheira dos que acima da vida puseram a defesa da democracia. Licenciou-se em História, graduou-se em Estudos Europeus, foi o primeiro oficial-general a comandar a Brigada Territorial 5, em Coimbra, e terminou a carreira militar como 2.º Comandante-Geral da GNR em 2003, porque o ministro da Defesa, Paulo Portas, sempre viu nos heróis de Abril os implicados numa sublevação.


Aliou a intervenção cívica permanente ao contínuo aperfeiçoamento do saber, com um extremo respeito pela Constituição e pelo sufrágio popular. Era investigador associado do Centro 25 de Abril e do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra. Foi um excelso militar e um ilustre académico.


Foi membro da Comissão Cívica de Coimbra para as comemorações do Centenário da República e da atual comissão para defesa do feriado da data fundadora do regime. Era o presidente da Delegação Centro da Associação 25 de Abril onde, durante quatro anos tive a honra de ser seu vice-presidente e de conhecer a dimensão ética, a capacidade de trabalho e a qualidade intelectual do amigo de quase quarenta anos.


Desdobrou-se em conferências, artigos, tertúlias e palestras nas escolas onde levou aos alunos os princípios republicanos do amor à Pátria, à liberdade e à democracia. Recusou sempre o título de herói com o mesmo desprendimento com que recusou uma promoção por mérito que o Conselho da Arma lhe atribuiu pela reconhecida competência militar.

Honrou a divisa da Revolução Francesa: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Deu o exemplo e foi militante da trilogia que continua a ser a matriz do regime republicano e o lema democrático. Defendeu a laicidade como imperativo de um Estado moderno e a Igualdade como base da justiça social. Fez tudo o que pôde e o que devia. Foi para nós, membros do MR5O, um exemplo e o motor de um projeto de pedagogia cívica que temos a obrigação de prosseguir.

Monteiro Valente era um homem de uma integridade à prova de bala, com um elevado sentido da honra e do cumprimento do dever, um cidadão exemplar e um democrata.


O seu discurso da tomada de posse como comandante da Brigada de Coimbra foi uma lufada de ar fresco que percorreu a GNR. Alguns oficiais contorciam-se na tribuna e olhavam de soslaio à espera de ver a reprovação das palavras do seu comandante que preferiu advertir os militares em parada de que mais importante do que a ordem, que lhes cabia manter, era o respeito pela Constituição e a defesa dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos que ela consagrava. As autoridades locais primaram pela ausência mas, talvez pela primeira vez, em Coimbra, no comando da GNR, sob as estrelas de um oficial general brilhou um cidadão civilista que substituiu a cultura de caserna pela da cidadania.


Teve, como poucos, a noção de que a democracia só é plena em regime republicano, onde há cidadãos e não vassalos, onde se exoneram os poderes hereditários e vitalícios, onde ao alegado direito divino se sobrepõe a legitimidade do sufrágio popular. Por isso, se insurgiu contra a traição de quem rasgou do calendário o feriado comemorativo da data que mudou Portugal e foi a pedra basilar da democracia, ofendendo a cidadania, os heróis da Rotunda e a história, vilania que nem a ditadura ousou.


Partiu destroçado com o rumo dos acontecimentos políticos, de mal com o estado a que o País chegou, revoltado com a deriva ultraliberal, que o amargurava, receoso do futuro da liberdade que ajudou a conquistar.


Portugal e a democracia estão mais pobres. A família e os amigos ficaram destroçados.


Mas o seu exemplo, os seus valores e a sua generosidade ficarão como símbolos. Ele foi o melhor de nós e aquele que a História há de recordar. Quis apenas um ramo de acácia e três cravos vermelhos sobre o caixão, antes de ser cinza, mas nos nossos corações hão de florir sempre os cravos que ele plantou e a República que sonhou.


Viva o 5 de Outubro! Viva o 25 de Abril! Viva Portugal!


(Discurso proferido em Coimbra, às 12H30, junto ao monumento ao 25 de Abril)"

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

A opinião de Carrier


Uma opinião a reflectir sobre o estudo da história. Diz Richard Carrier que temos de ser cautelosos com as publicações de história escritos antes da década de 1950. As razões por ele apresentadas encontram-se no seu blog: http://richardcarrier.blogspot.pt/2007_04_01_archive.html

Quererão os nossos leitores da área da história comentar?