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sexta-feira, 16 de maio de 2014

O LIVRE nos media



Fiz uma breve compilação de algumas intervenções do LIVRE nos meios de comunicação social. A fonte desta informação é o site do partido. Agradeço às pessoas que se dedicaram a procurar as notícias, a agregá-las e a colocá-las no site.

Tempos de Antena
1º tempo de antena
2º tempo de antena

5 Minutos Europa
Carlos Teixeira
- Ana Matos Pires
Rui Tavares

- Blog do partido (Terra LIVRE)

Entrevistas
-  Rui Tavares, TSF, 14 de Maio
- Rui Tavares, Antena1, 9 de Maio
- Rui Tavares, TVI24, 8 de Maio
- Rui Tavares, Porto Canal, 8 de Maio
- Rui Tavares, SIC Notícias, 3 de Maio

Notícias
- TVI24, 15 de Maio
- TSF, 15 de Maio
- JN, 15 de Maio
- DinheiroVivo, 14 de Maio
- JN, 14 de Maio
- Correio da Manhã, 13 de Maio
- RTP, 13 de Maio
- i, 12 de Maio
- DN, 11 de Maio
- dezanove.pt, 10 de Maio
- JN, 9 de Maio
-  i, 9 de Maio
Jornal de Oleiros, 22 de Abril

Legalização do LIVRE

Eleições Primárias

No ArmariumLibri: O renascer da Esperança

Debates online com os candidatos:
- A caminho da igualdade para as pessoas LGBT na UE, 8 de Maio
- Candidatos às Europeias



segunda-feira, 5 de maio de 2014

25 de Abril no Porto


Este ano, celebrei o 25 de Abril na cidade do Porto. Aí, juntei-me ao LIVRE numa homenagem aos resistentes anti-fascistas e de seguida juntámo-nos à marcha de comemoração do 25 de Abril.

Fez 40 anos que ocorreu a Revolução dos Cravos, que se saiu do regime ditatorial, que se reconquistou a Liberdade. 

Coroa de cravos deixados à porta do antigo edifício da PIDE, no Porto, onde estiveram presos e foram torturados cidadãos opositores ao regime. Fotografia: Diana Barbosa


Marcha de comemoração do 25 de Abril, em direção à Praça da Liberdade, no Porto. Fotografia: Diana Barbosa

Ainda esta semana assisti ao documentário coletivo "As Armas e o Povo", filmado entre 25 de Abril e 1 de Maio de 1974, em que um dos aspectos que pretendeu captar foram as reações da população à revolução e aos tempos que se viviam. Quando questionadas as pessoas sobre os acontecimentos e o que esperavam daí, a resposta era unânime: Alegria e Esperança. Sim, esperança num futuro melhor, com mais educação, mais saúde, melhores condições de vida, com liberdade. 

No final, houve espaço para debate entre os convidados e o público. A certa altura, uma das pessoas da audiência disse que se deveria fazer um novo 25 de Abril. Apesar de compreender o sentido e o sentimento, terei de discordar. Acho que, isso sim, é necessário preservar os valores de Abril e defender a existência de uma sociedade com um Estado Social forte, que permita aos cidadãos terem uma vida melhor, com iguais acessos à educação e à saúde, assim com a possibilidade de auferirem uma reforma que lhes confira uma vida digna. 

Música: Trova do Vento que Passa.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

A Lista do LIVRE


Pela primeira vez em Portugal, um partido realizou eleições através de Primárias Abertas, que é algo revolucionário no panorama político nacional. Enquanto nos outros partidos são os dirigentes que escolhem os membros que irão integrar a lista, no LIVRE a lista é composta e escolhida por qualquer cidadão que se identifique com os ideais e princípios do partido.


