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terça-feira, 1 de julho de 2014

Crowdfunding de ciência


Quantos de nós têm projetos, pessoais ou profissionais, que gostaríamos de colocar em prática mas aos quais falta capital inicial de investimento? Creio que serão muitas as pessoas nesta situação. Apesar de serem diversas as estratégias para angariar esse dinheiro em falta, verifica-se que uma estratégia cada vez mais recorrente é a do Crowdfunding. 

Há várias plataformas para aceder a este serviço como o Ppl ou o Massivemov. Como funciona? Resumidamente, o promotor grava um vídeo em que explica qual é o projeto que pretende ver financiado, e as pessoas que quiserem dar o seu apoio fazem uma transferência. Daí o nome crowdfunding, "financiamento em multidão". Quem financiar, receberá uma ou mais ofertas, em troca dos dinheiro investido. Os projetos a concurso podem ser lucrativos, sociais ou com qualquer outro fim. 

Encontrei um projeto que me chamou a atenção por ser na área das ciências e que aqui partilho:

Toca a apoiar!

Ensinar e Aprender Ciência
Na fotografia, Filipa Barbosa, promotora do projeto. Fotografia retirada do site do evento.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Patrocínio, Mecenato e Crowdfunding


Um dos próximos cursos de Financiamento de Projetos Culturais através de Patrocínio, Mecenato e Crowdfunding terá lugar no Porto, nos dias 13 e 27 de Julho. Serão dois sábados, com a duração de 14 horas. 

O programa é o seguinte:

1- Introdução – Crowdfunding: uma nova lógica de financiamento através das multidões (crowd). Usos e implicações. Implementação e angariação de fundos. – Diferenças e semelhanças entre Patrocínio e Mecenato – O Marketing Cultural das empresas e o Marketing da Cultura dos projectos culturais – As Formas e os principais objectivos de Marketing Cultural das empresas 2- Patrocínio de Projectos Culturais:
2-O Patrocínio como ferramenta de comunicação empresarial: Pesquisa e adequação de propostas – Etapas da construção de um Patrocínio – Organização e redacção da proposta de patrocínio (caderno/dossier de patrocínio) – Estrutura base de um contrato de patrocínio -
3- CrowdFunding: uma nova lógica de financiamento através das multidões (crowd). Usos e implicações -Implementação e angariação de fundos – Exemplos e casos de sucesso -
4- Mecenato Cultural: Definição e tipos de Mecenato – Objectivos do Mecenato | Mecenato Cultural de empresa – conclusões de um estudo – Legislação do Mecenato – A dedução fiscal dos donativos – O Processo de Mecenato

Mais informações, aqui.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Concurso de Inovação



Já está a decorrer a 9ª edição do Concurso Inovação BES. Nos anos anteriores, os prémios têm sido entregues na área da ciência e tecnologia.

Esta iniciativa pretende "premiar e divulgar projetos de investigação, desenvolvimento e inovação em áreas de aplicação ligadas aos recursos endógenos do País e dirigidos à melhoria de produtos, processos ou serviços".

Mais informações sobre como concorrer, aqui.



terça-feira, 7 de maio de 2013

Fundraising para associações sem fins lucrativos


Apresento, de seguida, uma interessante TED Talk sobre a importância do fundraising para as associações sem fins lucrativos. O orador, Dan Pallotta, explica que se o dinheiro das doações for investido em marketing e fundraising, os lucros gerados poderão ser utilizados de modo mais eficiente na missão que a instituição pretende atingir. 


Consulte livros sobre o tema aqui.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Empreendedorismo e Sociedade


Frequentei este mês o curso Entrepreneurship and Innovation (Empreendedorismo & Inovação) disponibilizado pela NOVA Doctoral School, destinado a alunos de doutoramento da Universidade Nova de Lisboa. 

Para além das aulas, tivemos de realizar exercícios práticos em contexto de sala, assim como desenvolver alguns projectos em casa. Daqui resultou um de vários trabalhos, que consistia em definir um problema existente e encontrar a solução para o mesmo. 
Não tínhamos de nos focar necessariamente num problema de mercado, podia ser uma questão social. Assim, optei por reflectir sobre um problema global: o afastamento das pessoas da política. 
Aqui fica o filme (menos de 2 min):


Aproveito para partilhar os vídeos de que gostei, de outros participantes:
- Sobre a desigualdade de género
- Sobre a solidão na 3ª idade
- Sobre a divulgação do trabalho de artistas de rua
- Sobre o Cyber Bullying






quarta-feira, 14 de novembro de 2012

As lições de Warren Buffett


Descobri há uns meses uma interessante série de desenhos animados, em que o empresário Warren Buffett é o personagem principal, e que pretende dotar os mais novos com o conhecimento básico sobre gestão de negócios.
 
Achei interessante este conceito, por passar uma mensagem de modo acessível, sendo um bom exemplo de divulgação da disciplina de gestão (e também de valores).
 
Estes desenhos animados estão disponíveis no youtube, mas disponibilizo-os em baixo. Apresento o título do episódio, o tema e o respectivo link. A série é intitulada: "Warren Buffett’s Secret Millionaires Club".

 Sobre Warren Buffett:
É um investidor e industrialista norte-americano e um dos  homens mais ricos do Mundo. É também um homem polémico: na decorrer da crise financeira nos EUA, foi dos primeiros a afirmar que as grandes fortunas deveriam pagar mais impostos, de modo a equilibrar os sacrifícios, revoltando-se com o baixo valor de impostos cobrados aos extremamente ricos.
É ainda um filantropo, tendo doado 85% da sua fortuna à Fundação Bill e Melinda Gates. A propósito disto, Buffett, numa entrevista, disse que cada um deveria fazer aquilo em que é bom: assim, ele gera riqueza que irá ser doada a Bill Gates, para este fazer aquilo em que é bom, aplicar o dinheiro em obras sociais, como tem demonstrado no apoio à erradicação de doenças em África.
 
