sexta-feira, 25 de abril de 2008

25/04 - O dia que se tornou todos os dias

A 25 de Abril de 1974, um grupo de militares vindo da Escola Prática de Cavalaria de Santarém chegou a Lisboa de madrugada com o objectivo de derrubar o Governo de Marcello Caetano. Face ao natural desmoronar da Ditadura, a revolução fez-se sem sangue e mudou-se o regime político em Portugal, ao fim de mais de 40 anos de oposição democrática. Os anos que se seguiram foram de instablidade política e social, com governos efémeros e descontinuidade nas reformas necessárias a um país livre, mas muito pobre. Só nos anos 80, a partir da primeira maioria de Cavaco Silva (1987), foi possível um duradouro período de tranquilidade. Muito se fez então para tentar compensar as décadas de atraso, de que ainda hoje Portugal se ressente. Entretanto, a entrada na comunidade política de países europeus, os posteriores auxílios financeiros e as reformas que tiveram lugar a um ritmo demasiado veloz, transformaram Portugal num país mais desenvolvido do que alguma vez tinha sido antes. Todavia, em 34 anos, quis-se converter numa sociedade moderna uma sociedade com sérios problemas estruturais, alguns situados antes de 1900. É nossa convicção que a democracia nunca está completamente realizada. Deve exercer-se todos os dias, não só exigindo aos governos as reformas necessárias mas também responsabilizando-se cada cidadão pelo seu âmbito de acção. Porque numa democracia moderna o cidadão já não é um elemento impotente. Com todos os meios legais ao seu dispor, não se espere que os direitos, liberdades e garantias se exerçam só por si. O cidadão também é um centro de decisão e de realização da sociedade. É por isso importante melhorar a nossa educação nas instituições próprias e estimular a curiosidade, a ousadia e o olhar crítico. Um cidadão indiferente é um número.

1 comentário:

Joao M. disse...

Estou de acordo.
O processo de melhorar a vida dos cidadãos é uma actividade contínua, que como referiste é da responsabilidade de todos nós.
Os portugueses têm o hábito de esperar que as coisas acontençam, mas a verdade é que alguém tem de fazer com que aconteçam, e esse alguém somos todo nós.
Se queremos falar em direitos não nos podemos esquecer que também existem Deveres. É nosso Dever contribuir de algum modo para um impulso, para uma melhoria da nossa sociedade. Se todos nós contribuirmos um pouco, o balanço final será o de um grande contributo.
Espero por um dia em que todos os portugueses tenham Orgulho da sua Pátria e que sintam que fazem parte de um enorme projecto que é a melhoria da nossa Nação.
Termino saudando:
VIVA PORTUGAL!!