Crédito: D. Barbosa

Como é que tudo se realizou?
Este  processo ocorreu em duas fases distintas. Numa primeira fase, os cidadãos propuseram-se como pré-candidatos à lista. Qualquer cidadão, mesmo não-militante, poder-se-ia ter proposto. Cada membro e apoiante tinha três avais disponíveis para atribuir a cada um desses pré-candidatos. Saídos os resultados, foram ordenados os pré-candidatos do 7º ao último lugar, intercalados homem-mulher, num sistema de paridade que permite igualdade de género no acesso aos lugares. Serve este processo para contrariar o registo que se tem observado de que as mulheres ficam excluídas por terem menos votos, impedindo-as de ter voz ativa na política, e por conseguinte na sociedade.
Os seis candidatos com mais votos passaram à segunda fase, onde realizaram debates e informaram os eleitores das suas ideias para melhorar a política europeia. No dia 6 de Abril realizaram-se as eleições, em que foram ordenados estes 6 primeiros candidatos. Aqui puderam votar não só membros e apoiantes, mas cidadãos independentes e militantes de outros partidos, desde que subscrevessem o manifesto eleitoral de apoio às Primárias Abertas do LIVRE. As mesas de votação estiveram abertas em Lisboa e no Porto, e a quem não se pôde deslocar por estar noutra região ou noutro país, foi dada a possibilidade de votar por correspondência.

Resultados
Os resultados saíram esta semana, e eis os candidatos ordenados e a respetiva pontuação, de acordo com a fórmula de cálculo:
  • Rui Tavares 263,683
  • Luísa Alvares 100,234
  • Carlos Teixeira 101,800
  • Ana M. Pires 98,566
  • Paulo Monteiro 89,633
  • Palmira Silva 94,066
Enquanto nos outros partidos são os dirigentes que escolhem os membros que irão integrar a lista, no LIVRE a lista é composta e escolhida por qualquer cidadão que se identifique com os ideais e princípios do partido.

A posição de alguns candidatos foi ajustada, devido ao requisito de paridade. Por exemplo, apesar do Carlos Teixeira ter mais pontos, a Luísa Álvares passou-lhe à frente de modo a termos paridade de género.
Antecipando a crítica de que o resultado foi o esperado por o Rui Tavares ficar em primeiro lugar, lembro que qualquer pessoa pôde votar, inclusive qualquer cidadão independente e não apenas os membros. Até ao momento final, tudo esteve em aberto, e foram os cidadãos (que votaram, claro) os responsáveis pelo resultado. Isto é um grande exemplo de democracia.

Como evento paralelo, esteve um grupo de músicos no Chiado que ia tocando música de acordo com as instruções dadas pelos transeuntes que eram convidados a empunhar a batuta. A iniciativa era simbólica, e pretendia demonstrar que do mesmo modo que qualquer cidadão podia conduzir aquela orquestra, também ele tem o poder para decidir o rumo do país. E isto é simplesmente lindo!


Crédito: D. Barbosa

Eis a lista final de candidatos ao Parlamento Europeu, constituída e escolhida pelos portugueses:

     1º Rui Tavares
     2º Luísa Álvares
     3º Carlos Teixeira
     4º Ana Matos Pires
     5º Paulo Monteiro
     6º Palmira Silva
     7º Pedro Vieira
     8º Safaa Dib
     9º Ricardo Alves
     10º Mariana Topa
     11º João Vasco Gama
     12º Maria João Cantinho
     13º Rafael Esteves Martins
     14º Marta Pacheco
     15º André Nóvoa
     16º Rita Paulos
     17º José Manuel Azevedo
     18º Mariana Santos
     19º Sérgio Lavos
     20º Bárbara Magalhães
     21º Pedro Abrantes
     22ºMargarida Bak Gordon
     23º Filipe Santos Henriques
     24º Mónica Lima
     25º José Costa
     26º Cláudia Vaz Pinto

Os cidadãos envolveram-se, participaram e escolheram. Os cidadãos estão a decidir o futuro do país. Porque podem, porque são LIVREs.

Outros documentos de interesse
Programa do LIVRE para as Eleições Europeias
Moção Estratégica do LIVRE: A exigência democrática

terça-feira, 1 de abril de 2014

O Renascer da Esperança


Com a Primavera, renasceu a Esperança: eis que chegou o LIVRE
por João L. Monteiro, membro do LIVRE


Este ano, o início da Primavera trouxe consigo o florescer de uma nova papoila, politicamente falando. Esta flor é o símbolo do LIVRE, o novo partido recentemente legalizado pelo Tribunal Constitucional. Este é um partido que promete ser diferente em vários aspectos, constituído na sua génese por cidadãos e não por políticos de carreira. Este é o partido da Esperança, que reúne pessoas motivadas a fazer a diferença, mobilizadas para criar um país melhor, que apresenta propostas concretas e pragmáticas para tirar o país da crise. É o partido que assenta em quatro pilares: Liberdade, Esquerda, Ecologia, Europa. Por outras palavras, é um partido que se coloca no centro da esquerda, tendo a Liberdade como valor principal, defende a permanência de Portugal na União Europeia, e que olha para ecologia como caminho para um desenvolvimento sustentável.