- Há duas mensagens principais nestes vídeos que gostaria de salientar:
"The best investment you can make is an investment in yourself" - o melhor investimento que fazes é em ti;
"The more you learn, the more you’ll earn" - quanto mais aprendes, mais ganhas.

 
- Lista de Episódios:

Episódio 1: Lemons to lemonade: localização
http://www.youtube.com/watch?v=y3gBNBtJMJw&feature=related

Episódio 2: Car wash: Promoção/publicidade
http://www.youtube.com/watch?v=1ZNySxtgEss&feature=related

Episódio 3: Dog walking: Planificação
http://www.youtube.com/watch?v=za_NIGhYFw4&feature=related

Episódio 4: Lawn and order: Poupar para investir (a penny saved, is a penny earned – Benjamin Franklin)
http://www.youtube.com/watch?v=9BD8SQOu1vc&feature=related

Episódio 5: PC’s and understanding: investir em negócios que se compreenda
http://www.youtube.com/watch?v=VGpm4dEEJgs&feature=related

Episódio 6: House of cards: as modas mudam com o tempo, não investir tudo de uma vez num determinado negócio. Aprender com os teus erros ou dos outros
http://www.youtube.com/watch?v=xByFKwg4ZIY&feature=related

Episódio 7: Debt of a salesman: evitar dívidas.
http://www.youtube.com/watch?v=3aKGc9-kP9U&feature=related

Episódio 8: The big trade off: avaliar os trade-offs (análise de vantagens e desvantagens). Estudar e aprender todos os dias algo que não se sabia.
http://www.youtube.com/watch?v=gmUr-vTq81c&feature=related

Episódio 9: The trouble with credits: Poupar em vez de usar o crédito que pode levar à falência.
http://www.youtube.com/watch?v=UK8Fw8pPT7o&feature=related 

Episódio 10: Gotta dance: trabalhar em algo que se goste. Ter 1 sonho e persegui-lo. Travalhar com paixão.
http://www.youtube.com/watch?v=D4P5aS1SdCE&feature=related

Episódio 11: It takes two: o valor da colaboração
http://www.youtube.com/watch?v=ftyaepZlGwk&feature=related

Episódio 12: Special delivery: diferenciação através da qualidade de serviço. Ser simpático, agradável, educado
http://www.youtube.com/watch?v=OOrx-MJc-BA&feature=related

Episódio 13: Learn, baby, learn: actualizar conecimentos e praticar. Tenta ser mais inteligente ao final do dia do que eras de manhã.
http://www.youtube.com/watch?v=J0mOcLil0Mg&feature=related

Episódio 14: sorry, I can’t hair you: ouvir os clientes
http://www.youtube.com/watch?v=zBUl-9zzxMM&feature=related

Episódio 15: The high cost of high demand: lei da oferta e da procura. Quando surge um novo produto, esperar que deixe de haver procura para que baixe de preço.
http://www.youtube.com/watch?v=x9yYtMSu1Iw&feature=related

Episódio 16: Why pay more: diferença entre preço e valor. Produtos idênticos têm diferente spreços, pq apostam de maneira diferente em publicidade e em promoção nas lojas.
http://www.youtube.com/watch?v=n1XNK7fXlIc&feature=related

Episódio 17: Tough cookies: fazer tudo bem, todos os dias. Ter disciplina. Praticar todos os dias.
http://www.youtube.com/watch?v=tSoig_hIUmc&feature=related

Episódio 18: All fall up: Falhar é essencial (cornerstone) para o sucesso. Porque falhar é bom? Os erros de hoje levam ao sucesso de amanhã.
http://www.youtube.com/watch?v=46tpu-NqcHE&feature=related

 

 

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Investigação científica e ...


Recentemente li um artigo do site NatureJobs sobre alternativas de emprego para investigadores científicos. O texto, intitulado Business and Science: in the market, dá a conhecer oportunidades de empregabilidade em áreas aparentemente distantes da ciência, como é o caso do Marketing, por exemplo. 

Mas faz sentido, uma vez que empresas ligadas à ciência, como a Indústria Farmacêutica, precisam de colaboradores que entendam o que estão a tentar comercializar para melhor comunicar com os clientes. Estas empresas têm contratado funcionários com uma licenciatura na área das ciências, e que eventualmente seguiram uma carreira científica até ao patamar de pos-doc, tendo posteriormente apostado numa especialização em marketing. 

 Quem fala de marketing, pode falar de qualquer outra disciplina. O ideal é tentar aliar uma saída profissional com outra actividade que se goste de desenvolver. Deste modo não só se trabalhará num emprego que contribui para a realização pessoal, como poderá, eventualmente, levar à possibilidade de criar um negócio próprio, se tiver essa intenção.

Fonte: 
http://www.nature.com/naturejobs/science/articles/10.1038/nj7406-261a?WT.mc_id=FBK_NatureJobs
 



terça-feira, 7 de agosto de 2012

Da Ciência para a Economia


A francesa Esther Duflo e o indiano Abhijit Banerjee, ambos economistas no Massachusetts Institute of Technology (MIT), fundaram, em 2003, o Poverty Lab - laboratório de estudos de combate à pobreza.

