segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Saúde Pública – Parte 2



Uma nova Idade das Trevas?

Apesar dos inquestionáveis avanços das ciências e da medicina, e dos excelentes resultados obtidos ao longo dos anos através da vacinação, parece surgir um grupo de pessoas que recusa vacinar os seus filhos, segundo noticia o jornal Público (3), resultado de crenças infundadas e de desinformação, na minha opinião. Esta situação está a levar a uma realidade alarmante em que se verifica um ressurgimento do Sarampo na Europa, doença que deveria ter sido erradicada até 2010, mas, devido a estes acontecimentos, a meta foi adiada até 2015. Esta situação é especialmente preocupante em França, em que houve um aumento considerável o número de casos: 1544 em 2009 para 7316 Janeiro a Maio de 2011.

Em Portugal também há seguidores destas ideias bacocas, e leva-me a questionar caso os habitantes de outros países se atirassem ao mar se estas pessoas os iriam seguir sem reflectir. Digo isto, porque só quem não se dedica a pensar minimamente é que pode possuir este tipo de comportamento. Sei que as minhas palavras são duras, mas o caso é sério, e portanto vou justificar com base nas afirmações dos defensores destas ideias peregrinas. Vejamos caso a caso (4):
a) M.F. afirma que é através da alimentação que irá fortalecer o sistema imunitário da sua filha e não através das vacinas; e refuta o que outros pais dizem quando apelidam a sua atitude de irresponsável, afirmando que ela é que é “responsável”, e cito, “porque tomou nas suas mãos o papel de fazer tudo para que a sua filha seja saudável, sem vacinas que julga serem desnecessárias”. A alimentação é relevante para o correcto desenvolvimento de qualquer pessoa, mas as vacinas também são extremamente importantes para a prevenção de certas doenças, como os números acima comprovam. Além disso, a alimentação por si só não tem propriedades mágicas de cura – só alguém com baixo nível de literacia acredita nisso. Na segunda parte da afirmação ao dizer que ela é que é a “responsável” porque não vacina a filha, indirectamente acaba por acusar os outros pais, que têm uma atitude correcta, de irresponsáveis. Uma vez que a vacinação quebra a corrente de transmissão de doenças, gostaria de saber se a senhora M.F. pensa que pode ser a responsável pela continuação de certas doenças.

b) a senhora E.V. afirma que os filhos nunca tiveram nenhuma doença que apareça no PNV, e portanto acha que a vacinação não é necessária. Eu respondo: É precisamente graças ao PNV que se verifica um reduzido número de casos de doenças perigosas, e daí a reduzida probabilidade dos filhos de E.V. de serem infectados. Se não houvesse vacinação, haveria mais casos, e provavelmente hoje a senhora E.V. já não teria os quatro filhos. Dá que pensar. Além disso, demonstra as fontes em que se apoia: “… com a net é mais fácil” (5).

c) H.T., pai de dois rapazes, também recusa vacinar os seus filhos, apoiando-se em informação que também encontra na internet (6). Como todos deveriam saber, a internet nem sempre é fonte de informação fidedigna pois essa informação pode ser escrita por qualquer pessoa que não domine a área em questão; portanto devemos ser cautelosos na informação que se procura na Web, e existem algumas dicas para seleccionar sites fidedignos, como por exemplo páginas sem publicidade, sites institucionais, textos escritos por especialistas, entre outros. Para casos destes, a minha sugestão seria que estas pessoas consultassem especialistas em saúde em vez de curandeiros, e foi isso que o Público fez. Os médicos de várias especialidades, como seria de esperar, vieram criticar esta atitude de anti-vacinação, e explicar os benefícios das vacinas para a população.

Deixo ao critério de cada cidadão optar por ideias sem fundamento científico ou seguir a voz dos especialistas. (Embora, pessoalmente, julgo ser esta última a atitude mais correcta).

Referências:
(1) – Pita, J. R., “História da Farmácia”, 2ª edição, Minerva, Coimbra, 2000, pp. 172-174
(3) – Esta notícia aparece logo na capa do Jornal Público, Domingo, 3 de Julho de 2011, Ano XXII, nº7757, Edição Porto, texto de Catarina Gomes, pp. 18-19
(4) – Não mencionarei os nomes, apenas as iniciais, pois o que se pretende com este texto é informar e esclarecer, e não denegrir o bom nome das pessoas. Para informações adicionais, consultar a notícia em questão.
(5) – Idem, p.18.
(6) – Idem, p.19.

1 comentário:

João Pedro Calafate disse...

Muito interessante e útil a ser utilizado nas aulas! Um abraço, João Calafate