Já referi que é um partido diferente. Mas em que medida? Em vários aspectos, como irei demonstrar. É a renovação que Portugal precisava a nível político.

É um partido que pretende fazer convergência com outros partidos de esquerda, porque apenas juntos conseguirão derrotar a direita neoliberal que inventou uma narrativa de despesismo dos cidadãos e do Estado para justificar as medidas de empobrecimento deliberado.

O LIVRE é aberto. Existem três categorias: membros (ou militantes), apoiantes (pessoas que não querem militar, mas que podem votar) e observadores (pessoas que não querem militar nem votar, mas que querem estar presentes). As reuniões, mesmo as do Grupo de Contacto (ou direcção), da Assembleia e dos núcleos territoriais são públicas pelo que podem ser assistidas por todos os cidadãos. Os regulamentos com as regras e decisões estão disponíveis no site da internet.

É o partido que está a envolver toda a sociedade civil, ou como noticiou o Público é o partido dosmaquinistas e dos cientistas. É aqui que as pessoas poderão ser ouvidas, é aqui que elas terão voz, é aqui que poderão fazer a diferença. Aqui, os programas políticos, documentos de reflexão e regulamentos são escritos pelos membros e/ou apoiantes, emendados e votados pelos mesmos.

É o partido que está a experimentar pela primeira vez em Portugal o sistema de eleições de Primárias Abertas para escolher os seus candidatos para o Parlamento Europeu. Enquanto nos outros partidos os candidatos são escolhidos pelos dirigentes, no LIVRE são os próprios cidadãos que querem concorrer que se apresentam ao Partido. Numa primeira fase receberão os avais dos membros e apoiantes para seleccionar os 21 candidatos que irão constituir a lista ao Parlamento Europeu. Os seis candidatos com mais avais irão a uma segunda ronda para serem ordenados, e aí todos poderão decidir, mesmo as pessoas que não estão ligados ao Partido. De salientar que da lista de pré-candidatos que se apresentaram, podemos encontrar sindicalistas, historiadores, cientistas, sociólogos e até jovens estudantes.

É o partido que ouve não só quem está em Portugal mas quem já emigrou. Tem uma forte ligação ao movimento da Diáspora. Aliás, alguns dos pré-candidatos às europeias estão no estrangeiro. Pode-se dizer que um pouco por todo o mundo as pessoas estão a aderir ao LIVRE. Isto não é exagero, uma vez que temos tido emigrantes a assistir às reuniões, através de meios audiovisuais, residentes na Austrália, por exemplo.

Este é o Partido que quer sair da crise oferecendo uma alternativa realista de desenvolvimento sustentável; dos que querem investir num futuro melhor; dos que defendem o Estado Social com mais saúde e mais educação; é o partido dos jovens e dos seniores; é dos que ainda acreditam e que não baixam os braços; é dos estudantes, dos bolseiros, dos precários, dos empresários que lutam para manter os seus negócios. Este partido são os Portugueses. Este partido é o LIVRE.


É tempo de fazermos Política.


Desde a criação deste blogue que os seus autores têm tentado intervir na sociedade promovendo a cultura. Por essa razão, são os vários os temas aqui escritos e divulgados. Começámos com a ciência, a história e a literatura e, posteriormente, fomos abordando outras áreas.

Já aqui se falou ocasionalmente de política. A partir de agora, falar-se-á mais recorrentemente deste tema. Os tempos que atualmente vivemos assim nos ditam. Irei analisar alguns problemas da nossa sociedade atual, propor soluções, comentar notícias, tentar esclarecer.

Porque a política é feita pelos cidadãos, e porque somos nós os donos do nosso futuro. É altura de intervir politicamente, tendo em vista a manutenção de uma sociedade justa, igualitária e solidária.


NOTA: Tendo os autores deste blogue ideias diferentes, salienta-se que as ideias políticas expressas são da responsabilidade de cada um dos intervenientes.

sábado, 6 de outubro de 2012

Viva a República!