Os estudos realizados pelo Poverty Lab recorrem a um método de pesquisa científico [1], num bom exemplo de transdisciplinaridade entre áreas tão diferentes como a ciência e a economia.

Este método de pesquisa consiste em separar duas amostras da mesma população aleatoriamente: uma dessas populações é submetida a uma solução contra um problema específico, “como um método para aumentar a taxa de vacinação entre crianças” [2], a outra população não recebe nenhum tratamento – é o que em ciência se designa de população controlo. A comparação dos resultados obtidos nas duas populações indica se o programa social teve o efeito desejado. Assim, o programa social que tiver melhores resultados pode ser reproduzido em larga escala, em comunidades que apresentem características idênticas.

 Na realidade, a metodologia não é completamente inovadora em economia; o mérito desta investigadora reside, no entanto, na possibilidade do método poder ser aplicado numa escala inédita, como explica Michael Kremer, economista na Universidade de Harvard [3].

Este projecto mereceu a atenção e o apoio financeiro de Bill Gates, famoso filantropo de causas sociais, e que escreveu no seu blog: “O laboratório produz evidência científica que ajuda a tornar o esforço de combate à pobreza mais eficiente” [4].

O resultado dos vários estudos foi publicado no livro de divulgação “Poor Economics”, eleito pelo Financial Times a melhor obra de economia do ano [5].

Esther Duflo defende que a pobreza mundial pode ser combatida através de investimentos a fundo perdido de países ricos, ideia aliás já defendida por outros economistas, como Jeffrey Sachs, já mencionado neste blog.

Notas:

[1] – Referido no texto consultado como método randómico. Ignoro se será este um termo técnico, mas creio que a designação deveria ser método aleatório.
[2] – Revista Exame, nº340, p.80
[3] – Idem
[4] – Idem
[5] – Idem, pp. 78-80

Fonte: “A guru de Bill Gates”, in Revista Exame, nº340, Agosto 2012, pp. 78-80

terça-feira, 28 de junho de 2011

Novo programa de Governo


Foi hoje publicado, pela Presidência do Conselho de Ministros, o Programa do XIX Governo Constitucional, dirigido por Pedro Passos Coelho. No capítulo VI (O Desafio do Futuro), encontram-se os objectivos e acções programáticas para a Ciência (a partir da pág. 118).

A leitura deste capítulo levou-me a algumas reflexões...

Em primeiro lugar, infelizmente, este texto não parece dizer nada de concreto, apenas faz uma declaração de intenções com uma linguagem tão vaga que não se percebe em que áreas da ciência é que os apoios/cortes vão incidir. E os cortes, não nos enganemos, vão ser muitos. No entanto, no meio das expressões vagas acerca da importância da ciência para o avanço do país, intui-se o incentivo ao "apoio privado", "emprego privado", parcerias com a indústria...

A meu ver, dificilmente a ciência fundamental avança com apoios privados. As empresas privadas querem aplicações práticas para os seus investimentos, se possível imediatas, e rentáveis. Esse é o seu objectivo, e é compreensível que assim seja.

Mas, o valor do conhecimento científico nem sempre se pode traduzir em dinheiro. O início de uma nova linha de investigação muitas vezes não vai em busca de uma aplicação prática […embora muitos são os (a)casos em que mais tarde essa aplicação surgiu].

O país só avança verdadeiramente na sua cultura científica e tecnológica quando toda a boa ciência for apoiada e os cientistas tiverem uma verdadeira carreira profissional pela frente, altamente competitiva, mas também compensatória. E as agencias governamentais têm um papel fundamental neste apoio, mesmo nos países mais capitalistas e neo-liberais (como é o caso dos EUA).


NOTA: O texto completo do programa pode ser lido aqui: http://www.portugal.gov.pt/pt/GC19/Documentos/Programa_GC19.pdf


sexta-feira, 10 de junho de 2011

A Falta de Tempo na Sociedade


No livro “O Vendedor de Tempo”, o autor, Fernando Trías de Bes, conta a estória de como a personagem principal, de nome TC (Tipo Comum), criou o negócio perfeito vendendo o produto que todas as pessoas necessitam e mais desejam: Tempo. O objectivo deste negócio era facturar o suficiente para posteriormente investir no seu maior sonho, estudar as formigas-de-cabeça-vermelha.

TC era um homem adulto (cerca de 40 anos), casado, com dois filhos, com um trabalho pouco entusiasmante, uma hipoteca da casa que demoraria ainda mais 35 anos a ser paga e sem tempo livre (ou seja, um tipo comum, fazendo justiça ao nome). O livro relata as peripécias que TC vive para que aceitem a sua ideia de vender frascos com 5 minutos de tempo, e para patentear a invenção. Após muito custo, consegue obter o que pretendia e inicia o seu negócio que se torna rapidamente num sucesso, contra todas as expectativas. As pessoas aderem facilmente à ideia porque, de facto, possuem falta de tempo, e as empresas até aceitam bem a utilização do produto no local de trabalho pois isso leva à felicidade dos funcionários, a um maior bem-estar, e, consequentemente, a um menor número de faltas por doença e a um maior aumento de produtividade. Os problemas surgem quando TC decide vender cubos com 1 semana de tempo, o que leva a problemas extremamente graves para a economia do país. Posto isto, perguntas como “o que acontecerá se vender ainda mais tempo?” e “quais as possíveis soluções para os problemas que vão surgindo?” são tratadas ao longo da obra.

Este livro, mais do que um texto sobre a relação entre a Gestão e o Tempo, é um ensaio sociológico sobre a importância do Tempo, de como este deve ser valorizado pela sociedade, assim como também explica como funciona a relação entre indivíduos, sociedade, empresas e economia. Trata-se de um livro que, com um inteligente sentido de humor, aborda uma temática séria embora pouco debatida na sociedade.
Bibliografia:
Fernando Trías de Bes, “O Vendedor de Tempo – Uma sátira ao sistema económico”, Pergaminho, Cascais, 2005

A mudança na vida e nas empresas

“Quem Mexeu no Meu Queijo?” é o best-seller de gestão, da autoria de Dr. Spencer Johnson. O livro está dividido em três partes: o reencontro de alguns colegas de liceu, que serve de introdução; a estória de “Quem mexeu no meu queijo?”, a secção principal da obra; e o debate que os colegas com base na estória previamente contada, que corresponde ao sumário das ideias apresentadas, portanto a parte reflexiva, em jeito de conclusão.

Através de uma fábula, o autor conta a história de quatro personagens com personalidades muito diferentes, dois ratos e dois humanos minúsculos, que vivem felizes num labirinto até ao momento em que o Queijo, que é a base do seu sustento, desaparece. Este é um livro do qual podemos retirar ensinamentos através de metáforas, e os nomes das personagens não são excepção: o rato Fungadela apercebe o cheiro da mudança, o rato Correria é activo e pretende acompanhar rapidamente as mudanças, o humano Pigarro resiste às novidades e critica-as (comportamento semelhante ao do Velho do Restelo) e o humano Gaguinho esforça-se por se adaptar a novas situações. Assim, quando as quatro personagens se apercebem que o queijo desapareceu, têm diferentes reacções. Os ratos vão à procura de um novo queijo, enquanto os humanos ficam a lamentar-se. No entanto, cedo o Gaguinho apercebe-se que as lamentações não o levam a lugar algum e toma a iniciativa de também ele procurar um novo queijo, não se deixando tomar pelo medo e arrisca num novo percurso de vida. Pelo contrário, Pigarro só se lamenta, queixando-se da desgraça, e da negra realidade que se abateu sobre a sociedade. Ao longo da estória conhece-se o percurso tomado por estas duas últimas personagens, em que Gaguinho acaba por conseguir atingir os seus novos objectivos, enquanto o Pigarro, sempre a lamentar-se das desgraças e não acreditando que a mudança pode trazer novas oportunidades, não sairá do mesmo sítio.

Aqui, o labirinto representa a nossa vida, o queijo simboliza aquilo que nos é importante e a que já estamos habituados (um trabalho, um negócio, uma família, condições de vida estáveis, etc.), o desaparecimento do queijo indica a mudança, e as quatro personagens revelam quais as quatro atitudes que escolhemos ter quando as mudanças ocorrem na nossa vida – e vão ocorrer de certeza, porque a mudança é algo natural, parte integrante da realidade. Ou seja, por muito que queiramos não conseguiremos evitar mudanças, mas podemos escolher qual a nossa postura, a nossa reacção face a essas alterações. A melhor escolha, parece-me, é tentar dar a volta por cima, e “procurar um novo queijo”.

Bibliografia:
Dr. Spencer Johnson, “Quem Mexeu no Meu Queijo? – Como lidar com a mudança no seu trabalho e na sua vida”, 3ª edição, Gestão Plus, Lisboa, 2011

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O Empreendedor-Minuto

“O Empreendedor-Minuto” é um livro que aborda a temática do empreendedorismo e as várias etapas que se sucedem na criação de uma empresa, com recurso a uma parábola - a história de Jud McCarley, um rapaz que almeja criar o seu próprio negócio e o que tem de fazer para o conseguir. Apesar de esta ser uma obra de ficção, os autores basearam-se na sua experiência e em factos reais para atingir vários objectivos, tais como, analisar os factores necessários para a criação de uma empresa, definir o que é relevante para o empreendimento vingar, alertar para o que pode correr mal, e explicar como lidar com as situações menos boas que aparecem em qualquer projecto.
Este livro de divulgação pode ser lido por qualquer pessoa mas, arrisco-me a dizer, é mais adequado para aqueles que têm uma veia empreendedora e não sabem por onde começar. Num período de desemprego acentuado em Portugal e em que se valoriza o empreendedorismo, este é um livro a ter em conta. Como costumo referir, estes livros de divulgação podem, e devem, servir como ponto de partida para uma literatura mais técnica, no futuro.

Sobre os autores:
- Ken Blanchard é director de uma empresa de formação e consultadoria em gestão, a Ken Blanchard Companies, Inc. É conferencista e autor de diversos livros best-sellers a nível internacional.
- Don Hutson é director-geral da empresa de formação U.S. Learning, foi fundador e presidente da National Speakers Association, e é autor de diversos livros de gestão.
- Ethan Willis é director-geral da Prosper Learning, Inc. e foi galardoado com o prémio Entrepreneur of the Year Ernst&Young

Fonte Bibliográfica:
Blanchard, K.; Hutson, D.; Willis, E., “O Empreendedor-Minuto”, Gestãoplus Edições (chancela da Bertrand Editora), Lisboa, 2009 – Trad. Catarina Espadinha

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O Gestor-Minuto

“O Gestor-Minuto” é o título de um livro que tem como propósito indicar uma metodologia eficiente de gestão de empresas e equipas. Para isso, os autores recorrem à fábula de um jovem que tem como ambição tornar-se um gestor eficiente. Após viajar por vários países e ter conhecido diferentes abordagens de gestão, a personagem regressa à sua terra sem ter conseguido encontrar o que procurara. Contudo, pouco depois, ouve rumores da existência de um gestor formidável que, ironicamente, trabalharia numa cidade perto da sua. Como qualquer pessoa que sabe o que quer, foi logo conhecer esse guru da gestão, com o intuito de receber conhecimentos úteis. Devido à desilusão que havia experimentado em situações anteriores, partiu com baixas expectativas. No entanto, ao longo do livro, e à medida que vai contactando com os colaboradores do gestor, compreende que é ali que vai encontrar muitas das respostas às suas questões.
A mensagem que os autores pretendem passar é a de três regras fundamentais: os objectivos-minuto, os elogios-minuto e as repreensões-minuto; que mais não são do que dizer o essencial de um modo breve e na altura certa. De seguida explica-se porque funcionam estas regras tão bem.
Pessoalmente, considero este um “livro-minuto” porque tem as ideias-chave bem condensadas e a leitura é extremamente fluida.