Celebra-se hoje, dia 5 de Outubro, o aniversário da implantação da República em Portugal, com as comemorações a realizaram-se por todo o país. 

Este ano, por motivos pessoais e profissionais, celebrei esta data na cidade de Coimbra. Posso dizer que foi um dia em cheio. Logo de manhã, prestou-se homenagem ao Major-General Augusto Monteiro Valente, recentemente falecido, com um discurso proferido por Carlos Esperança. Este discurso, em nome do Movimento Republicano 5 de Outubro (MR5O) e da Associação 25 de Abril, pode ser lido no nosso blogue, clicando neste link.

Após a homenagem, seguimos para um almoço de confraternização organizado pelo MR5O. A refeição alongou-se e,  como já a tarde ia longa, dirigimo-nos à livraria Lápis de Memória para assistir a mais uma homenagem ao Monteiro Valente, onde foi dado o seu nome à sala de eventos da livraria e onde passou a constar uma placa evocativa a este ilustre cidadão. Ainda nesta livraria, assistimos à apresentação do livro intitulado "À Boca do Inferno", da autoria de António Torrado.

Já era tarde, mas o dia ainda não terminara. Saímos daqui e deslocámo-nos para a Rua Infantaria 23, onde iria ser apresentado um novo livro: o "Memorial Republicano", da autoria historiador Amadeu Carvalho Homem, com imagens obtidas através da pesquisa de Alexandre Ramires, e que contou com a apresentação realizada por António Arnaut (outro grande vulto da sociedade portuguesa).

Foi já de noite que regressei a casa.



Sendo este um artigo dedicado à celebração da República, partilho um texto da autoria de Carlos Esperança, em que o autor relembra os valores deste regime que é o de todos nós, cidadãos:
(Nota: os sublinhados a negrito são da minha autoria)

"Viva a República

A Revolução de 1820, em 24 de agosto, o 5 de outubro de 1910 e o 25 de abril são, em Portugal, os marcos históricos da liberdade. Foram os momentos que nos redimiram da monarquia absoluta e da dinastia de Bragança; são as datas que honram e dão alento para encarar o futuro e fazer acreditar na determinação e patriotismo dos portugueses.

Comemorar a República é prestar homenagem aos cidadãos que não quiseram continuar vassalos. O 5 de Outubro de 1910 não se limitou a mudar de regime, foi portador de um ideário libertador que as forças conservadoras tudo fizeram para boicotar.

Com a monarquia caíram os privilégios da nobreza, o imenso poderio da Igreja católica e os títulos nobiliárquicos. Ao poder hereditário e vitalício sucedeu o escrutínio do voto; aos registos paroquiais do batismo, o Registo Civil obrigatório; ao direito divino, a vontade popular; à indissolubilidade do matrimónio, o direito ao divórcio; à conivência entre o trono e o altar, a separação da Igreja e do Estado.

Há 102 anos, ao meio-dia, na Câmara Municipal de Lisboa, José Relvas proclamou a República, aclamada pelo povo e vivida com júbilo por milhares de cidadãos. É essa data gloriosa que amanhã se evoca, prestando homenagem aos seus heróis.

Cândido dos Reis, Machado dos Santos, Magalhães Lima, António José de Almeida, Teófilo Braga, Basílio Teles, Eusébio Leão, Cupertino Ribeiro, José Relvas, Afonso Costa, João Chagas e António José de Almeida, além de Miguel Bombarda, foram alguns desses heróis que prepararam e fizeram a Revolução.

Afonso Costa, uma figura maior da nossa história, honrado e ilustríssimo republicano, suscitou o ódio de estimação das forças mais reacionárias e o vilipêndio do salazarismo. Também por isso lhe é devida a homenagem de quem ama e preza os que serviram honestamente a República.

Há quem hoje vire as costas à República que lhe permitiu o poder, quem despreze os heróis a quem deve as honrarias e esqueça a homenagem que deve. Há quem se remeta ao silêncio para calar um viva à República e se esconda com vergonha da ingratidão, ou saia do país com medo do desprezo.

Não esperaram honras nem benefícios os heróis do 5 de outubro. Não se governaram os republicanos. Foram exemplo da ética por que lutaram. Morreram pobres e dignos.

Glória aos heróis do 5 de Outubro. Viva a República.
"


sexta-feira, 5 de outubro de 2012

In Memoriam: Augusto Monteiro Valente


Partilho um texto de sentida homenagem a Augusto Monteiro valente, da autoria de Carlos Esperança, e que foi proferido hoje, dia 5 de Outubro, junto ao monumento ao 25 de Abril, na Cidade de Coimbra, onde estive presente. 
Fica aqui este texto para lembrarmos que o nosso país ainda tem bons homens de carácter e de valores. Que esta memória ilumine o caminho de cada um de nós.


"Comemorações do 5 de Outubro - Coimbra

Homenagem ao major-general Augusto José Monteiro Valente


Cidadão e Cidadãs

Em nome do Movimento Republicano 5 de Outubro (MR5O) de Coimbra 
e
Em nome da Associação 25 de Abril, por solicitação expressa do seu presidente, Vasco Lourenço, e aqui representada pelos cidadãos Luís Curado e Amadeu Carvalho Homem, respetivamente vice-presidente da Direção e presidente da Assembleia-Geral da Delegação Centro, integrada nas Comemorações do 5 de Outubro, vai prestar-se homenagem

Ao major-general Augusto José Monteiro Valente


Aos 68 anos, ao fim da tarde do dia 3 de setembro, enquanto o país ardia, o general Monteiro Valente deixou-nos. Partiu mais um capitão de Abril, um militar que amou a Pátria e honrou a farda, um cidadão que arriscou a vida para que Portugal tivesse uma democracia.


Fez na Guiné uma comissão onde o PAIGC já dominava o terreno e tinha superioridade militar. Partiu sem três dos quatro alferes, que desertaram antes do embarque. O último desertou depois. Aguentou, com os furriéis e os soldados, o isolamento quebrado pelos reabastecimentos lançados a grande altura de aviões que evitavam o derrube pela artilharia inimiga. Os mantimentos e munições nem sempre acertavam no alvo, que era o aquartelamento. Portou-se com bravura e percebeu aí que aquela guerra injusta já não tinha saída militar. Adquiriu a sua consciência política, com mortos para chorar, feridos para evacuar e vivos para confortar.


Foi dos mais brilhantes militares portugueses e dos mais empenhados no 25 de Abril. Transferido de Lamego, na sequência do 16 de março, com o regime receoso do seu prestígio e determinação, conseguiu sublevar o Regimento da Guarda (RI 12), onde acabara de chegar, prender o comandante, e marchar para Vilar Formoso a desarmar a Pide e controlar a fronteira ao serviço do Movimento das Forças Armadas enquanto, do outro lado, a polícia, nervosa, temia uma última loucura do genocida Francisco Franco a quem tanto agradaria fazer abortar a Revolução Portuguesa que, em breve, exportaria a democracia para lá da fronteira. Fez parte do punhado de heróis que restituíram a Portugal a dignidade e aos portugueses a liberdade.


Nunca mais deixou de estar na trincheira dos que acima da vida puseram a defesa da democracia. Licenciou-se em História, graduou-se em Estudos Europeus, foi o primeiro oficial-general a comandar a Brigada Territorial 5, em Coimbra, e terminou a carreira militar como 2.º Comandante-Geral da GNR em 2003, porque o ministro da Defesa, Paulo Portas, sempre viu nos heróis de Abril os implicados numa sublevação.


Aliou a intervenção cívica permanente ao contínuo aperfeiçoamento do saber, com um extremo respeito pela Constituição e pelo sufrágio popular. Era investigador associado do Centro 25 de Abril e do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra. Foi um excelso militar e um ilustre académico.


Foi membro da Comissão Cívica de Coimbra para as comemorações do Centenário da República e da atual comissão para defesa do feriado da data fundadora do regime. Era o presidente da Delegação Centro da Associação 25 de Abril onde, durante quatro anos tive a honra de ser seu vice-presidente e de conhecer a dimensão ética, a capacidade de trabalho e a qualidade intelectual do amigo de quase quarenta anos.


Desdobrou-se em conferências, artigos, tertúlias e palestras nas escolas onde levou aos alunos os princípios republicanos do amor à Pátria, à liberdade e à democracia. Recusou sempre o título de herói com o mesmo desprendimento com que recusou uma promoção por mérito que o Conselho da Arma lhe atribuiu pela reconhecida competência militar.