Sobre os autores:
Ken Blanchard é director de uma empresa de formação e consultadoria em gestão, a Ken Blanchard Companies, Inc. É conferencista e autor de diversos livros best-sellers a nível internacional.
Spencer Johnson é formado em psicologia pela University of South California e em medicina pelo Royal College of Surgeons, e autor de diversos best-sellers.
Fonte Bibliográfica:
Blanchard, K. & Johnson, S., “O Gestor-Minuto”, 5ª reimpressão, Gestãoplus Edições (chancela da Bertrand Editora), Lisboa, 2010 – Trad. Rita Figueiredo

sábado, 30 de outubro de 2010

Sobre a Economia Portuguesa

Muito se tem discutido nas últimas semanas sobre a economia portuguesa e as finanças públicas, a propósito do Orçamento de Estado para o ano de 2011. Uns defendem que o orçamento deve ser aprovado, outros que deve ser chumbado; alguns clamam pela intervenção do Fundo Monetário Internacional (FMI), outros nem querem ouvir falar dessa hipótese; a culpa do estado das contas públicas é das décadas de governação do Partido Socialista (PS), segundo alguns, mas o Partido Social Democrata (PSD) também tem responsabilidade, acusam outros. Muito a opinião pública se tem manifestado, mas falará com conhecimento de causa?

Para uma discussão séria, as pessoas devem estar minimamente informadas e, por essa razão, divulgo livro Economia Portuguesa – As últimas décadas, da autoria do historiador Luciano Amaral, numa edição conjunta da Fundação Francisco Manuel dos Santos e da Relógio d’Água Editores.

O livro encontra-se dividido em duas partes. A primeira parte realiza uma contextualização histórica, analisando a evolução da economia portuguesa desde os anos '50 até aos dias de hoje, ou seja, relembra o panorama dos anos de ditadura, contextualiza o período de revolução, e analisa os anos seguintes, referindo as duas vezes em que o FMI esteve em Portugal (1978-1979) e (1983-1985); é, portanto, esta informação histórica que nos permitirá compreender como chegámos ao estado actual. Na segunda parte são analisados dois temas em particular: o Estado-Providência e o Crescimento Económico. O Estado-Providência, uma das mais importantes realizações a nível político, social e económico da democracia em Portugal, só foi conseguido após a denominada Revolução dos Cravos. Se bem que tenha elevados custos financeiros, também trouxe melhores condições para a vida dos cidadãos de Portugal, resultando de mais investimento da parte do Estado, particularmente na Saúde e na Educação: hoje em dia, estas duas áreas em conjunto assimilam cerca de 14% do PIB nacional. Relembre-se ainda a importância da criação do Serviço Nacional de Saúde em 1979 e as melhorias que trouxe para a Saúde Pública, como a diminuição da mortalidade infantil e o aumento da esperança média de vida, por exemplo. Quanto ao crescimento económico, é estudado o modo como o mercado de trabalho e a educação podem influenciar a economia e reflecte-se sobre a importância de cada um destes factores.

Após a leitura deste breve livro, qualquer cidadão terá mais bases sustentáveis de argumentação, falando com conhecimento de causa. Será também um bom princípio para se aventurar noutras leituras complementares, uma vez que esta obra, embora completa, é dirigida a um público alargado, sendo um bom livro de divulgação, sem grandes preciosismos académicos. Pode ser encontrado em livrarias e nalguns estabelecimentos comerciais, como o Pingo Doce.

Sobre o autor:
Luciano Amaral (Porto, 1965) é licenciado em História pela Universidade Nova de Lisboa e doutorado em História da Civilização pelo Instituto Universitário Europeu de Florença, especializado em História Económica. É docente na Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa e colunista em jornais.

Bibliografia:
Luciano Amaral, Economia Portuguesa – As últimas décadas, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos & Relógio d’Água Editores, 2010

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O Fim da Pobreza

“O Fim da Pobreza” é um livro de divulgação da área das ciências económicas, da autoria do economista norte-americano Jeffrey Sachs. Segundo a tese do autor, é explicado que é possível acabar com a pobreza extrema no Mundo se todos os países se empenharem nessa missão, como acordado no Projecto do Milénio assinado pela comunidade internacional. O Projecto do Milénio foi criado em 2002 por Kofi Annan, então Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O objectivo desta iniciativa é planear e executar um plano global que permita que vários países atinjam as medidas estabelecidas pela ONU até 2015. São oito, essas medidas, a saber: 1) Erradicar a fome e a pobreza; 2) Conseguir educação fundamental para todos; 3) Promover igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres; 4) Reduzir a mortalidade infantil; 5) Melhorar a saúde maternal; 6) Combater a Sida, malária e outras doenças; 7) Garantir o desenvolvimento em equilíbrio com a natureza; 8) desenvolver uma parceria global para o desenvolvimento.
Mas o que saliento em termos de importância neste livro é a explicação clara dos assuntos abordados, assim como a desmistificação de alguns preconceitos sociais. A mais-valia deste livro é o facto de o autor, no seu currículo, ter muito trabalho de campo, em contacto com as pessoas e com as situações dos países que analisa, quer se trata da Bolívia ou da Polónia quando sofreram hiperinflação, quer se trate da pobreza na Ásia e na África.
Na versão portuguesa, este livro conta com os prefácios do músico Bono, e do padre Vítor Melícias.
Este livro, devido à sua importância (cultural, cívica e humanista), merecerá mais desenvolvimento neste blog, o que, por uma questão de espaço, não nos é permitido fazer agora neste texto.