Honrou a divisa da Revolução Francesa: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Deu o exemplo e foi militante da trilogia que continua a ser a matriz do regime republicano e o lema democrático. Defendeu a laicidade como imperativo de um Estado moderno e a Igualdade como base da justiça social. Fez tudo o que pôde e o que devia. Foi para nós, membros do MR5O, um exemplo e o motor de um projeto de pedagogia cívica que temos a obrigação de prosseguir.

Monteiro Valente era um homem de uma integridade à prova de bala, com um elevado sentido da honra e do cumprimento do dever, um cidadão exemplar e um democrata.


O seu discurso da tomada de posse como comandante da Brigada de Coimbra foi uma lufada de ar fresco que percorreu a GNR. Alguns oficiais contorciam-se na tribuna e olhavam de soslaio à espera de ver a reprovação das palavras do seu comandante que preferiu advertir os militares em parada de que mais importante do que a ordem, que lhes cabia manter, era o respeito pela Constituição e a defesa dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos que ela consagrava. As autoridades locais primaram pela ausência mas, talvez pela primeira vez, em Coimbra, no comando da GNR, sob as estrelas de um oficial general brilhou um cidadão civilista que substituiu a cultura de caserna pela da cidadania.


Teve, como poucos, a noção de que a democracia só é plena em regime republicano, onde há cidadãos e não vassalos, onde se exoneram os poderes hereditários e vitalícios, onde ao alegado direito divino se sobrepõe a legitimidade do sufrágio popular. Por isso, se insurgiu contra a traição de quem rasgou do calendário o feriado comemorativo da data que mudou Portugal e foi a pedra basilar da democracia, ofendendo a cidadania, os heróis da Rotunda e a história, vilania que nem a ditadura ousou.


Partiu destroçado com o rumo dos acontecimentos políticos, de mal com o estado a que o País chegou, revoltado com a deriva ultraliberal, que o amargurava, receoso do futuro da liberdade que ajudou a conquistar.


Portugal e a democracia estão mais pobres. A família e os amigos ficaram destroçados.


Mas o seu exemplo, os seus valores e a sua generosidade ficarão como símbolos. Ele foi o melhor de nós e aquele que a História há de recordar. Quis apenas um ramo de acácia e três cravos vermelhos sobre o caixão, antes de ser cinza, mas nos nossos corações hão de florir sempre os cravos que ele plantou e a República que sonhou.


Viva o 5 de Outubro! Viva o 25 de Abril! Viva Portugal!


(Discurso proferido em Coimbra, às 12H30, junto ao monumento ao 25 de Abril)"

terça-feira, 28 de junho de 2011

Novo programa de Governo


Foi hoje publicado, pela Presidência do Conselho de Ministros, o Programa do XIX Governo Constitucional, dirigido por Pedro Passos Coelho. No capítulo VI (O Desafio do Futuro), encontram-se os objectivos e acções programáticas para a Ciência (a partir da pág. 118).

A leitura deste capítulo levou-me a algumas reflexões...

Em primeiro lugar, infelizmente, este texto não parece dizer nada de concreto, apenas faz uma declaração de intenções com uma linguagem tão vaga que não se percebe em que áreas da ciência é que os apoios/cortes vão incidir. E os cortes, não nos enganemos, vão ser muitos. No entanto, no meio das expressões vagas acerca da importância da ciência para o avanço do país, intui-se o incentivo ao "apoio privado", "emprego privado", parcerias com a indústria...

A meu ver, dificilmente a ciência fundamental avança com apoios privados. As empresas privadas querem aplicações práticas para os seus investimentos, se possível imediatas, e rentáveis. Esse é o seu objectivo, e é compreensível que assim seja.

Mas, o valor do conhecimento científico nem sempre se pode traduzir em dinheiro. O início de uma nova linha de investigação muitas vezes não vai em busca de uma aplicação prática […embora muitos são os (a)casos em que mais tarde essa aplicação surgiu].

O país só avança verdadeiramente na sua cultura científica e tecnológica quando toda a boa ciência for apoiada e os cientistas tiverem uma verdadeira carreira profissional pela frente, altamente competitiva, mas também compensatória. E as agencias governamentais têm um papel fundamental neste apoio, mesmo nos países mais capitalistas e neo-liberais (como é o caso dos EUA).


NOTA: O texto completo do programa pode ser lido aqui: http://www.portugal.gov.pt/pt/GC19/Documentos/Programa_GC19.pdf


domingo, 9 de novembro de 2008

Manifestação Professores

Hoje, no dia 8 de Novembro do ano de 2008, vivemos mais um momento histórico em Portugal. Este foi o dia em que mais de cem mil professores voltaram a manifestar-se na capital portuguesa. Passados oito meses da anterior manifestação (8-3-2008), os docentes sentiram a necessidade de se fazerem ouvir, uma vez mais. E mais uma vez, ministra da educação e governo parecem não entender estes ecos de descontentamento da classe docente. Mais uma vez, para a ministra, os professores estão a ser manipulados pelos sindicatos, mais uma vez os professores não têm razão (cerca de 120.000 professores, mais de 2/3 dos professores nacionais), mais uma vez os professores são os maus profissionais que não querem avaliação.


Eu não sou professor, mas tenho familiares e amigos que o são. Por essa razão estou dentro do assunto, sinto o seu descontentamento, e, por essa razão, sinto-me apto para opinar. Para que se saiba, os professores querem ser avaliados, não o querem é desta maneira, não com tanta burocracia desnecessária. Ainda há pouco, numa entrevista no canal da sic notícias a Dra. Maria de Lurdes, afirmou que o processo de avaliação consiste na análise das aulas dadas pelos professores assim como através de umas folhas que "demoram cerca de duas horas, no máximo, a serem preenchidas, no total do ano lectivo", nas palavras da ministra. Sim, isso mesmo, a senhora ministra não percebe onde está a burocracia de que os professores falam, pois estes só têm de dispensar "2 horas de um ano lectivo" a preencher papéis, nem percebe a que se referem quando falam das dezenas de portfólios que têm de preencher.

A verdade é que há professores, como os meus familiares, que saem de casa perto das 7horas da manhã e tornam a casa cerca das 20 horas. Ficam no local de trabalho mais horas que o devido e sem receberem mais por isso. E o que ficam lá a fazer? A preencher a "papelada" e a terem reuniões seguidas de reuniões, algumas delas sobrepostas.
Seria benéfico para todos os intervenientes que houvesse entendimento com a mais breve celeridade, que voltem a dialogar.


Nota: Este texto reflecte uma opinião pessoal. Deixo também um abraço solidário a todos os docentes do nosso país, a quem todos devemos muito.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

25/04 - O dia que se tornou todos os dias

A 25 de Abril de 1974, um grupo de militares vindo da Escola Prática de Cavalaria de Santarém chegou a Lisboa de madrugada com o objectivo de derrubar o Governo de Marcello Caetano. Face ao natural desmoronar da Ditadura, a revolução fez-se sem sangue e mudou-se o regime político em Portugal, ao fim de mais de 40 anos de oposição democrática. Os anos que se seguiram foram de instablidade política e social, com governos efémeros e descontinuidade nas reformas necessárias a um país livre, mas muito pobre. Só nos anos 80, a partir da primeira maioria de Cavaco Silva (1987), foi possível um duradouro período de tranquilidade. Muito se fez então para tentar compensar as décadas de atraso, de que ainda hoje Portugal se ressente. Entretanto, a entrada na comunidade política de países europeus, os posteriores auxílios financeiros e as reformas que tiveram lugar a um ritmo demasiado veloz, transformaram Portugal num país mais desenvolvido do que alguma vez tinha sido antes. Todavia, em 34 anos, quis-se converter numa sociedade moderna uma sociedade com sérios problemas estruturais, alguns situados antes de 1900. É nossa convicção que a democracia nunca está completamente realizada. Deve exercer-se todos os dias, não só exigindo aos governos as reformas necessárias mas também responsabilizando-se cada cidadão pelo seu âmbito de acção. Porque numa democracia moderna o cidadão já não é um elemento impotente. Com todos os meios legais ao seu dispor, não se espere que os direitos, liberdades e garantias se exerçam só por si. O cidadão também é um centro de decisão e de realização da sociedade. É por isso importante melhorar a nossa educação nas instituições próprias e estimular a curiosidade, a ousadia e o olhar crítico. Um cidadão indiferente é um número.