Sobre o autor:
Jeffrey D. Sachs formou-se na Universidade de Harvard, onde leccionou durante 20 anos. Especialista na área da luta contra a fome, doença, pobreza e a dívida de países do Terceiro Mundo, tem escrito centenas de artigos sobre estas temáticas. É director do Instituto da Terra (Earth Institute), professor na Universidade de Colúmbia, conselheiro especial do anterior secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, e director do Projecto Milénio da ONU. O seu trabalho como conselheiro económico dos governos da América Latina, Europa do Leste, Ásia e África, trouxe-lhe reconhecimento internacional.

Fonte:
Sachs, Jeffrey; “O Fim da Pobreza – como consegui-lo na nossa geração”, Casa das Letras, Cruz Quebrada, 2006 – Tradução de Paulo Tiago Bento

segunda-feira, 29 de março de 2010

Rita Coelho - Um percurso de vida

Parte II – Percurso Empresarial

Inspirada pela sua filhota, o próximo desafio foi criar a “Loja Pezinhos”, uma loja on-line, onde vende sapatos para crianças, desde os mais pequeninos que estão a dar os primeiros passos até aos mais graúdos. Desde que surgiu, a loja tem sido um gigantesco sucesso, dominando já uma importante quota do mercado português (continente e ilhas). As razões para este sucesso, passam, certamente, pelo elevado dinamismo e vitalidade da jovem empreendedora, pela soberba qualidade dos seus produtos, pela forma como trata as pessoas que procuram estes produtos com uma grande atenção, e, muito importante, estar sempre a inovar, tanto nos produtos como nos serviços. Os passos mais importantes dados pela empresa terão sido a criação do cheque-oferta, a criação de uma conta no facebook para um contacto mais de perto com os clientes e, finalmente, ter feito da loja pezinhos uma marca registada.

Recentemente, apostou na publicidade em revistas da especialidade, nomeadamente nos números de Março das revistas “Pais&Filhos” e “Super Bebés”, no mês em que se celebra o dia do Pai.

Como bióloga que é, não deixa de fora as suas preocupações ambientais, implementando-as na sua loja: a maioria das encomendas é enviada em embalagens recicladas, com o intuito de diminuir a pegada ecológica.

Em entrevista para este blog, os seus colegas definiram-na como uma pessoa inteligente, comunicativa, fantástica e optimista, e como sendo uma colega divertida, bem-disposta e despachada no que trata a resolver qualquer situação.

Fica aqui retratado o exemplo de uma mulher que dedica parte da sua vida à ciência e ao empreendedorismo, mostrando que podemos ser tudo aquilo que desejarmos, basta fazer por isso.

Fontes:
Casos de Sucesso, Linhas, Revista da Universidade de Aveiro, Ano 3, Setembro de 2006, pp. 24,25
Entrevista presencial à Dra. Rita Coelho e aos seus colegas no dia 25 de Março de 2010

Para saber mais:
Instituto Português de Malacologia (IPM): http://www.ipmalac.org/

Rita Coelho - Um percurso de vida

Parte I – Percurso Académico

Rita Coelho licenciou-se em Biologia na Universidade Aveiro, onde teve uma vida académica activa fazendo parte do Bionúcleo e da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv). Foi enquanto estagiária do Instituto da Conservação da Natureza (ICN) que leu a notícia de um projecto que ganhara o Prémio Milénio Sagres/Expresso, desenvolvido pelo Doutor Gonçalo Calado, na altura presidente do Instituto Português de Malacologia (IPM).

Sempre curiosa e extremamente interessada, foi mantendo contactos com o Doutor Gonçalo, que forneceu-lhe mais detalhes sobre este interessante projecto de reprodução de lesmas-do-mar para extracção de substâncias com fins farmacológicos. O objectivo era estudar o ciclo de vida destes moluscos opistobrânquios para que se conseguisse proceder à sua reprodução, com sucesso, em meio laboratorial, e, posteriormente, extrair substâncias químicas destes animais para análise e estudo, tendo como fim a síntese em laboratório de compostos relevantes para a biomedicina. Sendo, os opistobrânquios, animais de tamanho reduzido e a maioria sem concha, adquiriram, no seu percurso evolutivo, estratégias de protecção contra os predadores, como a libertação secreções mucosas cujas moléculas orgânicas são tóxicas para os seus inimigos, mas que revelam potenciais capacidades anti-cancerígenas e analgésicas para o ser-humano. Recorda, numa entrevista dada à Linhas, Revista da Universidade de Aveiro (2006), que foi num misto de entusiasmo e hesitação que acabou por aceitar trabalhar neste projecto. Lembrando-se da falta de experiência inicial com estas espécies de moluscos, não esquece a sapiente frase do Doutor Gonçalo Calado: “não sabes, mas aprendes”.

Tão bem desenvolveu o seu trabalho que permaneceu ligada ao IPM, agora para realizar o doutoramento em ambiente empresarial, cujo tema é “Avaliação do Potencial de Cultivo de Moluscos Gastrópodes com Interesse para a Indústria da Aquariofilia”. Com este projecto propõe estudar os ciclos de vida, o desenvolvimento embrionário e larvar, assim como realizar experiências de optimização de cultivo das várias espécies em estudo. Deste modo, dedica-se a várias áreas da Biologia: zoologia, biologia do desenvolvimento, fisiologia, histologia e ecologia, entre outras; colaborando com outras instituições como a Universidade do Algarve ou o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) no Porto.

A Dra. Rita é uma mulher que gosta de desafios e não consegue estar parada. O próximo passo foi a criação de uma empresa, que abordaremos no próximo texto.

sexta-feira, 26 de março de 2010

A Economia e a Universidade

Deixo aqui a sugestão de dois livros que li recentemente.

O primeiro, intitulado Economia para todos, aborda, de um modo simples e abrangente, os conceitos básicos para uma boa compreensão da economia. Parece-me de importante leitura atendendo aos tempos que correm, em que a economia e as contas do país estão na ordem do dia. Um cidadão bem informado torna-se capaz de emitir opiniões bem fundamentadas.
Este livro começa por dar a conhecer a macroeconomia; aborda a questão do dinheiro e a sua relação com as taxas de juro, as taxas de câmbio e a inflação; no capítulo que mais me cativou aborda a importância da expectativa dos consumidores e a sua relação com a inflação, o produto e outras variáveis macro. A segunda parte do livro é dedicada a alguns tópicos sobre o histórico e a mecânica económica de onde saliento os capítulos sobre os fundamentos do cálculo do PIB, do PNB, da depreciação e uma atenção particular dada ao investimento, poupança e empréstimos externos.
É importante referir que David Moss, o autor deste livro, não teve a ambição de tornar o leitor um expert em economia, mas apenas fornecer-lhe algumas bases para a compreensão do mundo que o rodeia.

O segundo livro, de leitura mais fácil e rápida, mas igualmente interessante, é intitulado O Futuro Inventa-se, da autoria de António Câmara, docente na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT-UNL) e fundador da empresa YDreams. Ganhou o Prémio Pessoa em 2006.
Neste pequeno livro, fala da sua experiência universitária e reflecte sobre os desafios no ensino, na investigação científica e para o empreendedorismo universitário. Ao longo da leitura é analisado o que está a ser feito nas universidades, a aposta que deve ser feita na criatividade e no empreendedorismo dos alunos, e que resultados esperar dos jovens dinâmicos e bem preparados que vão ingressar no mercado de trabalho com muito conhecimento para colocar em prática.

Fontes:
- David A. Moss, Economia para todos, Academia do Livro, Alfragide, 2009
- António Câmara, O Futuro Inventa-se - a formação de jovens criativos e empreendedores e o papel da nova universidade, Editora Objectiva, Carnaxide, 2009

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

"Bull and Bear...Markets"

Eis mais uma sugestão de leitura, desta vez virada para a área da gestão pessoal.
No último post dedicado a este assunto, falei de um livro de Camilo Lourenço, destinado ao público em geral, cujo tema central era sobre como poupar[1].
De facto, de acordo com os princípios do capitalismo, um dos principais passos para a criação de riqueza é a poupança. Tendo conseguido juntar algum dinheiro e colocado de parte, o próximo passo é investir esse dinheiro, de modo a gerar riqueza. Há vários investimentos que podem ser realizados, dependendo da quantia disponível. Ele há quem invista em obras de arte, em casas, em planos poupança reforma (PPR), noutro tipo de depósitos a prazo, investimentos na bolsa, etc. Como vemos há vários tipos de investimento, tendo em vista a rentabilização do seu dinheiro, cada um com as suas vantagens e, também, desvantagens. Tudo depende da personalidade do investidor (e. g. Se o investidor for propenso ao risco talvez invista em acções; se, pelo contrário, for mais cauteloso, talvez opte por um depósito a prazo). E o investimento é algo que é necessário realizar ao longo do nosso percurso de vida, seja porque iremos precisar de financiamento para qualquer projecto, ou para usufruto na reforma (uma vez que as reformas são, geralmente, baixas). Além disso, sejamos sinceros, se queremos uma vida melhor temos de fazer por isso, não podemos esperar que uma vida boa “nos caia do céu por obra e graça do Espírito Santo”, ou o mesmo seja dizer, não podemos (nem devemos!!) estar à espera de ajudas e benesses do Estado.
A sugestão de leitura de hoje vai para o livro com o título “A Bolsa para Iniciados”, da autoria de Fernando Braga de Matos[2]. Anteriormente já tinha publicado o livro “Ganhar em Bolsa”, um manual de cerca de 550 páginas. Devido ao sucesso desse livro e a necessidade de abordar o mesmo tema dirigido a um outro público-alvo, surge a obra sobre a qual vou falar (esta menos volumosa – cerca de 200 páginas).
Quando se fala em investir na bolsa há dois conceitos que as pessoas têm em mente: “comprar barato para vender caro” e “um grande risco associado”. Este último em especial é verdade, mas não nos esqueçamos que quanto maior o risco, maiores também serão os lucros (Daí não se dever investir todas as poupanças, mas apenas uma parte). No entanto, para minorar os riscos existentes, neste livro o autor explica: em que investir (ter uma carteira diversificada), como investir, e quando investir (principalmente durante o Bull Market). Para sabermos se é bom período para começar a investir ou se devemos aguardar mais um pouco, procedemos a uma análise técnica com o intuito de analisar a designada “Tendência Bolsista”, uma vez que, como sabemos, existem ciclos de crescimento e de decréscimo económico. Assim chegamos a dois conceitos importantes:

“(...) os prenúncios de expansão económica dão a partida para a Tendência ascendente da Bolsa, o chamado Bull Market. E depois ocorre o movimento inverso e aparece o Bear Market, a tendência descendente da Bolsa, também com diferimento.[3]”

Por outras palavras, desde que o mercado pareça dar sinais de crescimento e até atingir o seu auge encontramo-nos no Bull Market, a partir do momento em que encontramos nos gráficos as figuras de reversão, isto é, sinais de que o mercado não vai crescer muito mais, podemos esperar de seguida uma descida e aí estaremos no Bear Market (uma boa altura de vender as acções para manter os lucros). Mas tudo isto está bem explicado no livro.
Uma das maneiras de iniciar-se na bolsa é contactando o seu banco (que será o seu intermediário) onde abrirá um dossier de títulos e depois poderá realizar as suas transacções on-line, no conforto do seu lar (como as coisas evoluíram!). Também on-line tem toda a informação que poderá consultar, nomeadamente as oscilações diárias da bolsa, assim como as semanais, mensais e anuais (importantes para a Análise Técnica[4]).
Ou eu muito me engano ou estamos a entrar no designado Bull Market, pela análise técnica por mim realizada. É, portanto, esta a melhor altura para investir, tendo em vista o longo prazo, e quando este ciclo terminar quando reentrarmos novamente no Bear Market, há que vender as acções e usar a técnica “STOP LOSS” explicada pelo autor. E assim, deste simples modo, fazemos um investimento de onde retiraremos lucros. Lucros esses que poderão ser aumentados por outras técnicas que o autor divulga.
Chega de assuntos técnicos, termino a falar apenas do livro em si. Frequentemente, deparo-me com a necessidade de livros de divulgação, escritos por especialistas da área que consigam explicar conceitos complicados ou abstractos ao cidadão comum. Vejo essa necessidade não só na ciência que é a minha área de trabalho, como também na economia/gestão e em História[5]. Este livro é um claro exemplo de como esse objectivo foi conseguido. A matéria está clara, explícita, o texto vem intercalado com várias tabelas e gráficos de modo a que qualquer um possa acompanhar o raciocínio. O autor desmistifica certos preconceitos, como os investimentos na bolsa serem só para ricos e pessoas da área de economia, ou a existência de um “bicho-papão” nesses investimentos; na realidade esta é, cada vez mais, uma ferramenta que permite ao cidadão comum gerar a sua riqueza, desde que devidamente informado!!, daí a importância de ler este livro, ou outro semelhante. Além disso este livro está escrito com um bom sentido de humor e algumas citações hilariantes, como as que seguem:

“Se os mercados fossem eficientes, eu não passaria de um pedinte.” – Warren Buffett – investidor bem-sucedido e o homem mais rico do mundo”, p. 96

“Se conseguires manter a calma quando todos à volta perderam a cabeça, então é porque não percebeste a situação”. – Kipling p. 130

No entanto, o leitor tenha atenção porque há uma gralha nas tabelas da p. 137: os cálculos não estão feitos para um ganho de 5%, mas sim de 6%!! (Sim, dei-me ao trabalho de fazer as contas); na tabela de baixo, comparando as duas colunas, o ganho não é 10 vezes maior, mas sim cerca de 6 vezes maior. Seria 10 vezes se comparasse com os resultados da tabela de cima. No entanto, isto é de menor importância, pois creio que se deva a erros de formatação, nada mais. Este livro, na minha opinião está muito bom, e é uma leitura que sugiro vivamente.

Sites úteis[6]:
- o site do seu banco;
- http://www.nextbolsa.com/
- http://www.cmvm.pt/cmvm
- http://www.finbolsa.com/
- http://www.clubeinvest.com/bolsa/index.php
- http://finance.yahoo.com/
- http://www.mscibarra.com/index.jsp
- http://www.nyse.com/
- http://www.nasdaq.com/
entre outros...


Bibliografia:

Fernando Braga de Matos, “A Bolsa para Iniciados”, Editorial Presença, Lisboa, 2008



[1] http://armariumlibri.blogspot.com/search/label/Economia%2FGest%C3%A3o
[2] Na capa vem a seguinte referência sobre o autor: “(...) nasceu no Porto em 1943. Formado em Direito, exerceu advocacia e foi professor universitário. Joga na Bolsa desde 1969, desenvolvendo em simultâneo a actividade de cronista em jornais e revistas sobre economia política há cerca de 30 anos (...)”.
[3] “A Bolsa para Iniciados” (2008), p. 97.
[4] Há dois tipos de análise a ter em conta: A Análise Fundamental (AF) para escolher as acções, e a Análise Técnica (AT) “para analisar e medir o «tempo» do mercado”. Grosso modo, para realizar a AF recorre-se a cálculos, se quisermos saber, p. ex. o Price Earning Ratio (PER) ou o Dividend Yeald (DY), entre outros; e para Realizar a AT recorre-se, essencialmente aos gráficos pois o que pretendemos saber é a tendência.
[5] Em abono da verdade, tem havido um enorme esforço na área da divulgação científica e na área da Economia/Gestão, estando ao dispor do público uma panóplia de literatura sobre estes temas. Basta procurar nas grandes livrarias (FNAC, Bertrand, etc.)
[6] “A Bolsa para Iniciados” (2008), conforme pp.59-60